- Fufufufu... Você está convidado para a primeira guerra pelo verdadeiro Santo Graal! Aqui o sistema de servos será semelhante ao que os humanos criaram e você deve conhecer. É um sistema realmente interessante. Mas agora vamos falar do que você precisa saber. Certos humanos e alguns servos me despertaram o interesse e acho que seria bem legal colocá-los juntos. Mas as regras da classe Berserker era muito idiota, então substituí pela classe Paladin. E fiz especialmente para você, caro amigo com complexo de Super Herói. Mas para deixar interessante, eu vou tirar seus selos de comandos e darei um poder especial: Qualquer mestre pode dar a habilidade Mad Enhancement* para seu servo a qualquer hora da guerra. Muito mais interessante que aquele sistema antiquado, não acha? Vocês humanos não sabem se divertir.

- ... Você está de gozação comigo? Isso não tem sentido. Um idiota aparece no meu sonho sem se identificar, começa a falar coisas sem sentido, e espera que eu acredite.

- Fufufufu... Você não crê nos poderes do Graal?

- Não tenho motivos para duvidar. Mas por que deveria acreditar em um sonho?

- Eu tenho mais pessoas para recrutar, então mais tarde aparecerei de novo. Converse com a Rin ao amanhecer, aparecerei para ela também.

- Não vou deixar você envolver ela nessa guerra sem sentido.

- Tente me deter então, Super Herói-san. Se você quer uma prova, volte ao lugar onde tudo começou. Achará alguém muito interessante lá. Bom, não importa. A menos que não se importe de eu transformar a Rin em mestre a força!

Aquelas palavras deixaram a Shirou inquieto. Agora eles eram uma família, e não queria que a Tohsaka se ferisse desnecessariamente. Ele não suportaria a perda dela. Já aconteceu tanta coisa que foge da normalidade em sua vida, que não poderia falar com certeza que isso era só um sonho. Além disso, havia determinado: Mataria aquele (aquela?) idiota de branco!


Acordei e não encontrei a Rin na cama, então fiquei desesperado. Corri até o banheiro da suíte e não a encontrei; corri até a sala, tropecei em um par de sapatos, mas não a encontrei; continuei até a cozinha, não a encontrei, mas vi que alguém havia feito um café da manhã. Vou até o jardim e vejo-a brincando com Arthur. Seu sorriso inundou minha alma como sempre fez e me trouxe uma felicidade enorme que me lembrou do que havia de conversar com ela. Precisava confirmar se aquilo era verdade.

- Rin, pode ir comigo a cozinha por um minuto? Preciso falar com você.

- Vai me dar outra bronca por largar meu sapato no meio da casa? - emburrou.

- O assunto não é esse, temos que discutir sobre algo bem mais impor... – e então ela me interrompe, com o mesmo olhar esnobe de sempre.

- Olha, estamos na Inglaterra e em uma casa no estilo ocidental, devia me deixar ser meio desleixada às vezes. Não é como se o mundo fosse acabar por causa disso. – disse me encarando, como se eu fosse brigar com ela.

- De onde saiu isso? Se apresse, preciso falar sobre algo realmente importante contigo.

Percebendo o tom de seriedade em minha voz, ela me obedeceu e me seguiu até a cozinha. Ela continuava brava comigo sem motivo, e devo admitir que ela fica linda assim. Ok, ok. Shirou, se foque no assunto!

- Você teve um sonho estranho ontem?

- Hã?

- Um sonho com um cara branco... Em um quarto branco...

- Não faço idéia do que esteja falando.

- Merda, aquele desgraçado me enganou... – Aparentemente não se deve confiar em hippies que aparecem em sonhos sem mais nem menos.

- Shirou, me conte o que está acontecendo. – Rin olhou séria para mim.

Será que devo contar mesmo a ela? Ela provavelmente vai rir de mim, vai me dizer que é para eu esquecer essa história e que sou idiota por acreditar em sonhos. Mas realmente acho que deveria contar pra ela, então vou seguir meus instintos.

- Fui convocado para uma tal "Guerra pelo verdadeiro Santo Graal", e o porta-voz dessa mensagem me disse que ia envolver você se eu não voltasse para Fubuki, e... Ah, esqueça, foi bobeira.

- Shirou, continue com a história. – Parece que ela realmente acredita nisso.

- O sonho acaba aí. Eu estava planejando deixar você e o Arthur para ir lá e investigar...

- Não seja idiota – Me disse e então bateu na minha cabeça violentamente – Os Tohsakas são os protetores de Fubuki! Eu tenho que ir lá conferir, é meu dever... – Não conseguia continuar ouvindo esse papo de mártir.

- Pode parar Rin. Como você acha que eu me sentiria se você e o Arthur se envolvessem nessa história? Só de saber que vocês estariam em perigo, eu já não lutaria com todas minhas forças. Estaria sempre preocupado com vocês. Sabe que não sou bom estrategista, então quanto menos pessoas melhor será para mim.

- Então vou precisar encher essa sua cabeça oca com os motivos óbvios? Primeiro: Você ser um péssimo estrategista, como você próprio citou. Segundo: Você me fez sujar a linhagem Tohsaka com seu sangue impuro, e não estou dizendo que não sou feliz ao lado de você e o Arthur, mas você poderia pelo menos ser mais considerado com meus deveres. Terceiro: ... – E então olhou para baixo, constrangida. – Não quero que faça com nosso filho o que meu pai fez comigo. – Lágrimas começaram a escorrer de seu rosto pálido. Estava se esforçando para falar claramente apesar de estar chorando. - E por último: Shirou, como acha que será minha vida se você morrer? Eu não posso viver sem você.

Eu não sei consolar ninguém. Especialmente a Rin, que raramente se deixa mostrar vulnerável até para mim. Então tudo que posso fazer é abraçá-la, mas devo comentar algo sobre isso.

- Você está fazendo drama demais sobre uma incerteza. De Ice Queen foi para Drama Queen? Além disso você já está a tanto tempo parada que duvido que sequer consiga me ajudar em alguma – Tentei sorrir para amenizar o clima. Mas parece a Rin me olhava com um sério instinto assassino. Ela foi até a sala de estar, pegou uma almofada e atirou na minha cara. – Hã? Por que fez isso? Foi por causa do trocadilho? Eu sei que não sou muito bom nesse tipo de coisa, mas...

- Idiota! Idiota, idiota, idiota, idiota! Nunca mais vou me abrir com você!

E então minha família e eu voltamos a Fubuki, enquanto a Rin fazia questão de demonstrar o quão irritada estava. Foram as horas mais longas da minha vida.


*Mad Enhancement=Habilidade característica da classe Berserker. Aumenta características como força, energia mágica, agilidade, resistência, etc em troca da capacidade mental do servo (quanto maior o ranking do Mad Enhancement, menos o servo terá consciência própia.)