Toda a confusão do fim de semana tinha passado e Alice não se arrependia de ter se disfarçado de policial para vigiar o palhaço. Toda essa história de que o psicopata a perseguiria até se vingar, não a afetava. Isso talvez se desse ao fato dela não estar ciente do que Coringa era capaz de aprontar, ou talvez porque a filha do Comissário encarava a vida como um jogo, no qual nunca esperava sair perdedora e também não poderia negar de que esse jogo ficaria mais interessante se tivesse o vilão como oponente.

A rotina dos estudos continuou normalmente na segunda. Ela acordou no horário certo e foi para o cursinho preparatório para a prova do concurso que almejava. Chegando lá, encontrou o melhor amigo Aaron na porta do local. Os dois se cumprimentaram e ele perguntou:

-Oi peste, como foi o fim de semana?

Alice respondeu:

-Não poderia ter sido mais perfeito.

Aaron perguntou:

-Posso saber o que aconteceu de tão maravilhoso para você estar assim?

Alice respondeu:

-Eu consegui riscar mais um dos itens da minha lista de coisas a se fazer antes de morrer.

Aaron perguntou:

-E qual foi o item?

Alice respondeu:

-Ficar cara a cara com um psicopata.

Aaron riu desajeitado e perguntou:

-É brincadeira, não é?

Alice séria respondeu:

-Não.

Aaron preocupado disse:

-Eu estou até com medo de saber quem foi o psicopata.

Alice disse:

-Foi o Coringa.

Aaron não acreditando no que a amiga tinha dito, perguntou:

-Que?

Alice perguntou:

-Por que todo mundo se espanta?

Aaron respondeu:

-Deve ser porque ele é o criminoso mais temido da cidade.

Alice revirou os olhos e disse:

-Tanto faz.

Aaron ainda impressionado perguntou:

-Tanto Faz?

Alice respondeu:

-Eu não entendo o motivo das pessoas terem tanto medo dele. Ele é só um cara maquiado.

Aaron disse:

-Aquilo é uma pintura de guerra.

Alice gargalhou e disse:

-Me engana que eu gosto. Além do mais, ele nem sabe quem eu sou.

Aaron disse:

-Com a sorte que você tem é capaz de vocês dois se esbarrarem na rua. Melhor, é ele que vai te ajudar a se levantar quando você cair na rampa do shopping.

Alice ofendida disse:

-Nossa! Como você é engraçado.

Aaron a abraçou e disse:

-Ah Alice, você sabe que eu te amo.

Alice disse:

-Falso, só falta me chamar de queridinha.

Aaron sorriu e disse:

-Mudando de assunto, a galera estava combinando de ir ao cinema hoje à noite.

Alice aborrecida disse:

-Não vai dar.

Aaron perguntou:

-Por quê?

Alice respondeu:

-Meu pai quer me levar a uma festa que o prefeito vai promover, e depois de ontem se eu não obedecer o Comissário, ele me deserda.

Aaron disse:

-Estranho, festa de segunda-feira.

Alice disse:

-Pois é, esse povo não faz nada da vida e pode dar festa quando bem entenderem.

Aaron colocou as mãos nos ombros dela e disse:

-Boa sorte.

Alice disse:

-Eu estou com um pressentimento ruim, é como se eu soubesse de que algo muito estranho vá acontecer.

Aaron retirou as mãos de seus ombros e disse:

-Claro, você vai estar lá.

Alice bufou e disse:

-Mas que audácia é essa.

Aaron disse:

-Brincadeirinha.

Alice apontou para ele e disse:

-A sua sorte é de que a primeira aula é de física com o Mestre TS, porque senão...

Aaron perguntou:

-Você ia passar a sua má sorte para mim?

Alice respondeu:

-Você ia ver o que eu ia te passar.

Logo o sinal de recolhida dos alunos soou, e os dois foram para a sala de aula.

Alice queria adiar a ida à festa o máximo que podia, mas as aulas passaram em um piscar de olhos e ela teve de ir à casa de seus pais para se aprontar. O pai tinha pedido para a filha se arrumar em sua casa, com medo de que a mesma fugisse do compromisso. Vontade de fazer isso não lhe falta, só de pensar que teria de aguentar toda aquela gente fútil por horas, Alice ficava cansada antes mesmo de encará-las de verdade.

Entrando na rua em que seus pais residiam, ela pôde ver o pai parado na porta de casa. Depois de ter tido estacionado o automóvel, ela olhou para o pai e perguntou se aproximando dele:

-Você estava me esperando?

Ele deu um beijo em seu rosto e respondeu:

-Eu queria ter certeza de que você não ia fugir do compromisso.

Alice com ar de ofendida perguntou:

-Você acha mesmo que eu, filha tão honrada e carinhosa, faria uma coisa dessas com os meus pais queridos e amados?

Gordon respondeu:

-Não, eu não acho, eu tenho certeza.

Alice cruzou os braços e disse:

-Quando eu descobrir quem é o meu pai biológico rico eu nunca mais vou me misturar com essa gentalha, então você vai ficar se lamentando - ela mudou o tom da voz e imitando o pai continuou -Ah aquela minha filha perfeita e adorada nunca mais apareceu, que saudades eu sinto dela.

Gordon riu da situação e disse:

-Você não muda mesmo.

Alice disse:

-Eu só vou parar de te atazanar no dia em que o Coringa parar de se parecer uma Drag Queen...resumindo, nunca.

Gordon sério disse:

-Eu acho melhor nós não entrarmos nesse assunto.

Alice riu e perguntou:

-Esse assunto é de matar, não é?

Gordon permaneceu, alguns segundos, em silêncio olhando para a filha. Como ela podia tratar de um assunto tão sério daquela maneira? Talvez ela não soubesse o perigo que corria por ter mexido com o homem mais perigoso da cidade.

Alice estalando os dedos na cara do pai perguntou:

-Dormiu de olhos abertos?

Gordon respondeu:

-Não, eu só pensei...

Alice o interrompeu e disse rindo:

-Você pensando? Boa piada.

Gordon a olhou repreensivo e disse:

-Eu não quero mais saber de você se meter com o Coringa.

Alice disse:

-Mas ele me pareceu tão simpático.

Gordon disse:

-Eu estou falando sério Alice.

Alice disse:

-Na minha lista, de coisas a se fazer antes de morrer, não tem mais nenhum item que envolva criminosos psicopatas, não se preocupe.

Gordon disse:

-Mesmo assim, ele pode ir atrás de você e...

Alice o interrompeu e disse:

-Ele nunca me acharia. As únicas pessoas que sabem que eu estive lá, são você e o Marcel. Além do mais eu disse para o palhaço de que meu nome era Paola Bracho.

Gordon disse:

-Eu ordenei que alguns policiais ficassem de guarda do lado de fora do seu edifício, só por precaução.

Alice disse:

-Por isso tinha uma viatura na rua quando eu fui para o cursinho.

Gordon disse:

-É para a sua segurança.

Alice disse:

-Se o palhaço aparecer lá em casa é só eu subornar ele com a minha maquiagem importada.

Gordon colocou um dos braços em volta da filha e disse:

-Vamos entrar logo, o cabeleireiro da sua mãe já chegou.

Alice perguntou:

-Nós não vamos demorar muito na festa, não é?

Gordon respondeu:

-Vamos demorar o tempo que for preciso.

Alice disse:

-Tudo bem, mas eu preferiria ir ver o filme do Pelé.

Os dois entraram a casa, Gordon subiu as escadas e Alice se dirigiu à sala, onde de cara encontrou os irmãozinhos ,que a vendo correram em seu sentido. Ela os abraçou e Kevin, o irmão do meio, perguntou:

-Você veio brincar com a gente Alice?

Alice respondeu:

-Acredite, eu queria muito ficar aqui brincando com vocês, mas não vai dar.

Mary, a irmã caçula, perguntou:

-Por quê?

Alice respondeu:

-Vai ter uma festa hoje á noite e o papai e a mamãe querem que eu vá com eles.

Kevin disse:

-AH que pena.

Alice cochichando disse para os dois:

-Vocês podem tentar convencer os dois de me deixarem ficar e...

Bárbara, a mãe dos três, entrou na frente dos filhos e disse para Alice:

-Nem pense em persuadir os seus irmãos.

Alice determinada disse:

-Você não tem provas de que eu estava fazendo isso.

Bárbara a beijou no rosto e disse:

-Como se eu não te conhecesse.

Kevin se virou para a mãe e disse:

-Deixa a Alice ficar.

Mary o acompanhando disse:

-Deixa mãe.

Alice riu e perguntou para a mãe:

-Você vai mesmo negar um pedido dos seus filhos?

Bárbara respondeu:

-Você não consegue me enrolar.

Alice bufou e disse:

-Droga.

A família já estava pronta, só faltava a babá de Kevin e Mary chegar. Logo que a tal mulher apareceu, Bárbara deu as instruções necessárias para ela e em seguida os três se dirigiram a festa.

Quando chegaram ao salão luxuoso, Alice perguntou:

-Qual é o motivo da comemoração?

Gordon respondeu:

-É a comemoração da candidatura de reeleição do prefeito.

Alice riu e disse:

-Nossa que irônico.

Bárbara perguntou:

-O que você quis dizer com isso?

Alice respondeu:

-Esse tal prefeito, tecnicamente falando, vai se reeleger para novamente cuidar dos interesses e necessidades da população de Gotham, mas aposto que essa festa luxuosa foi financia com o dinheiro do povo que ele diz que defende – ela olhou ao redor e continuou – e olhando para essas pessoas, não vejo nenhum cidadão de classe baixa. Classe baixa essa que mais precisa da ajuda dele. Ao contrário, só deve ter a elite aqui – Alice arregalou os olhos e disse – elite essa que não precisa de ajuda nenhuma.

Gordon disse:

-Você está sendo injusta com esse comentário.

Alice perguntou:

-Por quê?

Gordon respondeu:

-Essa festa foi organizada para a elite, porque é ela que vai financiar a campanha eleitoral do prefeito. A comemoração com o povo de Gotham foi ontem no desfile. Você sabe disso, foi lá que a polícia conseguiu prender o Coringa.

Alice bufou e disse:

-Claro, dá-lhe pão e circo para o povo.

Bárbara advertiu:

-Alice!

Alice perguntou:

-Só uma pergunta, vai ter alguém aqui que eu conheça?

A mãe respondeu:

-Não.

Alice disse:

-Então eu vou arrumar um lugarzinho qualquer no canto para dormir, aposto que deve ser mais interessante do que conversar com qualquer pessoa aqui.

Gordon ordenou:

-Você não vai a lugar algum.

Alice levantou uma das sobrancelhas e disse:

-Ah é mesmo, então eu vou contar uma piada.

Os pais disseram juntos:

-AH não!

Alice limpou a garganta e disse:

-Newton, Einstein, Pascal e Gauss estavam brincando de esconde-esconde na floresta. Einstein foi contar enquanto os outros se escondiam. Pascal saiu correndo e Gauss se escondeu atrás de uma árvore. Newton ficou parado e pensou por alguns segundos, pegou um giz do bolso e desenhou um quadrado de 1 metro de altura e 1 metro de largura e ficou em pé dentro dele. Einstein terminou de contar e se virou. Logo viu Newton e gritou:

-Te achei Newton.

Newton respondeu:

-Você não me achou, você achou Pascal.

Logo que acabou de contar, ela gargalhou até lágrimas brotarem de seus olhos, diferente dos pais que permaneceram sérios. Para a surpresa de Alice, alguém tinha achado graça de sua anedota. Uma risada se entrelaçou a dela e quando olhou para ver quem tinha tido gostado de sua piada, viu um homem elegante a encarando de perto.

"Nossa que colírio" Pensou Alice.

O tal homem era muito bonito. Tinha os cabelos loiros e os olhos azuis. Era alto e a massa muscular era muito bem distribuída. Sem contar que era inteligente por ter entendido a piada de nerd que ela tinha contado.

Em toda a sua vida, Alice sempre preferiu admirar os morenos, mas aquele homem tinha sido a exceção mais interessante que já tinha passado pelos seus olhos.

O homem disse:

-Ótima piada.

Alice disse:

-Obrigada.

Ele gentilmente pegou a mão dela, deu um beijo e disse:

-Meu nome é Antony Lewis.

Alice disse:

-Meu nome é Alice J Gordon.

Antony perguntou confuso:

-J?

Alice respondeu:

-Prefiro não revelar o que significa o J. É constrangedor para mim.

Bárbara perguntou:

-Você acha o meu sobrenome constrangedor?

A filha respondeu:

-Acho.

Ela olhou para Antony e disse:

-Esses são os meus pais, Jim e Bárbara Gordon.

Todos se cumprimentaram e o rapaz perguntou:

-Gordon, o Comissário?

Gordon respondeu:

-Sou eu sim.

Antony disse:

-É um prazer conhecê-lo Comissário.

Gordon disse:

-O prazer é todo meu...bem acho que a Alice já encontrou companhia.

Ele segurou a mão da esposa e disse:

-Vamos falar com o resto do pessoal Bárbara.

Bárbara disse:

-Ótima ideia.

Alice gaguejando disse:

-Mas...mas...

Antony perguntou:

-Então, o que uma garota que conta piadas inteligente faz da vida?

Alice respondeu:

-Eu sou médica, mas no momento eu estou só estudando para participar de um grupo de pesquisas no Brasil.

Antony perguntou:

-Pesquisas com que fundamento?

Alice respondeu:

-O grupo que passar nesse concurso vai ser destinado a pesquisar, na Amazônia, a cura de doenças endêmicas. Além disso, nós também vamos cuidar da saúde da população carente de lá. A base disso vai ser fundamentada na medicina preventiva, assim como é feito em Cuba.

Antony impressionado disse:

-Nossa! Ações como essas que deveriam ganhar uma festa em comemoração.

Alice perguntou:

-Você também veio à força, não foi?

Antony sorriu e respondeu:

-Sim, um amigo me implorou para que eu viesse. Eu tentei arrumar uma desculpa, mas não deu certo.

Alice disse:

-No meu caso eu não podia nem arrumar desculpas, o Comissário me conhece muito bem.

Os dois riram juntos e Antony perguntou:

-Nós temos muita coisa em comum, você não acha?

Alice cruzou os braços e respondeu:

-Ah é mesmo?

Antony disse:

-Nós dois não queríamos estar aqui. Nós dois fomos obrigados a vir e para finalizar, gostamos de piadas de nerds.

Alice riu e disse:

-No caminho para cá eu fiquei contando os minutos para não chegar nessa festa, porque eu pensei que não ia ter nada de interessante, mas eu acho que eu me enganei.

Antony disse:

-Mais uma coisa em comum.

Alice sorriu e Antony perguntou:

-Nós poderíamos sair um dia desses, o que você acha?

Alice respondeu:

-Eu só tenho tempo disponível no sábado e a noite.

Antony disse:

-Então está combinado, esse sábado eu te levo para jantar.

Alice desconcertada disse:

-Me desculpe, mas esse sábado não vai dar, eu já combinei de sair com os meus amigos do cursinho.

Antony desconfiado perguntou:

-Não é uma desculpa para não sair comigo, é?

Alice sorriu e respondeu:

-Na verdade é sim. Acontece que eu acabei de sair de um relacionamento longo e não queria me envolver com ninguém.

Antony sorriu e disse:

-Entendo, mas nós podemos sair como amigos.

Alice disse:

-Claro.

Antony olhando para os lados disse:

-Eu quero que você conheça o responsável por eu estar aqui.

Os dois se dirigiram até o amigo, que não longe dali, estava conversando com duas mulheres. Chegando lá, Antony cutucou o fulano que se virou no mesmo instante.

Quando Alice viu de quem se tratava disse:

-Você?

O homem a olhou e disse:

-Você?

Antony estranhou a reação dos dois e perguntou a Alice:

-Você conhece o Bruce?

Alice respondeu:

-Infelizmente sim.

Bruce disse:

-Ontem mesmo você dizia o quanto a elite dessa cidade é hipócrita e hoje te vejo participando de uma festa da mesma elite que você aparentemente odeia.

Alice disse:

-Eu não queria estar aqui, foi o meu pai que me obrigou a vir.

Bruce perguntou:

-Você não acha que está muito grandinha para fazer o que o papaizinho quer?

Alice respondeu:

-Se você fosse filha de um Comissário você pensaria diferente.

Bruce perguntou:

-Você é filha do Gordon?

Alice respondeu:

-Sim.

Bruce disse:

-Me admiro que um homem tão honrado tenha uma filha tão mimada e impertinente como você.

Alice ofendida perguntou:

-Que?

Bruce respondeu:

-É isso mesmo que você ouviu.

Alice disse:

-Você não tem moral para falar de mim, senhor Mauricinho Wayne, um dos homens mais ricos do país.

Antony se colocou entre eles e disse:

-Eu acho melhor acabar com a discussão.

Bruce disse:

-É melhor mesmo.

Alice pegando no braço de Antony disse:

-Vamos para outro lugar.

Os dois se afastaram de onde o bilionário estava. Na mesma hora Alfred, o mordomo de Bruce, que estava por perto se aproximou do bilionário e perguntou:

-Quem era essa moça?

Bruce respondeu:

-A filha do Gordon.

Alfred perguntou:

-E qual era o motivo da discussão?

Bruce respondeu:

-Ela é uma daqueles típicos pseudo- moralistas, que acham que podem criticar tudo e todos.

Alfred perguntou:

-E admirável encontrar uma moça tão nova com esse tipo de ideal, não é mesmo?

Bruce respondeu:

-Eu acho que você não ouviu quando eu disse pseudo – moralista.

Alfred sorriu e disse:

-Ter opinião própria está longe de ser algo falso, patrão Bruce.

Bruce disse:

-Só me admiro dela ser filha do Comissário.

Alfred perguntou:

-Ela te deixou intrigado, não deixou?

Bruce perguntou:

-O que você quer dizer com isso Alfred?

Alfred respondeu:

-Nada senhor, eu só acho que o desdém repetitivo é fruto de um interesse do qual não enxergamos.

Bruce riu e disse:

-Dessa vez você está errado.

Alfred perguntou:

-Tem certeza?

Bruce respondeu:

-Eu nunca me interessaria por uma menina mimada que acabou de sair das fraudas.

Alfred dando as costas disse:

-Está bem senhor Bruce, depois nós combinamos o preço da aposta.

A festa continuou normalmente, todos estavam conversando e se divertindo quando de repente um tiro foi disparado no teto do salão por ninguém mais ninguém menos que Coringa que invadiu o local com dezenas de capangas.

O criminoso andou em direção ao meio do local e perguntou:

-Não tenha medo, querida plateia, eu só quero saber onde está o Comissário Gordon.

Alice olhou para todos os lugares e não conseguiu localizar o pai. Distraída em achar Gordon ela não percebeu que o palhaço estava vindo em sua direção.

Coringa disse:

-Olha só quem eu vejo.

Ela lentamente se virou e olhando para o palhaço disse:

-Me desculpe senhor palhaço, mas creio eu que nunca te vi na minha vida.

Ele gargalhou e disse:

-Ah querida, eu nunca esqueço o rosto das vítimas que eu quero liquidar.

Alice disse:

-É...é...mas todo mundo pode se enganar.

Ele parou de se aproximar e pendendo o pescoço para o lado disse:

-Eu nunca me engano.

Antony se colocou na frente de Alice e disse:

-Deixe-a em paz.

Coringa disse:

-Uhh, parece que você tem um namorado bem corajoso ao seu lado. Pena que ele não vai me ver acabando com você.

Sem poder se defender Antony levou um soco de um dos capangas do criminoso e caiu no chão inconsciente.

Coringa se aproximou mais dela e disse:

-Bem, agora a conversa é somente entre nós.

Coringa a imobilizou, pegou uma faca de seu paletó e encostando o objeto ao pescoço dela disse:

-Eu tenho que confessar que vai ser uma pena desfigurar um rosto tão perfeito.

Alice disse:

-Então não desfigura.

Ele gargalhou e perguntou:

-Mas e como fica a minha credibilidade?

Alice perguntou:

-Que credibilidade?

Ele apertou ainda mais a faca no pescoço dela e perguntou:

-Você quer saber como eu consegui essas cicatrizes?

Ela calma respondeu:

-Não.

Coringa riu e perguntou:

-Você quer dar uma de corajosa?

Alice respondeu:

-Não, só acho que se você quiser desabafar com alguém, o melhor lugar para isso é um consultório psiquiátrico. Olha, eu posso até te indicar uma psicóloga muito boa que eu conheço, o nome dela é Beatrice do Prado.

Apertando mais a faca em seu pescoço ele disse em tom ameaçador:

-Você tem noção de que por causa dessas brincadeirinhas eu vou te degolar e ficar rindo da sua cara enquanto você agoniza.

Alice disse:

-Só tenho uma coisa a dizer: perco a vida, mas não perco a piada. Chupa essa manga.