O que dissera Alice, fez com que uma guerra de questionamentos integrasse a mente insana do psicopata, que somente fitava os seus olhos aos da vítima sem dizer uma só palavra. A falta de medo nos olhos dela o intrigou muito, mas o ápice de toda a situação era a audácia de fazer piadas em um momento que para muitos seria de total desespero. Ainda mais se tratando do criminoso mais temido de Gotham.

Então, estando em total devaneio, Coringa foi golpeado por Batman que acabara de chegar sem ser percebido pelo vilão, e com o ataque surpresa, o palhaço soltou Alice que ficou olhando o Cavaleiro das Trevas em ação.

Alfred que estava por perto a afastou do combate para que não ficasse vulnerável ao criminoso como acontecera anos atrás com Rachel, amiga de Bruce.

Era impressionante como apenas um homem podia dar conta de dezenas de bandidos e ao mesmo tempo impedir que os convidados se machucassem. Seus golpes tão ensaiados e certeiros deixariam qualquer inimigo com receio, mas Coringa não! Ele tentava a todo custo golpear o morcego e até usava os capangas como escudos humanos.

Não demorou muito e o pelotão da polícia invadiu o salão, e por causa da ameaça o psicopata pegou a primeira vítima que estava ao seu alcance e a fez de refém.

Com uma faca do pescoço de uma mulher, que desesperada tremia de medo, disse:

-Muita calma minhas rosquinhas ("policiais") favoritas, senão essa senhorita aqui – ele apertou ainda mais a faca no pescoço dela – vai pagar pela imprudência de vocês.

Batman tentava achar um meio de salvar a vítima e ao mesmo tempo aprender Coringa. Nisso perguntou:

-O que você quer?

Coringa riu um pouco e respondeu:

-Querida Batsy, eu só quero proporcionar um pouco de diversão aos cidadãos dessa cidade tão pacata – ele gargalhou com um tom totalmente divertido e continuou - Prova disso é que eu acionei bombas nesse edifício que vão explodir em menos... – ele olhou para o relógio da mão livre - ...de 1 hora.

Todos no recinto ficaram apavorados, mas em contra partida não podiam fazer nada, a vida de todos estava nas mãos do palhaço maníaco mais uma vez.

Batman se aproximando um pouco disse:

-Chega de joguinhos!

O criminoso inclinou um pouco a cabeça e disse ligeiramente irritado:

-Eu não faço joguinhos.

Batman perguntou:

-O que você estaria provando, explodindo esse lugar? Que você é um doido varrido sem razão alguma?

Coringa jogou a vítima no chão, que aos prantos se afastou o mais rápido que podia do vilão e com isso se misturou a multidão que estava tão desnorteada quanto ela.

O palhaço guardou a faca em um dos bolsos do paletó e disse desapontado:

-Em todos esses anos você nunca aprendeu nada, não é? – ele com uma das mãos arrumou o cabelo para trás e continuou - Como eu sou uma pessoa caridosa eu vou fazer um acordo com vocês – ele fez uma pausa - eu reconsidero a ideia de matar todos vocês se no lugar vocês me entregarem uma única pessoa.

Todos olharam para Batman e o palhaço disse:

-Não, não, não, eu não estou falando da Batsy.

O criminoso apontou para Alice e disse:

-Já que, quem eu vim buscar faltou a aula, eu me satisfaço com a filhinha dele.

Alice indignada perguntou:

-Quem?Eu?

Coringa caminhou em seu sentido e sem a menor paciência respondeu:

-Não, a rainha da Inglaterra.

Alice aliviada disse:

-Ufa, eu pensei que era eu.

Ele que já estava quase em sua frente, perguntou sorrindo:

-Até onde vai o seu bom humor? Porque quando eu começar a brincar com você, o seu mecanismo de defesa vai falhar e...

Batman o interrompeu e disse:

-Você não vai machucá-la.

Coringa pegou no braço dela, a colocou em sua frente e perguntou com o tom de voz de uma criança inconformada:

-Não seja injusto com todos os cidadãos que estão aqui morcego, não é vantagem para um herói como você dizer que salvou centenas de pessoas em vez de uma só?

Batman respondeu:

-Uma vida não é menos importante do que centenas.

Coringa sorriu e disse:

-Eu acho que você não entendeu o que eu disse antes – ele mudou o tom de voz para mais grave e irritado -eu vou explodir esse edifício com todos aqui dentro.

Alice sentia como se estivesse em meio a uma batalha do bem contra o mal, mas por mais estranho que parecesse aquela sensação não lhe causava medo, com todas as consequências que aquele conflito poderia gerar, na verdade ela se sentia empolgada com toda a situação. Seu subconsciente pedia por mais ação. Ela calma disse:

-Eu acho que você não implantou bomba nenhuma aqui e que não tem nenhum dispositivo com você, pronto falei.

O criminoso sorrindo perguntou:

-Você duvida linda?

Alice respondeu sem pensar:

-Duvido.

Coringa pegou uma arma no bolso do paletó e largando Alice apontou o armamento em sua cabeça. Com a mão livre pegou o dispositivo da bomba num outro bolso e mostrando para ela perguntou:

-Você ainda duvida?

Ela arregalou os olhos e respondeu:

-Não.

Coringa disse:

-Sabe, eu já perdi muito tempo com você e como eu sou um homem de negócios eu não posso me dar ao luxo de saciar meu desejo de te tortura então – ele se aproximou dela- por causa do seu senso de humor eu vou te dar uma morte rápida.

Alice perguntou:

-Eu tenho direito as minhas últimas palavras?

Ele respondeu:

-Claro.

Ela fechou os olhos e disse:

- Tchuin-Tchuin-Tchunclain!

O vilão riu abafado e perguntou confuso:

-Que?

Alice respondeu cantarolando:

-Quando alguém faz um discurso, utiliza este recurso, se lhe fazes perguntas: Tchuin-Tchuin-Tchunclain!

No mesmo segundo que acabou de cantar, Batman segurou Coringa por trás e imobilizou o braço que estava com a arma, fazendo o objeto cair no chão, Alice se apressou e pegou o dispositivo que estava na outra mão do criminoso.

Coringa gargalhou e disse:

-Fico comovido com a nova dupla dinâmica.

Batman disse:

-Agora você vai para a Arkham para nunca mais sair de lá.

Coringa sorrindo disse:

-Eu não teria tanta certeza, Batsy.

Coringa deu uma cotovelada no morcego, tirou uma faca do bolso, acertou-o no ombro e com isso Batman caiu no chão.

O psicopata olhou para Alice e gritou sem paciência:

-Me dê isso agora!

Ela correu em direção à sacada, que estava bem atrás dela, jogou o aparelho para fora do salão e se virando disse para Coringa:

-Ah desculpe escorregou da minha mão, foi sem querer, querendo.

Ele a posicionou para fora da grade de segurança e perguntou:

-Sabe como ensinar gravidade a uma mulher?

Alice hesitante perguntou:

-Não seria a jogando da sacada de um edifício no 20º andar, seria?

Coringa sorriu e respondeu:

-Você é esperta, engraçada e bonita, se eu não tivesse que te tacar daqui , até te chamaria para sair.

O criminoso sorriu em deboche e a soltou para se encontrar com a morte lá embaixo. Durante a queda, o seu coração bombeou o mais rápido possível de sangue pelo seu corpo, como aviso de que alguma coisa estava errada, e seu cérebro parecia que estava se desligando aos poucos.

Estudos afirmam de que quando uma pessoa cai de uma altura como a do 20º andar, o seu cérebro desliga segundos antes do corpo chegar ao solo de vez. E era exatamente isso o que estava acontecendo com ela, seu corpo estava se despedindo da vida.

Para sua sorte, Batman se jogou atrás dela, logo depois que o palhaço a soltou. Quando a alcançou, segurou o seu corpo com um abraço e abriu a capa plana para diminuir a velocidade da queda.

Os dois caíram em cima do capô de um carro, que estava estacionado em frente ao edifício, e por causa da força resultante estrondosa com que chegaram ao veículo, provocaram perda total ao automóvel, sua frente ficou absolutamente amassada e os vidros da frente e das portas viraram uma mistura de farelo com cacos do material.

Mas o mais surpreendente estava por vi, o cavaleiro das trevas aproximou o se rosto ao dela, e a beijou. Alice não sabia se o afastava ou retribuía o gesto, a verdade era que a queda tinha a afetado de tal forma, que os suas reações permaneceram adormecidas por alguns minutos.

Quando ele se afastou de seu rosto ela disse:

- O que você acha que está fazendo, não é só porque você me salvou que pode se aproveitar da minha boa vontade.

Batman parecia estar mais surpreso do que a própria Alice que disse:

-Eu estou falando com você.

Nesse instante a voz de Gordon pôde ser ouvida de longe, e com isso ela se virou para encontrar a figura do pai, depois que e voltou para frente novamente, o defensor de Gotham tinha desaparecido.

Gordon que agora estava perto da filha perguntou:

-Alice, como você está?

Ela se sentando no capô do carro respondeu:

-O meu dia não poderia ter sido mais perfeito, primeiro um psicopata me joga do 20º andar e depois um morcego gigante me beija, eu tenho cara de morcego fêmea por acaso?

Gordon parecendo inconformado disse:

-Eu não sei o que deu nele Alice.

Alice revirou os olhos e perguntou:

-E como está a mamãe?

Gordon respondeu:

-Ela já está em casa cuidando dos seus irmãos, acompanhada do policial Marcelo.

Alice disse:

-Acho melhor nós subirmos para você dar um jeito na situação.

Gordon preocupado perguntou:

-Você tem certeza de que quer voltar lá?

Alice com a ajuda desceu do carro e respondeu:

-Claro, há essas horas o palhaço já está longe daqui e eu preciso ver como o Antony está. Ele se colocou na minha frente quando o Coringa ia me atacar.

Gordon disse:

-Rapaz corajoso, você deveria dar uma chance a ele.

Alice bufou de raiva e perguntou:

-Porque você não se comporta como um pai normal e me proíbe de sair com garotos?

Gordon sorriu e respondeu:

-Deve ser porque eu confio na minha filha e sei que ela sempre faz o que é certo.

Alice apertando os olhos disse:

-Sei, sei...

Os dois entraram no edifício e subiram até o andar da festa, quando as portas se abriram todos se voltaram para eles e começaram a bater palmas para Alice.

O prefeito da cidade se dirigiu a eles e disse:

-Muito obrigado por ter ajudado a nos salvar hoje Alice, se não fosse você, todos estariam mortos.

Alice sorriu e perguntou:

-De nada, eu só queria saber como o Antony Lewis está?

Antony se aproximando disse:

-Eu estou bem.

Alice o olhou e disse:

-Eu fiquei preocupada com você.

Antony sorriu para ela e disse:

-Você foi muito corajosa e eu digo por todos aqui que você salvou o dia.

Um homem que estava próximo disse:

-Tinha que ser filha do Comissário para ter essa bravura.

Alice disse:

-Meu pai é um frangote, não se engane com a cara de corajoso do Zé do Bigode.

Gordon olhou torto para a filha que disse:

-Brincadeira, meu pai até que presta para alguma coisa.

Todos no salão bateram palmas e Gordon avisou:

-Acho melhor todos irem para casa, eu vou levar os capangas do Coringa para a prisão e me certificar de que eles nunca mais vão sair de trás das grades.

Antony disse para Gordon:

-Se o senhor permitir eu posso levar a Alice para casa.

Gordon disse:

-Não vai dar, eu vou precisar dela para testemunhar sobre o caso na delegacia.

Alice olhou para todos os criminosos que faziam um circulo no meu do salão, e procurou o palhaço no meio deles, mas como previa não o encontrou, nisso perguntou para Antony:

-Como o Coringa escapou?

Antony respondeu:

-Logo que você foi arremessada pela sacada ele pegou outra pessoa como vítima e a usou com escudo até sair daqui.

Gordon perguntou:

-A pessoa está bem?

Antony respondeu:

-Pelo que eu soube, ele a largou no meio da rua e fugiu.

Alice olhou para o Comissário e perguntou:

-Eu não posso testemunhar amanhã, pai?

O pai respondeu:

-Eu sinto muito querida.

Alice chutando o chão com um dos pés reclamou:

-Tudo eu, tudo eu.

Antony disse:

-Se vocês quiserem eu posso ir junto, afinal eu sou testemunha também.

Gordon disse:

-Claro rapaz, pode ir conosco.