O trio saiu do edifício de luxo e seguiram em direção à delegacia, onde Alice faria o depoimento em respeito ao ocorrido na festa com o psicopata. Antony foi em seu carro, enquanto a filha do Comissário o acompanhava.

A mente de Alice não sabia no que tornar assunto principal de seus pensamentos naquele momento, se deveria se lembrar do beijo que o Cavaleiro das Trevas tinha lhe roubado, ou se deveria ter como protagonista o palhaço que tinha a jogado de uma altura de vinte andares.

Todas essas confusões só a deixava mais atraída ao perigo. Toda essa adrenalina excitante que tinha sentido naquela noite, superava a de sua vida inteira. E mesmo que o pai a repreendesse com broncas repetitivas, nada mais a faria sair dessa encruzilhada arriscada.

No meio do caminho à delegacia, o Comissário disse:

-Sabia que isso só podia terminar mal.

Alice virou o rosto para olhar para o pai e disse:

-Ah relaxa pai.

Gordon levantou uma sobrancelha e perguntou:

-Como você pode ficar tão calma com tudo que aconteceu?

Alice riu e respondeu:

-O que eu deveria estar fazendo agora? Chorando por causa de um psicopata que tentou me matar? – ela fez e apontando para o pai disse – Se eu tivesse morrido lá, a culpa ia ser sua.

Gordon exaltado perguntou:

-Eu?

Alice balançou a cabeço e perguntou:

-Claro, quem foi que me obrigou a vir a essa festa?

Gordon respondeu:

-Mas aquele maníaco só te fez como refém por causa daquele dia que você foi o vigiar na delegacia.

Alice riu e disse:

-Mas se você não tivesse me obrigada a vir, ele não teria me visto e não teria me feito como refém.

Gordon a olhou sério e disse:

-Toma vergonha nessa sua cara Alice.

Não demorou muito os três chegaram à delegacia, e logo que entraram Alice foi encaminhada pelo pai, para a sala de testemunhas. Chegando lá, um oficial especializado no serviço começou a fazer perguntas a Alice:

-Quando a abordagem começou?

Alice respondeu:

-Foi na hora que o palhaço perguntou onde o Comissário estava. Nessa hora eu tentei procurar o meu pai em todos os lugares, nisso o Coringa se dirigiu a mim e me abordou pela primeira vez.

O oficial continuava a perguntar detalhe por detalhe de tudo o que tinha ocorrida naquela noite, e a cada fato que era narrado, o Comissário ficava mais preocupado com a situação na qual a filha tinha se metido. Ele conhecia muito bem o perfil de Coringa e tinha certeza de que o palhaço viria atrás da filha se vingar, ainda mais depois que descobrisse de quem Alice se tratava.

Gordon perguntou nervoso:

-Você disse, chupa essa manga para um psicopata?

Alice respondeu calmamente:

-Sim.

O oficial perguntou:

-E o que ele te disse?

Alice respondeu:

-Ele ficou me olhando com cara de peixe morto e em seguida o Batman chegou.

-... e antes de me jogar da sacada, ele me elogiou dizendo que eu era inteligente, bonita e bem humorada, e completou dizendo que se não precisasse me matar ele até me chamaria para sair.

Imaginar um psicopata passando uma cantada em sua filha foi o cúmulo do dia, ainda mais por não conseguir imaginar esse papel sendo feito pelo Coringa.

Alice olhou para o pai e disse:

-Vai pai, fala que eu devo sair com ele também, já que você quer que eu desencalhe logo.

Gordon a repreendendo disse:

-Nem brinca com uma coisa dessas Alice.

Alice sorriu e disse:

-Ah ele é um pedaço de mau caminho – ela gargalhou e continuou -Pedaço de mau caminho, entendeu, entendeu? Tudo bem, parei.

O oficial encarregado da parte de testemunhas disse:

-Nunca conheci alguém que lidasse com situações difíceis desse jeito com exceção de psicopatas como o palhaço.

Alice disse:

-Tá aí, eu sou o par perfeito para ele, afinal pai, você sempre me chama de palhaça.

Gordon fitou os olhos na primogênita e disse:

-Se por acaso algum dia você se envolver com algum criminoso da magnitude dele, eu te deserdo menina.

Alice o debochando disse:

-Grande coisa, você se esqueceu que eu seu financeiramente independente?

O oficial olhou para os dois e ficou preocupado com a discussão desencadeada. A última coisa que queria ver naquela sala era a discussão entre o Comissário e a filha. Então disse:

-Por favor , não discutam.

Gordon sorriu e disse:

-Nós não estamos brigando, esse é só o jeito dela de dizer que me ama oficial.

Alice disse:

-Vai se achando bigode –ela inclinou a cabeça para o lado e depois de alguns segundos -Além do mais, da fruta que o Coringa gosta eu chupo até o caroço.

O Comissário a repreendendo disse:

-Preste muita atenção minha filha, se por acaso algum dia você se encontrar novamente com esse psicopata, não fale isso para ele.

Ela disse:

-Claro que eu vou falar, além do mais, se é para morrer, pelo menos eu vou morrer rindo da cara dele. Aposto de que desse jeito ele nunca vai se esquecer de mim.

O oficial disse:

-Bem, para que isso não aconteça eu acho melhor mandar policiais se vigiarem.

Alice desanimada com a notícia disse:

-Não precisa.

Gordon disse:

-Precisa sim.

Alice cruzou os braços e disse:

-Só falta você me dizer que vai pedir para o Batman me vigiar?

Gordon levantou a sobrancelha e disse:

-Ótima ideia.

E então depois de dizer isso, Gordon saiu da sala e se dirigiu até o terraço para acionar o Bat-sinal. Como sempre, Batman apareceu sem demorar muito.

O morcego perguntou:

- O palhaço foi localizado Comissário?

Gordon respondeu:

-Não, mas é a respeito dele que eu queria falar – ele fez uma pausa - Como você sabe a minha filha desafiou o Coringa na festa e provavelmente ele vai ir atrás dela para matá-la.

Batman disse:

-Sua filha foi muito corajosa hoje.

Gordon balançou a cabeça em sinal de afirmação e disse:

-É eu sei, mas ela corre perigo.

Batman perguntou:

-E o que eu posso fazer para ajudar?

Gordon respirou fundo e respondeu:

-Eu sei que você vive muito ocupado em proteger a cidade, mas você poderia vigiar a minha filha, nem que seja por algumas semanas, nós já estamos quase na cola do Coringa e não vai demorar para capturá-lo.

Batman permaneceu calado por alguns segundos, mas deu uma resposta ao Comissário:

-Eu prometo que vou fazer de tudo para mantê-la segura Comissário.

Gordon aliviado disse:

-Muito obrigado, ela é muito importante para mim.

Batman disse:

-Eu sei, Comissário.

Gordon o olhou e perguntou:

-Por que você beijou a minha filha?

Nesse instante Alice entrou com tudo no terraço e disse para Batman:

-Primeiro, eu não quero você me vigiando. Segundo, você deveria ir a um médico ver essa sua voz estranha e terceiro, eu não sou um morcego fêmea.

Um policial entrou em seguida e disse ao Comissário:

-Me desculpe Comissário, eu não consegui detê-la.

Alice disse:

-Que fique bem claro que...

Ela olhou para todas as direções, não viu mais o morcego por perto e perguntou:

-Cadê ele?

Gordon respondeu:

-Ele sempre faz isso.

Alice riu abafado e perguntou:

-E você quer colocar ele para me vigiar?

Gordon respondeu:

-Eu confio nele.

Alice se aproximou do pai o olhou bem e perguntou:

-A mamãe sabe que você está fazendo toca troca com o Batman?

Gordon disse:

-Alice!

Alice disse:

-Parei.

Gordon disse:

-É melhor você ir para casa, o Antony vai nos acompanhar até o seu apartamento.

Alice disse:

-Tudo bem , mas fala para o morcego que se eu perceber que ele está me espiando enquanto eu troco de roupa eu vou jogar alho nele.

O policial perguntou:

-Alho?

Alice perguntou:

-Oras, ele é um morcego não é?

O policial respondeu:

-Mas são os vampiros que não suportam alho.

Alice fazendo careta disse:

-Dá na mesma.

Gordon disse:

-Vamos, o Antony está nos esperando.

Alice disse:

-Nossa, que pena eu vou ter de ir no carro dele, para fazer companhia.

Gordon sorriu e perguntou:

-Vai ser um sacrifício para você, não é?

Alice respondeu:

-Vai, mas sabe como é, eu sempre faço boas ações.

Os dois saíram delegacia, Alice entrou no carro de Antony e Gordon escoltou o carro do jovem até o apartamento da filha.

No meio do caminho Alice disse:

-Muito obrigada por ter vindo conosco para testemunhar e por me levar para casa Antony.

Ele sorrindo respondeu:

-De nada.

Alice sem graça disse:

-E me desculpe pelo soco que um dos capangas do Coringa te deu por minha causa.

Ele disse:

-Veja pelo lado positivo, eu levei um soco, quase morri em meio da explosão que aquele palhaço supostamente ia armar, mas te conheci. Pode ter certeza de que eu passaria por tudo novamente se o preço fosse te conhecer .

Alice arqueou as sobrancelhas e disse:

-Uau, você é bom nisso.

Antony se virou e a olhando disse:

-Você deve achar que eu sou um conquistador barato.

Alice sorriu e disse:

-Acho mesmo , mas você pode me provar o contrário.

Antony sorriu e perguntou:

-Nós podemos jantar amanhã, o que você acha?

Alice imediatamente respondeu:

-Claro, como eu ia perder a oportunidade de sair com um cara que se colocou entre mim e um psicopata.

Antony disse:

-É, você me deve uma.

Assim que chegou ao seu apartamento ela se despediu de Antony e subiu até o seu apartamento com Gordon. Chegando lá, abriu a porta, acendeu as luzes , andou por todos os cômodos com o pai e perguntou:

-Viu, não tem ninguém, agora eu posso ter um pouquinho de privacidade no meu apartamento?

Gordon respondeu:

-Não até o Batman chegar.

Alice boquiaberta perguntou:

-O que, ele vai ficar a noite toda me vigiando?

Gordon friamente respondeu:

-Vai.

Alice bufou e disse:

-Estou me sentindo em uma reality show agora, e até tenho um nome : Todo Mundo Vigiando a Alice.

Gordon disse:

-Quem mandou se meter com o Coringa.

Alice cruzou os braços e disse:

-Eu já disse que não tenho medo dele.

Gordon disse:

-Isso é para o seu bem.

Alice perguntou:

-E você acha que vai ser bom ser vigiada pelo viadinho do Batman, não é?

Gordon disse:

-Alice...

Ela o interrompeu e cantarolando disse:

-Deixa , deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso mais desabafar.

Ela sentiu uma cutucada em seu ombro, mas não ligou e continuou a insultar o homem morcego:

-Se aquele banana fosse tão bom assim, ele já teria prendido o Coringa...

Ela sentiu outro cutucão e disse:

-Ai espera, como eu estava falando, aquele morcego não é de nada - ela modificou sua voz e imitando Batman continuou - Oi sou Batman, moreno, alto, bonito e sensual que se aproveita da boa vontade das mocinhas em perigo que salvo.

Ela sentiu outro cutucão e se virando disse:

-Dá para esperar.

Quando viu que quem estava a cutucando era Batman perguntou:

-Quem deu permissão para você entrar aqui?

Batman respondeu:

-Eu vou ficar aqui o tempo que quiser, mas se você quiser tentar me expulsar eu vou ficar aqui sentado esperando.

Alice disse:

-Que abusado.

Gordon andou em direção à porta, a abriu e disse:

-Bem, agora que ele chegou eu posso ir tranquilo, tenho que cuidar do caso da festa ainda.

Alice se virou para olhar o pai e perguntou indignada:

-Mas espere, você vai me deixar aqui com ele?

E dando uma última olhada na filha antes de fechar a porta disse:

-Vou.

Ela olhando surpresa para a porta fechada disse:

-Por isso que eu digo que sou adotada, não é possível uma coisa dessas.

Batman disse:

-Você tem sorte de ter um pai como ele.

Alice o olhou e disse:

-Gostou? Pega para você então.

Batman perguntou:

-Você vai facilitar as coisas se for dormir.

Alice riu e disse:

-Eu só vou dormir porque estou com muito sono e não porque você acha que manda aqui.

Batman sério disse:

-Então vai.

Ela o fuzilando com os olhos disse:

-Se por acaso eu sentir falta de algum doce da minha geladeira, você vai sentir os meus golpes de karatê.

Batman ainda sério perguntou:

-Já acabou?

Alice andando no sentido do quarto respondeu:

-Está avisado.

Alice foi para o quarto descansar do dia longo que tinha passado. Enquanto isso Batman ficou admirando as fotos de família que estavam na parede da sala.

-É...o Alfred sempre tem razão e eu perdi mais uma aposta. Pensou ele