No dia seguinte, depois das aulas, Alice passou no mercado e comprou tudo o que estava naquela lista que foi deixada por Coringa anteriormente. Ela não tinha a menor ideia se aquilo fazia parte de todo um plano muito bem elaborado do vilão, ou se ele só a queria fazer de empregada por alguns dias, somente para talvez testar a paciência que a filha do Comissário teria. As intenções do palhaço nunca seriam claras e precisas, e ela sabia disso.

Quando chegou ao seu apartamento, não viu o seu hóspede circense lá, e apesar dela mesma admitir que ele estivesse sendo responsáveis por 90% de seus pensamentos, naquele dia aquilo tinha se tornado exceção. Sua mente estava agora, ligada a Antony e a vingança que cairia em cima dele.

Ela olhou para Madruguinha que estava no sofá e disse:

-Bem, agora eu vou escolher a roupa mais provocante para receber a nossa querida visita mais tarde.

Alice foi para o quarto fuçar o seu guarda roupa e escolher o vestido que usaria depois. Ela retirou um cabide que continha um frente única vermelho e decidiu na hora que aquele seria o traje para aquela ocasião tão esperada.

Depois de sua escolhe, as horas passaram mais lentamente do que o normal, mas já era de praxe os ponteiros do relógio criarem preguiça para marcarem as horas e minutos quando as pessoas estão com pressa de que determinado horário chegue logo.

Antony chegou com pontualidade ao apartamento de Alice que sorridente foi abrir a porta principal para recebê-lo. Assim que o viu, o cumprimentou com um beijo no bochecha e perguntou:

-Oi Antony, como você está?

Ele correspondendo o beijo respondeu a olhando de baixo para cima:

-Bem melhor agora.

Ela fez um sinal para que ele entrasse e disse:

-Eu também estou bem melhor agora ela fez uma pausa- essa noite vai ser inesquecível.

Ele entrou e sorrindo maliciosamente disse:

-Pode ter a certeza de que vai ser sim – ele a olhou-Então, onde está o seu cachorro para eu me desculpar?

Ela respondeu se afastando:

-Eu vou trazer ele aqui.

Alice foi até o seu quarto, e pegando o mascote no colo disse baixinho:

-Essa é a hora da nossa vingança Madruguinha.

O cachorro lambeu o seu rosto e ela disse:

-Eu sei que você também deve estar muito ansioso por esse momento.

Ela levou o cachorro até a sala, o posicionou no sofá e disse:

-Pronto, pode começar.

Ele sem jeito se aproximou do cão e começou a falar:

-Me desculpe por ter...

Ela o interrompeu e disse:

-Você tem que se ajoelhar.

Antony inconformado perguntou:

-O que? Me ajoelhar?

Alice cruzou os braços e respondeu:

-É isso o que você ouviu, o Madruguinha está muito chateado com você e ele precisa uma prova de que você está realmente arrependido.

Ele respirou fundo, se ajoelhou e começou o discurso novamente:

-Me desculpe por...

Ela o interrompeu novamente e disse:

-O nome dele é Madruguinha.

Antony recomeçou o discurso:

-Madruguinha, me desculpe por ter te machucado aquela noite.

Alice disse:

-Faltou dizer que ele é o cachorro mais bonito e esperto do mundo.

Antony estava começando a ficar irritado com toda a situação. Ele disse:

-Eu não acho que ele vá entender.

Alice cruzou os braços e disse:

-Bem, já que você não quer colaborar eu vou ser obrigada a pedir que você se retire do meu apartamento.

Ele se voltou novamente para o cachorro e disse:

-Você é o cachorro...

Ela o interrompeu mais uma vez e disse:

-Não, você vai ter que começar tudo de novo.

Antony respirou fundo e disse:

-Madruguinha, me desculpe por ter te machucado aquela noite e você é o cachorro mais bonito e esperto do mundo.

Alice acenou positivamente com a cabeça e disse:

-Ótimo, agora beije a patinha dele.

Ele indignado perguntou:

-Mas por quê?

Alice respondeu:

-Ele tem que sentir que é amado, que você não tem nojo dele – ela fez uma pausa - afinal se você começar a frequentar o meu apartamento, vai ter que conviver com ele também.

Antony mesmo demorando um pouco beijou a pata do cachorro que em retribuição lhe deu uma lambida no rosto.

Ela sorriu e disse:

-Viu, agora ele gosta de você.

Antony se levantou e perguntou:

-Eu preciso fazer mais alguma coisa?

Alice sorrindo respondeu:

-Sim, agora você vai ligar para o Bruce Wayne e dizer que você é apaixonado por ele.

Ele totalmente confuso perguntou:

-Mas o que isso tem a ver com o cachorro?

Ela respondeu:

-O Madruguinha odeia o Bruce.

Antony decidido disse:

-Eu não vou fazer isso.

Alice mordiscando o lábio inferior se aproximou sedutoramente para perto dele, e segurando a gravata perguntou:

-Acredito eu, que você queira passar a noite hoje aqui comigo, ou não?

Antony estava bêbado com aquele perfume doce e tonto com as curvas que estavam a sua frente, mas valeria a pena se humilhar daquele jeito? Ele respondeu:

-Claro que sim mas...

Alice aproximou a boca de seu ouvido e disse:

-A decisão é sua, Antony .

Ela se afastou por alguns centímetros e ele imediatamente pegou o celular que estava no bolso do paletó.

"Todos são tão fáceis" Pensou ela satisfeita com toda aquela situação que estava fazendo Antony passar.

Dois toques depois e Bruce atendeu a chamada:

-Oi Antony , tudo bem?

Antony respondeu:

-Sim, tudo bem...

Bruce preocupado perguntou:

-Aconteceu alguma coisa?

Antony tentava ao máximo adiar o que estava prestes a vir:

-Eu preciso te falar uma coisa.

Bruce disse:

-Fale.

Antony disse:

-É que eu...

Bruce o interrompeu e disse:

-Você?

Antony disse rapidamente:

-Eu sou apaixonado por você Bruce.

Bruce ficou sem reação do outro lado da linha e depois de alguns segundos perguntou:

-O que você disse?

Antony repetiu:

-Eu sou apaixonado por você.

Antony cortou a chamada e ficou estático por alguns segundos. A vontade que Alice tinha era de gargalhar à vontade, mas ainda conseguindo se controlar disse:

-Antony, Antony...você não passou no meu teste.

Ele a olhou nervoso e perguntou:

-Como assim? Eu fiz o que você me pediu.

Alice perguntou:

-Foi por isso mesmo, coração – ela riu baixinho - você trocou uma amizade de tanto tempo por uma noite comigo, como eu posso confiar em alguém como você?

Antony agora maias nervoso perguntou:

-Você só pode estar brincando?

Alice apontou o dedo para a face e respondeu:

-Eu estou com cara de quem está brincando, olha bem para a minha expressão facial.

Antony se aproximou e a pegando pelos dois braços disse:

-Você tem que ficar comigo, Alice.

Ela calma disse:

-Me dê um motivo.

Antony disse:

-Eu posso te dar tudo o que você quiser, diamantes, carros, roupas de marca, é só você pedir que eu compro o que você quiser.

Alice disse:

-Você não vai poder me dar uma coisa, querido.

Antony riu de deboche e perguntou:

-O que? Eu sou milionário e posso comprar o que você quiser.

Alice respondeu:

-Você não vai poder me dar a honra de ter a companhia de um homem de verdade.

Antony apertando ainda mais o braço dela perguntou:

-Quem você pensa que é para falar assim comigo?

Alice sorriu e respondeu:

-A filha do Comissário dessa cidade e a protegida do Batman –ela fez uma pausa- sem mencionar que se você fizer alguma coisa comigo o Coringa vai acabar com você, já que ele quer exclusividade no assunto me maltratar.

Ele a soltou e saiu do apartamento gritando:

-Você vai se arrepender, sua louca.

Assim que ele bateu a porta com toda a força ela disse:

-Boa noite para você também querido.

Alice se sentou do lado do cachorro e começou a gargalhar por um bom tempo. Ter visto o mauricinho passar por toda aquela situação tinha sido a vingança perfeita. Com que cara ele olharia para Bruce agora.

Ela se virou para olhar o cachorro e disse o acariciando:

-Minha barriga está doendo de tanto rir.

Nesse instante o som do telefone chegou aos seus ouvido, então se esticou um pouco e atendeu o aparelho:

-Fala.

A pessoa do outro lado da linha disse:

-Oi Alice.

Ela confusa perguntou:

-Quem está falando?

A pessoa respondeu:

- Bruce Wayne.

Alice de feliz se fez entediada e disse:

-Ah...você.

Bruce disse:

-Eu queria saber se você está livre sábado à noite.

Alice disse:

-Ah me desculpe Bruce, eu sei que a sua noite está sendo difícil – ela riu baixinho e continuou - mas sábado eu vou ter que estudar a progressão meridional das Antilhas do Norte.

Bruce disse:

-É uma pena mesmo.

Alice disse:

-Pois é...

Bruce perguntou:

-E domingo?

Alice tentando não rir respondeu:

-Eu tenho que depilar o pé, sabe como é.

Bruce disse:

-Bom, então no outro sábado a gente se vê.

Alice revirou os olhos e disse:

-Eu não vou poder sair com você também, meu pai me chamou para um jantar que vai ter na casa dele e se eu desobedecer o Comissário, viro churrasquinho.

Bruce disse:

-Foi por isso que eu falei que nós nos veríamos no outro sábado, o Comissário de convidou para esse jantar.

Ela surpresa perguntou:

-Ele o que?

Bruce respondeu rapidamente:

-Até o jantar Alice.

Ela ainda em choque com a notícia disse:

-Até.

Depois que ele desligou, Alice começou a resmungar alto:

-Que velho interesseiro é por isso que eu falo que sou dotada, mas ninguém acredita.

Coringa que estava no apartamento o tempo todo disse da cozinha:

-Se fazer de difícil não funciona com homem como Bruce Wayne, ele pode ter a mulher que quer e mulheres muito mais interessantes do que você.

Ela se assustou com a presença dele e perguntou:

-Você não pode avisar quando vem?

Coringa sério respondeu:

-Não.

Ela o olhou por alguns segundos e sem ligar para a provocação que tinha feito apontou para o palhaço e disse:

-Você é perfeito.

O palhaço sorriu convencido e disse:

-Eu sei disso querida.

Ela bufou e disse:

-Eu estou falando sério.

Coringa sério disse:

-Eu também.

Alice se aproximou dele e perguntou:

-Você odeia o meu pai, não odeia?

Coringa inclinou levemente a cabeça para um lado e respondeu:

-Não, até que o seu pai é divertido de vez em quando.

Alice revirou os olhos e disse:

-Eu não estou perguntando em relação ao troca-troca que vocês fazem.

Coringa se aproximou e a puxando pelo braço disse:

-Eu pensei que tinha visado das piadinhas.

Alice gemeu um pouco de dor e disse:

-É por uma boa causa, eu juro.

Coringa gargalhou pausadamente e perguntou:

-Boa causa?

Alice balançou a cabeça em sinal de afirmação e perguntou:

-Aposto que você quer se vingar do meu pai e do Batman, não quer?

Coringa a largou, mas continuando a poucos centímetros dela respondeu gesticulando com uma das mãos:

-Prossiga.

Alice pigarreou e disse:

-Vai ser assim, primeiro nós temos um caso, depois nós fazemos com que o meu pai e o Batman saibam, com isso o Bruce Wayne também vai ficar sabendo e não vai querer mais ficar comigo já que ele vai ficar com medo de se envolver com o caso de um palhaço psicopata -ela apontou para ele - e de quebra você vai conseguir se vingar também, já que o meu pai vai perder a credibilidade que tem com a sociedade e o Batman vai ficar pensando que foi culpa dele nós termos nos envolvido já que ele foi um inútil e não cuidou bem da minha proteção.

Ele gargalhou e perguntou a debochando:

-Você está falando sério mesmo?

Alice respondeu:

-Não, mas seria um ótimo plano.

Ele a puxou pela cintura e disse:

-Bom, nós podemos ficar só com a parte de termos um caso.

Alice disse:

-Desculpe, mas eu sou hetero.

Ele a empurrou e disse:

-No dia em que eu tirar essa sua máscara de engraçadinha você vai se arrepender de ter achado que pode encarar o mestre do caos.

Alice arregalou os olhos e disse:

-Meu psicólogo me disse para nunca contrariar os loucos por isso vou ficar quieta.

O palhaço disse:

-É o melhor que você faz mesmo – ele se sentou no sofá ao lado de Madruginha -Está esperando o que para fazer o meu jantar?

Alice cruzou os braços e disse:

-Daqui a pouco não vai nem caber mais na sua fantasia, só sabe comer.

Coringa sorriu e perguntou:

-Isso foi uma provocação para eu te provar que estou em forma?

Ela o analisou e respondeu:

-Não é uma má ideia.

Ele gargalhou e disse:

-O que aconteceria se o Comissário soube quem a sua filhinha é de verdade?

Ela respondeu:

-Ai ele vai me mandar para a reabilitação.

Coringa ligou a televisão e disse entediado:

-A conversa está animadinha, mas eu estou com fome, quem sabe depois você possa ser a minha sobremesa.

Alice fitou os pensamentos naquelas cicatrizes do palhaço que possuíam inúmeras versões de como foram feitas. O mais provável era de que no meio de toda a narração direcionada as marcas no rosto nenhuma variante fosse a chave daquele segredo.

Mais de uma coisa ela sabia, a deformidade não tinha sido consequências dos próprios atos do vilão. Ela perguntou:

-Doeu muito para fazer essas cicatrizes?

Coringa perguntou:

-Como você pode ter tanta certeza de que fui eu quem fiz?

Alice respondeu:

-Suas cicatrizes são – ela gesticulou no ar uma linha -retas, uniformes, isso me levou a conclusão de que você as fez, porque se tivesse sido outra pessoa, elas estariam desiguais, pois você provavelmente teria tentando evitar que lhe causassem isso.

O palhaço se voltou para frente e disse:

-O seu achismo até pode ter algum fundamento, mas antes de achar que chegou a alguma conclusão explore cada possibilidade de uma mesma coisa – ele fez uma pausa – me decepcionaria saber que você é tão imparcial e desinteressante como o seu pai.

Alice bufando foi para a cozinha indignada com aquilo que tinha ouvido, e mesmo que negasse, ele estava correto a respeito da pseudo teoria dela com relação às cicatrizes dele.

Como o próprio criminoso deixava parecer, a história de sua marca mais famosa poderia ser comparada a um leque de inúmeros roteiros hollywoodianos para como aquilo tinha parado em sua face.

Enquanto tentava dar uma de chefe culinária, ela analisava indagações sem repostas em sua mente. A presença do palhaço a intrigava demais. Ter um criminoso da magnitude dele em seu apartamento a fazendo de empregada, sem traumas psicológicos, sem traumas físicos, só acarretava a cabecinha de Alice a pensar que, por trás dessa calmaria momentânea estava sendo preparada uma tempestade.

Uma tempestade tão perversa que talvez, a mesma devesse começar naquele momento a se preparar par a guerra que a qualquer momento poderia ser anunciava, seja ela pelas armas que Coringa usaria, sejam elas pelo próprio desejo que sentia de ficar ao lado daquele, que tentaria a todo custo quebrá-la por completo.