4 : Um Mal pressentimento.
- Dean eu nem vi isso ainda...
- Perai você ta falando ?
Dean virou os olhos, deixou a câmera na mesa e mexeu as mãos apressadamente.
- Esqueço, eu vou sair.
E antes que alguém falasse algo ela saiu em disparada a saída , deixando os dois para fora , era estranho como a figura tinha o porte da criatura que apareceu em seus sonhos.
Teve que fugir de alguns vizinhos curiosos , a senhora Jerks foi a única que correu atrás de si , por algum tempo até que sumiu na esquina . Não gostava dela, apesar de estar acostumada com o modo autoritário da senhora de cabelos acinzentados e enrolados em bobs cor de rosa, ela sempre lhe delatava, quando ia encontrar com um dos meninos ou quando ia andar de skate.
Passar pelos restos do cachorro não foi uma das coisas mais chatas que tinha feito, até tinha vontade de pegar os restos do animal e levar para casa, mas se chegasse com pelo menos o osso, Mona teria um infarto , então ignorou.
Para chegar no ponto não foi tão difícil , foi mais fácil que ficar em seu bairro , as pessoas aos poucos ainda estavam sendo avisadas sobre o que havia ocorrido , mas as coisas sempre foram assim , em seu bairro e nos outros , todos sabiam o que acontecia , morava no lado oeste da cidade , o lado dos " bons " , como uma das vizinhas chamava.
Mas não via nada de diferente , as pessoas eram tão banais para ela , em todos os lugares que a única diferença era as roupas e a moradia , mas nem sempre isso compensava , o caráter para Dean , valia mais do que um roupas e dinheiro , seu pai já fora um bom exemplo de que essas coisas não valem muito.
Pegou o primeiro ônibus que conseguiu , mesmo chegando um pouco mais que a metade de seu caminho , ela poderia andar o resto , se havia algo que não tinha problema contra , era o fato de ter que andar.
Ficou ansiosa ao passar perto do local onde havia visto a criatura , pelo menos achava que fora real o que viu , teve que descer perto da avenida dos Almares , para si o nome lhe fazia rir , a única coisa que a entristecia era o fato de ser próxima do hospital , por algum motivo , hospitais a deixavam com um mal humor e pouca a vontade , mas passaria por lá para ver o amigo , talvez Gui tenha exagerado , falando que o mesmo estava em coma.
Ficou ao lado de uma rapaz que falava no celular , ele falava auto com o que parecia ser sua namorada , ou noiva , Dean não sabia explicar mas tinha uma opinião formada sobre conversas no celular , nunca prestavam , principalmente quando se é falado em voz alta e em lugares públicos.
Esperou o farol dar o sinal vermelho , e quando o jovem de cabelos pretos e ternos entrou em sua frente , colocou o pé na frente o derrubando e passou alegremente por ele ,seguindo em frente pela próxima rua.
Andou por alguns motivos , era interessante ver os prédios e as casinhas , passou por lojas e se animou quando viu uma padaria , se sobrasse algo de seu dinheiro , compraria um pedaço de bolo. Ficou andando por dois quarteirões inteiros pensando em que doce compraria, se desligando do mundo.
Entrou em um beco que era no meio de dois apartamentos, ao olhar para cima , podia ver os varais com roupas , e duas senhoras gritando uma com a outra.
Mas o que lhe chamou mais a atenção não foi isso , foi o som que ouvia atrás de si , parou no meio do caminho , praticamente uma encruzilhada e se virou.
Deixou a cabeça tombar levemente para o lado e piscava , era uma mulher de aparência doentia , parecia se arrastar , mais o mais engraçado , era que ela mantinha a postura de uma pessoa saudável , mas Dean enxergava manchas negras envolta dos olhos , como se ela não dormisse a tempos.
Ficou observando ela olhar para os lados e fixar os olhos em si , como era engraçado o jeito dela , parecia ser uma moça bem bonita , usava salto alto que combinava com seu vestido vermelho , mas as única coisa que Dean achava que teria que melhorar , era as unhas , pareciam tão escura..
A jovem sentiu como se uma corrente elétrica tivesse passado por sua cabeça e algo lhe dizia firmemente :
" CORRE"
Ela correu , e para seu sistema ficar mais frenético , olhou para trás e percebeu que a mulher "andava" mais depressa , andar não parecia se encaixar naquilo , a impressão que ela tinha era que a mulher estava "pulando" naqueles longos passos , quando se virou se chocou contra a grade.
Se afastou e correu mais uma vez de encontro com a grade , saltando e dando uma grande impulso para o alto se agarrando no topo e pulando para o outro lado.
Um ano de Parkour lhe ajudava muito , quando acontecia essas coisas.
A mulher se chocou contra a grade Dean se aproximou , deixando a cabeça bem próxima , a moça mexia a cabeça de um lado para o outro e quando viu ela se aproximar fechou os olhos e inspirou.
Dean não soube o por que , mas teve a leve sensação de ter passado por aquilo há um tempo atrás.
Se afastou dela , e continuou o caminho , enquanto ouvia murmúrios e grunhidos de dor , não sabia o que ocorria , mas uma boa parte de si ainda lhe dizia para não olhar para trás.
Quando saiu do beco , teve grandes tiques para não olhar para trás , a impressão que as pessoas na rua tinham , era que estava tendo algo no pescoço , por que sempre que ia olhar para trás puxava a cabeça com força para a frente.
Havia entrado na rua mais movimentada que tinha , alem de ser pequena , estava cheia de pessoas , mas o mais estranho ,era que algumas estavam tão brancas quanto deveriam estar normalmente , a temporada de chuva nem havia começado , e mesmo assim , as pessoas pareciam doentes , e bem cansadas.
Parou em frente há uma loja , havia um enorme dragão e bem ao lado dele estava escrito " Loja dos horrores" , mas não era uma loja dos horrores , era a loja de seus sonhos.
Havia tudo o que mais gostava , esqueletos , pulseiras , roupas , pedaços de gente , mesmo que fosse artificial , ainda assim , era perfeito , mas o que mais queria estava no ultimo corredor , passou pelas cinco fileiras e olhou para as replicas de arma , mas o que mais queria era uma adaga.
De todas as adagas que tinha lá , a que mais gostava era uma de lamina torta , era parecia formar uma meia lua , o mais interessante para Dean , era o cabo , a bainha dela , era talhada , tendo varias partes pontiagudas como espinhos e um desenho no centro , parecia ser um rosto , ou a metade de um rosto ,e do outro lado , parecia um monstro , o que era estranho pois parecia completar o outro rosto.
Pegou a adaga e andou até o balcão , analisando cada parte dela , a adorando ,diferente das replicas , essa não era uma replica , o dono da loja a avisou que a lamina cortava , e muito bem , por isso era cara.
- Você não vai matar alguém vai ? – Disse o senhor atrás do balcão, por baixo de seus óculos pequenos, olhando o brilho nos olhos da menina , ele ficou espantado quando ela tirou do envelope tudo o que tinha , ela realmente havia ido fundo para comprar a adaga.
- Vou não – Disse ela , quando pegou a sacola com o nome da loja , o senhor sorriu , entregou o troco para ela.
Dean saiu da loja e olhou o tumulto na rua , mas nada lhe chamou mais a atenção do que seu celular tocar , não havia nem lembrado de ter colocado o mesmo na calça , tirou o do bolso , era fino e quadrado , tinha mania de chamá-lo de caixão , leu atentamente o recado.
" Dean , estamos indo no hospital , vamos ver o Stan , mamãe também esta lá , o vovô não parece estar muito bem não "
Ela bufou e virou os olhos, estava com fome, foi em direção há uma barraquinha, perto há um boutique, comprou um cachorro quente , e olhava para a rua , viu dois rapazes correndo . Mordeu o lanche enquanto via uma figura correndo atrapalhada, atrás dos mesmos, ergueu uma sobrancelha quando uma mulher pediu ajuda.
Levantou a mão livre no ar , não era problema seu , mas ouviu um grunhido distinto , não era igual o da mulher , levantou os olhos e teve a impressão de ver algo , não sabia distinguir , mas se Stan estivesse ali , faria uma piada , dizendo que o homem aranha estava ali.
Mona olhava a figura deitada na cama, o quarto branco era deprimente, mas o senhor de olhos azul bem claro era o que dava vida aquele lugar.
Ela sorriu, fazia tempo que não o via, seu avô era um homem ocupado , quase não o via , era como seu pai, sempre tempo para o trabalho, mas, nunca para a família.
O cabelo branco era liso e bem penteado, a pele era clara, mas se perguntava de quem Dean havia puxado a pele tão pálida.
- Ah, oi meu anjinho – Disse o senhor, ela sorriu ao ver a neta , sempre se dera bem com ela.
- Oi vô como esta ?
- Bem, levei um susto.
- Mamãe disse – Disse a menina perdendo o sorriso.
- E Dean?
- Eu não sei , ela saiu , faz umas duas horas, não sei o que aconteceu com ela , mas acho que daqui a pouco ela ta aqui.
- Que bom , eu fiquei sabendo do incidente.
- Sim , foi horrível
- Imagino minha criança , agora , me diga , você se sentiu estranha ?
- Eu? – Disse ela se sentindo perdia. - Não, que eu saiba não.
- E Dean ?
- Eu não sei , ala agiu meio estranho
- Como meu anjo ?
- Não sei vô, é como se ela tivesse adivinhado.
- Adivinhado?
- É, mas não é só isso , quando essas coisas começaram a acontecer , deu a impressão de que , ela se desconectou. Tudo bem que ela já é estranha , mas , não sei direito , tenho a impressão que Dean , sei lá , esta mudando , até falar anda falando.
O avô sorriu.
O caminho que havia feito , não foi um dos melhores , ter que andar cinco quadras , e só com um cachorro quente no estomago não lhe dava energia suficiente para isso.
Passou pelo enorme portão de ferro , mas algo a fez parar.
Se virou para a rua , e teve uma surpresa , não sabia quem era a pessoa , ela passou pelo portão e teve a leve impressão de estar em câmera lenta , ele se virou , a mesma boca rasgada e a escuridão no lugar dos olhos.
" Você é diferente sabia ? O que faz você pensar que é uma boa idéia , entrar ai ? "
