Amaya tinha acabado de sair da propriedade dos Sohma, com o sangue fervendo e os punhos cerrados. O celular estava tocando, mas ela não ligou. Não queria falar com ninguém além do necessário. E só precisava falar com Kouji para relatar como tinha sido a visita aos Sohma. Amaya prendeu o cabelo em um coque e se pôs a andar de volta para casa. Talvez assim ela se acalmasse um pouco. Infelizmente o celular tocando sem parar em seu bolso não ajudava muito, então ela decidiu atender.
- O que foi?! – Amaya não tinha um tom nada amigável na voz.
- Amaya? – era a voz de Sakura – Kouji-sama quer você de volta à casa de nossa família o quanto antes. Não sei onde você está, mas se apresse.
- Eu sei, eu sei… Não precisa bancar a babá, ok? – Amaya andava com uma mão no bolso, fitando o chão.
- Só estou avisando. Pelo tom que ele usou, parece que ele quer falar sobre algo além da sua visitinha aos Sohma. – Sakura tinha um tom despreocupado.
Amaya fechou a mão com força em torno do telefone.
- E ele falou sobre o que deseja tratar comigo, Sakura-san? – a garota se conteve para não começar a maldizer a médica.
- Não… Na verdade, não disse. Ele só me pediu para fazer com que você volte para lá.
"Não fale sobre isso tão despreocupadamente, droga!" Amaya respirou fundo.
- Bom, vou desligar. Já dei o recado, então não vai ser a minha cabeça a rolar se você não aparecer. Até mais! – e então Sakura desligou.
Amaya suspirou pesadamente e fez o mesmo. Quando se deu conta, já estava na metade do caminho, o que a fez sorrir por dentro. Pelo menos tinha se afastado da casa dos Sohma. Ninguém sabia a razão de tanto ódio, com exceção de Raiden, mas também não ousava perguntar. Amaya ficava bem antipática quando se tratava dos Sohma.
Na porta da propriedade dos Ryuu, quem a esperava era o próprio Raiden, com as mãos nos bolsos e uma expressão séria. Ao ver a garota, tudo que fez foi abrir a porta e esperar que ela entrasse, indo logo em seguida. Foi só quando os dois já estavam "em casa" que ele começou a falar.
- Sakura-san veio ver Kouji-sama hoje. – ele deu os ombros ao falar.
- É, fiquei sabendo… Ela me ligou só para ter certeza de que eu viria para cá depois de sair daquela maldita casa. – Amaya olhava ao redor. Há muito tempo não pisava ali e de repente tinha se tornado algo comum.
Raiden riu.
- É bem a cara dela fazer isso… Bom, de qualquer forma, não era sobre isso que eu queria tratar. Ela disse que não há nada de errado com Kouji-sama. – Raiden desviou o olhar para Amaya, que franziu o cenho em resposta – Pois é… Aparentemente, ele não disse nada a ela. Como o coração ainda está bom e ela estava com pressa (eu percebi pela forma como ela quase correu para fora dos portões), nem deve ter reparado. – ele deu os ombros.
- Kouji-sama precisa contar pelo menos a ela sobre essas coisas… Mesmo nós, quem mal pisamos aqui, já percebemos que algo está acontecendo… – "Inclusive por causa daquele acordo infeliz…"
- Bom, não deixe que ele arranque sua cabeça, viu? – Raiden acariciou a cabeça de Amaya como se fosse a de um cãozinho e então se retirou, deixando a garota sozinha diante da porta do quarto do patriarca.
- Kouji-sama… – ela abriu uma fresta na porta que fosse grande o suficiente para que ele visse seu rosto – Posso entrar?
O rapaz confirmou com a cabeça, então a garota passou do corredor para dentro do cômodo.
- E como foi com Akito? – Kouji estava de frente para o retrato de seu pai ao perguntar.
- O acordo foi aceito por ora. Talvez eles apareçam com alguns termos a mais ou a menos, mas entrarão em contato posteriormente. – a garota tinha um tom sério.
- Excelente. Agora… – ele se virou para Amaya, encarando-a fixamente – Sobre o outro assunto que você deve ter descoberto por Sakura-san…
- Na verdade, ela apenas me disse que o senhor queria tratar sobre algo além do acordo com os Sohma. – Amaya o olhava de volta da mesma forma.
- Oh, verdade? Ah, sim, sim. Creio que eu não especifiquei também a ela sobre o que eu queria tratar. – Kouji sorriu carinhosamente ao acrescentar – Eu quero que você comece a morar aqui.
Amaya arregalou os olhos.
- Ora, ora… Não faça essa cara, Amaya-san… Assim eu fico com vergonha. – ele esperou Amaya se recompor antes de continuar – Estou pedindo isso porque tenho me sentido muito solitário… E porque quando Shaoran e Kotori começarem a sofrer com os sintomas, eu não saberei como lidar com eles… Mas você saberá, eu sei que sim. Então, o que acha? – os olhos dele brilhavam de expectativa, deixando a garota sem opções.
- Tudo bem, eu passarei a morar nessa casa. Mas eu terei um quarto só meu e não vou estar aqui para ficar de agradinhos com o senhor. – ela tinha a voz firme ao falar.
- Ah, isso é o de menos. Eu sei como fazer os outros cederem quando realmente quero algo. – o sorriso que surgiu no rosto do patriarca fez um forte arrepio correr pelas costas de Amaya.
- Sim, eu sei que sim, Kouji-sama…
- Quando estivermos sozinhos, pode me tratar mais informalmente, Amaya-san. – então o sorriso estranho se transformou em um sorriso gentil, ao qual Amaya retribuiu.
- Apenas se o senhor fizer o mesmo comigo, Kouji-sama.
