Amaya andava distraída pelos corredores da escola, pensando na proposta que Kouji fizera alguns dias antes. Ela tinha aceitado por respeito ao patriarca (e também por estar preocupada com ele, mas isso ela só admitia para si mesma e com muita teimosia). A reação de Raiden, na opinião da garota, tinha sido mais do que exagerada. Ao relembrar, Amaya suspirou forte.
Início do FlashBack
"- Como assim você está indo morar naquele raio de lugar? – Raiden tinha uma expressão confusa e irritada.
- Kouji-sama me pediu e eu vou obedecer-lhe. Você faria o mesmo, Raiden, então pare de ser tão escandaloso. – Amaya revirou os olhos.
- Você vai simplesmente aceitar? Sem qualquer objeção? – Raiden ainda não acreditava – Ele ao menos disse a razão do pedido?
- Ah, algo sobre Shaoran e Kotori. Você sabe tão bem quanto eu que aqueles dois serão como nós… – ela suspirou.
Raiden ficou em silêncio por um breve momento antes de continuar.
- E quem vai cozinhar para mim de agora em diante? – ele tinha uma expressão infantil, como se fosse uma criança emburrada.
Amaya riu.
- Sério, Amaya. Nada naquele lugar faz bem para sua saúde. Justamente por isso que você fugiu aos quinze… E agora vai simplesmente voltar para lá…? – ele fitou a garota com um olhar triste.
- Deixe de ser melodramático, Raiden. Se aquele lugar realmente me fizer mal, eu saio de novo, oras. – ela deu os ombros.
Raiden apenas a fitou em resposta, com uma expressão séria demais no rosto."
Fim do FlashBack
Amaya estava andando tão distraída que não viu quando alguém apareceu em seu caminho, acabando por trombar com a pessoa. Ela cambaleou para trás, mas logo tinha recuperado o equilíbrio. O outro, no entanto, não tivera a mesma sorte. Quando a garota olhou, viu um Yuki caído no chão, um pouco confuso. Sem perceber, ela fechou a mão com mais força em torno dos livros que carregava.
- Desculpe, eu não estava olhando por onde ia. – Amaya forjou um sorriso, sem estender a mão para Yuki.
- Sem problemas. – o rapaz deu um sorriso gentil e se levantou – Eu sou Yuki Sohma, prazer. – ele estendeu a mão para a garota. Algo lhe dizia que podia confiar na garota.
- Amaya Ryuu. – ela respondeu de má vontade, apertando rapidamente a mão do rapaz – E até mais. – dito isso, ela se virou e continuou seu caminho.
- Hei, mal-educada. – uma voz familiar soou próxima do ouvido de Amaya quando ela já estava a alguns passos de Yuki.
A garota se virou para a fonte da voz, encontrando um garoto de cabelos e olhos bastante dourados. Ele sorria e tinha o cabelo até os ombros. Ao seu lado, uma garota de olhos e longos cabelos avermelhados, mais nova do que os outros dois, sorria animadamente. Amaya pareceu se tranqüilizar ao vê-los.
- Hikaru, Tsuki! O que fazem aqui?
- Viemos ver você, Amaya-chan! – Tsuki sorriu, alegre demais. Apesar de ter quinze anos, ela agia como se tivesse alguns a menos na maioria das vezes.
- Raiden estava preocupado. Como ele estava preso na sala por causa da bateria interminável de aulas, pediu que nós viéssemos ver como você está. É verdade que você voltou para casa? – Hikaru estava sério.
- É, voltei… Kouji-sama me pediu para fazê-lo… – Amaya suspirou – Shaoran e Kotori já apresentam sinais e eu serei responsável por cuidar deles quando as mães os rejeitarem. – ela ficou com um olhar triste ao terminar a frase.
Hikaru ficou com a mesma expressão, pondo uma mão delicadamente sobre o ombro da prima. Tsuki, por outro lado, apenas foi até a janela que havia no corredor, parecendo procurar por alguém. Quando achou o que queria, a garota mais nova saiu correndo, deixando os dois primos confusos para trás. Amaya conseguiu ver pela janela uma Tsuki alegre correndo em direção a…
- Um Sohma? – ela franziu a sobrancelha, sem entender – O que ela quer com um deles?
- Relaxe. Tsuki é só uma criança inocente, não sabe o que nós sabemos… Deixe que ela se divirta um pouco. – Hikaru sorriu, tentando acalmar a prima.
Amaya apenas continuou olhando pela janela.
Tsuki correu sem fazer barulho até um garoto magro e alto, de cabelos arroxeados. Tão logo o alcançou, pulou sobre ele, assustando-o. Passou os braços em torno de seus ombros, cumprimentando-o animadamente. Ele apenas piscou em resposta, visivelmente confuso. Não só pela garota em suas costas, também não por ela conhecê-lo. Estava confuso porque não tinha se transformado.
- Fiquei sabendo que você conheceu minha prima, Sohma-kun. – Tsuki sorria largamente.
- Sua… Prima…? – ele piscou algumas vezes – Ah, Amaya-san?
Tsuki o soltou e se pôs diante do garoto.
- Ela mesma! E então, o que achou dela? – ela estava visivelmente ansiosa.
- Bom… Ela não me parecia muito contente… – "Por que…? Era para eu ser um ratinho agora…"
- Você deve estar se perguntando por que nada aconteceu… – um sorriso estranho se desenhou no rosto de Tsuki – Mas não se torture, você logo vai descobrir. – e então uma risadinha fria que deixou Yuki arrepiado.
- Mas o que…? – antes que ele pudesse perguntar qualquer coisa, no entanto, Tsuki já tinha ido embora.
Ela tinha uma expressão satisfeita e um olhar frio nos olhos. Não era à toa que ela bancava a criança inocente diante de algumas pessoas. A família Sohma estava no topo da lista por um motivo muito simples, que ela não ousava dizer. As coisas se revelariam no tempo certo, bastava paciência.
