Capítulo 4
Alguns dias passaram-se desde a conversa que Davy Jones e Desirée Blacksoul tiveram. No final das contas, Desirée não respondeu a pergunta que Jones a fizera: "O que aconteceu com você?". Desirée não contou, mas antes de estar em sua situação atual ela costumava ser uma pirata. Ela sentia falta do mar, era fato que o mar estava logo ali, ao alcance dela. Mas observa-lo, e navegar por ele eram duas coisas muito diferentes. E por Deus, como ela sentia falta disso, mas não iria dizer algo como isso para Jones. Ele não lhe fez a pergunta novamente, então... para Desirée estava tudo tranquilo.
Não houve problema algum na convivência entre os dois, tudo era muito tranquilo. Não que Desirée gostasse de Davy Jones, mas ela havia se acostumado com a presença dele na casa. E ela realmente sentiria falta de Jones se ele fosse embora, havia de certa forma se apegado a ter alguém por perto, fazendo-lhe um pouco de companhia. Ele havia conquistado a confiança de Desirée, que lhe devolveu sua espada.
Com Davy Jones, o mesmo estava a se passar. À principio, Jones pensara que não iria se adaptar a estar perto de Desirée, principalmente pelo fato dela tê-lo feito lembrar-se de Calypso. Nunca estivera tão enganado, acabou por desfrutar da companhia da moça mais do que imaginara. Mas... algumas coisas, alguns acontecimentos não se encaixavam no contexto.
Desirée saia ou de manhã cedo, ou pelo inicio da tarde e simplesmente desaparecia por horas, mas sempre voltava antes de escurecer. A desculpa era sempre a mesma: "Não vi o tempo passar". Durante a calada da noite barulhos, ruídos estranhos eram ouvidos do lado de fora da casa por Davy Jones, e pela manhã, Desirée jurava não ter escutado absolutamente nada pois tinha sono pesado, dizia que deveria ter sido o vento, ou algum animal. Uma coruja talvez. Mas por acaso corujas rosnam? Não, elas não rosnam. Havia algo maligno, diabólico, mais do que mau naquele lugar. E estava a espreita da casa. Davy Jones sabia disso. E essa coisa carregava consigo um espectro de Morte, que ficava pairando por onde passava. Ou seria a própria ilha? Depois de tesouros amaldiçoados, piratas condenados à imortalidade, navios assombrados, deuses pagãos, viagens para o mundo dos mortos, sereias e águas com o poder de conceder a alguém mais anos de vida... Uma ilha maldita não era um pensamento que podia ser considerado insano.
Até mesmo a atmosfera daquele do ambiente era desconfortável, e causava a Jones á sensação de que algo ruim estava prestes a acontecer. Muito em breve. E mais, ele sabia também que Desirée estava a lhe esconder alguma coisa, algum tipo de informação, talvez. E suas suspeitas de que ela escondia algo se confirmaram, no momento em que ele a viu livrando-se de algumas peças de roupas manchadas com sangue que parecia ser fresco. Para a sorte de Jones, Desirée não notou a presença de Davy Jones durante seu ato.
E a cada instante que passava-se, mais aquela sensação de que algo estava devidamente errado fortificava-se no coração de Jones, que de alguma forma inexplicável, havia voltado a bater em seu peito. Ele podia sentir em seus ossos que se permanecesse ali por mais tempo, sua vida iria terminar em breve. E não seria de forma agradável.
Havia mais uma pergunta em sua mente que estava sem resposta. Se não havia com o que se preocupar, se não havia nada de errado com a ilha, por que Desirée mantinha uma grande variedade de armas guardadas em um armário na sala? Dentre elas, as que mais se destacavam eram espadas e baionetas.
Jones conseguiu deixar a casa em uma noite sem acordar Desirée, quando escutou novamente aqueles sons estranhos que estavam tirando-lhe o sono. A única coisa que teve tempo de ver, foi um vulto na escuridão que desapareceu tão rápido quando surgiu.
No dia seguinte, Desirée disse a ele que o viu, e que ele não deveria se arriscar saindo da casa durante a noite. Nesta hora, ele a questionou novamente se o motivo pelo o qual ela lhe dizia aquilo, tinha algo haver com as armas. Ela apenas lhe deu um simples "não" como resposta. E que o verdadeiro motivo para ele não se aventurar pela ilha de noite era que ele iria acabar se perdendo por não conhecer o lugar.
Aquela era uma das piores mentiras que já foram contadas na tentativa de se esconder algo que Davy Jones já tinha ouvido. Por acaso Desirée achava que Jones havia nascido ontem? Davy Jones não seria enganado facilmente, muito menos por Desirée.
E uma coisa era certa: Jones não iria descansar enquanto não soubesse o que Desirée estava escondendo, e o que estava acontecendo naquela ilha.
Captain Jones
