Capítulo 2

Capítulo 2

BatCaverna

Batman não fazia ideia do que estava fazendo ali. Na verdade ele sabia, ele só não queria acreditar. O Ciborgue da época atual havia passado um falso alarme fazendo com que os seus "eus" atuais estivessem fora do cenário. E agora ele estava ali, na batcaverna, completamente diferente do que ele lembrava. Ele não podia a ter modificado tanto em dez anos.

Mas ele tinha que se concentrar na tarefa atual. Ele precisava daquele cristal, e quanto mais rápido, melhor. Com uma furtividade característica do Batman ele caminhou até o vestiário, se trocou e pegou o elevador para a mansão.

Estava tudo calmo, provavelmente deveriam estar todos, menos Alfred, fora. Bruce respirou fundo e caminhou até a cozinha. Precisava encontrar Selina, mas primeiro tinha que achar Alfred. Foi sem erro, entrou na cozinha e encontrou Alfred.

- Mestre Bruce, eu pensei que o senhor só voltaria à noite.

- Tive uma pequena ocorrência... – ele disse se fazendo de desentendido – Selina ainda está em casa?

- E por que não estaria? – Bruce prendeu a respiração, tinha começado mal – acredito que ela se arrumando.

- Com licença, então. – ele disse se retirando.

Alfred o conhecia bem demais, era perigoso passar muito tempo perto dele, ele poderia o descobrir. Bruce subiu as escadas e foi para sua suíte, onde era mais provável de estar a senhora da casa. A porta do quarto estava semiaberta. Bruce se aproximou e aguardou, não ouvia nenhum barulho. Respirou fundo e entrou. Nada de Selina. A cama estava desarrumada, as cortinas e janelas abertas, mas nada de Selina.

Foi então que sons vindos do banheiro lhe chamaram a atenção. O som de vocês e água o fizeram caminhar em direção ao banheiro. Abriu a porta devagar e entrou. A imagem que viu o paralisou completamente.

Ali, no meio de seu enorme banheiro, uma banheira cheia de água morna. Dentro dela estava Selina, nua, os cabelos presos em um coque, segurava um bebê de mais ou menos dois anos e brincava com ela.

- Minha gatinha linda – ela disse roçando seu nariz com o dela. Foi então que ela notou a presença de Bruce – Bruce, pensei que você já tinha ido.

Bruce não sabia o que dizer, ele estava fascinado com o que estava vendo. Nunca tinha visto Selina tão bela. Seus olhos percorreram todo o corpo dela. Ele notou o anel de ouro e o bracelete dourado com o cristal encravado no pulso esquerdo.

- Bruce! – ele despertou de seu transe e a olhou nos olhos – Você está me ouvindo?

- Sim, sim estou – ele se mexeu e andou em direção a banheira – Tinha uns assuntos para resolver aqui.

- Então você vai ficar em casa hoje? – ela perguntou desconfiada.

- Vou... Pelo menos por agora. – ele prendeu a respiração enquanto Selina o analisava.

- Ótimo – ela abriu um sorriso – Você pode me ajudar a enxugar Helena?

- Claro – ele foi até a bancada e pegou a toalha com touquinha com orelhas de gato, foi até a banheira e pegou a bebê do colo de Selina. A embrulhou e colocou a touca sobre a cabeça.

Uma sensação estranha tomou conta dele. Helena era tão pequena e tão quentinha, cabia perfeitamente em seus braços. Ela tinha cabelos negros sedosos e olhos azuis como o pai, um rosto delicado e bochechas rosadas. Ele abaixou a cabeça e sentiu o perfume natural de bebê dela, aquilo era acalentador.

- Papai sempre se derrete pela gatinha dele – Selina disse se levantando e expondo toda sua beleza – mamãe também pode ter o papai?

- Pode. – Helena disse sorrindo.

- Pega minha toalha, por favor – e Bruce atendeu – Obrigado.

- Pai, chama o mano pra vir aqui hoje! – Helena disse chamando sua atenção.

- Mano? – ele perguntou sem entender.

- O Grayson, meu amor – explicou Selina.

- Claro que chamo, gatinha. Vamos trocar de roupa... – ele disse retornando para o quarto.

Bruce brincou com Helena na cama enquanto Selina se arrumava, logo em seguida ela apareceu usando vestido e com o cabelo solto. Seu cabelo estava mais longo, e Bruce decidiu que gostava dele assim. Selina pegou Helena nos braços e a levou para o quarto da menina, a trocou e Alfred veio para busca-la.

- Ela está crescendo tão rápido, tenho quase certeza que Alfred coloca algo na comida dela – Selina disse voltando para o quarto.

- Se chama amor, Alfred a adora.

- Agora, meu adorado marido, vai me dizer o porquê de estar aqui a essa hora do dia?

- Não posso ficar em casa? – Selina o encarou e ele engoliu seco – Eu tive que usar a Batcaverna.

- E por que você não está na sua preciosa caverna? – ela se sentou na penteadeira e começou a escovar o cabelo.

- A ideia de ver minhas duas mulheres preferidas, nuas e molhadas me pareceu bem melhor – Selina girou na cadeira e o encarou.

- Você está dizendo que você deixou o seu trabalho de detetive para admirar sua esposa e filha tomando banho? – ele ficou calado – Quem é você e o que fez com meu marido?!

- ... – por um momento ele achou que tinha sido descoberto.

- Tem alguma coisa errada, Bruce? – ela perguntou preocupada – Você está meio estranho, se é que isso é possível.

- Eu só... – ele disse pensando em uma desculpa – O que você vai fazer sexta a noite?

- Bruce você já se esqueceu do jantar beneficente! – ela disse se levantando e indo buscar o celular – eu tenho certeza de que deixei todo tipo de lembrete, até mesmo um post-it no retrovisor do batmóvel.

- Foi mesmo? – ele disse impressionado.

- Não importa, saiba que você não pode fugir dessa vez.

- Eu não disse nada sobre fugir... – ele se aproximou dela e envolveu sua cintura com os braços.

- Você estava sondando! – ela disse cruzando os braços, determinada a não cair na armadilha de Bruce.

- Sondando?

- É, sondando. Você se faz de desentendido, faz perguntas como quem não quer nada, começa a ficar todo prestativo e quando a gente espera... Você já se safou! Pois fique sabendo que eu não vou cair nessa, não dessa vez.

- Pode ficar tranquila, eu não vou fugir do jantar na sexta – ele disse beijando sua bochecha e a forçando descruzar os braços – Eu só perguntei por que eu tinha planos em mente para nós dois.

- Que tipos de planos? – ela perguntou enquanto ele percorria as mãos pelo comprimento do seus braços.

- Dos tipos que envolve você, eu e... O Alfred.

- O Alfred?!

- É, alguém tem que ficar de olho na nossa gatinha.

- E suponhamos que eu esteja pensando em aceitar esses seu plano, não que eu esteja realmente – ela disse envolvendo o pescoço dele com as mãos – O que você planeja fazer comigo?

- Você e eu vamos fazer um treinamento.

- Um treinamento, Bruce? – ele somente riu – Isso é algum tipo de piada?

- A apressada vai ficar contente em saber que é um treinamento para algo bem específico – ele deu um selinho em sua boca – vamos treinar em como fazer um morceguinho.

- Fazer um morceguinho? – ela disse sussurrando.

- É, eu já tenho a gata, uma gatinha... – ele lhe deu mais um selinho – três pássaros – ela apenas riu – só meu falta um morceguinho.

- Isso é tentador... – ela o beijou e por um momento Bruce se perdeu, esqueceu de tudo e apenas mergulhou no momento. Por um instante ele sentiu que pertencia a aquele tempo – Mas eu dei minha palavra que estaríamos naquele jantar, vamos ter que adiar seu plano por algumas horas.

- Tem certeza?

- Tenho. Agora eu tenho que ir cuidar da nossa pequena – e dizendo isso ela saiu do quarto.

- É... Vamos ter que adiar mesmo. – ele disse enquanto admirava o bracelete que havia conseguido retirar do braço dela enquanto se beijavam – em dez anos.

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