- VOCÊ já estudou para Transfiguração? - Domenic me pergunta, no sábado de tarde, quando estamos os dois sentados na Biblioteca estudando. Eu levanto uma sobrancelha. Tudo bem que eu realmente não estudei, e realmente preciso estudar Transfiguração, mas não é muito típico dele ficar controlando os meus estudos. Ele nem consegue controlar os dele!

- Não, por quê? - pergunto desconfiada.

- Ah, nada. Eu apenas acho que você realmente deveria estudar. - ele responde sem me olhar.

Ele não vai se safar tão fácil dessa, não vai.

- Tudo bem, mas porque essa súbita preocupação com os meus estudos?

- Ora, eu sou um Corvinal, né? Corvinais se preocupam com os estudos.

Eu olho para ele cética, mas ele desvia o olhar novamente. É melhor deixar passar, se não eu vou começar a discutir com o Domenic, e brigar com meu melhor amigo é a última coisa que eu quero nesse momento.

Puxo a minha mochila. No meio da confusão de coisas, vejo um livro que eu não me lembro de ter pego. "Transfiguração na Prática: Tudo que você precisa saber, Volume 6".

Da onde é que essa droga de livro saiu, hein?

Abro o livro aleatoriamente numa das páginas do meio e, surpresa!, é um resumão de toda a matéria do ano.

- Olha, não é exatamente o livro que você queria? - Domenic comenta, lendo por cima do meu ombro.

É, mas eu não me lembro de ter comentado isso com ninguém a não ser... POTTER!

Ele foi a única pessoa que me ouviu comentando isso em voz alta, e agora eu me lembro que ele me entregou um livro antes de eu beijá-lo.

Eu poderia beijá-lo de novo agora.

Não, Lily, calma, sem essa. Você não poderia beijar ninguém.

Enfim.

Extremamente agradecida ao Potter, eu volto ao ínicio do livro e começo a folhá-lo distraídamente. Domenic está me observando de canto de olho. Acho que ele pensa que eu não me dei conta. A impressão que eu tenho é que ele está esperando algo.

Então, um papelzinho cai do livro. Um bilhete.

Eu olho: "Sai comigo? Não precisa responder agora. Amanhã no Salão Comunal, na frente da lareira, às dez da noite. Estarei te esperando lá. Se você não aparecer, saberei que é um não. Potter."

HEEEEIN??

Potter quer sair comigo? Será que ele não se enganou de livro, quero dizer, ele pode ter colocado esse bilhete aí achando que o livro ia para alguém como a Michelle e...

- Lily, Potter tá te convidando para sair? - Domenic pergunta, lendo (de novo) por cima do meu ombro.

- Provavelmente ele foi convidar outra pessoa...

- Claro que não, sua burrinha! - Domenic exclama. - Ele definitivamente quer sair com você!

- Como é que você pode ter tanta certeza disso? - pergunto, desconfiada. Dom apenas desvia o olhar. De novo. Essa história toda tá muuuuito esquisita.

- Ah, qual é, Lily! Todo mundo sabe que ele é gamadão em você!

- Todo mundo? Sério? - Domenic assente. - Interessante, porque eu nunca tinha sequer ouvido falar dessa hipótese absurda.

Domenic me encara.

- Não vou sair com ele. - decido, colocando o bilhete de lado.

- Por quê? Um bom motivo.

- Porque ele estava saindo com a Michelle Lamb até semana passada!

- Retrasada. - Dom me corrige. - E de qualquer forma, não é como se ele realmente quisesse sair com ela. Ela meio que o obrigou.

- Ela o obrigou, é claro. - respondo, irônica. Domenic faz que sim com a cabeça. - Dom, você não quer que eu acredite que a Michelle algemou, depois vendou e então carregou o Potter nos ombros para um encontro, quer?

Ele tosse.

- Ele realmente gosta de você, Lily. Você sabe como o Potter é, ele nunca te convidaria para sair se não gostasse.

Eu suspiro.

- Dom, Potter e eu não somos almas gêmeas. Nós não vamos sair, descobrir que somos feitos um para o outro, então nos casarmos incrivelmente cedo, nos mudarmos para uma casa típica de tijolos vermelhos e aberturas brancas e por fim termos um filho que vai salvar o mundo do mal para sempre.

Ele me olha em silêncio por alguns segundos, piscando aturdido com a rapidez que eu despejei tanta informação.

- Nossa amiga, você já planejou tudo, hein? - ele diz, e então solta uma gargalhada alta. Madame Pince nos olha feio. Eu apenas revirando os olhos.

- O caso é, Domenic, que eu não vou sair com ele.

- Não vai ou não quer?

Eu coro. Maldita pele sensível de ruiva que fica vermelha com a maior facilidade! Por que, ó Merlin, eu não fui nascer loira?

- Eu não vou sair com ele. - repito, enfiando a cara no primeiro livro que minha mão alcança. - Mas o que... - pergunto, olhando o volume que acabei de pegar. - "Bruxas mais gostosas da Grã-Bretanha", Domenic?

É a vez de Dom corar.

- Me dá isso aqui.

- E eu achando que você estava estudando, hein Dom? - eu tiro com a cara dele.

- Ai, Lily, dá um tempo, tá legal?

Eu dou risada do embaraço dele, e Madame Pince nos manda calar a boca. Puxa vida, a velha é realmente uma chatice. A Velha Pince é absolutamente recalcada e deve ter, tipo assim, uns duzentos anos. O pessoal costuma dizer que ela está trabalhando em Hogwarts desde os tempos de Godric Gryffindor e Rowena Ravenclaw. E eu acredito sinceramente que ela exerce sua chatice desde então, porque é muito boa em ser desagradavelmente chata.

- O que você vai vestir? - Domenic me pergunta.

- Nada.

- COMO ASSIM, NADA!? - Domenic pergunta, os olhos arregalados.

- Ai Domenic, seu pervertido. Vou vestir o meu pijama do Peter Rabbit e suas três irmãs: Flopsy, Mopsy e Cotton-tail, tá legal?

- Do que é que você está falando?

- Você nunca ouviu falar de "The Tales of Petter Rabitt", de Beatrix Potter¹?

- Essa Belinda é alguma parente do Potter?

- É Beatrix, Dom. E ela é uma escritora trouxa bastante conhecida. Minha avó nos deu um livro dela quando Petunia e eu éramos pequenas, e nós fazíamos mamãe lê-lo todas as noites.

- Ah, claro. - ele diz. - Espera. Volta aí um pouco. Você disse que vai usar um pijama!? Lily, você definitivamente não pode usar um pijama num encontro!

- Claro que posso, principalmente quando eu não vou ao já mencionado encontro.

- Lily. - Domenic diz bem devagar, e eu sei que agora ele está falando sério. - Vá, converse com ele um pouco e se divirta. Não é ilegal dar uns amassos em um cara de vez em quando.

Eu reviro os olhos.

- Se eu não for, você vai fazer o quê, me levar pelos cabelos?

- É possível. Mas eu não creio que o Potter vá achar muito romântico.

- Tá bem, eu vou. - respondo, resignada. Domenic, quando põe alguma coisa na cabeça, pode ser mais teimoso que uma mula.

Abro a agenda e anoto mais um item na minha lista de coisas a fazer de hoje: "tenho que descobrir um jeito de tapear o Domenic, para ele pensar que eu vou, quando na verdade eu não vou".


ÀS VEZES eu acho que estudar demais tem o efeito inverso do que se pretende quando se estuda demais. Eu, por exemplo, sou uma aluna razoável durante as aulas. Eu presto atenção em algumas, fico jogando jogo da velha em outras e, na maioria das vezes, preciso revisar a matéria depois das aulas.

Só que eu definitivamente não sou uma nerd nem uma freak, então eu raramente reviso as matérias depois das aulas. Pois bem. O resultado disso tudo é que quando chegam as épocas de provas (os testes do meio do ano e as provas finais), eu tenho que me matar estudando.

Mas enfim.

Por que eu estou contando isso, afinal?


EU JÁ disse que sábado é o meu dia favorito na semana?

Pois bem. Sábado eu acordo tarde e passo a manhã inteira lendo um artigo de várias páginas sobre uma bruxa que se apaixona por um bruxo que escreveu uma carta para ela, só que o já mencionado bruxo é um serial killer que matou doze pessoas (sete trouxas e cinco bruxos) com uma pena de açúcar enfeitiçada. A "Vestes Vermelhas" é uma revista de alto nível do mundo bruxo, bem mais cara que a "Magic Magazine", que é direcionada aos adolescentes e tem um preço acessível. Maddie às vezes compra a "Vestes Vermelhas" por ser basicamente uma revista de moda, e Madison é apaixonada por moda. Eu gosto especialmente de olhar as lindas bruxas magras e elegantes que usam aqueles vestidos belíssimos (cujo preço não é tão belo assim e normalmente inclui várias casas decimais) nos editoriais de moda e as fotos das festas que a nata da sociedade bruxa britânica faz. Sim, porque só os famosos e/ou donos de grandes fortunas aparecem na "Vestes Vermelhas".

Mas, às vezes, quando a revista está vendendo pouco, eles colocam uns artigos sensacionalistas como o dessa vez, tudo com muita classe, é claro.

Depois do almoço, Domenic, Madison e eu vamos nos sentar à beira do lago, apesar do frio. Está começando a esfriar, o que significa que logo logo o inverno vai estar chegando.

Mas sentar no lago é legal agora, porque não tem toda aquele monte de gente que vai sentar lá no verão.

- Vocês acham a Geri Lynn está mesmo com o Scott Bennett? - Madison pergunta, prendendo os cabelos num rabo-de-cavalo para que o vento frio que está soprando não fique os jogando na cara dela.

- Tipo, ela é uma setimanista. E Scott Bennett tá no quinto ano. Isso é meio pedofilia, eu acho.

- Eu não sei. - digo, enquanto dobro a barra das minhas calças jeans. - Eu já vi os dois juntos, e eles parecem... sei lá... apaixonados.

- Pelo menos o Bennett vai conseguir um passe para O Baile de Formatura. - Domenic diz, dando de ombros, enquanto termina de dobrar suas calças também.

O Baile de Formatura é um dos eventos mais badalados da (pouca) vida social da escola de Hogwarts. Só os setimanistas podem ir ao baile, a não ser que você seja um acompanhante de algum setimanista para também ganhar um passe. E tem também o pessoal do Comitê de Organização do Baile de Formatura, que também ganham passes, mas só quem é realmente bom é convidado a participar do comitê. E você não pode ter nenhuma atividade extra-curricular para participar, o que automaticamente exclui os Monitores e o pessoal do Quadribol.

- Potter e Black vão no baile de formatura. - Maddison diz.

- Como é que é?!

- Mas eles não são do sétimo ano!

- Eles conseguiram passes. E não é como acompanhante de ninguém.

- Ah é! - exclamo descrente.

- Sério! Eles têm passes para levar acompanhantes também. O Black parece que vai levar a Annelise Peterson, porque ele está saindo com ela, mas vocês sabem como é o Black, pode ser que até o Baile ele já esteja saindo com outra pessoa.

- E o Potter, vai com quem? - pergunto, como quem não quer nada.

- Não se sabe. - Madison responde. Ela não sabe sobre o meu encontro de hoje. Eu sempre conto tudo para ela, mas... sei lá, resolvi não contar. Conhecendo a Maddie, ela provavelmente faria um escândalo quando soubesse. - Ele não está saindo com ninguém agora.

Domenic me olha e levanta uma sombrancelha, sugestivo. Eu coro e desvio o olhar.

Eu nem sei se vou no encontro de hoje, então, como é que ele quer que eu saiba se ainda vou estar saindo com o Potter até o baile de formatura? Minha bolinha de cristal ainda não voltou do conserto, sinto muito.

Dobro mais uma vez as minhas calças e entro na água.

- Sabe de uma coisa? - Maddie diz, quando Domenic também entra na água, para sentar do meu lado numa pedra alta que tem por lá. Então, Madison respirou fundo e soltou a bomba: - Eu acho que estou gostando do Potter.

Por um instante, o mundo inteiro para. As folhas param de farfalhar nas árvores, o vento para de soprar, os seres macro e microscópicos que habitam o lago param de se mexer. Até a Lula Gigante parece entender o importância da coisa.

Domenic vira devagar para encarar Madison, e aí eu escorrego no limo das pedras e caio de bunda na água.

Aparentemente, o tombo fez o mundo voltar a girar em modo normal.

- COMO ASSIM?! - Domenic berra.

Ah meu Merlin. Ferrou total. A Madison não pode estar gostando do Potter. NÂO pode. E sabe por quê? PORQUE EU VOU SAIR COM ELE HOJE! Não que eu esteja com ciúmes ou coisa assim, porque eu certamente não estou. Mas é uma coisa tipo, traição sabe? Que tipo de amiga sou eu saindo com o cara que a minha melhor amiga gosta, que é tipo, o rei da escola?

Uma traíra, é claro.

- Ah, sei lá, tipo, ele é realmente bonito, e é legal com todo mundo e tal... - ela começa a tagarelar sobre as qualidades do garoto...

Será que a Lula Gigante e os sereianos se incomodariam se eu me mudasse lá para o fundo do lago em caráter permanente? Tenho certeza que daria uma bela truta.

- Madison. - Domenic diz, e pela voz dele deu para notar que eles estava tão chocado quanto eu. - Você ficou louca?!

- Por quê!? Domenic Andrew Scholosburg, você não está querendo insinuar que só porque o Potter é popular, ele não pode gostar de mim!

Ai pronto. Era só o que faltava. Passo as mãos molhadas pelos cabelos, transformando o que já era ruim num monstro desgovernado cheio de frizz.

Como se diz, a vaca está indo para o brejo.

- Madison, não seja ridícula! - Domenic bufa, exasperado.

Seja lá o que ele quis dizer, a Maddie entende mal, e lança aquele olhar para ele.

Definitivamente, a vaca está indo para o brejo.

Não, melhor, ela está voando para lá.

- Achei que você fosse meu amigo, Domenic. - Madison diz, com uma voz magoada, os olhos redondos brilhantes com as lágrimas não derramadas.

Então, Madison se vira, os cabelos castanhos sedosos esvoaçando como um manto atrás dela, e vai embora.

ESTOU totalmente pasma.

Madison está apaixonada pelo Potter, que por sinal é o garoto que eu tenho um encontro em umas duas horas e meia, e acabou de ter a briga do século com o Domenic.

E eu nem cheguei a mencionar a sociopatia e o assassinato.

Acho que não foi igualmente chocante para o Domenic. Você sabe, considerando que eu iria sair com o Potter e tudo o mais. Porque ele ainda parecia capaz de fala humana.

- Então.

Escondo meu rosto nas mãos. Não tem como ficar pior, tem?

A Lula Gigante decide que é um bom momento para aparecer, e tenta ser querida, estendendo um dos seus tentáculos para mim. E criando uma onda grande no lago, que, advinhe, vem a me dar um banho.

Maravilha.

Até os clichês estão me perseguindo agora.

- Vamos embora, Domenic. - decido, me levantando da pedra cheia de limo que tinha estado desde o momento que caí.

- Lily...

- Não, Domenic, eu me sentiria mais feliz se nós não discutirmos esse assunto.

- Não, é que... sua calça está verde.

Ótimo. Perfeito.

Dom apenas me segue direto para dentro do castelo. Eu nem me dou ao trabalho de lavar os meus pés na torneira do lado de fora do vestiário para colocar os meus tênis, que é o que a gente faz sempre.

Já estou cheia de barro mesmo. E limo.

Entramos no castelo, minhas roupas molhadas deixando uma trilha de poças d'água atrás de mim.

Filch provavelmente me mataria se visse isso, mas quer saber? Filch que se dane.

- Dom, você precisa fazer uma coisa por mim. - digo, enquanto andamos para a sala Comunal da Grifinória, meus pés descalços congelando em contato com a pedra fria.

- O quê?

- Diz para o Potter que eu não vou sair com ele. - Peço.

- Nem pensar.

- Dominic, eu nãoposso sair com ele! A Madison gosta dele!

- Bom, se for por isso, não pode mesmo, porque lamento te informar, Lily, mas toda a população feminina dessa escola gosta dele. Até as professoras gostam dele.

Suspiro, porque é verdade. É claro para todo mundo que, se a MaGonagall tinha um favorito, era o Potter.

- Dom, é da Maddie que estamos falando. Minha melhor amiga, lembra?

- Ai Lily, não seja boba você também. - ele começa, quando dobramos o corredor. - Esse amor súbito da Madison pelo Potter é fogo de palha. É como aquela vez que jurava que amava o Black. Ela ficou um mês inteiro enchendo o saco com aquela história que eles eram almas gêmeas e tal, e depois caiu na real. E olha o que...

- Como é que é? - uma voz divertida pergunta, na nossa frente. Domenic e eu estacamos no corredor. Parados no corredor, está todo o time de Quadribol da Grifinória.

Ô beleza. Se melhorar, estraga.

Domenic engole em seco. Até ele sabe que passou dos limites agora. Divulgar o maior segredo da Madison para o Time de Quadribol inteiro é imperdoável, para dizer o mínimo.

- Nada. - ele diz, e começa a me puxar.

- A Madison foi apaixonada pelo Black? - Karen Sue, uma das nossas batedoras, pergunta, o ar de deboche evidente em sua voz. - Que coisa mais ridícula!

Ei, espera um pouquinho. Essa garota senta conosco no almoço!

- Não sei porquê. - respondo, ácida. - Realmente ridículo foi você ter arrastado a mim e a Madison para a seção de perfumes da Botica em Hogsmeade, cheirando todos os perfumes masculinos para descobrir qual perfume o Potter usava! - solto assim, na bucha. Karen Sue cora, e abre a boca indignada. Potter e Black só se olham, o segundo levantando uma sombrancelha, interrogativo.

Até Domenic parece espantado.

- Como se ninguém soubesse que você foi apaixonada pelo Black durante os três primeiros anos! - ela grita.

- Fui mesmo, qual é o problema? Eu e a metade da escola, provavelmente. Achava o Black o garoto mais bonito da escola, até crescer o suficiente para me dar conta que era isso que ele era, um garoto! Como a outra metade dessa escola, talvez com genes um pouco mais privilegiados, mas, e daí? Acorda, Karen Sue!

Todo o time de Quadribol e Domenic estão olhando para mim, os olhos do tamanho de um prato. É, admito que esse meu visual super fashion, com roupas molhadas, sem sapatos, e com um tic tac infantil azul berrante no meio da cabeça, contribua bastante para o surrealismo da cena.

- E eu sei que minha blusa está transparente, Smith, mas eu agradeceria se você parasse de olhar para os meus peitos. - disparo, antes de sair rapidamente para a sala da Grifinória, sem olhar para trás.


QUANDO saio do banho, o dormitório está vazio. Visto o roupão e me enfio na cama, sumindo entre os cobertores. Depois que a irritação passou, estou me sentindo... infeliz.

E quando isso acontece, a única coisa que eu quero fazer é me enrolar nos cobertores e dormir até tudo passar.

O relógio na mesa de cabeceira da Elisa apita. Oito horas.

Eu não vou no encontro com o Potter. Não interessa se ele vai ficar esperando lá.

Eu acho que ele nem vai estar lá, para ser sincera.

Mas se ele estiver, vai levar um bolo. Não que ele mereça levar um bolo, é claro. Porque, se você for parar para pensar, ele realmente foi legal comigo.

Principalmente se você considerar o fato que eu agarrei ele na biblioteca. E ele não ficou fazendo piadinhas sobre isso. Poderia, mas não fez. Ele incrivelmente nem falou nada que pudesse me deixar constrangida durante as vezes que a gente se viu depois do beijo.

O que é realmente legal da parte dele.

E seria incrivelmente indelicado da minha parte deixar ele esperando lá por uma pessoa que não vem. No caso, eu.

- Tudo bem. - murmuro, enquanto a Lily boa decide que não pode agüentar a culpa pelo bolo e decide ir. O que tem demais, não é verdade? É só ir lá e dizer para ele que, sinto muito, mas não vou sair com ele. Obrigado. Tchau.

Visto rapidamente a minha calça jeans nova, a de sair (que não foi molhada pela Lula Gigante), meu suéter de cashemere francês verde-claro (presente da minha querida vovó) e calço os tênis depressa, enquanto penteio os cabelos molhados.

Desço a escada de dois em dois degraus.

- Senhorita Evans! - um garotinho do primeiro ano me chama. Merlin, onde estava todo esse povo que lota a sala comunal? Porque eu juro que eles não estavam aqui quando eu cheguei.

- Hum, fala, Jeremy. - digo, olhando em volta, procurando o Potter. Porque só o que falta é ele ter cansado de me esperar (visto que eu estou quinze minutos atrasada) e ido embora.

- Você sabe quando vão ser os testes para entrar no time de Quadribol?

- Na verdade, você tem que ver isso com o capitão do...

- Normalmente os testes são no inicio do ano, Jeremy, mas esse ano não vamos ter testes, já que o time está completo. De qualquer forma, você só pode entrar no time quando fizer treze anos, cara.

Eu me viro. James Potter está ali parado do meu lado, conversando com um primeiro-anista como se estivesse conversando com um velho amigo.

- Eu...hã... - tento, quando o Jeremy sumiu, e Potter se vira para mim.

- Você...? - ele ajuda, me olhando interessado, como se o que eu fosse dizer realmente importasse.

Então, eu me dou conta que não posso falar. Não posso cancelar o encontro com ele, não agora, porque eu realmente quero ir nesse encontro. Mesmo o Potter sendo um sociopata e tudo mais.

- Desculpe pelo atraso. - murmuro.

Ele abre um sorriso enorme e segura a minha mão. Meu coração deu uma reviravolta bem séria no peito e os meus velhos amigos, os bailarinos incansáveis do Riverdance, voltaram para mais um bis no meu estômago.


¹(Helen) Beatrix Potter (26 de Julho de 1866 - 22 de Dezembro de 1943) foi uma escritora e ilustradora inglesa de livros infantis. "The Tale of Peter Rabbit" é o primeiro na série de livros infantis escritos e ilustrados por ela, e talvez seu trabalho mais conhecido.


N/A: Capítulo rápido e sem citações, porque eu JÁ ESTOU COM DH EM MÃÃÃÃÃÃÃOS! E to morrendo de curiosidade de saber o que acontece. Então, nem vou responder reviews nem nada. E nem revisei o capítulo. Era só pra não atrasar na hora de postar :P

Beijos para todo mundo, amo vocês.