"Na Waverly, Jenny ia ser a Nova Jenny, formidável e incrível, a garota que estava no centro de tudo. Então por que não começar a se transformar na Nova Jenny agora mesmo?"

– The It Girl, Cecily von Ziegesar


JAMES cúmplice de algum assassinato! Se o Dumbledore sabe, ele vai ser expulso, no mínimo.

Sinceramente, nunca imaginei que James pudesse fazer uma coisa dessas. Quero dizer, ser testemunha de assassinato é uma coisa; ser cúmplice é outra totalmente diferente. Você pode ser testemunha por acidente, mas não pode ser cúmplice por acidente.

Porque, para ser cúmplice, você tem que ser uma pessoa má do pior tipo: aquela que vê o mal sendo feito e não faz nada para impedi-lo, que é pior que a que faz o mal propriamente dito.

Não deveria ser uma coisa tão surpreendente, afinal, eu já sabia que o James era um sociopata. Ai droga, como eu sou burra.

MERLIN, COMO É QUE EU NÃO ME DEI CONTA?

James obviamente sacou que eu estava desconfiando de alguma coisa! Por isso ele se aproximou de Dom e de mim. Para me manipular. Isso explica porque tem sido tão difícil para eu desconfiar dele nesses últimos tempos. Eu fui manipulada e seduzida!

Ah, cara.

- Você não sabe o que aconteceu! – Madison diz, ou melhor, berra, batendo a porta do quarto como efeito dramático.

- Hum... não.

Ela olha ao redor, e, ao verificar que a barra está limpa, grita:

- James Potter tem uma nova namorada!

Levanto uma sobrancelha. Pseudo-traição certamente combina com a nova personalidade de James que eu acabei de descobrir.

Madison confunde meu olhar de desprezo com interesse pela noticia, porque rapidamente pula na minha cama e começa a falar, animada:

- É por isso que ele tem andado tão estranho! – ela diz, fascinada com a inteligência de sua descoberta. – Ele está apaixonado!

Ou está escondendo um crime, mas enfim.

- Acabei de ouvir Black falando para ele algo como "Cara, se você realmente gosta dela, cedo ou tarde, ela vai ter que saber a verdade.". E o Potter respondeu alguma coisa como "Sim, eu realmente gosto dela. De verdade. Cara, eu acho que estou apaixonado.". E deve ser certo, porque o Black arregalou os olhos e...

Maddie continua tagarelando sobre a conversa de Black e Potter, mas eu paro de prestar atenção. Uma coisa muito, mas muito mais grave ocupa a minha mente. O assassinato do qual James é cúmplice.

Espera.

Madison conhece tudo sobre todo mundo nessa escola. Ela certamente iria saber se alguém sumiu! Ou foi morto.

- Madison! Preciso que você me diga uma coisa!

- Hum, tá.

- Alguém anda sumido ultimamente?

Ela me olha confusa.

- Não sei, deixe-me pensar... Não, acho que não. Quero dizer, ninguém que eu conheça.

- Ah. – respondo desapontada. Se Madison não notou, é pouco provável que outra pessoa e, Hogwarts tenha notado. Talvez a MaGonnagall, mas não é como se eu fosse chegar para a professora e perguntar "professora, alguém tem faltado muito às aulas? Alguém que, tipo assim, possa estar morto?".

- Mas o Snape tem andado estranho.

- Snape é estranho.

- Tá, mas eu quero dizer, mais que o normal.

Vou jogar minha última carta.

- Maddie, você não conhece alguém chamado Snivellus?

Madison dá uma risadinha.

- Ai Lily, não acredito que você não saiba! Snivellus é como os marotos chamam o Snape. Por causa do cabelo dele, sabe?

Merlin.

- Lily?

AI MEU MERLIN!


- LILY? – me viro bem devagar, preparando um olhar de desprezo ao ouvir a voz do Desprezível Potter, daqueles tipo ... Scarlett O'Hara.

- O que foi, Potter? – Pergunto, o mais frio que consigo. São sete e meia da manhã, Potter é um assassino cruel (ou quase), e eu quero distancia dele. Mas então porque raios ele tem que estar tão cheiroso a essa hora da manhã?

Ele pisca confuso.

- Aconteceu alguma coisa? - o idiota ainda tem a cara de pau de perguntar.

- Você me diz. – digo, levantando as duas sobrancelhas (o melhor seria se eu levantasse uma só, mas infelizmente, eu nãoconsigo.),e então voltando a me virar para o prato.

Cara, isso foi muito bom! Rá! Esse meu lado Scarlett O'Hara está me saindo melhor que o esperado.

- Lily, eu não sei do... – ele sacode a cabeça e muda de assunto. Bléh. Idiota. – O pessoal está pensando em fazer uma noite hoje lá na torre e eu tava pensando que a gente podia ir junto.

- A gente, eu e você? – pergunto.

Ele assente com a cabeça.

- Pra quê?! A gente vai se encontrar lá de qualquer jeito. – simplesmente não consigo resistir à tentação de esculhambar com ele mais um pouco,

- Eu estava sugerindo um encontro.

- Filho-da-puta arrogante! Eu sei que você está sugerindo um encontro! Você está achando que eu sou burra ou o quê? Agora me pergunto como você consegue ser tão cara de pau! Aposto que a sua namorada não sabe que você está me convidando, hein seu patife!? – grito, ou pelo menos tenho vontade de gritar.

Obviamente não pretendo dar esse gostinho a ele, então o negócio é respirar fundo e não olhar para ele.

Tomo mais um gole de chá, bem devagar.

- Por que você não vai convidar a sua namorada?

- O quê?! – ele parece bem confuso quando arria na cadeira ao meu lado. Tenho que admitir que ele é um excelente ator. Merecia um Oscar pela atuação. – Lily, por Godric, do que é que você está falando?

- Uma garota do meu dormitório sem querer ouviu uma conversa sua como Black, sobre uma garota pela qual você está apaixonado, e para quem você deveria falar alguma coisa; e comentou comigo.

- Ah, então foi isso. – ele diz, passando as mãos pelos cabelos. Pettigrew pára perto de nós e os dois trocam um olhar que certamente quer dizer alguma coisa, porque Potter solta uma desculpa esfarrapada do tipo "a gente conversa sobre isso depois, doçura" e escapole.
DOÇURA.

Ele me chamou de doçura.

Que tipo de pessoa chama uma garota de doçura? Isso é ridículo. Doçura é um daqueles tipos de apelidos que você tem que ser um deus maravilhoso, lindo até a medula e cheio de charme para dizer.

- Você acha o Potter bonito? – pergunto para Madison.

- É, ele é.

- Eu não acho.

Madison ri.

- Lily, ele ébonito.

- Não até a medula, certo?

- Sei lá, Lils. Eu nunca vi o corpo dele por dentro.

- Mas você acha que ele tem charme?

- Acho.

- Mas assim, muito charme?

- Ai Meu Deus, Lily! O cara é lindo, querido, cheio de charme, podre de rico, quase um lorde! Pronto, era isso que você queria ouvir?

Suspiro. Não é como eu não soubesse disso, sabe?

Que droga, cara. Por que é tudo assim tão difícil?

E porque raios eu pareço uma protagonista de novelão mexicano aqui sentada, me lamentando porque James Luis Fernando de la Vega Potter e eu não podemos ficar juntos?

Sinceramente, eu me sinto mal pelas protagonistas de novelas mexicanas. Agora eu entendo tudo o que elas passam. Puxa vida, essa montanha russa emocional é muito desgastante. Cansa a beleza de qualquer mortal. E ainda dizem que quem se diverte são as vilãs.

Vou te contar, viu?

- Que roupa você vai usar na noite, hoje? – Maddie, a atrasada, me avisou da noite (que eu já sabia) minutos antes dessa conversa.

- Acho que eu não vou.

- Como assim? Lily, há cinco minutos atrás você ia certo.

- Bom, há cinco minutos atrás eu era uma pessoa diferente. – Maddie me olha como se eu tivesse de repente três cabeças. – Heráclito? "Não cruzarás o mesmo rio duas vezes, porque outras são as águas que correm nele."? Filosofia?

Ela faz que não com a cabeça.

- Ta bem, esquece.

- Vamos, Lily.

- Não.

- Vamos.

- Não.

- Por favor.

- Não.

- Potter vai estar lá.

- Bom para ele.

- A namorada dele vai estar lá.

- Realmente bom pra ele.

- Ah, qual é Lily! Vai dizer que você não está nenhum um pouquinho curiosa pra saber quem é a sujeita?

- Não.

- Mesmo?

- Talvez um pouco.

- Então!

- O Dom vai estar lá?

- Não. A noite é só para o pessoal da Grifinória, né dã!

- Ah, mas o Domenic é Grifinório por osmose.

- Mas ele não vai ir.

- Então também não vou.

- Lily! Vai por mim. Pela nossa amizade. – ela pede, olhinhos brilhantes.

Nojenta. Ela sabe que isso sempre funciona.

- Só vou ficar uma meia horinha.

- Tudo bem. Vá se arrumar.
QUANDO desço para o Salão Comunal, horas depois, a festa já começou. Alguém reduziu as luzes, e uma das mesas do canto está lotada de garrafas, que, pelos frascos, devem variar de cerveja amanteigada a whisky de fogo, passando por todo os outros tipos de bebidas alcoólicas possíveis.

James está conversando com uma morena espremida numa saia cáqui brilhante, que deixava a mostra suas pernas longas. È sério, a garota devia ter pelo menos uns dois metros de perna. Eram quase do tamanho das pernas de uma girafa super-desenvolvida.

Não, mentira. Eles não estavam conversando.

Estavam flertando.

Acho que vou vomitar.

Madison esta conversando com a Annie Wilmot, uma loirinha um ano mais nova do que nos, perto da mesa das bebidas. Vou ate lá, me equilibrando em cima das minhas sandálias plataforma salto seis.

- Oi, Lily. Adorei a sua blusa. - Annie diz.

- Obrigada.

Reparo que tanto Madison quanto Annie estão segurando grandes canecas vermelhas descartáveis.

- O que vocês estão bebendo?

- Por enquanto, suco de abóbora. - Madison diz. Ergo uma sobrancelha. Por enquanto?

- Lily, acho melhor voce se servir antes que batizem o suco.

Assinto com a cabeça distraída, e vou ate a mesa de bebidas.

Procuro pelos copos limpos, e acho um atrás de uma garrafa de uísque.

- Evans! Achei que você não vinha na festa

Viro-me, e está a morena e James.

Ela esta sorrindo para mim, como se nos fossemos melhores amigas.

Oi, te conheço?

- Surpresa, surpresa - digo, irônica.

Ela não parece perceber.

Pego a jarra de suco de abóbora e começo a me servir.

- Ai Jamie, olha que amor! Ela esta bebendo suco de abóbora!

Acho que essa garota esta drogada.

A morena pega a garrafa de uísque e enche o próprio copo até a metade.

Sem pensar, pego a garrafa de vodca (ou a garrafa que acho que contém vodca) e viro no meu copo.

Ela me olha meio surpresa, meio cúmplice. Garota estranha, hein? Vou te contar. Sou muito mais eu!

Então fica um clima meio estranho, e eu volto correndo para perto da Madison. Bem, na verdade não correndo, porque não consigo correr de saltos (fico morrendo de medo de tropeçar, quebrar o pé, e ficar aleijada para sempre).

Uma das mãos de Madison saltou e pegou o meu pulso. Suas unhas se cravaram na minha pele.

-Ai.Meu.Merlin.- Ela ofega. – É a nova namorada do Potter.

- É? – digo, me fazendo de desinteressada. Não consigo acreditar que ele está com uma garota dessas. Para dar mais ênfase à minha atuação blasé , levo o copo ao lábios. O efeito fica um pouco arruinado porque começo a tossir e a cuspir, por causa da bebida que desceu queimando a garganta.

Volto à mesa de bebida e coloco mais suco de abóbora no copo, e umas duas pedrinhas de gelo. Sempre ouvi dizer que ajuda na hora de beber.

De fato, fica mais bebível.

- Eu não sei se ela é realmente a nova namorada dele. – Annie está dizendo, quando volto a me juntar a elas.

- Pois é, eu nunca vi os dois juntos antes.

- Ai meu Deus, vocês não estão sabendo? – Maria Messerschmidt, a melhor amiga de Annie, praticamente pia, e eu tenho a impressão que ela vai cair de suas plataformas, que eu não tenho idéia do quão alta são, já que a barra de suas calças cobre totalmente os sapatos. – É por causa do Black!

- Por causa do Black? – pergunto. Não estou conseguindo fazer a relação, mas estou certa que existe uma.

- Ela dormiu com o Black nas férias. – Maria conta, diminuindo a voz. Fazemos cara de horror, porque é o esperado. – Por isso que o Potter não quis assumir. Ele estava com medo da reação do Black.

Ficamos todas em silêncio. Posso ler o que as meninas estão pensando: que garota sortuda. Mas eu sei a verdade. E ela não é tão colorida.

- Afinal, qual é o nome dessa garota?

- Sage Keaton. – um nome bem exótico, penso. Combina com ela. E uma namorada linda e exótica combina com Potter. Quero dizer, todos os ladrões charmosos tem namoradas bonitas,

E loucas/drogadas.

Affe.

Tomo um longo gole do meu copo, e, de repente, me dou conta que não tem mais bebida. Ai que droga.

Anne vai comigo até a mesa de bebida, e eu vejo que ela fica olhando quando me sirvo.

- Quer que eu prepare uma pra você? – pergunto, solícita.

- Ah, não. Não. Não precisa. – Ela dá um sorriso. – Vou ficar só no suco.

Dou de ombros. Ela mal sabe o que está perdendo.

Fico conversando com as meninas a maior parte da festa, que vai ficando cada vez mais animada. De repente, enxergo o Black. Meu Deus, a camisa dele é muito linda.

Preciso dizer isso para ele!

- Oi Black. – digo, me sentando ao lado dele no sofá.

- Oi Evans.

- Que milagre ver você sozinho.

Ele sorri, e se vira para bater a cinza do cigarro num cinzeiro que tem na mesinha do lado.

- Pois é, né Evans.

- Adorei a sua camisa. – digo.

Ele ri.

- Obrigada.

- Sério, gostei mesmo. Ela é tão... branca.

- É, eu tive essa impressão quando a coloquei hoje de manhã; - ele diz, bem-humorado.

- Sabe, estou com a impressão que estamos criando uma conexão, eu e você. Você não tem essa impressão?

Ele ri, em vez de responder. Embora o sorriso dele seja lindo, às vezes é meio chato.

- Você não se cansa de sorrir? – me pego dizendo. – Às vezes eu fico tão cansada de sorrir que me dói o coração.

- É, às vezes cansa um pouco. O que é que você está bebendo? – Estendo meu copo e ele toma um gole. – Garota, isso é forte.

- È bom. – respondo.

- É mesmo. Vodca com suco de abóbora?

Assinto com a cabeça, e termino de tomar a bebida que está no copo.

- Vou lá pegar um copo pra mim. – Sirius diz. Estendo meu copo para ele.

- Pega mais para mim?

- Claro.

Fiquei olhando para um quadro na parede mais próxima, um quadro que eu nunca tinha realmente reparado antes. Seus ocupantes tinham se retirado, provavelmente muito escandalizados com a nossa festinha. De certa forma, ele me pareceu borrado. Muito borrado.

Sirius chega e nós ficamos conversando e bebendo mais um pouco, até que eu resolvo procurar a Madison. Estou achando esse quadro muito estranho.

Dou uma volta pelo salão, mas não acho a Madison.

- Ei, Evans! – Black me chama, ainda sentado naquele sofá. – Por que você não vem aqui sentar um pouquinho comigo?

Assinto, e vou até ele.

- Cara, fizeram uma coisa muito estranha com esse chão. – digo, quando consigo me sentar do lado dele. – Ele não pára de rodar. E tem uns buracos que fazem a gente ficar tropeçando o tempo todo.

Ele faz que sim com a cabeça, mas não está rindo. Acho que ele cansou de rir, coitado. Acontece com todo mundo.

- Você sabe quem fez isso?

- Isso o quê?

- Esses buracos no chão.

- Ah...

- Cara, que merda você fez? – Ergo os olhos da linda camisa branca do Sirius e aqui está James Potter parado. Bem na minha frente. Mas ele não está olhando pra mim. Está olhando para o Sirius, e parece bem irritado.

Acho que a Sage não beija bem.

- Não fiz nada, cara.

- Sirius, você embebedou a garota! – De quem será que eles estão falando? Será que é da Sage?

- Eu não a embebedei. Ela já estava bêbeda.

- Lily? – Potter está falando comigo. Embora ele esteja lindo, não vou deixar me envolver.

- Não quero falar com você.

- Por que não?

- Porque você é um sociopata e é cúmplice da tentativa de assassinar o Snape. Além disso, você tem uma namorada.

James e Black não falam nada. Eles parecem bem chocados.

Sinto uma coisa vindo de dentro.
Ai meu deus. Tudo que eu não preciso é uma verborragia.

Ai.

- Puta que pariu, cara.

Olho para os sapatos de James, onde os restos do meu jantar agora jazem, e então faço uma coisa que será provavelmente uma infâmia eterna para todas as mulheres do mundo.

Apago.


N/A: Ai gente, desculpa pela demora, viu? Eu realmente não tinha idéia de como escrever esse capítulo. Devo ter reescrito isso tudo umas 564698456168485 zilhões de vezes. Enfim.

Não vou ficar respondendo reviews, porque são muitas, e eu tenho que ir lá ver o Sirius gostosão dando suas piscadinhas marotas em Harry Potter e a Ordem da Fênix. Então, vocês entendem que o motivo é de força maior, né:D

Beijos, queridos.

E não se esqueçam de deixar aquela reviewzinha amiga, viu?