NA: Hey pessoal, como disse antes, cada capitulo será 1 ano passado em Hogwarts e assim sucessivamente.

Espero que gostem!


Setembro, 1973

Depois de um ano relativamente calmo – bem, o mais calmo que podia ser em Hogwarts com os Marotos á solta pelo castelo – tudo o que Helena podia pedir era que o seu 3º ano corresse da mesma maneira, correto? Errado. Passara o maldito verão inteiro a sonhar acordada por Sirius Black. Nem ela mesma entendia bem o que estava a sentir, mas sentia-se esquisita quando pensava nele e não queria ponderar o facto de poder mesmo estar apaixonada.

Ela.
Helena Auvray.
Apaixonada por Sirius Black.
A ovelha negra da família Black.
Um Gryffindor.

E observando-o rir de alguma coisa que James Potter tinha acabado de partilhar com os seus colegas durante o jantar de inicio do novo ano letivo, ela decidiu: Aquilo só podia ser um pesadelo.


Novembro, 1973

Manter Renier Auvray e Morgana Avery agradados não era tarefa fácil, mas as suas notas e o seu comportamento pareciam satisfatórios. Helena tinha feito fortes amizades com Rabastan Lestrange, que estava no seu 5º ano e Regulus Black, que estava no 2º e isso parecia contenta-los mais que quaisquer boas notas que pudesse tirar.
Helena, Rabastan e Regulus não conversavam muito, principalmente porque na maior parte do tempo o mais novo se juntava a Severus Snape, Avery do 5º ano – um primo distante da sua mãe – e a Wilkes, um garoto que ela conhecia apenas de vista e que estava no seu 6º ano. Então, Helena e Rabastan ficavam juntos, em silêncio, enquanto cada um se ocupava com o que bem entendia.
Ela gostava desses momentos, e ele também não parecia chateado com isso. Bem, tudo isso até uma certa tarde..


O inverno era uma das estações que mais apreciava. Gostava de ver como a neve caia sobre as vastas terras que rodeavam o castelo. Gostava de beber cerveja quente amanteigada durante as visitas a Hogsmeade e gostava principalmente de ir a casa durante duas semanas de férias.
Naquela tarde tinham sido dispensados das aulas como um bónus pelo mau tempo e Helena tinha optado por instalar-se num dos bancos do corredor a ler. Ninguém passava por ali muitas vezes, principalmente tendo a oportunidade de ir á cidade, então era perfeito para os seus planos.
Rabastan ajeitou-se ao seu lado e ela observou-o de repente. Cabelos e olhos castanhos, quase negros. Tinha uma expressão vazia, um pouco assustadora talvez, e devido á sua tonalidade clara, podiam ver-se bem as olheiras sempre presentes no seu rosto. Não era bonito – não como Sirius de qualquer das formas – mas também não o consideraria particularmente feio. Era uma questão de gosto.
Achou estanho naquele dia ele aparecer de mãos vazias, ligeiramente nervoso e gaguejando algumas vezes. Pensou que estivesse com problemas com algum aluno de outra casa, mas o Lestrangue era tão intimidador quanto o seu irmão mais velho, Rodolphus, que tinha acabado de fazer 20 anos e já era um Devorador da Morte conhecido.

- Está tudo bem? – perguntou, pela terceira vez.

Rabastan esfregou as mãos contra o tecido negro das calças, nervosamente, e encarou-a por uns instantes – não consigo adiar mais – e antes mesmo que ela perguntasse do que diabos estava a falar, viu-se presa conta a parede fria do corredor, com os lábios rudes de Rabastan nos seus, num beijo forçado.


Sirius Black passava por um dos vários corredores vazios de Hogwarts quando ouviu um grito feminino. Estranhou, e apressou-se, já esperando ver a cena comum: um garoto de Slytherin a atormentar uma garota de qualquer outra casa que não fosse a sua. Contudo, o que encontrou, não foi bem o que esperava. Eram de Slytherin, sim, mas não era a cena que havia imaginado de inicio.
Rabastan Lestrange beijava forçosamente Helena Auvray, enquanto a mesma se debatia contra o corpo dele. Ficou cego de raiva e nem pensou duas vezes antes de agir. Puxou da varinha e lançou o jovem bruxo contra a parede, não se importando se o magoaria ou não. Helena parecia em choque. Os seus lábios tremiam e estavam vermelhos, visivelmente machucados. Os olhos azuis estavam vidrados no seu atacante, e depois, focaram-se em Sirius. O seu corpo relaxou um pouco, e então, começou a chorar descontroladamente.
Ele nunca imaginou ver Helena chorar, nem que ela transmitisse uma aura tão frágil. Tinha vontade de protegê-la, e foi isso mesmo que fez. Levando-a para longe de Rabastan, que continuava desmaiado no chão frio de pedra.


Fevereiro, 1974

Depois do incidente com Rabastan, Helena tinha-se tornado mais cautelosa.
Sirius não tocara no assunto depois daquele dia, e ela preferia que continuasse assim. Agiam da mesma maneira em redor um do outro, com palavras cortantes e ações hostis. Mas apesar de negar os seus sentimentos e de trancá-los bem dentro de si, Helena ainda recordava a sensação de ser abraçada por Sirius, de ouvi-lo cantar para si quase num murmúrio com esperança de acalma-la.
Não o conseguia esquecer, e isso estava a consumi-la. Era-lhe proibido, mas tentador.


Maio, 1974

O exame tinha-lhe corrido particularmente bem. Estudara durante semanas a fio, e quando a prova lhe fora colocara á frente, soubera responder a todas as questões sem grande dificuldade.
Naquele momento estava no jardim, sentada num canto com o livro de feitiços na mão. Tinha algumas dificuldades com o feitiço Locomotor, pois não conseguir usá-lo para mover qualquer coisa que desejasse. Então, decidira ler mais uma vez as instruções do livro para que o pudesse praticar mais tarde com alguma calma.
Um pouco longe de si estava Snape, sentado de baixo de uma árvore e a rabiscar alguma coisa no livro de poções. Por muito que lhe custasse, admitir, achava-o bom aluno. Muito melhor que ela, no que tocava a poções ou ás artes das trevas.
Observou Remus Lupin não muito longe de Snape, também ele concentrado num livro. Ao lado dele estava Pettigrew, sentado como um idiota tentando ganhar alguma atenção de Sirius e de James, que claramente preparavam alguma.
Severus levantou-se e começou a caminhar pela relva. Depois, aconteceu tudo muito depressa.
James e Sirius colocaram-se á sua frente. Snape atirou a mochila no chão e puxou a varinha das suas vestes, mas antes que pudesse conjurar qualquer feitiço, James já tinha gritado Experlliarmus.
Helena observou a varinha de Snape voar uns seis metros no ar e cair com um pequeno estrondo na grama atrás dele.

Sirius soltou uma gargalhada – Impedimenta! - disse, apontando sua varinha na direção de Snape, que foi jogado longe enquanto ia em busca de sua varinha.

Os estudantes em volta viram-se para assistir. Alguns deles tinham-se levantado e estavam a aproximar-se. Uns pareciam apreensivos, outros divertidos.
Snape estava caído arquejante no solo. James e Sirius avançaram em sua direção, varinhas erguidas, James dando olhares furtivos por sobre o ombro na direção das garotas na beira do lago. Pettigrew estava sobre o banco agora, consumindo a cena com o olhar, tentando conseguir uma visão melhor por cima das cabeças dos outros alunos que assistiam.

- Como correu exame, Seboso? - perguntou James, num tom audível. Helena levantou-se do local onde se encontrava e aproximou-se da cena, tentando passar despercebida.

- Eu vi o nariz dele a tocar no pergaminho - disse Sirius maldosamente. - Deve ter marcas enormes de óleo no pergaminho inteiro, eles não vão conseguir ler uma palavra.

Muita gente que estava em volta riu, Snape era claramente impopular, não que isso fosse uma novidade. Pettigrew gargalhou e Helena lançou-lhe um olhar irritado, nunca fora com a cara dele. Snape tentava erguer-se, mas a azaração ainda estava a funcionar. Estava preso, como se estivesse amarrado por cordas invisíveis.

- Tu... Tu não perdes por esperar - ele resmungou ofegante, fitando James com uma expressão da mais pura aversão. - Não perdes por esperar!

- Esperar pelo quê? - questionou Sirius, irônico. - O que vais fazer, Seboso, cuspir sobre nós?

Snape soltou uma mistura de palavras encantadas e maldiçoes, mas com sua varinha tão longe nada aconteceu.

- Lava essa boca - disse James, friamente. - Esfregaça!

Bolhas cor de rosa de sabão saíram da boca de Snape de uma vez, a espuma estava cobrindo seus lábios, como uma mordaça, sufocando-o... Helena mordeu o lábio, segurando a sua vontade de correr lá e soltar um monte de maldições sobre os dois, contudo, Snape tinha que aprender a defender-se sozinho.

- Deixa-o em PAZ!

James e Sirius olharam ao redor. Mas Helena reconheceu a voz de imediato assim que a ouviu.

- Tudo bem, Evans? - disse James, e o tom de sua voz mudou subitamente. Estava mais profundo, mais maduro. Falso. Pensou a loira.

- Deixa-o em paz - Lilian repetiu. Ela encarava James com todos os sinais de uma grande antipatia. - O que é que ele te fez?

- Bem - disse James, aparentando pensar sobre o caso -, é mais o fato de que ele existe, se é que me entendes...

Muitos dos alunos ao redor riram, Sirius e Pettigrew também, mas Remus, aparentemente ainda concentrado em seu livro, não riu, tampouco Lilian.

- Achas-te muito engraçado - ela retorquiu friamente. - Mas és só um piadista infame e arrogante, Potter. Deixa-o em paz.

- Eu deixo se saires comigo, Evans - James respondeu rapidamente - Vamos... Sai comigo e eu nunca mais encosto a varinha no velho Seboso outra vez.

Atrás dele, o efeito do feitiço Impedimenta estava a acabar-se, e Helena viu quando Snape começou a engatinhar para junto da sua varinha, deixando escapar bolhas de sabão enquanto se movia.

- Eu não sairia contigo nem se eu só pudesse escolher entre ti e a lula gigante - disse Lilian.

- Tiveste azar, Pontas - disse Sirius marotamente, tratando o amigo pela recente alcunha e então, virou-se para Snape. - HEY!

Tarde demais.
Snape tinha a varinha apontada exatamente na direção de James. Um feixe de luz e um corte apareceu num dos lados do rosto do Potter, manchando suas vestes com sangue. James revidou: um segundo feixe de luz e Snape estava pendurado de cabeça para baixo no ar, suas vestes descendo e revelando um par de pernas pálidas e esqueléticas, e cuecas cinzentas.
Muitas das pessoas naquela pequena multidão aplaudiam; Sirius, James e Pettigrew fartavam-se de rir.

- Coloque-o no chão! – gritou Lilian, apesar da sua expressão de fúria hesitar por um instante como se fosse se render ao riso. Helena fez deslizar a sua varinha entre as vestes, apertando-a com força e esperando uma oportunidade.

- Com certeza - James respondeu baixando a varinha; Snape caiu como uma pilha de roupas amontoada no chão. Desenroscando-se de suas próprias vestes, ele se levantou rapidamente, varinha em punho, mas Sirius bradou.

- Petrificus Totalus! - Snape caiu outra vez, rígido como uma tábua.

- DEIXEM-NO EM PAZ! - Lilian gritou. Ela tinha sua própria varinha empunhada agora. James e Sirius olharam cautelosos.

- Evans, não me faças azarar-te - disse Tiago sério.

- Então retira o feitiço.

James respirou fundo e então se voltou para Snape e murmurou o contra-feitiço. Helena fitou a cena, movendo-se entre as pessoas e aproximando-se, caso fosse necessário ajudar Severus. Apesar de tudo, era seu companheiro de casa e ela até gostava de passar algum tempo com ele.

- Prontinho - disse quando Snape se colocou de pé novamente. - Tiveste sorte da Evans estar aqui, Seboso...

- Eu não preciso da ajuda de mudbloods imundos como ela! – Helena abriu a boca em descrença e viu Lilian piscar, igualmente surpreendida.

- Bem - ela respondeu friamente. - Não vou me incomodar no futuro. E eu lavaria as cuecas se eu fosse a ti, Seboso.

- Pede desculpas á Evans! - James rugiu na direção de Snape, a varinha apontada ameaçadoramente para ele.

- Eu não quero que o faças desculpar-se - Lilian gritou para James – És tão desprezível quanto ele.

- Quê? - ganiu James. - Eu NUNCA te chamei de... Tu-sabes-o-quê!

- Bagunçando o cabelo só porque achas bem parecer que acabaste de descer da vassoura, mostrando-te com aquele pomo estúpido, andando pelos corredores e azarando quem quer que seja só porque podes... Estou surpresa que tua vassoura consiga sair do chão com um ego tão inflado quanto o seu. Dás-me NOJO – então, ela virou-se e saiu a correr dali.

- Evans! - James gritou por ela. - HEY, EVANS! - mas ela nem olhou para trás – o que é que deu nela? - questionou, tentado e fracassando em parecer que aquela não era uma questão de grande importância para ele.

- Lendo nas entrelinhas eu diria que ela te acha um pouquinho convencido - respondeu Sirius.

- Certo - disse James, ligeiramente furioso - certo... - então houve um novo feixe de luz e Snape estava novamente suspendo de ponta-cabeça no ar - quem quer ver-me tirar as cuecas do Seboso? – perguntou, rindo.

Nesse momento, Helena afastou-se da multidão, aproximando-se deles rapidamente e erguendo a varinha na direção de James – Expelliarmus! – gritou. Lançando a varinha de James para longe. O olhar de todos caiu sobre si, e Sirius fitou-a irritado. James, desviando o olhar de Snape que tinha acabado de cair no chão e vestia as calças apressado, voltou-se para encará-la.

- Auvray! – vociferou o Potter, fitando-a com raiva.

Por muito que alguns estivessem descontentes por ela ter acabado com a brincadeira, mantiveram-se calados. Não era segredo nenhum que Helena provinha de uma família puro-sangue de Devoradores da Morte, muito menos que ela provavelmente, seguiria as pisadas dos pais. O melhor, era manterem-se afastados, não criando problemas.

- Vocês os dois – disse, balançando a varinha na direção de James e Sirius – são desprezíveis. Falam dos alunos de Slytherin, mas conseguem ser mil vezes mais cruéis que muitos deles. Sabem o que eu devia fazer-vos? Obriga-los a passar a mesma humilhação que o Severus passou! – gritou, soltando de seguida outra azaração e lançando a varinha de Sirius para o outro lado do jardim, quando viu que este se preparava para atacar.

O moreno de olhos cinzentos abriu um sorriso de deboche – talvez gostes do Seboso, Helena.

A loira mordeu o lábio, contendo a raiva que tinha por Sirius naquele momento. Céus! Como era possível que o amasse? Engoliu em seco e humedeceu os lábios, sorrindo de seguida – talvez goste. Mas isso não é nada da tua conta, Sirius.

E com isso, deixou-os para trás, seguindo na direção que Snape tinha desaparecido anteriormente. O Black ficou parado no mesmo local, incrédulo com o que ela dissera e ainda tentava associar as palavras. Helena gostava do Seboso! Não acreditava que isso fosse possível, mas era uma explicação plausível para o motivo de ela o defender constantemente.
Sirius cerrou os punhos com força. Cada vez odiava mais Snape.


Junho, 1974

Os marotos – mais propriamente Sirius e James – continuavam a implicar com Severus, mas não com tanta frequência, talvez por Helena andar sempre por perto, ou então Regulus, que recentemente tinha-se tornado o melhor amigo de Snape.
Lilian não o tinha perdoado, nem mesmo depois de ele esperar á frente da porta do salão comunal de Gryffindor durante quase duas horas, e Helena duvidava muito que o perdoasse tão depressa, ou que o fosse perdoar um dia.
A loira gostava de passar tempo com Snape. Via nele grande potencial, e, através das dicas que este lhe dava, conseguira melhorar a sua nota em poções e juntar-se a ele no privilegiado Clube Slug do diretor de Slytherin, de onde eram membros Lilian Evans, de Gryffindor; Adrian Gamgee e Buckley Cooper, de Hufflepuff; Frank Longbottom, Dirk Cresswell e Eldred Worple, de Ravenclaw.