Oi lindos leitores ! Este capitulo ia ser enorme, então dividi o 5º ano de Helena em Hogwarts em duas partes. Esta é a primeira.
Espero que gostem! E não se esqueçam de comentar, a vossa opinião é muito importante ;)
Agosto, 1974
Naquele dia estava um calor abrasador. Helena suspirou, vendo Severus absorvido num livro qualquer que tinha tirado da biblioteca dos seus pais e lançou-se para a piscina, emergindo logo de seguida.
Apoiou os braços na beira e ficou a observá-lo. Estava mais alto, e até, talvez, meio bonito. Tinha-lhe desaparecido as borbulhas e os seus cabelos eram macios e limpos – ela sabia depois da sua curiosidade a obrigar a tocar-lhes.
Ele estava a passar aquela semana em sua casa, uma vez que estavam de férias á um mês, e durante esse tempo percebeu o quanto ele parecia mudar. Agora a voz dele era mais forte e Helena gostava de como o seu nome soava quando ele a chamava.
Lembrou-se subitamente de Sirius. Teria ele também mudado? Balançou a cabeça, decidida a não pensar nele e mergulhou de novo quando viu que Severus tinha deixado o livro de lado e parecia concentrado nela. Os olhos negros dele avaliavam-na com tanta atenção que Helena pensou que lhe fosse furar a cabeça dum lado ao outro.
Quando voltou á superfície, ele tinha-se levantado e caminhava na direção da piscina. A loira ergueu a sobrancelha, curiosa, enquanto Severus se ajoelhava perto da borda e olhava diretamente nos seus olhos.
- Vi-te observar-me – ela não disse nada, era verdade, então não via que sentido fazia se desmentisse. Esperou que ele continuasse – Julguei que gostavas do Black.
Ah, pensou, ele nem sequer precisava dizer de qual dos Black falava. Helena desconfiava que ele já tivesse notado os seus sentimentos por Sirius, Severus parecia sempre saber tudo.
- E gosto – confirmou, encarando-o de volta – E tu da Evans – o rosto dele transformou-se numa carranca de dor durante alguns segundos, antes de ficar sério de novo e aproximar-se cada vez mais dela.
- É, mas isso não nos vale de nada não é? – abriu a boca para responder, mas Severus quebrou o espaço entre eles e colou os lábios desajeitadamente aos seus. Helena arregalou os olhos surpresa pela ação. Era um beijo inexperiente, até doce, diferente dos que tinha experimentado até ao momento. Rabastan tinha-a beijado á força anos atrás, e tirando essa experiência, apenas tinha beijado Regulus, num dos seus momentos de solidão. Não que o rapaz se queixasse, muito pelo contrário. Helena achava mal dar-lhe falsas esperanças, mas era egoísta e de alguma maneira sentia que precisava dele. Regulus era o único que a apoiava total e cegamente, nunca fazendo perguntas ás quais ela não queria responder.
Severus era diferente. Não tinha medo de criticá-la quando estava errada e expunha as suas ideias, por vezes, o olhar perdido e frio dele assustava-a. Mas naquele momento beijava-a com tanto carinho e medo que Helena pensou que fosse quebrar. Talvez ele a entendesse de verdade. Talvez o seu coração masoquista fosse parar de doer pela pessoa errada.
Fechou os olhos e retribuiu ao beijo, mas a imagem que veio á sua mente foi os brilhantes olhos cinzentos de Sirius Black.
X-x-X
Nos dias seguintes, nem Severus nem Helena falaram do que tinha acontecido á beira da piscina, era como se nunca tivesse acontecido. Naquela tarde estavam na sala enquanto os pais de Helena se reuniam com o resto dos Devoradores na biblioteca.
Estavam proibidos de lá ir.
O olhar da loira fixou-se na porta de madeira quando ela abriu. Lord Voldemort saiu, seguido de seus pais. Os outros Devoradores desaparataram quase que imediatamente. Severus levantou-se num pulo, mas Helena permaneceu sentada, o que rendeu uns bons olhares zangados de Morgana.
Voldemort encarou Severus com curiosidade e sorriu sinistramente – É teu amigo Helena? – quando ela não respondeu, sem saber o que dizer, ele voltou-se para o moreno incrédulo parado na sua sala – Qual é a tua Casa?
- Slytherin, meu Lord – os olhos azuis gelados de Voldemort brilharam de diversão e aprovação, antes de desaparatar para fora da casa dos Auvray.
Setembro, 1974
Helena voltou a sentar-se no seu lugar, depois de ser anunciado que seria Monitora de Slytherin, recebendo inúmeros parabéns por parte dos seus colegas. Os seus olhos vagaram pela mesa dos Griffindor e, encontrando Remus, sorriu-lhe. Ele também tinha sido eleito Monitor da sua casa. Olhou para Sirius de relance e desviou o olhar quase que imediatamente. Estava a observa-la! Sentiu as faces arderem, certa de que tinha o rosto vermelho e virou-se para o lado quando uma mão agarrou a sua.
- Parabéns.
- Severus – disse, sorrindo-lhe – Obrigada.
Não voltou a olhar para a mesa dos Griffindor durante o resto da noite.
Janeiro, 1975
As noticias corriam os corredores de Hogwarts. Helena podia ouvir os murmúrios dos vários alunos em qualquer parte do castelo. Todos falavam do mesmo.
Sirius Black tinha fugido de casa e tinha passado a viver com os Potter. Helena sentia o abismo entre eles crescer cada vez mais a cada dia que passava. Talvez, se ela tivesse coragem, fosse capaz de fazer o mesmo e fugir dos seus pais e do peso que era seguir Voldemort.
A ideia pareceu-lhe absurda e balançou a cabeça, tentado apaga-la da sua mente. Renier e Morgana nunca permitiriam que traísse a sua família.
X-x-X
Marlene McKinnon definitivamente irritava-a. Helena só não sabia o que a irritava mais. A forma como se pendurava em Sirius, ou o sorriso presunçoso que lançava a todas as raparigas em redor. Tinham começado a namorar há alguns dias e Helena quase desejou não estarem em Hogsmeade, mas sim na escola, para eles poderem ser pegos pelo Filch.
Ignorou o desconforto que sentia e disse a si mesma que aquilo não eram ciúmes. Estava com Severus desde Novembro e o seu namoro corria bem. Pelo menos, com ele, nunca pensava em Sirius – bem, pelo menos quase nunca – e o pior era quando estavam afastados.
Observou Marlene rir de alguma coisa que Sirius lhe tinha dito ao ouvido e quase sentiu vontade de botar o chocolate quente que bebia para fora. Os olhos dele fixaram-se em si durante alguns segundos e a loira sentiu o coração quase parar. Ignorou-o, desviando o olhar, e olhou para Severus que naquele momento dava mais atenção ao livro de DCAT do que a ela. Tocou-lhe na mão, chamando a sua atenção e desculpou-se, dizendo que tinha de ir ao banheiro.
Só quando se encostou ao azulejo do banheiro é que se permitiu respirar.
Fevereiro, 1975
- Gostava de saber aonde o Lupin vai todos os meses, não achas suspeito?
Helena olhou para Severus, surpresa por ele, que cumpria sempre as regras, ter iniciado uma conversa na biblioteca, quando falar era quase proibido. Colocou o livro que lia de lado – Um pouco, sim.
- Bem ranhoso, talvez o devas seguir através da passagem no Salgueiro Lutador – a voz grossa de Sirius fez o seu coração bater alto. Olhou por cima do ombro, encontrando-o atrás de si.
- Talvez o faça Black – respondeu, quase cuspindo o nome como se tivesse nojo de o dizer.
X-x-X
Helena seguiu Severus quando ele se escapuliu pelos corredores á noite. Viu-o aproximar-se do Salgueiro e esperou no exterior, sentindo um arrepio na espinha quando ouviu um uivo de lobisomem nos arredores. Minutos depois Severus saiu a correr, mais pálido do que alguma vez o tinha visto e desapareceu na escuridão. James apareceu quase que de seguida. Helena escondeu-se mais ainda atrás do arbusto, esperando que ele não a visse. Um cão negro, enorme, aproximou-se dele. A loira viu James franzir as sobrancelhas, algo que fazia quando estava irritado.
- Foi uma ideia estupida e sabes disso! O Remus podia-o ter matado, sabes que ele perde a consciência dos atos quando se transforma! – o cão, contudo, parecia aborrecido e Helena observou estupefata enquanto ele se transformava em Sirius Black.
- Ele irrita-me, pensei que um susto o colocasse no devido lugar, sabes... – preparou-se para sair dali, não gostava de bisbilhotar os olhos e já tinha visto mais do que desejava ver.
O barulho dum galho a partir-se debaixo do seu pé alertou-os e quase se quis socar por ser tão idiota. Decidiu revelar-se, pois não fazia sentido continuar escondida agora que eles sabiam que alguém os espiava.
- Peço desculpa, eu... – atrapalhou-se, observando a cara séria que os dois tinham. James suspirou, olhando para Sirius de relance antes de entrar novamente no esconderijo do Salgueiro Lutador.
- Resolves tu isso – disse-lhe, emergindo na escuridão.
Sirius olhou para ela, relaxando um pouco – Helena – murmurou, dando um passo na sua direção. Ela recuou instantaneamente e ele parou surpreso e magoado – Não te vou fazer mal nenhum.
Sabia disso perfeitamente, mas não podia evitar sentir receio perto dele, agora que ele parecia ser alguém que ela desconhecia completamente.
- Eu só... Eu estava... – mordeu o lábio, nervosa, antes de apertar os braços contra o peito, tentando proteger-se de alguma maneira – Eu estava preocupada com o Severus... E...
- Esquece, não importa – cortou-a – só quero que prometas que não dirás a ninguém o que se passou hoje. É muito importante para nós, principalmente para o Remus, ele pode ser expulso da escola caso os outros alunos descubram – ele fez uma careta, irritado – os pais deles podem recursar ter os filhos a estudar com um lobisomem. Eu e os outros tornámo-nos animagi para que ele não passe por tudo sozinho.
- Eu entendo, e prometo – fez uma pausa – só fiquei surpresa.
Silencio.
Observaram-se, constrangidos e sem saber o que mais dizer um ao outro, então, a loira aproximou-se dele e abraçou-o. Respirou profundamente quando sentiu os braços dele rodear a sua cintura, o receio que sentia dissipou-se completamente e sentiu-se segura – Acho... Acho muito bonito aquilo que fizeram pelo Remus. Tu... Vocês são bons amigos, Sirius – olhou-o uma ultima vez e afastou-se.
X-x-X
A garota de Griffindor, Mary MacDonald, segurava a varinha com as duas mãos, claramente assustada. Tremia e tinha o rosto pálido, mal conseguia falar para pedir socorro, muito menos conjurar um feitiço.
Helena observou a cena, sentada num banquinho de pedra que havia no jardim. Rosier, Mulciber, Avery, Rabastan e Severus, rodeavam-na, jogando-a de um lado para o outro como se fosse uma bola. Apertou as mãos contra o banco, mas manteve-se impassível. Avery observava-a pelo canto do olho, sorrindo como um maníaco. Sabia que ele a testava. Queria saber se o rumor de que ela protegia todos, fossem puros-sangues, mestiços ou nascidos trouxas, era verdade. E ela, de forma alguma, lhe daria o gostinho de contar para os seus pais e de vê-la ser castigada por eles para que aprendesse o seu lugar.
Encarou os olhos azuis de Avery sem emoção alguma espelhada no rosto e ele viu isso como um desafio. Mary foi jogada ao chão com brutalidade e a varinha que segurava tão tremulamente nas mãos, foi lançada para longe de si.
Esboçou um sorriso de desdém na direção de Mary – Patética – disse, levantando-se e sacudindo as roupas. Ao longe, viu os cabelos vermelhos de Lilian Evans esvoaçar enquanto ela corria na direção deles.
Helena suspirou, deu costas á cena e foi-se embora.
Nem sequer olhou para trás quando Lily gritou o seu nome com fúria.
