Olá meus lindos, peço desculpa pela demora, mas sem comentários, perco um pouco o entusiasmo e atraso-me :c

Por isso, quem acompanhar, não se esqueça de comentar sff ! É um grande incentivo !

Espero que gostem.


Setembro, 1975

Helena abraçou Lily, parabenizando-a por ser Monitora-Chefe.

Ela e James tinham sido escolhidos e depois do habitual banquete, Helena tinha-se juntado aos marotos e a Lily para comemorarem. Marlene também estava com eles, claro, afinal, ainda era namorada de Sirius, mesmo que vê-los juntos magoasse Helena a cada segundo.

X-x-X

Helena sentou-se e esperou. Bellatrix não tardou a aparecer, exuberante como sempre, com os seus cabelos negros presos num penteado discreto, mostrando que não queria chamar atenções.

Ficou de frente para Helena e sorriu-lhe, sentando-se imediatamente.

– Sabes porque estou aqui – a loira apenas assentiu, concordando – o Lorde deseja saber que alunos são os mais indicados a serem recrutados como potenciais devoradores, de certo compreendes que temos uma guerra a vencer.

– Devo ter uma resposta no fim da semana, creio, preciso de observá-los melhor, espero que não haja problema Bella – a mais velha sorriu-lhe, desviando os olhos para a porta, observando quem acabava de entrar.

Helena seguiu o seu olhar e surpreendeu-se ao ver Sirius, não contando com a presença dele. Ele encarou a prima com uma expressão de desdém, e aproximou-se da mesa delas rapidamente – Bellatrix – disse, com certo desprezo.

– Sirius – respondeu, sem muito interesse. Os olhos negros fixaram-se em Helena, antes de se levantar e partir – espero uma resposta até ao fim da semana.

X-x-X

Helena não gostava da expressão vazia na cara de Sirius. Na verdade, não gostava nem um pouco. Sorriu nervosa, enquanto ele se sentava á sua frente e a encarava, num misto de curiosidade e confusão.

– Que fazias com ela?

A loira humedeceu os lábios – Trazia um recado urgente dos meus pais, como não sabia o que responder, digo-lhe no fim da semana. Nada grave, não te preocupes.

Sirius não disse nada e Helena agradeceu mentalmente por ele não lhe fazer mais perguntas. Odiava mentir-lhe, mesmo quando era necessário.

Dezembro, 1975

O barulho que vinha da cave, despertaram-na. Saiu da cama lentamente, percorrendo os corredores da mansão, á medida em que os gritos iam aumentando. Sentia os pés congelarem por estar descalça, e as mãos começarem a suar de nervosismo. Respirou fundo, com o coração acelerado, ao encontrar-se na frente das escadas para o andar inferior.

Tomou coragem e desceu.

X-x-X

Espreitando por detrás da porta mal fechada, Helena levou as mãos á boca para evitar gritar. Os seus olhos encheram-se de lágrimas com o que viu.

– Crucius – gritou Renier, apontado com a varinha e fazendo o homem no chão contorcer-se novamente, enquanto Morgana ria dos gritos desesperados que ele emitia. Helena observou estática, enquanto o desconhecido parecia querer rasgar a própria pele com os dedos, num ato de loucura.

Sentiu repulsa pela própria família, mas não foi capaz de afastar-se da cena, algo lhe despertava a curiosidade, e mesmo que estivesse a presenciar algo atroz, não conseguia desviar o olhar.

Observou, durante quanto tempo não sabia dizer, até que o desconhecido desmaiou de cansaço. Depois, correu escada acima e trancou-se no quarto.

Sonhou com gritos o resto da noite.

Março, 1976

Helena sentou-se á mesa e olhou os pais. Desde o incidente em que os vira torturar um homem no Natal, não tinha conseguido voltar a vê-los da mesma maneira. Eram monstros... E, por ter gostado de assistir, tinha decido que ela mesma era um.

Não contara o que ocorrera a ninguém, mas o acontecimento tinha-a transformado. Estava mais fria. Sirius questionava-a sobre o motivo dessa mudança sempre que estavam a sós, mas Helena alegava que tinha crescido e que via o mundo com outros olhos.

Não deixava de ser verdade.

– Helena – o tom de voz gelado de seu pai despertou-a do transe – a Bella contou-nos algo que desaprovamos profundamente – fez uma pausa – soubemos que és... – fez uma careta – amiga de Sirius Black.

– Deves saber que ele foi deserdado pela família. Queremos que cortes relações com ele – completou Morgana, olhando-a com desagrado.

Helena levantou-se da cadeira rapidamente, furiosa – Vocês não têm direito de me proibir de falar com quem quero! Eu faço TUDO o que vocês querem, menos afastar-me do Sirius! – gritou, correndo rapidamente para o quarto e trancando a porta.

Ignorou os berros deles durante o resto da noite. Sirius a única coisa de que ela não abdicaria por ninguém, nem mesmo por seus pais.

Maio, 1976

Helena suspirou, enquanto Sirius lhe colocava uma mexa de cabelo atrás da orelha e se deitava ao seu lado, espirrando levemente devido ao pó que os cercava.

A Casa dos Gritos estava sempre vazia, exceto na lua cheia, quando era ocupada por Remus e todos os marotos, e os dois á muito que a usavam quando se queriam encontrar. O único incomodo que encontravam sempre era a poeira.

– Estou a pensar fazer os exames para Auror, mas sei que a minha família nunca iria aceitar algo assim – confessou nervosa, enquanto o olhava.

Sirius passou-lhe a mão pela face gentilmente – Isso é bom, acho que os devias fazer, independentemente da tua família concordar ou não. É uma escolha tua – segurou-lhe o rosto entre as mãos, dando-lhe um pequeno beijo – Eu sei que não és como eles. És diferente.

Agosto, 1976

Primeiro tudo começou com uma pequena comichão, quase imperceptível, depois, a dor foi aumentando gradualmente, até que não conseguiu resistir e gritou.

Sentiu o seu corpo inteiro mergulhar em fogo e desmaiou.

X-x-X

O leve murmúrio que vinha do andar inferior despertou-a.

Helena encarou o teto branco com uma expressão vazia. Não tentou descobrir por quanto tempo estivera desacordada, nada disso importava. Estava feito. Não havia volta a dar, sabia-o bem, era um caminho sem retorno.

Observou a marca negra no seu braço, incapaz de pensar verdadeiramente no que tinha acontecido, antes de mover o olhar para a porta, quando sua mãe entrou.

Morgana aproximou-se da cama com uma elegância invejável e sentou-se na borda. Acariciou-lhe os cabelos, como á muito não fazia, e sorriu-lhe – Estamos orgulhosos de ti – murmurou, abraçando-a de seguida – Fizeste a coisa certa.

Helena sorriu-lhe com ironia – Tive muitas opções.

A mãe ignorou o comentário e saiu, deixando-a sozinha, e a mente da loira vagueou até aos acontecimentos que a tinham levado àquela situação. Os seus pais tinham descoberto as suas ambições a se tornar Auror e tinham colocado as culpas no seu envolvimento com Sirius, mesmo que não tivessem conhecimento que era mais que amizade. Tinham-na feito escolher entre a morte dele e servir o Lorde.

A resposta, tendo em conta a marca no seu braço esquerdo, era mais que obvia.

X-x-X

A loira colocou as mãos nos ouvidos e deitou-se na cama.

No lado de fora, Sirius Black gritava como um louco, pedindo-lhe que falasse com ele, ao fim de tanto tempo sem ter noticias dela. Helena, contudo, não queria sequer vê-lo e, esperava ela, não tardava para os seus pais o colocarem para fora do jardim, dizendo-lhe que ela não estava ou que recusava falar com ele.

O coração doía-lhe e sentia-se capaz de quebrar.

Tinha saudades de Sirius, céus, era-lhe muito difícil, mas a vida dele valia o sacrifício de se manter longe. Preferia afastar-se e vê-lo, mesmo que longe de si, do que não o poder ver de todo.

Aos poucos os gritos cessaram, e Helena pode finalmente respirar em paz.

X-x-X

As reuniões dos devoradores, como Helena veio a descobrir, não eram sempre algo pesado. Na verdade, a maior parte das vezes servia apenas para aumentar o ego de Voldemort, tendo um bando de loucos a venerá-lo como se fosse um deus.

Helena não fazia parte desse grupo, mas Bella sim. E a loira achava que era quase ridícula a expressão que a Black mantinha no rosto.

Uma novidade naquele dia, contudo, foi a presença de Severus Snape, e Helena compreendeu imediatamente que tinha sido marcado recentemente, talvez até na mesma altura que era.