Disclaimer: Saint Seya e seus personagens relacionados pertencem ao mestre Masami Kurumada e às editoras licenciadas.

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Capítulo II – Tainted Love

Capítulo escrito ao som de "Tainted Love", versão feita pelo Marilyn Manson

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"A cada dia, e de ambos os lados da minha inteligência - o moral e o intelectual -, eu chegava cada vez mais próximo daquela verdade cuja descoberta parcial tinha-me condenado a um terrível fim: o de que o homem não é apenas um, mas sim dois. E eu arrisco a suposição de que, ao final, o homem será sempre multifacetado, incongruente e independente de vários alienígenas que nele fixam residência."

Trecho de "O Médico e o Monstro" de Robert Louis Stevenson

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Once I ran to you (I ran)

Now I'll run from you

This tainted love you've given

Uma vez eu corri para você (eu corri)

Agora eu correrei de você

Este amor manchado que você tem me dado

Trecho de "Tainted Love" na versão feita pelo Marilyn Manson

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Era uma noite fria e lá esatava ele mais uma vez a observá-la dormir. No entanto, a linda menina já não era mais uma criança, era uma jovem adolescente que em breve, completaria dezoito anos. O dia em que finalmente se uniria a ele estava próximo.

Como das demais vezes, ele beijou uma rosa vermelha como sangue e a depositou sobre o travesseiro da jovem adormecida. E então, voltou seu olhar límpido para a porta do quarto, que havia acabado de ser aberta, de onde um homem alto, forte e de cabelos loiros o encarava, sua expressão era furiosa.

O outro deixou seu posto de observação e foi até a porta, encarando o homem com um sorriso leve e cínico, brincando com uma rosa branca entre suas mãos pálidas.

-Eu jamais permitirei que a leve contigo, demônio.

-Não poderá me impedir, Albion... Sabe muito bem que é destino que foi traçado para ela...

-Enquanto eu viver, June jamais será sua.

-Que assim seja, meu caro... – ele disse, entregando a rosa ao homem parado à porta, sumindo na penumbra do quarto.

Nervoso, com o corpo todo trêmulo, Albion amassou a rosa branca entre suas mãos, sem se importar com os espinhos que feriam sua pele.

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A notícia correra rápido pela cidade. Albion, o Conde de Woodburry, estava morto, vítima de uma misteriosa e terrível doença. Seu corpo havia sido encontrado por um dos criados do casarão, caído no chão do quarto. Olhos, boca, nariz e ouvidos vertiam sangue em abundância. Ao redor dele, dezenas de pétalas, todas brancas, pareciam ser de rosas. Nada pudera ser feito pelo Conde. E, por nenhum médico conseguir dizer o que era a doença e como um homem tão forte e saudável quanto Albion a tinha contraído, não houve sequer um velório. O enterro acontecera depressa e quase sem testemunhas, apenas os criados, seu médico de confiança e sua filha.

Uma bela adolescente de longos e lisos cabelos loiros e olhos azuis, que chorava copiosamente. Aquela deveria ser a semana mais feliz de sua vida, afinal, em breve completaria dezoito anos. Mas, naquele momento, tudo o que desejava era morrer junto do pai. Estava sozinha no mundo, uma vez que sua mãe morrera quando ela tinha apenas cinco anos.

-Venha June, você precisa descansar e comer alguma coisa... – disse uma das criadas mais velhas, entrando com a jovem pelo casarão e a colocando sentada sobre um dos sofás.

A criada saiu, deixando a jovem sozinha por um instante. Com os olhos vermelhos, ela encarou o retrato dos pais, que enfeitava a parede sobre a lareira da sala, e um longo suspiro escapou de seus lábios. O que faria?

A sineta da porta tocou, chamando sua atenção. Sem esperar por um dos criados e tambéms ems aber o motivo de tal atitude, a própria June se levantou do sofá e foi atender a porta, encontrando um jovem mensageiro ao abrir a mesma.

-Pois não?

-Tenho uma carta endereçada à senhorita June Marie Woodburry.

-Sou eu mesma.

O rapazinho lhe entregou a carta lhe fazendo uma mesura, June agradeceu e voltou ao sofá. O envelope não tinha um endereço de remetente, apenas seu nome escrito do lado de fora. Ao abrir a carta, um perfume suave de rosas invadiu suas narinas, deixando-a levemente atordoada.

"Querida June,

Sei que este não é o melhor momento para lhe escrever esta carta, mas precisa fazê-lo, pois imagino o quanto esteja sofrendo pela terrível perda de seu amado pai. Albion era um bom homem e a amava muito, disso tenho certeza.

Sei também que, infelizmente, ele não tinha irmãos ou parentes próximos que possam recebê-la como parte de suas famílias, assim como sua falecida mãe. Bem, neste ponto me sinto na obrigação de realizar um pequeno adendo: sua linda mãe não possuía parentes próximos ainda vivos, mas não podemos dizer o mesmo daqueles que são ditos distantes...

Cresci em um país diferente, com costumes e ideais que provavelmente não conhece, ams temos um comum o sangue de lady Gisty G. Woodburry correndo em nossas veias... Somos, por asism dizer, primos distantes.

Saiba que não está sozinha, minha querida June e que, quando precisar, estarei aqui por ti.

Meus mais sinceros sentimentos.

De seu primo,

De La Grantaire"

Por um momento, June ficou pensativa, relendo cada linha escrita daquela carta. Nas poucas lembranças que tinha de sua falecida mãe, tinha certeza de que ela nunca lhe falara sobre algum parente ainda vivo e seu pai também lhe dizia a mesma coisa. Então, de onde havia surgido aquele primo A. De La Grantaire?

-Aqui está June, coma estes bolinhos. – disse-lhe a criada, entregando à jovem uma pequena bandeja com uma cestinha cheia de bolinhos e uma xícara de chá quente.

-Obrigada... Diga-me, Rose, alguma vez ouviu minha mãe ou meu pai se referirem a um primo distante dela chamado "A. De La Grantaire"?

Se ainda estivesse segurando a bandeja, certamente Rose a teria deixado cair. A cor de sua face sumiu no mesmo instante e sua voz tornou-se trêmula. Estava assustada.

-Acho que... Um vez, mas muito vagamente... Por que pergunta, minha pequena June?

-Porque... Bem, eu gostaria de conhecê-lo, afinal, me parece que se trata do único parente ainda vivo que possuo.

Voltando sua atenção para a carta em mãos, June não notou o olhar de medo que Rose lhe dirigia. O que faria, sem o Conde por perto? Como iria evitar que aquele demônio se aproximasse de sua pequena June?

Uma vez ouvira que aquele era o destino da jovem e não poderia evitar. Albion tentara de todas as maneiras proteger June, mas por vezes sua diligência fora insuficiente.

O que faria?

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Algumas semanas haviam se passado desde que recebera a carta do misterioso A. De La Grantaire. E, após muito pensar, decidira que aceitaria a oferta feita pelo primo distante e tratou de pensar em uma maneira de lhe enviar uma resposta, convidando-o para uma visita.

E, de uma maneira que não sabia explicar, quando pensou em procurar nos baús de sua mãe, aindaguardados no sótão da casa, algum endereço ou referência sobre seu misterioso primo, o mensageiro que lhe entragara a carta aparecera em sua porta, dizendo que poderia levar a resposta até ele.

E agora ali estava June, me uma carruagem mandada à sua casa por ele, a caminho da propriedade rural onde A. De La Grantaire vivia. Estava sozinha, pois há pouco dias Rose, que iria lhe acompanhar na viagem, recebera a notícia de que uma de suas irmãs estava muito doente e precisava de sua ajuda. Como não conseguira avisar o primo sobre um possível adiamento da viagem, acabou por decidir ir sozinha.

Aos poucos, a paisagem na janela ia se tornando uma mata fechada e muito densa, era como se aquelas árvores ao redor pudessem abraçar a carruagem. Por um instante, June teve medo e segurou, por instinto, o camafeu que estava pendurado em seu pescoço, onde havia um retrato dos pais pintado. Fechando os olhos, começou, sem saber o kotivo, a rezar baixinho. Até que a carruagem parou de repente.

Quando abriu os olhos, viu que havia uma densa neblina ao redor da carruagem, não conseguia enxergar muito além pela janelinha. Um tanto trêmula e desconfortável, ela se levantou e abriu a porta devagar, para falar com o cocheiro e saber o que estava acontecendo.

Ao descer da carruagem, notou que o cocheiro não estava ali.

-Olá? Senhor? – ela o chamou, olhando em volta, mas nem um sinal do velho homem.

Apertando ainda mais o camafeu entre as mãos, ela deu alguns passos hesitantes em direção à neblina.

-Olá?

O silêncio.

-Senhor?

Nada. Nem emsmo um mísero som de passos ou o vento. Apenas o vazio.

-Ol...

-O que pensa que está fazendo?

A voz grave veio direto aos seus ouvidos, June virou-se com tudo, assustada, e o cocheiro estava muito próximo de si. De onde ele havia surgido?

-Eu... Me desculpe, é que paramos e eu...

-Paramos porque já chegamos, senhorita.

O velho homem esticou o braço por cima dos ombros de June, ela então se virou para trás e não podia acreditar no que via. A neblina havia se dissipado e um pequeno, mas belo e antigo, castelo surgira na paisagem. E um rapaz de longos cabelos platinados e olhos azuis claríssimos estava parado no topo da escadaria de acesso, trajando uma bela casaca negra e calças de veludo, uma camisa branca de babados e segurando uma rosa vermelha em uma das mãos.

-Seja bem vinda, minha querida June. Espero que sua estada em meu refúgio seja proveitosa.

Ao dizer essas palavras, o belo rapaz beijou a mão de June, que parecia encanatada com tamanha beleza e gentileza. Ele, então, lhe entregou a rosa, cjunto de um sorriso arrebatador.

-Obrigada. Finalmente eu o conheço, senhor A.

-Afrodite, minha querida.

June sorriu, apesar de feminino, era um nome realmente apropriado. E então, encantada, ela levou a rosa ao nariz, para que pudesse sentir o doce perfume que a flor exalava. O mesmo da carta.

Aliás, aquela rosa era muito parecida com as que costumava encontrar sobre seu travesseiro, quando acordava pela manhã, e quase sempre depois de uma noite em que era acometida por pesadelos justamente envolvendo aquelas belas flores.

Eram rosa vemelhas tão rubras e tão vivas que pareciam banhadas em sangue...

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Levada para dentro do casarão por Afrodite, June estava realmente encantada com o tamanho e a riqueza do lugar. Sua família tinha muitas posses, mas o casarão onde vivia em nada se comparava com o castelo De La Grantaire, todo a prataria em vasos, pratos e candelabros, o mais puro veludo vermelho nas cortinas e o linho fino nas toalhas de mesa. Tapetes orientais por todo chão e corredores, mármore e granito nas paredes e degraus da escadaria central e móveis de madeira nobre. Mas, enquanto se encaminhava para a sala de estar, onde um farto café a esperava, algo lhe chamou a atenção.

Era um retrato, pendurado sobre um aparador entre duas janelas do corredor principal. Uma jovem mulher, de cabelos ruivos na altura dos ombros e olhos azuis muito límpidos. Tinha um meio sorriso e suas delicadas mãos estavam cruzadas sobre o vestido que usava, azul. Abaixo do retrato, sobre o aparador, um vaso de porcelana com uma única rosa muito vermelha, tal a que June tinha em mãos.

-Quem é ela? – perguntou a Afrodite, um tanto curiosa.

-Seu nome é Marin... – ele sorriu, aproximando-se de June, também olhando para o retrato – Ela fez parte de nossa família, vai gostar de conhecer sua história...

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-Diga-me, Marin... Quantas rosas são necessárias para ser obter um buquê?

-Eu diria que doze, Afrodite.

-Está certa... – ele então disse, aproximando-se da jovem ruiva com um sorriso cínico nos lábios e olhos de um predador – E você terá a honra de ser a primeira delas...

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I've been wasting all my time

With the devil in the details

And I got no energy to fight

He's a fucking pantomime

The devil in the details

Eu tenho perdido todo o meu tempo

Com o diabo nos detalhes

E eu não tenho energia para lutar

Ele é uma pantomima fodida

O diabo nos detalhes

Trecho de "Devil in the details", Placebo

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Continua...

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Aredhel Atreides: Sim, muitos mistérios... E o pedobear (gostei dessa palavra) revelado aqui! Beijos!

Black Scorpio No Nyx: E mais suspense para matar vocês, antes de partir para o terror de fato... E escolhi o Afrodite porque ele combina mais, não vejo o Albafica nesse contexto de terror do desafio, afinal, a personalidade dele não é igual a do Dite!

Krika Haruno: Adoro um suspense e sim, a nossa heroína vai tomar muitos sustos!

Darkest Ikarus: Tosqueira nada que eu adorei o primeiro capítulo! Master of puppets rules! E Vacaori sofrendo, há... Melhor ainda! Logo vc ficará sabendo como termina...