Disclaimer: Saint Seya e seus personagens relacionados pertencem ao mestre Masami Kurumada e às editoras licenciadas.
Notas iniciais do capítulo:
Antes de dar início ao capítulo, meus agradecimentos à Lune sensei e ao Ikarus pela ajuda na escolha de um personagem muito importante que aparece neste capítulo e que, de certa forma, define o que é a fic e os caminhos escolhidos pelo Dite em sua história... Vocês tinham razão, o Alone ficou perfeito para o que eu pretendia.
Mais explicações, leiam as notas finais após a leitura deste capítulo!
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Capítulo III – Devil in the details
Capítulo escrito ao som de "Devil in the details", Placebo
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"Há sempre qualquer coisa de ridículo nas emoções das pessoas que deixamos de amar."
Oscar Wilde, em "O retrato de Dorian Grey"
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"A maldição do gênero humano foi a de que esses ramos incompatíveis ficassem fortemente amarrados um ao outro - que esses gêmeos polares vivessem em luta contínua no angustiado útero da consciência."
Robert Louis Stevenson, em "O Médico e o Monstro"
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Take my tears and that's not nearly all
Tainted love
Ooh...Tainted love
Pegue minhas lágrimas e não é quase tudo
Amor estragado
Ooh... amor manchado
Trecho de "Tainted Love", versão do Marilyn Manson
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O café correra de maneira agradável, Afrodite contou algumas histórias da família para June e ouviu outras tantas da jovem, sempre sorrindo e lançando olhares sedutores e cheios de intenções. Tímida, June vez ou outra encarava o primo, sentindo-se por vezes desconfortável.
Ao final, o rapaz notou, ela parecia um tanto cansada, provavelmente por conta da longa viagem. Levantando-se, ele ofereceu sua mão a ela para que também se levantasse.
-Vejo que está um pouco cansada... Venha comigo, há um quarto preparado para sua estada neste lugar. Descanse um pouco, quando o jantar estiver preparado, mandarei lhe chamar.
-Obrigada, Afrodite.
De braço dado ao primo, June deixou a sala de estar e levada por ele, pô-se a caminho do primeiro andar do palacete. E, não deixou de notar, além do retrato de Marin, havia outros retratos, de outras jovens mulheres. E embaixo de cada retrato, vasos com rosas vermelhas. O curioso era que nunca havia a mesma quantidade de rosas em todos os vasos, passara por um que possuía duas rosas, outro com três e assim por diante, até que parou diante de um retrato que ficava próximo ao quarto reseravdo para si.
Era o retrato de uma bela jovem de cabelos loiros na altura dos ombros e olhos castanhos escuros, quase negros. Usava um vestido rosa com detalhes vermelhos e abaixo dele, o vaso sobre o aparador contava com onze rosas.
-Esmeralda...
-O que disse, minha querida?
-A jovem do retrato, eu a conheço... É a irmã mais nova de minha mãe. Lembro-me que, quando eu era criança, minha mãe falou-me uma vez sobre como era linda a sua irmã. Sempre quis conhecê-la pessoalmente, mas nunca pude.
-Não? Algum motivo em especial? – perguntou Afrodite, interessado.
-Rose me contou que tia Esmeralda desapareceu pouco depois de completar dezoito anos. A polícia fez diversas buscas, mas não encontrou uma única pista de onde ela pudesse estar. Depois de dois anos, ela foi declarada oficialmente morta.
-Oh, eu sinto muito... – Afrodite disse, segurando as mãos de June entre as suas – Eu conheci Esmeralda, era uma jovem muito alegre e sorridente...
O olhar de Afrodite era tão penetrante que June sentia-se corar cada vez que ele a encarava. Desviando o seu próprio de volta ao retrato, a jovem suspirou e então retomaram o caminho até o quarto onde ficaria.
-Durma bem, June.
Beijando a mão da jovem, Afrodite a deixou sozinha. E, quando ela ia fechar a porta, algo lhe chamou a atenção na perede em frente. Um espaço vazio, do mesmo tamanho dos demais retratos e um aparador logo abaixo, também vazio.
Sem entender o motivo de aquilo ter mexido consigo, June fechou a porta. Afordite, ao descer a escadaria de volta ao térreo, encontrou o velho cocheiro parado junto aos primeiros degraus.
-Senhor, o salão estão pronto.
-As rosas já foram colhidas?
-Sim, senhor.
-Ótimo... Então farei com que tudo tenha seu fim antes do amanhecer...
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A tarde e parte da noite passou. Estranhamente, o silêncio tomou conta do palacete e todo seu entorno, a não ser o barulho do vento. Com um uivo, ele entrava pela janela e acabou despertando June de seu sono. A jovem levantou-se e viu sobre a penteadeira uma vasilha com água, uma toalha limpa sobre a cadeira e um vestido branco bordado com rosas vermelhas na barra e decote.
Lavou o rosto rapidamente, colocou o vestido e escovou os longos cabelos loiros, sorrindo para sua própria imagem no espelho, imaginando o quão especial seria o jantar. Apesar de mal conhecer o primo, estava realmente encantada por Afrodite.
Saiu do quarto e notou que o corredor estava um pouco escuro, então retornou e pegou o candelabro e com ele seguiu pelo caminho. Estranhou que não havia ninguém em nenhum dos quartos, mas continuou seu caminho e desceu até o térreo.
-Afrodite? – chamou pelo primo, mas não oteve resposta. Era como se estivesse sozinha naquele lugar.
Os cômodos estavam vazios e as velas apagadas, exceto por uma porta entreaberta à direita da escadaria, que parecia ter uma luz muito fraca trêmulando ao fundo.
-Afrodite? – ela chamou pelo primo, entrando pelo cômodo – Afrodite?
Não havia ninguém ali, mas algo chamou a atenção de June, no fundo do salão. Um retrato, pendurando em um cavalete, ao lado de um outro ainda coberto por um lençol. Ao se aproximar, June viu que se tratava de um homem, a princípio não sabia dizer quem. Porém, quando se aproximou, reconheceu os olhos azuis tão claros e penetrantes, mesmo em meio às rugas do rosto envelhecido.
-Afrodite...Mas... Como?
A pintura parecia tão viva que June não resistiu e tocou a tela. E, ao fazê-lo, sentiu um choque em sua espinha. Fechou os olhos e então uma visão se fez presente...
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A mão ágil subia e descia pela tela outrora branca, dando os últimos retoques no retrato do qual o exímio pintor fora incubido. Olhos treinados e atentos captavam cada detalhe das belas feições do contratante, um jovem e solitário duque que vivia isolado naquele palacete de uma área rural.
-Está pronto, senhor De La Grantaire... – o pintor disse, virando o cavalete de frente para o rapaz.
Por instantes que pareceram longas horas, o duque ficou a admirar a pintura, os traços finos de seu rosto, os olhos azuis que pareciam pontos de luz, os cabelos loiros e longos penteados de maneira displicente sobre seus ombros, o meio sorriso. Até mesmo as nervuras e texturas das pétalas da rosa que segurava eram visíveis e quase palpáveis.
-Excelente trabalho, meu caro Alone... Sinceramente, eu não imaginava que pudesse exisitir um pintor capaz de retratar com tamanha fidelidade a minha real beleza.
Afrodite aproximou-se da pintura, totalmente fascinado. Alone, guardando seus pincéis e tintas, ficou apenas observando as reações do rapaz. Parecia prever o que viria a seguir.
-Ah, quem me dera... Sim, quem me dera se pudesse conservar em vida tamanha beleza que ficará eternizada neste retrato...
Alone sorriu, parando o que estava fazendo para voltar a encarar seu trabalho e também o duque. O sorriso em seu rosto tinha um certo ar de triunfo.
-O que acaba de dizer, Afrodite... – ele disse, chamando a atenção do duque para si – Se realmente houvesse um meio... O faria?
-Se pudesse manter minha juventude e beleza, esteja certo de que sim, eu faria.
O brilho no olhar de Afrodite era tamanho que Alone sentiu vonta de gargalhar, aquele homem amava tanto a si mesmo e a sua beleza que sim, faria qualquer coisa para mantê-la.
-Diga-me, Afrodite... – Alone disse, aproximando-se de uma mesa onde havia uma garrafa de licor, da qual se serviu – Quantas rosas são necessárias para se obter um buquê?
-Um buquê clássico possui doze rosas vermelhas, Alone.
-Exato. Doze rosas vermelhas... Doze belas rosas vermelhas... – ele tomou um pouco do licor – Doze lindas jovens...
-Não entendo, Alone.
-Há um meio de manter a sua beleza por toda uma eternidade, Afrodite, mas há um preço a se pagar... Um preço de sangue.
Um arrepio percorreu a espinha de Afrodite, mas ele sequer se mexeu. Estava realmente interessado no que Alone tinha a lhe dizer. O pintor bebeu o restante de seu licor e voltou a se sentar em seu banquinho, sem deixar de encarar Afrodite.
-Doze lindas mulheres, no auge de sua juventude, frescor e pureza... Do sangue que corre em suas veias, Afrodite...
Deixando o retrato de lado por um instante, Afrodite encarou Alone, que mantinha o sorriso de trinufo no rosto. Então, ele também sorrindo, o duque serviu duas doses do licor para que ambos brindassem...
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Assustada com o que acabara de ver, June se afastou do retrato, a mão sobre a boca para abafar um grito. Foi então que, em um rompante, os archotes que estavam presos às paredes se acenderam e June pôde ver que, ao seu redor, formando um círculo, estavam os retratos de Marin e Esmeralda, além de outros nove, todos com vasos de flores à frente. E, ao lado do retrato envelhecido de Afrodite, estava o cavalete coberto pelo pelo lençol, com um vaso de rosas brancas à frente.
Doze rosas brancas.
-Diga-me, June... – Ela ouviu a voz que entrava pelo cômodo, Afrodite vinha em sua direção, segurando uma rosa branca – Quantas rosas são necessárias para se obter um buquê?
-Do – Doze...
-Exatamente, minha querida... Doze rosas... – Ele se aproximou de June, enlaçando a jovem pela cintura, roçando a rosa branca em seu rosto.
June estava atordoada, um perfume forte de rosas vermelhas pairava pelo ar. Estava se sentindo zonza.
-Doze rosas vermelhas... E você terá a honra de ser a última e mais bela de todas...
Quando Afrodite se afastou, June sentiu suas pernas fraquejarem e se apoiou no aparador em frente ao cavalete onde estava o lençol. O rapaz, sorrindo, deu a volta por trás da jovem e então, teatralmente, retirou o lençol e ela viu horrorizada, seu próprio retrato.
Tentou se afastar, mas então acabou caindo, suas pernas não lhe obedeciam mais. A visão turvava cada vez mais e então, de seus olhos e boca, ela sentiu o sangue começar a escorrer.
Sem forças e quase sem voz, tentou pedir ajuda, mas tudo o que Afrodite fez foi abaixar-se, retirando do vaso as rosas ainda brancas feito neve, sorrindo para June de um jeito torto e um tanto insano.
-Doze lindas jovens... Doze belas rosas vermelhas... Quão doce... E qual bela... É a eternidade, minha queride June...
Um profundo gemido foi ouvido. E, pouco a pouco, as feições de Afrodite em seu retrato voltavam ao frescor e vigor de juventude...
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I've been wasting all my time
With the devil in the details
I got no energy to fight
Eu tenho perdido todo o meu tempo
Com o diabo nos detalhes
E eu não tenho energia para lutar
Trecho de "Devil in the details", Placebo
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Darkest Ikarus: Eu amo a Gisty, na verdade já tenho um projeto engatilhado em que ela terá uma boa participação... Quanto à rosa branca, se foi ela que matou Albion... Acho que descobrirá neste capítulo, assim o que eu fiz com a pobre Marin.
Krika Haruno: Nem tudo que reluz é ouro e nem toda beleza é realmente bela...
Aredhel Atreides: O psico - pedo - peixe finalmente se revela em toda sua crueldade...
Notas finais da fic:
E aqui se foi a minha fic para o desafio Hallowen. Como disse na nota de início da fic, eu iria puxar mais para o lado do terror psicológico ou de suspense, acho que consegui manter isso. Adorei escrever com o Dite e ainda vou escrever uma fic dele com a June como casal romântico, é um ship que gosto muito.
Reiterando as notas iniciais, muito obrigada Luen – sensei e Ikarus pela idéia de usar o Alone, caiu muito bem com o que eu pretendia para a fic. E como sei que é bem capaz de alguém ficar curioso em saber, eu vou listar quem seriam as jovens retratadas, as doze rosas do buquê de Afrodite: Marin, Shina, Hilda, Tétis, Minu, Pandora, Freya, Saori, Shunrei, Seika, Esmeralda e June.
Espero que tenham gostado e até o próximo desafio!
