Kensi está deitada de costas na sua cama, a olhar para o teto sem motivo nenhum, quando o telemóvel vibra na mesa de cabeceira ao seu lado. O seu estômago fica em nós e ,de repente, ela sente a pulsação mais agitada.

Ela fecha os olhos, conta de dez para baixo e respira fundo. O telemóvel vibra de novo, lembrando-a que ainda não tinha olhado para o ecrã.

Não é ele, ela diz para com os seus botões. Ela respira outra vez. Nunca é ele. Não há nenhuma razão para ficar ansiosa.

(Mas ela fica ansiosa, é claro - todas as vezes.)

Ela lembra-se que é uma agente super-secreta, altamente treinada e extremamente mortífera, e pega no telemóvel.

Diverti-me imenso, lê o texto. Saímos outra vez hoje?

Ela recorre a todo o controle que tem sobre si própria e evita não atirar o telemóvel até ao outro lado do quarto. Em vez disso carrega no botão, desligando-o completamente. Não é como se o aparelho lhe tivesse causado outra coisa sem ser dor durante os últimos quatro meses.

Ela deixa o telemóvel cair e senta-se na beira da cama, mãos agarradas firmemente ao colchão. Falta um quarto para as nove da manhã. Tem exatamente quarenta e cinco minutos para esquecer este incidente, colar um sorriso falso na cara e ir à paisana como ela própria, mais uma vez.

Já teve missões mais difíceis, tem a certeza.

Só parece não se conseguir lembrar de nenhuma.