Kensi suspira e sacode os papéis de rebuçado do seu colo para o chão. Levanta-se do sofá e atravessa a sala até à porta, pegando na grande taça de chocolates pelo caminho. Só lhe resta uma dúzia de mini barras de doces, o que quer dizer que está quase na altura de desligar as luzes lá de fora. Se ela continuar com a regra "dar um, comer um" então acha que consegue alimentar cerca de mais seis crianças.

Ela ajusta a tiara em cima da cabeça, finge um sorriso e abre a porta.

"Doçura ou Travessura!"

Encontra o seu parceiro à entrada, mãos nos bolsos do casaco cinzento, sorriso firmemente no sítio.

"Eu tenho uma regra, sabes? Sem fato, sem doces."

"A sério?"

"Felizmente, vestiste-te de sem-abrigo."

Ele faz uma careta.

Ela atira-lhe uma barra de Snickers.

"Vais me deixar entrar?"

Ela faz de conta que pensa no assunto.

"É melhor pensares rápido, porque acabei de passar por zombies, dois Capitães América e um par de bruxas que me pareciam mesmo esfomeados. Não deves querer que eles acabem com o teu stock de doces."

Uma parte dela odeia que ele a conheça tão bem. "Despacha-te lá."

Ele segue-a para dentro de casa, desligando o interruptor da luz do pátio, e fecha a porta por trás dele. Ele tira os sapatos antes de se atirar para o meio do sofá.

Ela pega numa barra de cereais e pousa a taça na mesa de centro. "Pensei que estivesses por aí num bar qualquer a engatar enfermeiras falsas."

Ele tosse, dramaticamente. "Tu sabes muito bem que eu prefiro enfermeiras a sério."

"A cavalo dado não se olha o dente."

"És tão mázinha."

Ela oferece-lhe um sorriso radiante,

"Então e tu? Nenhum baile de máscaras?"

Ela encolhe os ombros. "Nah. Pensei em ajudar a indústria dentista local."

"Sempre solidária." Ele da-lhe um empurrão com o ombro. "Estás a sentir-te melhor?"

Ela abana a cabeça, como quem diz para largar o assunto. "Já te disse, Deeks. É so um arranhão."

"Não quis dizer fisicamente, Kens."

"Estou bem."

"Bem?"

"Ótima. Fantástica. Super até." Ela olha-o desesperada. "Podemos prosseguir com as nossas vidas?"

"Posso só deixar escrito que não acredito em ti?"

"Sim, vereador." Ela torce os olhos.

"Ok." Ele aponta para a televisão. "O Creepshow 3 começou há dez minutos."

"Oh, meu deus. É uma trilogia?"

Ele ri-se. "Ouvi dizer que é o pior filme de terror alguma vez feito."

Ela procura o comando. "Convenceste-me."

Deeks inclina-se para a frente e agarra a taça enquanto ela passa pelos canais. "Snickers ou Milky Way?"

"Snickers."

Ele atira-lhe o chocolate e abre o outro para si.

"Isso é tudo o que vais ter," ela diz enquanto se encosta no sofá. "Os outros são todos meus."

Ele ri-se e encosta-se ao lado dela. "Sim, princesa."

"Percebeste?" Ele pergunta quando ela não se ri. "Princesa. Porque 'tás a usar uma tiara."

"Sim, Deeks. Eu apanhei."

"Tens a certeza? Porque isto decia pelo menos arrancar um sorriso."

"Absoluta."

"Queres que eu diga outra vez, agora que estás preparada?"

"Por favor não."

"Penso que mereço algum crédito. Vá lá, até teve piada."

Ela dá o seu riso mais falso, mais estúpido de sempre.

Ele sorri. "Foi assim tão difícil?"

"Vê lá a porcaria do filme."

"Sim, sua majestade."

E desta vez quando ela se ri, é verdadeiro.

Ela não está bem, e sabe isso. Mas pode com certeza dizer que neste preciso momento está a sentir-se muito melhor.