"A sério?"

"Hmm?"

"Vais ficar aí sentado?"

"Queres que me sente noutro sítio então?"

Sam abana a cabeça, incrédulo. "Grande parceiro que me saiu na rifa."

"Nós tínhamos um plano. Tu ficavas com o turno das duas às quatro. E agora são," Callen levanta a manga da camisa e olha para o relógio, "três e nove. Nem sequer é uma zona a meio."

"Mas tu estás acordado!"

Callen encolhe os ombros. "Não é o meu turno."

Sam protesta no caminho até ao frigorífico. Ele pisca os olhos ao levar com a luz fluorescente de imediato na cara e as suas pupilas demoram um bocado a habituar-se para poder encontrar o que está à procura. "Pelo menos podias ir buscá-la enquanto eu aqueço o leite."

"Espera aí, as horas mudaram?"

"Não tens mesmo pena de ninguém." Sam pousa o biberão no microondas e carrega no botão.

Callen aponta para o livro que tem nas mãos. "Estou no meio dos meus estudos."

"E não podes fazer uma pausa de trinta segundos para ajudar um bebé indefeso?"

"Eu sou mais do género de deixar chorar."

"Lembra-me de nunca mais alinhar nos teus planos estúpidos." Sam anda rápido pela casa e entra devagarinho no quarto - ele supõe que seja de visitas, é difícil perceber sem qualquer mobília- de Callen, e tira a bebé do berço de viagem montado no chão. As suas mãos pequeninas estão fechadas em punhos zangados e as suas bochechas estão vermelhas, com lágrimas a cair dos olhos molhados.

Sam tenta acalmar o bebé, segurando-a ao peito e dizendo que o Tio Callen é o tio menos fixe de todos os tios que tem e provavelmente lhe vai dar as piores prendas de aniversário de sempre.
"Não é verdade," Callen diz, sem tirar os olhos do livro enquanto Sam volta à cozinha. "Eu vou dar-lhe dinheiro. Toda a gente gosta de dinheiro."

"É, ouvi dizer que dinheiro está nas listas de presentes de todas a meninas. Algures entre um pónei e uma espada de ninja."

"Está, se elas quiserem ser financeiramente estáveis no futuro."

Sam abana a cabeça. Agarra no biberão e encosta-se ao balcão da cozinha, os choros da bebé tornam-se em apenas gemidos no segundo em que o leite chega à sua boca.

Ele observa-a a beber durante algum tempo, antes de olhar para Callen. "Espero que a Kensi e o Deeks estejam a descansar o suficiente hoje, porque nem penses que volto a fazer isto."

Callen sorri maliciosamente, nariz ainda enterrado no livro.

Sam conhece aquele sorriso. "Foi para isso que concordamos com isto," ele lembra-lhe. "Para eles poderem ter uma boa noite de sono."

"Claro."

"Eles não têm dormido."

"Dormir, sim. Outras coisas também."

Sam tapa uma das orelhas da bebé e encosta a outra ao seu peito antes de sussurrar, "Eu não estou aqui a tomar conta desta criança só para os pais dela se armarem em malucos."

"Não te preocupes. É o Deeks. Tenho a certeza que está a ser tudo normal."

"Isto é um pesadelo. Eu não estou acordado. Tem que ser isso."

"Não sejas tão nojentinho. Estás a segurar a manifestação física da vida sexual deles."

"Eu estou a sonhar. Estou na minha caminha. Estou quente e confortável e esta conversa nunca aconteceu." Ele ajusta o bebé no seu colo. "Anda lá, pequenota. Vamos deixar o Tio Tolo com as suas fantasias."

"Tio Tolo até é um nome fantástico."

"É tudo um sonho. Tudo um sonho."

"Vês? É por isso que eu vou ser o preferido," Callen diz para Sam e segue-o até ao berço em que Sam está a colocar o bebé. "Tu enche-la de mentiras enquanto que eu lhe vou dizer sempre a verdade!"

Sam ignora-o e cochicha ao ouvido do bebé. "Toda a gente está a dormir. Especialmente teus pais. Definitivamente os teus pais."