Kensi observa Michelle a levantar-se, e encostar os seus lábios aos de Sidorov. Parece despistá-lo mas, para Kensi, tem um efeito completamente diferente.

"Achas que ela vai dormir com ele agora?"

Ela ouve as palavras ao escaparem da sua boca mas parecem-lhe estranhas, e diferentes, e zangadas e ela estava bem - ela sabe que já estava bem. Porque é que não consegue esquecer isto e seguir em frente?

Ao seu lado, Deeks baixa os seus binóculos, confuso. "O quê? Porque raio havia ela de fazer isso?"

"Não é isso que toda a gente faz? Queres convencer alguém da tua lealdade então dormes com eles, não é?" Ela levanta-se do chão onde está agachada e vira-se pelos calcanhares, como se uma parte do seu cérebro pensasse que se fosse para suficientemente longe, ele não a conseguisse ouvir.

"Kensi," ele chama, mas ela não se vira.

"Quer dizer, é o que tu fizeste, então agora é SOP (Procedimento Standard Operacional), não é?" Deus, porque é que ela não pára de falar?

"Kens-"

"Gostava de saber como o Sam vai reagir," ela diz ao sentar-se, frustrada, na sua moto e agarra o capacete. Ela olha para cima e vê-o a andar na sua direção. "Achas que ele vai entender?"

"Primeiro, pára com isso." Ele coloca a mão no capacete antes que ela o consiga levantar à cabeça. "Ela não vai dormir com ele."

"Porque não?"

"Porque não vai chegar a esse ponto."

"Claro, claro," a boca dela continua, desobedecendo completamente aos comandos vindos do cérebro."Porque são só armas nucleares, não é? Quer dizer, se fosse uma mão cheia de pedras preciosas, isso requereria medidas muito mais drásticas."

"Eu fiz o que tive de fazer, Kensi, e tu sabes."

"Eu sei bem o que tu fizeste, e assumo que tenhas gostado. Ela é o teu tipo, certo? Extrovertida, atiradiça, com um bocadinho de maluca pelo meio..."

Ele abana a cabeça. "Não, isso não é - bem," ele fixa-a, um brilho estranho e algo sentimental nos seus olhos, "a parte maluca acertaste."

Ela trinca a língua, é a única maneira de evitar deixar sair uma resposta, a raiva rapidamente dispersa, o ambiente muda como os leves sopros do vento que giram à volta deles.

"Eu tenho um tipo, Kens," ele diz, chegando-se mais perto, as suas pernas raspando levemente na dela. "Mas é muito, muito específico."

"Cabelo castanho, olhos de cordiferente," ele continua, as suas mãos envolvem-lhe a cara e inclinam-lhe os olhos, que encontram os dele. "vício muito pouco saudável de comida de plástico e música eletrónica. Sentido de humor absolutamente terrível."

Deeks inclina-se para a frente, devagar, como se a empurrar uma força imaginária.

"Okay, gente. O alvo está em movimento."

A voz de Callen ecoa nos seus ouvidos e Deeks fica quieto durante um momento, olhos fixados nos lábios de Kensi. O coração dela bate dolorosamente no seu peito quando ele se afasta lentamente.

"Nós estamos de saída," ele responde, olhos ainda presos aos de Kensi, dedos ainda mornos contra a sua pele.

Ela tenta dizer algo, mas não se lembra como produzir um som.

"És o único tipo que eu quero, Kens," ele diz, pegando no capacete dela e colocando-o nas suas mãos. "E quando isto tudo acabar, eu vou provar-te."

A voz de Callen acaba de gritar ordens nos seus ouvidos e Deeks vira-se de costas, deixando a Kensi a tarefa de colocar o seu capacete e tentar acalmar a sua pulsação frenética.