"Mamã?"
Kensi pára à porta do quarto, mão quase a pousar sobre o interruptor do candeeiro. "O que foi, miúdo?"
"Amanhã podemos ir à loja dos gelados?"
Ela olha por cima do ombro. "Se calhar. Temos que ver como corre o dia."
"Okay," ele diz com um suspiro dramático e um revirar de olhos.
Ela pergunta-se se todas as crianças de três anos têm dezasseis, ou se é só a dela. "Boa noite, querido."
"Mamã?" Ele pergunta outra vez.
"Diz, filhote."
"Posso beber mais água?"
"Não. A não ser que queiras usar uma fralda. Queres que a mamã te ponha uma fralda de bebé?"
Ele suspira outra vez. "Nãaaao."
"Pronto, então. Vamos lá dormir." Ela desliga o interruptor.
"Mamã?"
Ela vira-se desta vez. "O quê?"
"Onde está o meu ursinho?"
"Na tua almofada." Ela aponta. "Onde a tua cabeça também devia estar."
"Tá bem, tá bem," ele diz, mas continua sentado. "Mamã?"
"Filho, já é tarde. Tens que ir dormir. Tens direito a mais uma pergunta e depois a mamã vai embora, também tenho que dormir."
Ele franze o nariz e fica muito sério, a pensar. "Duas perguntas."
Ela abana a cabeça. "Nope. Uma."
"Três."
"Não é assim que funciona, e não. Só mais uma."
"Okay, okay," ele concorda, teimoso.
Ela cruza os braços à frente do peito e tenta parecer séria. "Qual é a pergunta, então?"
"Achas," ele pensa um bocado, "achas que o Papá vai chegar amanhã?"
Ela anda até à cama e ajoelha-se ao lado dele. Ele olha para cima, olhos tão grandes e tão redondos e ela acaricia-lhe a testa, tirando-lhe os cabelos finos da frente da cara e deixando um beijo na sua pele suave.
"Eu espero que sim, lindo," ela diz suavemente, envolvendo os braços à volta do corpinho dele e agarrando-o com força. "Eu espero que sim."
"Ah, boa," ele diz firmemente, voz abafada pelo ombro da mãe, "porque aposto que o Papá me leva aos gelados."
"Pois é." Ela ri-se, pelo meio de lágrimas. "Tenho a certeza que te leva."
