Sinceramente nunca pensei que shiparia isso.
Essa fic é da mesma AU da Bramérica que eu postei ontem, só que outro ship. Meu Germania chama Hadrian Friedrich Strauss, e ele namora o Arthur, dono da república =3
Essa fic se relaciona com duas fics da xxhhunter: www .fanfiction s/11068821/1/Cita%C3%A7%C3%B5es
e xxhhunter .tumblr post/111822408677/idk-this-is-for-a-weird-au-that-i-love
Hadrian nunca imaginou que estar em um relacionamento fosse tão simples, mas tão complicado ao mesmo tempo.
Durante a adolescência, todos os seus relacionamentos eram propositalmente curtos; uma transa com um estranho que desaparecia na manhã seguinte, um namorico de um mês com um colega de escola que ele nunca mais via... Coisas simples, puramente corporais, 'no strings attached', como ia o ditado. Tirando uns poucos melhores amigos, Hadrian não tinha nenhum tipo de relacionamento emocionalmente relevante. Nem mesmo com a mãe, que se esforçava para aceitar o filho rebelde, ou com os irmãos, que tentavam ser receptivos àquele estilo de vida, mas ainda estavam muito presos aos "tradicionais valores cristãos" para realmente entender o que se passava na mente do filho do meio.
Quando fez 18 anos e seu pai o mandou para o exército, Hadrian não teve muita oportunidade de fazer amigos. Ele sabia que a maioria daqueles jovens estaria morta em pouquíssimo tempo, e isso não o permitia se apegar a ninguém. O resto do esquadrão considerava-o um tanto frio como consequência, mas ele não se importava. Assim, mesmo que ele morresse naquela briga sem sentido, os outros não sofreriam tanto. Lutariam com a mente mais limpa, e teriam mais chance de voltar para casa.
De volta à Irlanda, imediatamente buscou intercâmbios e cursos em outros países, querendo se afastar ao máximo da família, que esperava que a vida de militar tivesse domado seu espírito rebelde. Hadrian mudou-se para Londres e cursou História, onde finalmente se encontrou no meio acadêmico. Embora suas relações sociais durante o curso fossem mais significantes do que antes, as pessoas ainda tendiam a se afastar daquele jovem de cabelo comprido e tatuagens nos braços. Tinha um ou dois amigos próximos, e mesmo assim somente porque eles tinham um gosto musical parecido. Depois de se formar, Hadrian assistiu os colegas conseguindo estágios e empregos em museus ou em escolas, mas ele próprio não conseguia trabalho em lugar nenhum. Era só entrar para uma entrevista, que os possíveis empregadores encaravam de cara fechada seu cabelo longo, ou a ponta de uma tatuagem aparecendo por debaixo do paletó. "A gente te liga pra te dar o retorno da entrevista", eles sempre diziam, mas o telefone nunca tocava.
O exército britânico era diligente em depositar sua pensão de veterano mensalmente, mas seis meses depois de sua formatura, seu pai estabeleceu um ultimato; ou você arranja emprego, ou eu paro de pagar seu aluguel. Sem outras opções, saiu procurando emprego nos lugares menos valorizados; bares e lojas de conveniência. Quanto mais a qualidade dos lugares caía, menos eles exigiam dele, e mais tempo ele permanecia empregado. Por fim, encontrou o Dirty Dicks. Tudo o que o dono lhe perguntou foi: "tem treinamento militar?" Após a resposta afirmativa, estava imediatamente empregado. Nessa altura, o pai já havia manifestado sua repulsa por suas alternativas de emprego há muito tempo, mas bem, um acordo era um acordo, e até agora Hadrian não tivera que mudar de apartamento. Vivia bem, sozinho, em suas paredes cobertas igualmente de mapas-múndi e pôsteres de bandas. Mas era uma vida boa; bebia cerveja quando bem entendia e separava brigas quase toda noite.
Jeito simples de viver, ele pensava enquanto assistia aquele baixinho loiro de olhos verdes faiscantes, mas tem suas recompensas.
Arthur Kirkland era exatamente o oposto de tudo que Hadrian esperava de um relacionamento sério. Era briguento, ficava bêbado fácil, vestia-se como alguém com o dobro de sua idade, e tinha um lado punk oculto quase incontrolável. Mas, ao mesmo tempo, não se surpreendia em nada; era um intelectual com um lado rebelde do qual não conseguia se desapegar. Ou seja, bem mais parecido com Hadrian do que parecia à primeira vista.
Arthur não reclamava do cabelo comprido caindo na cara dele; ao contrário, parecia gostar de brincar com os fios claros. Arthur não o repreendia pelas longas e intrincadas tatuagens pelos braços; na verdade, passava o tempo seguindo-as com as pontas dos dedos. Arthur discutia literatura clássica com ele no mesmo tom de voz que compartilhava suas músicas favoritas, e era a única pessoa com quem ele sentia-se seguro o suficiente para dividir histórias de adolescência. Já seria grande progresso se o inglês fosse apenas seu amigo, mas logo que se conheceram, o rapaz tinha começado a passar as cantadas bêbadas mais hilárias que Hadrian já ouvira. Não saíram juntos logo de cara (até porque, Hadrian nunca gostou de misturar sua vida pessoal com a profissional), mas não demorou muito também. Em encontros, Arthur era bom de papo, com o mais puro senso de humor inglês que sempre arrancava risos de Hadrian, e na cama... Bem. O sexo era sempre fenomenal.
Arthur não estava confortável com sua sexualidade ainda. Com um olhar tímido, ele nervosamente mexia com as mãos na porta de casa, pedindo por favor que Hadrian aceitasse manter a relação no escuro. Mas o alemão entendia; afinal, ele mesmo passara anos de sua adolescência tentando descobrir porque ele gostava de garotos e de garotas, e ainda mais algum tempo debatendo consigo mesmo se deveria revelar isso a seus pais. Sorrindo gentilmente, ele botou uma mão no ombro do outro, e disse, voz calma, que ele esperaria o quanto fosse necessário, que ele entendia, que estava tudo bem. Olhos verdes e brilhantes olharam para ele, acompanhados de um sorriso incrédulo.
"Are you serious?"
"Dead serious."
E Arthur riu, um riso eufórico, antes de abraçá-lo com toda sua força. Hadrian apenas segurou-o de volta.
Arthur conseguiu para Hadrian um emprego trabalhando com aquilo que ele realmente gostava, servindo de tutor para alguns calouros que moravam na República. Não era muito dinheiro, e ele não podia largar seu trabalho no bar ainda, mas era uma boa chance. E Hadrian começou a passar mais tempo naquela antiga casa, seja ajudando os pupilos, seja no quarto do inglês (agora consideravelmente mais habitável, com a presença constante de um maníaco por limpeza). Enquanto os jovens estudavam, Arthur servia chá, e embora o gosto dos scones de acompanhamento não fosse nem de perto tão doce quanto os lábios do inglês, Hadrian ainda aceitava um com um sorriso suave.
(O francês da república estava convencido de que eles eram um casal, e passara a chamá-los de Légolas e Gimli. Arthur não entendia o porquê de seu próprio apelido. Hadrian ria discretamente da sua confusão.)
Quando estavam juntos na cama do inglês, passavam horas abraçados, lutando contra o sono só pra passarem o máximo de tempo juntos. Discutiam tudo, desde letras de músicas sem sentido até filosofias absurdas, até que por fim Hadrian decidia que dormir era a melhor alternativa para o bem estar deles naquele momento. Acordavam bem cedo de manhã, e o alemão só tinha tempo de roubar um biscoito antes de sair, para evitar suspeitas.
(Na verdade, a República inteira sabia que tinha alguma coisa entre os dois, mas algumas pessoas chave impediam os demais de comentar, dando espaço pro casal. Mesmo assim, o rapaz americano logo adotou os mesmos apelidos de Francis, e foi seguido por alguns outros.)
E assim, estabeleceu-se uma rotina na vida de Hadrian. Passava as manhãs pensando em Arthur, as tardes na companhia de Arthur (na República ou saindo juntos), e as noites trabalhando ou aproveitando ainda mais a companhia do loiro. Não tinham muito, juntos, mas pensando bem, nem precisavam; a companhia um do outro já era mais que suficiente para eles, que pularam para amor mais cedo do que qualquer um esperava. Quando Arthur finalmente teve coragem e confiança o suficiente para entrar na República de mãos dadas com Hadrian, a casa toda comemorou, para a vergonha do pobre inglês. Hadrian tomou o controle da situação, afastando qualquer invasão da privacidade deles de forma rápida porém gentil. Começaram a passar ainda mais tempo juntos, e as noite de filosofia viraram manhãs tardias e tardes lentas, até que os dois praticamente viviam juntos, alternando entre o pequeno apartamento e a casa de subúrbio. Geralmente era Arthur quem começava as deliberações, as costas contra o peito de Hadrian e as mãos ou em seu cabelo ou nas tatuagens. Nesse dia, porém, foi o alemão que iniciou o tópico.
"Arthur?"
"Hmm?"
"Você acredita em alma gêmea?"
Todos os movimentos do menor congelaram. "I beg your pardon?"
"Alma gêmea." ele repetiu. "A cara metade de alguém, a pessoa que te entende melhor que ninguém. Aquela que você não consegue imaginar viver sem.
"... Eu não-"
"Por que eu estou começando a acreditar." Hadrian interrompeu, o que não era comum. "Eu tenho quase certeza que você é minha alma gêmea, liebe."
Sentiu Arthur encolher-se, os corpos se aproximando ainda mais. "Eu acredito." veio a voz, pequena e tímida.
"Hmm?"
"Eu acredito." ele repetiu, mais alto. "E eu também acho que você é a minha alma gêmea, love."
Hadrian sorriu.
A vida é boa pra quem acredita.
