Capítulo 1:
Twilight
O pôr-do-sol estava simplesmente maravilhoso, manchando os céus com cores quentes e agradáveis, dando uma sensação de serenidade a todos os que apreciavam aquela natural beleza. Naquele final de dia de Outono, uma leve brisa corria pelas ruas da cidade de Londres, arrastando folhas secas e odores vários, sendo, assim, como uma ementa para qualquer predador que se encontrasse à caça, procurando a sua presa no meio da confusão. Mas, para ele, escolher uma vítima era mais que encontrar alguém na rua. Era necessário que lhe despertasse algum interesse, que tivesse algo fora do comum. Um cheiro, um olhar, um sorriso, um gesto característico, qualquer coisa era suficiente para chamar a sua atenção.
Seguia por uma rua movimentada, tentando ser mais uma sombra entre tantas, com a brisa a sacudir-lhe os platinados cabelos loiros, despertando olhares de interesse e fazendo a sua intenção de passar despercebido fracassar por completo. Ignorava os olhares e sorrisos que lhe lançavam, nenhum deles lhe interessava. Estava, finalmente, no rasto de alguém. Um riso, despercebido naquele mar de gente, chamara-lhe a atenção, fazendo-o perseguir a sua vítima com cautela e a uma razoável distância. Agora que lhe tinha sentido o cheiro, nada poderia salvar aquela alma.
Era assim desde que Draco Malfoy se havia tornado uma criatura das trevas, desde que o seu coração havia deixado de bater. Seleccionava, perseguia, atacava e saboreava o doce gosto do sangue das suas vítimas. Não interessava quem eram. A identidade não tinha qualquer importância. Apenas o sabor era uma premissa.
Entrou no mesmo café que a sua vítima e sentou-se numa mesa do fundo, onde podia limitar-se a observar os movimentos rápidos daquela estranha mulher. Ela conversava em voz alta com duas amigas, ria-se escandalosamente e parecia simplesmente eufórica com algo. Tinha um cigarro na mão, tragando momentaneamente entre dois goles de chocolate quente. Cerca de uma hora e meia de conversas fúteis depois, a mulher despediu-se das amigas, levantou-se e deixou o estabelecimento. Draco esperou que ela virasse a esquina para a recomeçar a segui-la. Assim sendo, terminou o café que havia pedido, atirou duas moedas para cima da mesa e preparou-se para sair.
Mal tinha passado as portas do café quando, subitamente, a brisa lhe trouxe um aroma que fez o seu estômago sobressaltar-se. Arregalou os olhos prateados, inspirando profundamente e desejando ardentemente o portador de semelhante cheiro. Os seus instintos selvagens rapidamente ficaram à flor da pele. Esqueceu por completo a mulher do riso histérico e partiu à caça desta nova vítima. Percorreu várias ruas num passo acelerado e objectivo. Ele precisava da origem de tão maravilhoso aroma. Era como se a sua existência dependesse disso, como se não existisse nada para além daquele cheiro.
Seguiu o rasto até às portas de um restaurante de luxo. Não hesitou em entrar, ignorando o chefe de sala, e olhar em volta. Inúmeras mulheres de classe jantavam naquele momento, mas ele rapidamente a viu. Sentada numa mesa ao lado da janela, com as mãos pálidas a segurarem delicadamente a ementa, os lábios, pintados de vermelho, levemente curvados num sorriso simples e os seus olhos, castanhos e brilhantes, que reflectiam a fraca luz proveniente do crepúsculo, atentos às letras que se encontravam à sua frente.
Draco engoliu em seco, um arrepio gelado percorreu-lhe todo o corpo. Não esperava que a sua presa fosse ela. Entre tantas mulheres daquela cidade, entre tantas almas interessantes e que o poderiam cativar, era aquele cheiro que o tinha seduzido novamente.
Sacudiu a cabeça, tentando afastar os pesados pensamentos incoerentes, e cerrou os punhos com força. Não, não poderia, não a ela. Virou costas, controlando o irresistível desejo que o seu cheiro incutia nele e, pela primeira vez, obrigou-se a si mesmo a sair dali, tendo como único objectivo, não matar, mas sim, salvar aquela vida.
Observava as tímidas gotas de chuva a caírem sobre o vidro da enorme janela da sala de sua casa enquanto balançava o vinho dentro de um copo de cristal e tentava impedir que pensamentos e memórias antigas com ela regressassem à sua mente. Contudo, era em vão. A voz, o sorriso, o olhar, os gestos, o cheiro... tudo o que era característico daquela mulher parecia ressuscitar do passado, da sua vida humana, e atacá-lo impiedosamente. Sempre que fechava os olhos, via momentos das suas vidas, momentos felizes em que ambos sorriam perante uma partida pregada a alguém ou sempre que se apoiavam mutuamente numa discussão com outras pessoas.
Era estranho pensar que, após longos e magníficos anos juntos, chegou o dia deles se separarem. Dia esse que Draco teimou em manter distante da sua mente. Por quê? interrogava-se. Por que ela tinha de regressar à sua vida? E por quê daquela forma? Depois de tanto tempo, de tantos anos, ela surgia agora como a forma de um demónio para ele. Um demónio que lhe traria dor e sofrimento, que o faria oscilar entre seguir os seus instintos ou seguir a sua consciência. Quando a viu naquela sala, a jantar descontraidamente na companhia do antigo colega de escola deles, um ínfimo de si apenas queria abraçá-la, sentir o seu calor, ouvir a sua voz novamente. Desejava-a, não havia dúvidas disso. Mas desejava-a de duas maneiras diferentes, dois tipos de desejo que iam, certamente, entrar em conflito.
Deixou a janela quando a chuva se começou a intensificar e se tornou numa pequena tempestade. Ainda com o copo de vinho nas mãos, caminhou silenciosamente pelo apartamento e entrou no seu escritório, deixando a porta de madeira escura aberta, correndo as cortinas para não ver a luz dos trovões a atravessar o cómodo. Colocou o copo de vinho sobre a secretária de vidro, mesmo ao lado de um porta-retratos, feito em prata trabalhada, mas que não continha nenhuma foto, e sentou-se na cadeira de couro negro. Doía-lhe levemente a cabeça, uma pontada sobre as têmporas que o incomodava desde cedo e que estava a deixá-lo irritado.
Fechou os olhos e deixou-se levar pelo ruído dos trovões e pelos assobios do vento por entre as gotas de chuva. Queria que os seus pensamentos fossem arrastados para longe, que deixassem o seu consciente e que ele conseguisse, por uma única vez, esquecer o acontecimento do dia anterior. Respirou fundo, tentando abstrair-se dos aromas húmidos dos dias de tempestade. Contudo, algo de estranho aconteceu. Draco arregalou os olhos, as suas pupilas fortemente contraídas, quase não passavam de duas fendas. A cinza das suas íris escureceu, ganhando uma tonalidade quase negra, fazendo um arrepio passar por todo o corpo e as mãos cerrarem-se sobre os braços da cadeira. Não podia, não naquele momento ela não se atreveria.
O som da campainha a tocar soou por toda a casa, como se fosse o único barulho existente naquele cómodo. A sensação que passou pelo corpo de Malfoy foi semelhante a um cubo de gelo a escorregar-lhe pelas costas. Levantou-se subitamente, ainda de punhos fortemente fechados, os olhos demasiado contraídos, a respiração acelerada, os pensamentos a correrem desordenados pela sua mente. Os dois desejos num segundo conflito de poderes. Atravessou o escritório com rapidez e logo estava em frente à porta de entrada, com a mão alva sobre a maçaneta, pronto para destruir a última barreira entre ele e o fruto dos seus desejos.
Não sabia o que esperar dali, não sabia qual dos dois ganharia aquela luta interior, não tinha noção do que iria acontecer quando abrisse aquela porta. Evitou respirar fundo e inalar novamente aquela fragrância ou descontrolar-se-ia completamente. Voltou a fechar os olhos, desta vez com força, e tentou focar todos os seus sentidos nos ruídos da tempestade lá fora. E, com um último impulso de coragem - ou seria loucura? - abriu a porta, destruindo a única barreira que a mantinha a salvo.
Ela estava de perfil, remexia na sua bolsa à procura de algo, tinha os olhos brilhantes, tal como Draco se lembrava: os lábios vermelhos levemente contraídos e os cabelos, negros e curtos, contornavam-lhe o rosto fino, criando um interessante contraste com a sua pele pálida. Percebeu que a porta havia sido aberta e parou o que estava a fazer, olhando para o loiro em seguida. Ele tinha um sorriso na face, aquele sorriso enviesado e maldoso que ela sempre venerara.
Logo a bolsa estava caída no chão e os braços da morena envolviam fortemente o pescoço de Malfoy. E aquele cheiro, aquele aroma que lhe despertava os seus instintos assassinos estava a impregnar-se nas roupas deles, a encher todo o ar daquele ambiente, a deixá-lo levemente descontrolado. Passou os braços sobre a cintura dela, retribuindo o abraço e puxando-a ainda mais contra si. Precisava daquele corpo perto do seu, precisava daquele cheiro, ansiava desmedidamente por aquele sangue.
- Tive tantas saudades tua, Drakey - vociferou a mulher, com o rosto encaixado na curva do pescoço dele, fazendo com que a sua respiração causasse um forte arrepio no loiro.
- Eu também estava cheio de saudades, Pansy - conseguiu dizer na sua voz natural, sem transmitir o impasse em que se encontrava, parecendo perfeitamente normal, tal como era antes dela viajar.
Ela parecia satisfeita por estar perto dele, sorria levemente enquanto lhe passava os dedos pelos fios de cabelo platinados, apertando-o contra si, num típico gesto de saudade e carinho. Afastou-se dele, sorrindo como nunca, com os olhos brilhantes de emoção e uma expressão de felicidade única. Draco esforçou-se para a soltar, lutou fortemente contra os seus instintos para a deixar afastar-se do seu corpo, para não cair na tentação de a atacar, de roubar a sua vida. Esboçou um sorriso forçado, apesar de verdadeiro, e fez-lhe sinal para ela entrar. Era escusado, por mais que tentasse afastá-la, o desejo de a ter a seu lado novamente, como amiga e companheira era superior às suas forças.
Pansy soltou uma leve gargalhada e entrou pelo apartamento, sentando-se num sofá da sala. Cruzou as pernas, deixando que a saia vincada lhe subisse até aos joelhos, relevando tornozelos delicados, balançando um scarpin branco na ponta do pé, enquanto olhava atentamente a decoração do cómodo. Draco seguiu-a, servindo dois copos com vinho e entregando-lhe um antes de se sentar no sofá em frente.
- Tu não te esqueceste do meu vinho preferido - observou Pansy cheirando levemente o líquido escuro e bebendo um pequeno gole. - Maravilhoso.
- Quando regressaste de New York? - perguntou Malfoy obrigando-se a concentrar-se unicamente no movimento do vinho dentro do copo cristalino da morena.
- Ontem ao fim da manhã - contou ela passando uma mão pelos cabelos negros, cortados um pouco acima dos ombros. - Encontrei o Blaise, por acaso, na rua e acabei por jantar com ele. Sabias que ele casou?
- Não falo com o Blaise há imenso tempo - confessou o loiro. - Mas o que te trouxe de volta a Londres?
- Terminei o curso e achei que deveria regressar a casa. Já tinha saudades daqui - disse ela simplesmente, fixando os olhos castanhos na prata das íris de Draco. - Saudades tuas.
- Houve mudanças nos últimos anos, Pansy - informou Malfoy desviando os olhos dos dela. Não tinha certezas de quando tempo ainda iria aguentar. - Grandes mudanças.
- Eu percebi que estás diferente, Draco, só não percebo em quê - afirmou a mulher, terminando o vinho tinto que se encontrava no seu copo. - Não estás tão caloroso como eras. Parece que perdeste o que te restava dos sentimentos.
Malfoy soltou uma gargalhada, um riso forte e contagiante que fez Pansy rir com ele. Ela não tinha mudado, estava igual, com o mesmo sentido de humor que sempre tivera. A morena deixou pender a cabeça para trás, expondo o pescoço alvo e passando uma mão pelos cabelos, novamente. Logo as pupilas do loiro voltaram a contrair-se fortemente, despertando mais uma vez os seus instintos, obrigando-o a lutar contra o desejo de matar. Fechou os olhos, tentando desesperadamente apagar a imagem da pele dela da sua mente, e, mais uma vez, impediu-se de respirar.
- É verdade, o meu aniversário é amanhã e eu quero juntar algumas pessoas lá em casa. - anunciou Pansy sorridente. - Vou convidar apenas o nosso antigo grupo de amigos, Blaise, Crabbe e Goyle, a Millicent, se ela se der ao trabalho de deixar o anormal do marido. É para apareceres, Drakey, eu fico chateada se não fores!
- Não te desiludirei - disse o loiro abrindo os olhos, muito a custo, e sorrindo.
Pansy levantou-se ao mesmo tempo que Draco e encaminhou-se para a porta. Não precisava de lhe dizer que tinha de se ir embora, limitava-se a fazê-lo. Parou mesmo em frente à porta, esperou que Malfoy a abrisse, inclinou-se para ele, depositando-lhe um leve beijo no rosto, voltou a sorrir e deixou o apartamento. Assim que ela desapareceu, oculta pelas portas do elevador, o loiro fechou a porta, encostou-se a esta e, subitamente, soltou um grito de raiva, de dor, de sofrimento. As suas pupilas eram duas fendas, os olhos estavam fortemente arregalados e os dentes encontravam-se cerrados, revelando dois pronunciados caninos, demasiado afiados.
Ele não podia ir àquele jantar, não podia voltar a estar com ela, não podia, simplesmente, correr o risco de se descontrolar, tal como estivera prestes a acontecer, momentos antes. Inventaria uma desculpa, sairia da cidade, ou do pais, faria qualquer coisa para se manter longe dela. A dor interior de pensar em afastar-se era enorme, ele precisava dela e isso era incontestável. Mas, recorrendo aos seus últimos sentimentos humanos, às últimas forças que lhe restavam, ele iria afastar-se, apenas e somente, para lhe salvar a vida.
A chuva do dia anterior já não fustigava a enorme janela do escritório de Draco. Contudo, as nuvens negras, características da tempestade ainda enchiam os céus, impedindo que a luz do sol, já na fase final do dia, pudesse invadir a cidade londrina. Perto do vidro, Malfoy observava a agitação das ruas, tentando, em vão, manter a mente longe do maravilhoso aroma de Pansy.
Sentia-se, mais uma vez, dividido. Por um lado, queria ir ao aniversário da amiga. Voltar a estar com ela, a sentir o seu calor tão característico, a ouvir a sua gargalhada, a tê-la entre os seus braços. Mas, por outro, sabia que os riscos de cometer um grande erro se voltasse a se aproximar da morena eram bastante altos. Não queria fazer com ela o que fazia com as suas habituais vítimas. Não podia fazê-lo, não a ela, não à sua Pansy.
Voltou-se, deixando a triste monotonia das ruas daquela cidade e sentando-se na cadeira de couro, em frente à secretária de vidro que ele tanto apreciava. No canto direito encontrava-se, ainda, o copo com vinho que ele ali deixara no dia anterior, ao lado do porta-retratos vazios. Esticou o braço e pegou na moldura de prata trabalhada, tentando relembrar o motivo de tão bela peça estar sem uma fotografia. Recordou-se, então, que antigamente era uma fotografia dos seus pais que ali se encontrava. Um belo retrato de Lucius e Narcissa, ainda jovens, a sorrirem falsamente. Porém, após a morte do casal Malfoy, quando Draco ainda se encontrava na escola, ele havia trocado a fotografia por outra, tinha certezas disso. Mas, por qual?
Desistiu de se tentar relembrar daquele detalhe e voltou a colocar o porta retratos onde estava. Olhou para o relógio de pulso, já passava das seis e meia da tarde, o sol não tardaria a pôr-se. De certeza que Pansy estaria irritada por ele não ter aparecido, ou - se a sorte o permitisse - ela estaria tão envolvida na conversa com os antigos amigos que se esquecera do loiro não presente. Um sorriso enviesado rasgou-lhe a face. No dia em que Pansy Parkinson se esquecesse de Draco Malfoy, o mundo estaria perdido.
Ainda sorria ao pensar naquela mísera possibilidade quando, de repenteaquele cheiro encheu o ar, invadindo-lhe as narinas e fazendo o seu subconsciente rugir violentamente. O que estava ela a fazer ali, outra vez? Desta vez, o loiro resolveu que não iria abrir a porta. Não, desta vez não correria o risco de atacar Pansy. Deixou-se ficar imóvel, sentado na sua cadeira de couro, esperando que a campainha soasse. E assim aconteceu. Uma, duas, três vezes seguidas de batidas na porta. Ela estava, realmente fora de si.
- Draco - chamou a mulher, fazendo Malfoy cerrar fortemente os dedos no braço da cadeira. - Eu sei que estás aí dentro, abre a porta já!
Como é que ela podia saber? Ele não fizera nenhum ruído, não lhe dera qualquer sinal de que se encontrava em casa. Mas Pansy continuou a chamar por ele e a gritar, determinada como sempre fora, Draco tinha a certeza que ela só sairia dali quando finalmente pudesse falar com ele. Valeria a pena abrir-lhe a porta, expô-la a um risco tal, apenas para satisfazer o seu desejo de o ver? Não! Não podia, simplesmente não se sentia capaz. Se o fizesse, a sua força e o seu auto-controlo seriam esmagados pelo desejo mórbido do sangue dela. Ele queria-a, não tinha dúvidas disso, e, a cada momento que passava, que o cheiro dela se instalava mais e mais na sua casa, na sua roupa, no seu corpo, mais impossível de controlar os seus instintos se tornavam.
- Malfoy, se não me abrires a porta imediatamente, eu juro que nunca mais te quero ver! - ameaçou ela com mais uma batida forte na porta. - Draco!
- Perdoa-me, Pansy... - sussurrou o loiro para a escuridão do seu escritório, mantendo os olhos fechados e impedindo-se de inalar a fragrância dela. Não se mexeu, sabendo que assim que ela saísse dali, provavelmente não a voltaria a ver. Estava a magoá-la, tinha perfeita noção disso, magoava-a por não ter ido ao jantar, por fingir que se esquecera e, agora, por a estar a ignorar, não lhe abrindo a porta. Para ela, seria preferível vê-lo, mesmo que ele a tratasse mal e fosse bruto com ela, do que aquele silêncio.
Uma última batida forte na porta foi o aviso de que ela se afastava. A sua apurada audição fez com que Draco percebesse que lágrimas furiosas caíam pela face da mulher. Um enorme aperto no peito cortou-lhe a respiração, fazendo-o levantar e caminhar rapidamente, quase aos tropeções, até à porta onde, segundos antes, Pansy estivera à sua espera. Colocou a mão na maçaneta, desesperado por sair dali, correr para ela, tomá-la nos seus braços e limpar as suas lágrimas. Não queria, acima de tudo, que ela chorasse.
Hesitou. Aquele era um passo decisivo. Tinha todas as cartas na mesa, agora esperava apenas fazer a escolha correcta. Os dois desejos competiam, mais uma vez, entre si. Ou ia atrás dela, limpava as suas lágrimas, via pela última vez o seu sorriso e destruía a sua vida, levado por um impulso selvagem, ou deixava-se ficar ali, com os instintos aos gritos, sofrendo pelo sofrimento dela, sorrindo por lhe ter salvo a vida. Não sabia o que fazer, no seu interior uma batalha sangrenta consumia-o aos poucos. Instintos contra razão, qual deles seria o mais forte?
As cortinas da janela da sala encontravam-se corridas, permitindo que o final de dia enegrecido pelas nuvens fosse perfeitamente visível de onde o loiro se encontrava. Nos céus, uma tímida nuvem arriscou-se a sair da frente dos últimos raios de sol, deixando que as tonalidades do crepúsculo banhassem todo o cómodo, chegando até à pele de porcelana fria de Malfoy. A muito custo, Draco olhou para as cores quentes que rasgavam o horizonte e sorriu. Tinha tomado uma decisão, tal crepúsculo iniciava uma nova noite.
Continua...
N.A.: Obrigada às meninas que comentaram :D
Esta fic, realmente, é uma completa insanidade, mas eu ando tão incrivelmente obcecada por Vampiros que teve mesmo de ser
Cap. 2 em breve
Reviews please
Kiss's
Just
