Epílogo:
Eclipse
Nunca me dei ao trabalho de imaginar como seria a minha morte. Contudo, tenho certezas que não poderia ser de forma mais perfeita que esta. Morrer para o ver feliz, para ver aquele sorriso nos seus lábios, agora frios. Morrer por minha própria vontade, cumprindo a promessa que fiz, e, acima de tudo, nos braços dele. O seu calor poderia já ter desaparecido, assim como a sua essência de vida. No entanto, ele continuava a ser o meu Draco. Sempre ali para mim, sempre cavalheiro no que fazia. Nem neste momento final, no culminar da minha breve vida, ele deixava de ser tão delicado comigo como sempre fora.
Os seus lábios suaves encostavam o meu pulso ferido, enquanto as presas afiadas rasgavam a minha pele, provocando um derrame do sangue que ele tão intensamente desejava. O seu sorriso inconsciente era perceptível pelos cantos dos lábios. Naquele momento, ele estava feliz. E era apenas isso que eu precisava para me sentir feliz também. Levei a mão ao seu rosto, toquei-lhe delicadamente, como se quisesse fixar a sensação da sua pele sobre a minha. Logo os seus olhos, gelada cor de prata, se fixaram nos meus. Nesse momento receei que ele não continuasse, que desistisse de me fazer feliz. Não consegui controlar as malditas lágrimas de emoção, de medo, e estas escaparam dos meus olhos ao mesmo tempo que eu esboçava um sorriso, indicando-lhe que estava feliz.
Senti os seus lábios a afastarem-se da minha pele, causando uma estranha sensação de calor no meu corpo. Encarava-me, os olhos brilhantes, repletos de emoções, de sentimentos, escondendo a sua luta interior de desejos sobre o mim e o meu sangue. Não pares! implorei voltando a acariciar-lhe a face, contornando-lhe os lábios manchados do meu sangue, como se aquela fosse a minha última oportunidade para lhe tocar. Por quê? ouvi-o perguntar na minha mente. A custo, segurei o seu rosto, afastei uma madeixa de cabelos platinados da frente dos seus olhos cinza e voltei a sorrir. Como fazê-lo entender que era assim que ele me deixaria satisfeita?
- Porque tu ficas tão perfeito quando estás feliz - disse num murmúrio. - Porque eu sei o quanto desejas o meu sangue, sei o quanto precisas dele e... eu apenas quero ver-te feliz.
Logo um trovão rebentou sobre nós, dando por terminada a minha afirmação. Vi um sorriso leve e quase despercebido no seu rosto antes dele avançar até mim, encostando os seus lábios frios nos meus, e voltar a dirigi-los ao meu pulso ensanguentado. Novamente, a sensação da pele a rasgar, do sangue a ser extraído da artéria, e os seus olhos, fixos nos meus, indicando-me que era agora o meu fim. O meu coração batia mais devagar, caminhando a passos lentos para o seu derradeiro batimento. A minha visão ficou turva, deixei de conseguir distinguir as coisas à minha volta, sendo apenas um misto de luz e escuridão.
As sombras eram cada vez mais presentes, ocultando aos poucos a luz que ainda me ligava à vida. Lentamente, tudo estava a escurecer, segundo após segundo, momento após momento, a luz era mais fraca, mais escuridão me envolvia, mais escuridão, mais escuridão, mais escuridão...
Silêncio...
Trevas...
Escuridão...
Era assim a morte?
Era assim que tudo terminava?
Num eterno vácuo da escuridão?
Então, por que sentia os lábios frios?
Por que sentia esse frio a espalhar-se pelo meu corpo?
Por que... por que via uma luz na escuridão?
E por que estava essa luz a aumentar? Trazendo consigo um frio estranho em vez do habitual calor. Vozes distantes, sussurros, murmúrios, odores intensos, de inúmeros géneros, alguns simplesmente irresistíveis, e mais luz, afastando as trevas, afastando o calor, trazendo um frio agradável com ela. Os contornos estavam mais nítidos. Estava novamente a ver, a respirar, a sentir-me... viva, mesmo após a minha morte.
E, sob os meus lábios, o gelo dos lábios de Draco parecia ser o motivo do meu despertar. Tal conto de fadas, tal príncipe encantado a salvar a sua donzela. Levei as mãos ao seu rosto, puxando-o para mim, intensificando aquele beijo gelado que ele me dava, querendo mais e mais daquela estranha sensação. As suas mão prendiam-me junto a si e eu agradecia interiormente por aquele momento, mesmo não sabendo o que havia acontecido.
Eu estivera morta por sete minutos, tinha certeza disso. Os meus sentidos confirmavam-me o tempo e diziam-me, também, que viva, eu não estava mais. Era estranho, muito estranho, e eu não compreendia. Vi a morte de perto, vi a vida a desaparecer na escuridão. Mas que nova experiência era esta que eu não conhecia? Abri os olhos, lentamente, fixando as íris de Draco. Os nossos lábios separaram-se e ele sorriu, perfeito, como sempre. Acariciou a minha face - desta vez, a sua pele estava à mesma temperatura que a minha - e deixou escapar uma gargalhada. Um linda e pura gargalhada.
Então eu percebi. O seu beijo... o frio... a luz... ele tinha... sim! Sorri verdadeiramente, não cabendo em mim de felicidade, sentido lágrimas nos olhos, mas, desta vez, não me importando com isso. Abracei-o fortemente, não conseguindo controlar as emoções, desejando loucamente para que tudo aquilo não fosse um devaneio moribundo.
- Obrigada - agradeci entre dois soluços, as lágrimas a molharem-lhe a pele pálida e, sobre nós, os trovões da tempestade a abençoarem o meu recente nascimento.
- Amour, - chamou ele em voz baixa, sussurrando no meu ouvido. - Que o meu beijo te tenha tornado para sempre minha. Que o gelo permaneça sempre presente em nós. Que a morte nos una como a vida não foi capaz de o fazer...
Sorri entre lágrimas, com a cabeça apoiada no seu ombro, a ponta do meu nariz a roçar a delicada pele do seu pescoço, inalando um cheiro intenso e incomparável, tornando-o simplesmente irresistível. Era assim, o começo da minha eterna morte.
Um eclipse solar tem a duração máxima de sete minutos e quarenta segundos. (Caso não perceberam o motivo desta informação, aconselho a relerem o epílogo com mais atenção e a estarem atentos às metáforas.)
N.Beta: Juro que as pessoas deveriam pressionar você com mais freqüência, Just! Dois dias para trazer ao mundo essa beleza?! Se eu não soubesse que é a mais pura verdade, não acreditaria!! Vai parecer puxa-saquismo (como sempre, porque eu sou uma fã incodicional!), mas essa fic ficou linda!! Draco e Pansy não é (era!) um dos meus casais favoritos, mas Drakey ficou fabuloso como um vampiro (me lembrou TANTO o Ed! - . - Me preparando para reler Twilight!!)... A luta entre os desejos ficou realmente intensa, poor Malfoy! Mas o final foi fantasticamente dramático! Amei as metáforas! Você é simplesmente mestra nisso!! E quanto a mim, só resta agradecer por confiar seus preciosos tesouros aos meus palpites intrometidos!! Tks, dear!! XD
N.A.: Bem, escrevi esta fic em dois dias, sem saber muito bem o que estava a fazer, apenas para cumprir a promessa que fiz à Dark de entregar uma fic para o chall dela. Nunca na vida tinha escrito uma D/P, espero que tenha ficado alguma coisa que preste.
Orexis, título da fic, significa desejo em latim.
Os títulos dos capítulos e epílogo são os títulos dos livros de Twilight Series - Stefenie Meyer, nos quais me baseei um pouco para escrever a fic. Espero não ter baralhado ninguém com as minhas metáforas loucas e ideias insanas.
Tal como tinha prometido na NA do capítulo anterior, eu postei o epílogo porque o resultado saiu há poucas horas. A verdade é que eu ainda estou atordoada com a facto de ter ganho o challenge. Estavam fics fantásticas a concorrer e eu nunca pensei que a minha Orexis fosse real concorrência para elas. Caso alguém tenha curiosidade de ver o banner, este encontra-se já disponível no meu profile
R&R, please.
Just
