Epílogo

Nós, vampiros, somos seres acima da linha do compreensível. O axioma da humanidade. O que sabemos da nossa origem são somente suposições. Nenhum vampiro antigo o suficiente possui plena convicção para declarar-se o primeiro de todos. Houve sempre um antes dele e, antes dele, houve outro. Um outro que não se sabe o paradeiro.

Mas, evidenciando os fatos, não é preciso pensar muito para deduzir que, independentemente do que somos ou de quem – ou o quê – nos criou, vampiros são como aberrações da natureza.

Somos amaldiçoados. Seres destinados a vagar pelo mundo por toda a eternidade, sem uma razão certa para existir. Nós caminhamos com o mundo a acompanhar suas mudanças, mas nós sempre continuaremos os mesmos. Passaremos por guerras, pandemias e violências e sobreviveremos. Veremos o que outrora nos eram semelhantes padecerem e saberemos que jamais poderemos ser como eles... O tempo passará por nós e nós passaremos pelo tempo.

É uma idéia tentadora para os que temem a morte, o viver para sempre. Sei que vários dos humanos que me cercam ansiariam estar no meu lugar. Eu, no entanto, daria a minha imortalidade a eles se isso pudesse ser capaz de devolver a humanidade que um dia perdi. Se ainda fosse o garoto de dezessete anos que um dia eu fui e tivesse escolha, acredito que preferiria morrer como humano. Mas eu não tive escolha; Carlisle me transformou no que sou agora e eu nada pude fazer quanto a isso, a não ser aceitar o fato.

Contudo, eu não o odeio por isso. Não odeio Carlisle por ter me transformado. Agora, quase noventa anos depois do meu último despertar, eu entendo as motivações que o levaram a me transformar num vampiro. Eu também entendo as que o levaram a fazer com Esme o mesmo que fez comigo. Entendia agora a razão para que ele tivesse feito isso com Rosalie, e a de Rosalie no que dizia respeito a Emmett.

Eu entendo todos eles porque descobri que a imortalidade é vazia e perturbadora; nós precisamos de algo que nos faça resistir a ela, para não sucumbirmos à loucura ou ao tédio. Como humanos, nós tememos a solidão. E, como humanos, buscamos exterminá-la da maneira que nos é possível. E quando o que conseguimos não é suficiente para preencher o vazio metafórico que sentimos por dentro, saímos em busca algo novo capaz de preencher; ou simplesmente buscamos ocupar a mente para que não haja espaço para a mera lembrança da sua existência.

Apegar-se a humanos e tê-los como companhia nunca foi algo relativamente fácil: mesmo se ele fosse forte o bastante para resistir à sua natureza, o vampiro, mais cedo ou mais tarde, os perderia por conta da sua mortalidade, e aquilo era algo difícil de ser superado. Não foi difícil para Carlisle deduzir isso e ele procurava, de todas as formas, não se afeiçoar demais aos humanos.

Carlisle viu, inicialmente, na medicina, uma maneira de vencê-la. Ele estava perto dos humanos, mas nunca perto o bastante para se deixar próximo a eles. Ser médico ocupava sua mente contra a solidão, mas chegou ao ponto em que ele não se viu capaz de suportá-la; então, motivado pelo pedido de minha mãe, ele me transformou. Viu em mim o filho que ele nunca seria capaz de conceber; alguém para o qual ele não necessitasse fingir ser algo que não é. E depois veio Esme, que o completou de outra forma. Veio Rosalie, mas ela não me completou como Carlisle e Esme esperavam. Veio Emmett, que fez a Rosalie o que ela não foi capaz de fazer comigo. Vieram também Jasper e Alice, mas eles já se complementavam por si mesmos. E, quando eu menos esperava, ela veio.

Isabella Swan. Uma mortal cujo maior infortúnio – dentre todos os que ela tem a estranha capacidade de atrair para si mesma – foi ter um vampiro apaixonado por ela. A garota que anseia que eu faça algo que eu julgo ser inconcebível de ser feito com ela... Torná-la imortal.

Eu cometi o maior erro que um vampiro seria capaz de fazer: sentir algo pelo que, naturalmente, é a sua presa. Por isso, tenho uma preocupação maior em protegê-la do mundo e, acima de tudo, de mim mesmo. Mas eu sei que não posso fazer isso para sempre, pois um dia eu a perderei para sua natureza humana. E, ao lembrar-me disso, penso se agiria como Carlisle, ou se seria capaz de resistir ao impulso e o desespero quando estivesse ciente de que a hora derradeira de Bella havia chegado; se eu seria capaz de vê-la morrer em meus braços, impassível, tudo para apenas fazê-la digna de um lugar que, em minha suposição, nunca serei capaz de entrar se um dia deixar de existir...

"Se Bella estivesse para morrer, você seria capaz de transformá-la, Edward?".

Aquela uma pergunta pela qual eu jamais ansiaria em poder saber a resposta. Eu já pensei tê-la perdido uma vez, e não estou certo de que seria capaz de lidar com isso novamente. Eu não estou certo em dizer que conseguiria existir sem Bella mais uma vez; e tenho receio dos desejos dos meus próprios pensamentos para impedir que isso aconteça.


N/A: Bem, é isso. XD. Espero que tenham gostado (você também, Dressa...rs). Beijos!