Capítulo II – Making-Of
"Os vilões do Batman são muito bons porque cada um possui uma psicose própria e origem ímpar. É muito bom trabalhar com os bandidos quando se trata de um conto do Cavaleiro das Trevas, seja qual for a mídia tomada como base".
O segundo capítulo começa com mais inquietações de Bruce Wayne. Ele vaga sozinho pela mansão num dia chuvoso relembrando o passado e amargurando o futuro. O sonho mencionado, que cita os pares amorosos do protagonista nos quatro primeiros filmes, é um prenúncio do par verdadeiro que surgirá logo mais no enredo. Seguem-se mais alguns monólogos, reflexões e uma referência à infância de Bruce de acordo com o que foi mostrado em Batman Eternamente.
A cena seguinte é uma das minhas favoritas, na qual introduzo a personagem da doutora Harleen Quinzel, que virá a se tornar Arlequina. O Asilo Arkham é totalmente fiel ao que foi mostrado nos dois filmes de Joel Schumacher, porém com um aspecto ligeiramente mais sombrio, como a sala que se parece uma masmorra. O doutor Burton (homenagem ao diretor dos dois primeiros filmes), presente no final de Batman Eternamente, volta aqui com um papel um pouco maior. Através do diálogo dele com a doutora Quinzel, que chega para trabalhar no Asilo, já fica evidente a fascinação quase doentia que a psiquiatra nutre por Jack Napier, vulgo Coringa.
Arlequina foi uma personagem criada por Bruce Timm e Paul Dini como assistente e amante do Coringa, para o desenho Batman: A Série Animada, dos anos 90. A palhacinha fez tanto sucesso que acabou incorporada à continuidade regular dos quadrinhos, entrando para o primeiro escalão de vilões. No entanto não apareceu em nenhum filme do Batman até o momento.
A ficha do Coringa revela seu passado e real identidade segundo o filme Batman: Jack Napier, criminoso já mentalmente desequilibrado quando caiu no tanque de produtos químicos que o deixou para sempre branco e verde. Essa origem do filme para o personagem combina certas nuances do Coringa das HQs com outras criadas para o longa.
Nos gibis, o verdadeiro nome do Coringa até hoje é desconhecido. Sabe-se apenas, segundo a história "A Piada Mortal", de Alan Moore, que se tratava de um funcionário da Química ACE, em Gotham City, que abandonou o emprego perseguindo o sonho de se tornar comediante. Todavia, o pobre rapaz não conseguia arrancar risadas da platéia, humilhado em todos os seus shows. Desesperadamente sem dinheiro e precisando sustentar a mulher grávida, o homem aceita a proposta de uma quadrilha que planeja assaltar uma fábrica de cartas de baralho localizada ao lado da Química ACE, precisando de um guia para passar por dentro dela rumo ao prédio vizinho.
Entretanto, no dia do crime, a esposa do infeliz, junto com seu filho ainda em gestação, morrem num trágico acidente doméstico. O viúvo pensa em desistir, porém é pressionado pela gangue. Na noite do crime, o comediante, com a alcunha de Capuz Vermelho devido ao recurso utilizado para ocultar seu rosto, guia os criminosos por dentro da ACE quando são surpreendidos pelos seguranças do local e Batman. Em meio ao tiroteio que se segue, o desventurado ex-funcionário cai dentro de um tanque de substâncias químicas, ficando alvo como giz, seu cabelo verde e em sua face estampado um grande e eterno sorriso... Banhado pela loucura, o Coringa nasceu, assim como o Batman, de uma tragédia. E o herói sempre teve certa responsabilidade por isso, aspecto que foi bastante explorado no primeiro filme, que inclusive colocou Coringa criando o Batman primeiro quando matou os pais de Bruce Wayne, coisa que jamais ocorreu nos quadrinhos.
Voltando à história, o trecho posterior revela Bruce abandonando a mansão e suas dependências, além de aparentemente renegar para sempre o fardo do Batman, rumo à Inglaterra, onde, segundo a carta de Wilfred, pode finalmente encontrar sua felicidade. Enquanto isso, o Coringa chega a Gotham, repetindo uma de suas clássicas frases do primeiro filme enquanto contempla o céu vermelho-sangue, referência direta às HQs e principalmente ao desenho Batman: A Série Animada, em que Gotham muito dificilmente é retratada com um céu azul.
Continua...
