Capítulo VII – Making-Of

"Bruce e Elizabeth são duas almas que se completam e se confortam. Ela é perfeita para ele, e vice-versa. O destino parece finalmente dar ao órfão de Gotham uma chance verdadeira para o amor..."

Tem início neste capítulo, o primeiro que escrevi após o início da minha faculdade, uma verdadeira avalanche de referências, principalmente à já citada HQ "O Cavaleiro das Trevas" de Frank Miller.

Começamos mais uma vez em Castlewood, onde Bruce continua a se torturar. O ímpeto do protagonista em mudar sua vida para poder ser feliz reflete meu próprio estado de espírito no período em que escrevi, pois, como já disse, nesta fanfic autor e personagem tiveram dramas parecidos.

Enquanto isso, Elizabeth também é afligida pelo passado, envolvendo a misteriosa Emma. Pensei no início em demonstrar o desespero da personagem nessa cena pela visão de um espectro, uma alucinação, porém optei por não exagerar.

Somos então remetidos a um ambiente familiar aos fãs do filme Batman: a movimentada redação do jornal Gotham Globe. Surge um personagem também conhecido: o intrépido repórter Alexander Knox, tipo muito divertido presente no primeiro longa que buscava a qualquer custo, junto com Vicky Vale, provar a existência do Batman. Foi interpretado por Robert Wuhl, que também atuou no filme Bom dia, Vietnã. Nesta fanfic, que se passa dezessete anos depois, ele acabou tornando-se editor-chefe do jornal.

Na cena em questão, Knox está discutindo agressivamente ao telefone com Perry White, nada mais nada menos que o editor-chefe do Planeta Diário, onde trabalha Clark Kent, o Superman. A secretária Felicia, personagem original minha (um prêmio de consolação para Alex por não ter conseguido nada com a senhorita Vale), cita numa de suas falas duas referências a "O Cavaleiro das Trevas": o doutor Bartholomew Wolper, crítico do Batman que num capítulo seguinte aparece com maior destaque, e Corto Maltese, ilha que na história é fonte de litígio entre Estados Unidos e União Soviética (atualizei o conflito na fanfic para Estados Unidos caçando terroristas, o que não deixa de ser uma crítica) e cujo nome foi uma homenagem de Frank Miller ao personagem homônimo criado pelo italiano Hugo Pratt. Essa localidade fictícia também é mencionada brevemente no filme Batman.

No final do diálogo, Knox manda Felicia comprar uma cafeteira na "Shreck's", a mesma loja de departamentos presente em Batman O Retorno, patrimônio da família de Max Shreck.

A cena posterior com o Coringa também é cheia de homenagens ao filme de 1989, desde a frase "Tanto a se fazer, e tão pouco tempo..." até as fotos com rostos de vítimas do gás do riso. Aqui há pistas dos planos do vilão, como as duas "coisas" que o Coringa precisa programar, além de uma referência a Harvey "Duas-Caras" Dent. O criminoso e Arlequina também zombam da ausência do Batman em Gotham.

Voltando a Castlewood, a seqüência seguinte é uma "epifania" para Bruce Wayne: ainda atordoado, o milionário ouve alguém chorando e logo deduz ser Elizabeth. Ele vence seus temores e se dirige até o quarto da jovem, onde a encontra realmente aos prantos e, com enorme empatia, a abraça e beija, havendo no ar um inigualável espírito de compreensão. Gosto muito dessa cena. Dispensou quaisquer falas e mesmo assim ficou particularmente boa, retratando nitidamente que o caminho para o fim do sofrimento de ambos seria a união.

Manhã em Gotham, e aproveito a ocasião para retratar um telejornal. Todo este trecho é uma homenagem a "O Cavaleiro das Trevas", que explora muito a influência da mídia sobre a população. Corto Maltese é novamente citada, e logo depois o apresentador anuncia a seção "De frente com Chloe Sullivan", na qual será entrevistado o já também mencionado doutor Wolper. Na HQ de Frank Miller, a repórter responsável pelo quadro de entrevistas é Lana Lang, também do universo do Superman, mas como a continuidade do seriado Smallville coloca a personagem Chloe Sullivan como jornalista iminente, optei por na fanfic trocar Lana por sua conhecida da cidade natal.

Assim como no gibi, Wolper é um ferrenho crítico do Batman, e Chloe se opõe veementemente ao especialista defendendo o justiceiro (na HQ, Lana também assume essa posição). É tratada a idéia de escalada, segundo a qual é a presença do Batman em Gotham que atrai criminosos mais sofisticados e perigosos. Esse conceito foi mencionado no final do filme Batman Begins e aparentemente será o tema central da continuação, The Dark Knight. Fielmente à sua versão original, no meu conto Bartholomew também é um demagogo que fala muito sem chegar a lugar algum.

Nisso, na Inglaterra, Bruce e Elizabeth estão a um passo de revelarem um ao outro seus respectivos segredos. Depois de certa hesitação, as últimas barreiras são rompidas e começam as revelações: usando palavras que remetem muito ao filme Batman Eternamente, Wayne descreve o assassinato de seus pais e o decorrente surgimento do Batman, explicitando a fonte de sua angústia. Depois é a vez da lady contar a razão de seu pesar, até então totalmente desconhecida do leitor: a trágica morte de sua irmã Emma bem diante de seus olhos e a incapacidade de salvá-la. A partir de então, conhecendo-se mutuamente em verdade, os dois sofredores resolvem consolidar seu amor para vencer todas as adversidades. Um relacionamento nasce.

Continua...