N/A: Eu sempre esqueço de escrever isso: A obra de Cavaleiros do Zodíaco não me pertence. Apenas tomo emprestado, sem nenhuma autorização ou cessão de direitos intelectuais, para outra produção intelectual, sem fins lucrativos!

CAPÍTULO IV

A paisagem do Santuário era realmente estimulante, desde que chegara, Alice levantava-se às habituais cinco horas da manhã e praticava sua corrida. Enquanto passava, admirava o ambiente, era um horário calmo, embora os treinos se iniciassem nesse período, a maioria dos cavaleiros reservavam o momento para seções de aquecimento, alongamento ou meditação.

Por vezes, durante o caminho, era acompanhada por alguns soldados mais exaltados em lhe mostrar seu fôlego e masculinidade, ou ainda alguns aprendizes adolescentes e seus hormônios à flor da pele por verem uma mulher bonita passar. No mais, recebia cumprimentos de uns, grunhidos de raiva de outros, em especial dois cavaleiros de ouro que não faziam questão alguma de disfarçar o desagrado em ver a "Senhorita Williams".

Afrodite declarara seu ódio pela jovem a partir do momento em que se viu obrigado a limpar a própria casa. A principio, acreditou que, depois de falar com o Mestre do Santuário e a própria Atena, aquela menina petulante veria-se obrigada a se colocar em seu lugar e implorar para não ser demitida no mesmo instante, mas, não foi exatamente assim que as coisas aconteceram. Mu simplesmente lavou as mãos dizendo que tais questão não pertenciam à sua alçada. Quanto à Atena, esta prontamente ignorou o Cavaleiro de Peixes, além de lhe dar um belo sermão de como é importante valorizar o trabalho dos outros por menor que ele seja e que Alice tinha experiência suficiente para saber que decisões tomar.

Ao passar pela casa de Peixes naquela manhã, Alice fez questão de sorrir e dar um bom dia enérgico ao homem que varria a entrada do lugar. Em resposta, Afrodite jogou a vassoura na direção da moça que apenas desviou e saiu soltando gargalhadas. Agora, a jovem preparava seu espírito para, logo a diante, passar por outra casa de um inimigo declarado. Milo de Escorpião.

Com este, a coisa era, sem dúvida nenhuma, muito mais séria. No começo, Alice recebia reclamações diárias do cavaleiro. "Por que tenho que tomar café com os outros? Minha serva não está em casa quando preciso dela! Minha lista de compras não foi providenciada pelo Santuário!" E por aí seguiam as exigências. A governanta desdobrava-se para driblar o cavaleiro e sua visita diária à sua sala, acompanhado de sua lista de problemas a serem resolvidos. Mas tudo piorou à dois dias atrás:

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"Domingo, quando fazia sua corrida matinal, já próxima à casa de Escorpião, Alice quase trombou com uma serva que passava às pressas em direção ao 13º templo. A moça caminhava e ao mesmo tempo tentava colocar sapatos e ainda ajeitar a roupa. Estava visivelmente atrasada para a escala da manhã, mas como era domingo, a jovem governanta não se incomodou, resolveu perdoar a falha e apenas a cumprimentou.

Segunda-feira, novamente perto da casa de Escorpião, Alice viu outra serva passar, caminhando rápido e de cabeça baixa. Chamou-a e a moça espantou-se, como se tivesse sido pega em flagrante, cometendo um ilícito. Estranhando este comportamento, aproximou-se da garota, tentando conversar, nesse momento, Milo passou pelas duas e lançou um sorriso malandro para a garota, acompanhado de uma piscadela sensual. Esta sorriu muito encabulada e quando voltou a fitar Alice, baixou o olhar instantaneamente, tão vermelha quanto um pimentão. Agora sabia o que estava acontecendo, precisava apenas de uma prova mais concreta.

Foi o que obteve no dia seguinte. Fez questão de levantar-se mais cedo para sua corrida e ao alcançar a casa de Escorpião, parou. Logo o que tanto esperava aconteceu, uma outra mulher que com certeza não era a de domingo e muito menos a da segunda, saia da oitava casa. Antes que esta colocasse o pé para fora, foi puxada por duas mãos fortes que a seguraram por um instante e Alice pode ver Milo beijar a moça de forma sedutora e depois dispensá-la como se não significasse nada!

Na manhã seguinte, uma moça ria das brincadeiras de Milo, que não a deixava sair da cama:

- Pára! Eu preciso ir pro trabalho. Preciso estar no alojamento dos aprendizes até às cinco e meia!

- Não precisa não. - Dizendo isso, Milo beijou seu pescoço, enquanto a moça tentava, sem muito esforço, livrar-se dos braços fortes do cavaleiro.

Sorrindo, levantou-se da cama:

- Preciso sim! Alguém aqui tem que trabalhar!

Milo não segurou a gargalhada com a brincadeira da moça. Levantando-se também, começou a vestir-se. Timidamente, a jovem aproveitou a oportunidade para perguntar:

- Podemos nos ver novamente amanhã?

Assumindo um tom sério, Milo desconversou rapidamente:

- Não é uma boa idéia vir aqui todo dia, pode levantar suspeitas e não quero comentários. É melhor esperar um pouco até nos vermos.

Isso era um sinal claro para a jovem não insistir mais no assunto. Chegou a pensar que o cavaleiro pudesse estar lhe dispensando, mas suas doces ilusões afastaram tal hipótese e resolveu arriscar uma nova pergunta:

- Nos vemos quando então?

Carinhosamente, Milo aproximou-se da garota e no tom mais cordial possível, deu-lhe a sentença de morte:

- Eu te procuro qualquer dia desses. - Ao terminar, beijou-lhe a testa, como se fosse uma criancinha.

Com um sorriso amarelo, tentando realmente acreditar que ele faria isso, a garota caminhou em direção à porta, levando um enorme susto ao avistar a sala:

- Senhorita Williams?!

Milo correu para a sala ao ouvir o nome. Com a calça desabotoada e uma camiseta na mão, foi receber sua visita surpresa:

- Williams! Que hora pra visitas não?

Sem levantar-se do sofá ou abalar-se pela forma em que o cavaleiro se apresentava, Alice respondeu friamente:

- Tenho um assunto para tratar com o Senhor, Cavaleiro.

Com excesso de raiva e nada de educação, Milo rebateu:

- E não podia esperar?

- Não. - Alice respondeu ríspida e no mesmo tom, dirigiu-se à serva – Retire-se.

Trêmula, a moça tentou argumentar alguma coisa:

- ... É... Senhorita...Eu posso explicar...

- Eu disse fora! - Alice não elevou o tom de voz, mas sua força era nítida em suas palavras. A pobre moça saiu da casa de Escorpião aos tropeços.

O olhar de Milo brilhava de raiva, foi aí que notou mais alguém na sala. Uma senhora "larga", um pouco bigoduda, que não tirava um sorriso de iena da face. Voltando a ignorar aquela atração circense, o cavaleiro dirigiu-se à governanta, usando um tom tão afiado que poderia cortar o ar:

- Então, qual é o assunto?

Com um sorriso irônico, Alice levantou-se, acompanhada da outra mulher:

- Vim lhe apresentar uma pessoa. Essa é a senhora Toula, será sua nova serva.

Sem conter-se, a outra mulher agarrou a mão do cavaleiro e a chacoalhava num cumprimento exagerado:

- Ah! Muito prazer em conhece-lo! É muito mais bonito do que me disseram! Será um prazer imenso trabalhar pra você... coisinha fofa! - Dizendo isso, a mulher apertava a bochecha de um Milo muito assustado com o que ouvia e via.

- Com certeza será um prazer Cavaleiro de Escorpião. A senhora Toula é a única serva que terá o dia livre para atender à sua casa. Já que o fato de não ter um servo sempre disponível lhe prejudicava, achei melhor liberar um para servi-lo sempre que precisar. E olha que nem ao mestre do Santuário reservei tal regalia. - Alice comentava em tom de deboche, fazendo Milo quase explodir de raiva.

Mais animada ainda, Toula completou:

- Também ficarei aqui à noite, pretendo dormir em sua casa, caso precise de algo... - e com um sorriso safado, concluiu – e ouvi dizer que costuma ser muito carente à noite...

- Bem, acho que vou deixá-los a sós, devem ter muito o que conversar. - O sorriso cínico no rosto de Alice fez Milo explodir dessa vez. Desvencilhando-se da mulher aloprada, correu até a saída, detendo a governanta. Segurou-a com força pelo braço, puxando violentamente a jovem em sua direção e quando esta estava bem próxima, segurou seu queixo com a outra mão, obrigando-a à encará-lo nos olhos e sentir a respiração furiosa do cavaleiro sobre sua face:

- Me solta. - Alice não levantava o tom de voz, mas conseguia deixar bem clara sua raiva.

- Quem você pensa que é pra mandar na minha vida desse jeito ein? Sua função aqui é só administrar o Santuário. Mande nos empregados! Não em mim! E nunca, ouviu bem, nunca mais se meta no que não é da sua conta! Agora vai lá e tira aquela maluca da minha casa! - Milo também não levantou a voz, mesmo assim, seu ódio pela jovem de cabelos castanhos foi muito bem expressado.

Alice empurrou o cavaleiro com força, desvencilhando-se e nesse momento, acabou falando mais alto, mostrando certo descontrole:

- Tem toda razão, eu mando nos empregados e EU decido que AQUELA mulher continua EXATAMENTE onde está! - Aproximando-se do cavaleiro, apontou o dedo indicador para a face deste. - A festa acabou Cavaleiro. Isso aqui não é um bordel pra você escolher a mulher que lhe convém e levar para a sua cama. Nenhuma delas está aqui para isso! Estão aqui para trabalharem, terem um futuro, não pra servirem aos seus caprixos!

Com mais raiva ainda, Milo voltou a segurá-la pelo braço:

- O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta!

- É da minha conta sim! - Os dois gritavam um com o outro agora. - Enquanto for minha responsabilidade cuidar dessas mulheres é da minha conta sim! Conheço muito bem homens como você! Desprezíveis, acham que podem usar as pessoas como bem entendem e depois às jogam fora como se fossem lixo! Você é um bastardo maldito! Como todos eles!

Milo não respondeu, soltou o braço de Alice e deixou-a ir. Foi a primeira vez que viu um brilho surgir nos olhos acinzentados daquela mulher. O brilho de lágrimas que começavam a se formar."

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Desde então, Milo simplesmente não reclamou mais. As visitas à sua sala encerraram-se. Quando cruzavam-se nas escadarias e trilhas do Santuário, nenhuma palavra era trocada, apenas olhares frios, dos dois lados. Isso preocupava Alice. Enquanto Milo esperneava por coisas bobas, sabia o que ele pensava e queria, mas a partir do momento em que o Cavaleiro fechara-se e já não tinha contato algum com ele, não poderia prever seus planos. Precisava ficar atenta, Milo a enganara perfeitamente. À primeira vista parecia um homem tolo, que preocupa-se apenas com a escolha da mulher que aquecerá sua cama durante a noite. Mas agora mostrava-se misterioso, astuto. A jovem não poderia ser pega de surpresa, precisava ficar de olho no cavaleiro. Não poderia arriscar ser picada por aquele Escorpião, tinha muito o que perder nesse jogo.

N/A: Oi pra todo mundo! Demorei né! Eu sei, mas já expliquei o motivo um milhão de vezes, contudo, estamos em férias, o que significa mais tempo para escrever. Espero apresentar mais um capitulo até o fim do ano... já que esse fic é a minha menina dos olhos. E então? O que acharam desse capítulo? As coisas estão esquentando. O clima já ficou tenso e só vai piorar, isso eu prometo! Até os próximos capítulos pessoal e por favor, muitos reviews, vcs não fazem idéia do quanto isso é importante para mim. Principalmente para esse fic! B-jos a todos!!!!