Retratação: Cavaleiros do Zodiaco não me pertence.

CAPÍTULO VI

- Senhorita Williams?

- Oi Mu! Pode entrar! - Alice recebeu o Mestre do Santuário com um enorme sorriso nos lábios.

Há princípio, desconfiara do Cavaleiro de Áries e de seu ar misterioso, mas com o passar do tempo, todo aquele silêncio, aquela sabedoria escondida sobre o olhar sereno, foram aos poucos lhe cativando. Agora sentia-se mais à vontade na presença de Mu, chegava a encontrar-se, estranhamente, em paz consigo mesma, quando ele estava por perto.

O cavaleiro sentou-se na cadeira em frente à mesa da governanta, entregando-lhe uma pasta branca.

- Aqui estão as listas de materiais faltantes para as áreas de treinamento, já os encomendei com o fornecedor. Preciso da sua assinatura, ao lado da minha, para efetuar o pagamento, na ausência de Atena.

- Ai, nem me fale dessa viagem. Tatsumi vem me infernizando com a história de Saori viajar tendo apenas Seiya como segurança. - Dizendo isso, Alice não pode conter um sorrizinho malicioso.

A idéia de uma viagem surgira numa conversa entre a governanta e a Deusa, quando Alice sugeriu a pequena fuga dos dois amantes para uma praia na África do Sul. Desde então, Tatsumi fazia questão de expressar sua insatisfação quanto a "má companhia" que tanto Alice quanto Seyia representavam para a doce Senhorita Saori.

- Eu imagino. - Mu limitou-se a oferecer uma resposta curta, a verdade é que não se sentia muito confortável em comentar certos aspectos da vida de Atena. - Tem alguma coisa que precisa que eu assine?

- Ah sim. Aqui estão os cheques com os pagamentos do servos.

Enquanto assinava. Mu aproveitou para comentar:

- Atena me pediu que designasse um cavaleiro que a acompanhasse quando precisasse ir à Capital, já pedi a Shiryu que vá hoje.

- Como assim? Não vou à Capital! - O espanto foi visível no olhar da moça ao ouvir o nome daquela cidade.

Expressando uma certa desconfiança, Mu a encarou questionando:

- Pensei que fosse a encarregada de depositar esses cheques?

- Bem... eu... pensei em pedir ao Tatsumi que fizesse isso. - A jovem tremeu um pouco, bem como gaguejava. Sentia o sangue fugir se sua cabeça quando o cavaleiro lançou-lhe um olhar severo.

- Senhorita Williams, quando assumiu essa responsabilidade, conquistou a confiança da Deusa Atena, e além disso, diga-me, tem algum problema quanto a ir à Capital?

Respirando fundo, a moça buscou uma resposta rápida, não poderia ser desmascarada ali mesmo, naquele momento:

- Não há problema algum. Eu agradeço à atenção em pedir a Shiryu que me acompanhe.

O Mestre assentiu, despedindo-se e se retirando da sala. Assim que Mu saiu, Alice jogou a cabeça sobre as mãos, por um instante,acreditou que tudo estava perdido.

Ficou imaginando até quando conseguiria contornar a situação, não poderia continuar vivendo como Alice Williams para sempre, mas não imaginava como deixaria de ser aquela mulher.

xxxXXXxxx

Para variar, como todos os bancos do mundo, aquele também tinha uma fila colossal, mas, para a sorte da governanta, o prestígio do Santuário era proporcional dentro da antiga instituição financeira, de forma que a jovem foi atendida pelo gerente da agência, com todos os mimos de um cliente V.I.P.

Ao sair do local, Alice e Shiryu encaminharam-se para a feira livre, a fim e providenciar uma pequena lista de itens solicitados pelo cozinheiro.

Após comprarem tudo o que era necessário, seguiram para um pequeno restaurante típico, sentando-se na área externa, de frente para a rua.

- Shiryu, se não se importa, preciso ir ao toilet.

- Imagine Senhorita, fique à vontade.

Retirando-se da mesa, Alice dirigiu-se até a porta com o símbolo universal, saindo uns 10 minutos depois.

Enquanto caminhava pela área interna do restaurante, a jovem não se deu conta conta dos dois homens sentados na área de fumantes, que também não haviam se dado conta da moça até que ouviu-se o barulho de copos quebrando e os pedidos de desculpas do garçom atrapalhado:

- Perdão Senhora! Eu não a vi!

- Está tudo bem. - Alice limpava inutilmente a água que fora derramada sob sua roupa, quando viu, ali, sentados, aqueles dois rostos tão conhecidos e ao mesmo tempo tão odiados.

Era tarde demais, eles já haviam lhe reconhecido, um apontava para o outro, mostrando-a e comentando algo. De repente, ambos levantaram-se de seus lugares, caminhando apressadamente em direção da moça que no desespero, só conseguiu avistar a porta de saída.

Passando direto direto pela área externa, Alice começou a correr por dentro da feira que acontecia naquela rua. Em seu encalço, os dois pedestres enquanto desviavam-se com destreza dos pedestres enquanto ela esbarrava, atrasando-se mais e ainda sem conseguir despistá-los.

Quando viu uma saída por entre as barracas, Alice correu naquela direção, entrando no primeiro ônibus que via pela frente. Ainda pela janela do veículo, pode ver os dois homens olhado em todas as direções à sua procura, no entanto, não se sentiu aliviada. Sentou-se num dos bancos preocupada:

- " Preciso ir embora desse lugar."

xxxXXXxxx

Alice corria pelas escadarias das 12 casas como um furacão, em direção à casa de Atena.

Quando desceu do ônibus, ainda na capital, tomou um táxi em direção à entrada do vilarejo. Estava tão nervosa que simplesmente esqueceu-se de Shiryu, das compras, da compostura.

Ao subir pelo último degrau, entrou na imensa área que isolava os aposentos. Quando passava por uma das colunas, no entanto, sentiu um puxão violento, quase como se tentassem arrancar seu braço.

Antes que ela gritasse, Milo tampou sua boca com a mão. Segurando-a firmemente pelo braço, lhe disse num tom bravo:

- Fica quieta e vem comigo.

Alice não contestou e foi levada de arrasto até a sua sala, onde foi jogada porta adentro, de forma violenta, acabando por cair no chão.

Milo fechou a porta, mas sua raiva era tanta que não se lembrou trancá-la. Com a voz cortante, falou:

- Levanta!

- O que pensa que está fazendo!?

- Vamos ter uma conversinha! - Dizendo isso, Milo puxou a garota pelo braço novamente, obrigando-a a levantar-se.

Subitamente, Alice aproveitou a oportunidade e virou-se bruscamente, retirando de algum lugar, escondido na roupa, uma pequena pistola prateada, apontando-a para o cavaleiro.

- Não se aproxime! - Alice gritava, beirando o descontrole.

Sem se abalar, Milo moveu-se rapidamente, agarrando o pulso de Alice e encostando a arma em seu peito:

- Atire! Se acha que conseguirá me matar, atire, mas ´melhor não errar porque esta é a única oportunidade que terá. - Dizendo isso, Milo pressionou o pulso da jovem que derrubou a arma devido à dor.

Logo depois, o Escorpião apertou a outra mão sobre o pescoço da jovem, empurrando-a contra a parede:

- Quem é você e o que quer aqui?

- Me solta! - Alice esperneava e batia desesperadamente no cavaleiro.

- Me responde! - Milo estava começando a perder a paciência.

- Só se me soltar!

- Quer brincar de quem é mais forte por acaso? Responde logo!

- Estou interrompendo algo? - Nesse momento, Mu estava sob o batente da porta.

Encarando o Mestre do Santuáro, Milo largou Alice, caminhando então, em direção à porta:

- Continuamos nossa conversa depois. - Dizendo isso entre dentes, o cavaleiro deixou a sala.

Virando-se para Alice, Mu falou:

- Está tudo bem? Quer me falar sobre isso?

Esfregando o pescoço marcado, Alice negou:

- Não... não aconteceu nada... estávamos apenas... conversando.

Mesmo sabendo que não era verdade, Mu preferiu fingir o contrário:

- Shiryu acabou de voltar, disse que você o largou lá e sumiu.

Ainda nervosa, Alice buscou uma resposta:

- Eu me senti mal, sufocada... precisei voltar imediatamente. Pedirei desculpas a ele.

- Procure o médico do Santuário também, para ver este mal estar.

- Tudo bem. - tremendo e tentando esconder as marcas no pescoço, Alice buscou uma cadeira. - Você queria falar mais alguma coisa comigo?

Mu puxou um envelope adornado, entregando-o à governanta:

- Chegou este convite para a Senhorita Saori. Trata-se de um jantar beneficente, ela nos pediu que comparecêssemos representando-a.

- Em Atenas?

- Sim. Onde mais seria?

Alice apenas fechou os olhos, sua cabeça parecia explodir.

Mu preferiu deixá-la sozinha, despediu-se dizendo que sairiam amanhã, às 9 horas da noite, mas antes, precisava ter um conversa séria com o Escorpião.

Depois da saída de Mu, Alice permaneceu um tempo em silêncio, sua mente estava vazia, muita coisa acontecera num único dia, estava sentindo o mundo desabar sobre os seus pés e pela primeira vez não encontrava saída.

Num rompante, derrubou tudo o que havia sobre a mesa e sentou num canto, desabando em choro.

N/A: Mais um capítulo e esse foi bem rápido não foi? É que a inspiração simplesmente veio, quer dizer, a idéia estava aqui o tempo todo, mas faltavam as palavras diálogos, todo o resto...e então, de repente...BUM! Espero que gostem meninas. Um b-jão.!