N/A: Pessoas! Estou de volta... nossa fazia tempo que não atualizada este fic. Mas aqui está, mais um capítulo. Bem, tenho que confessar, acho que este fic será um pouco mais extenso do que eu esperava, quando começo a escrever surgem tantas idéias pra ele que eu acabo criando situações que não havia imaginado antes... mas calma... está chegando a hora das grandes revelações, enquanto isso, espero que gostem desse cápítulo. E reviews, por favor!

NÉVOAS

CAPÍTULO VII

Milo pisava firme por cada degrau que descia, em direção à casa de Escorpião. Estava irado, mal conseguia conter a fúria dentro de si. No caminho, descontava sobre qualquer um que passasse, até mesmo a serva que tornara-se presença regular em sua cama, virou alvo de um olhar homicida do rapaz, o que culminou numa agulha escarlate arremessada contra uma coluna, após uma pergunta inocente sobre como o cavaleiro estava.

Assustados, todos os que caminhavam pelas escadarias foram afastando-se, abrindo caminho para o rapaz de cabelos azuis. Ao atingir a porta da oitava casa do Santuário, Milo estancou, gritando sem cerimônia:

- Pode aparecer! Sei que me seguiu até aqui!

Mu saiu de trás de uma coluna, tinha um olhar sério e uma expressão de poucos amigos no rosto:

- O que pensa que está fazendo?

- Não tô afim de ouvir sermão agora Mu! - Milo sequer dirigiu o olhar para o ariano, enquanto praticamente arrombava a porta de seu templo, com a força aplicada ao abri-la.

Acompanhando o outro cavaleiro porta adentro, o ariano continuou:

- Não pode ameaçar uma pessoa inocente dessa forma Milo! Se tem desavenças com a Senhorita Williams, resolva isso de outra forma!

Milo parou instantaneamente, voltando-se para Mu e queimando um cosmos repleto de ódio:

- Aquela mulher não tem nada de inocente! Ela não é quem diz ser e você ainda a defende?! Ela anda por ai, ao lado de Atena, como se fosse sua melhor amiga e ainda carrega uma arma! Você viu!

O escorpião berrava, sem conter a ira dentro de si. Aumentando o tom de voz, Mu respondeu:

- Uma arma que ela sacou para se defender de um ataque seu!

- O que isso tem a ver?! Eu estou tentando proteger Atena! Essa mulher é uma impostora, pode ser uma inimiga, uma assassina! A verdadeira Alice está morta! Eu mesmo vi o corpo!

- Cale-se! - Mu interrompeu o ataque verbal de Milo com toda a autoridade que lhe cabia como Mestre do Santuário e aproximando-se do cavaleiro, disparou – Está duvidando da inteligência de Atena? Acha que ela não sabe quem essa moça é?! Há uma razão para a Deusa Atena ter abrigado essa mulher aqui e não cabe a você, como simples cavaleiro, duvidar disso!

Milo estava em choque com o que ouvira, tentando organizar os pensamentos, balbuciou algo:

- Então... quer dizer que... Saori... sabia? Você sabia? Desde o começo?!

- É claro que sabíamos! - Mu respondeu, acalmando-se depois do rompante. - A Deusa Atena sabe o que faz, ela decidiu ajudar essa jovem da melhor forma possível, está lhe concedendo o tempo que for necessário para que se sinta a vontade e conte a verdade!

Apertando os punhos em plena expressão de ódio, Milo exasperou-se:

- Mu! Ela não é do tipo que quer ser ajudada! É uma vigarista! Conheço gente da laia dela! Sabia que tem gente atrás dela? Afrodite e eu fomos até o necrotério de Piraievs e descobrimos que os homens do ...

- Então Afrodite também está no meio disso? - Mu interrompeu Milo antes que conseguisse completar a informação.

Ainda discutindo com o Mestre do Santuário, o cavaleiro de Escorpião retrucou:

- Isso não vem ao caso agora Mu! Ela não presta! Tem gente perigosa atrás dela!

- Milo, eu não quero ouvir mais nada. Atena aceitou essa moça aqui e nós devemos fazer o mesmo. Fique longe dela! E isso se aplica ao Afrodite também! - Mu tentou encerrar a discussão com tal ordem, mas como uma criança que esperneia quando quer alguma coisa, Milo ainda quis argumentar:

- Eu não confio nela!

Já saindo da casa de Escorpião, Mu respondeu:

- Não precisa confiar nela. Confie em Atena.

xxxXXXxxx

A parca luz do sol que atravessava as frestas da janela, era refratada pelos cristais do lustre pendurado no teto, formando assim, pequenos arco-íris na imensa superfície branca acima.

Alice observava a dança das cores, sem no entanto absorver a beleza do fenômeno. Seus olhos cinza e inchados eram capazes de ver além do teto branco à sua frente. Deitada sobre a cama impecavelmente arrumada, a jovem ignorava o caos ao redor do móvel.

Por todo o chão haviam cacos da porcelana dos vasos que antes adornavam o aposento. O espelho estava quebrado e dele escorria um fio de sangue, assim como na mão de Alice, agora envolta por uma toalha.

Depois da saída de Mu, a governanta, num ato de desespero, destruiu tudo o que havia sobre uma mesa, para logo em seguida desabar em um choro descontrolado, sentada num canto da parede, encolhida, como uma criança assustada.

Quando já não restavam mais lágrimas, Alice saiu de seu torpor, caminhando em direção ao espelho. A imagem que lá viu era deplorável, o cabelo, agora totalmente desgrenhado, em nada lembrava as macias melenas castanhas. Os olhos, sempre cinzas, opacos, agora traziam um brilho avermelhado, causado pelo inchaço e as lágrimas, anteriormente derramadas.

Descendo um pouco mais, em direção ao pescoço, a jovem pode ver as marcas ainda vermelhas dos dedos do Escorpião sobre a sua pele. Aquele maldito! Não passava de um porco, como o outro desgraçado que acabou com sua vida. Eles eram iguais! Milo poderia trajar uma armadura, mas por baixo de todo aquele ouro, a jovem só via a podridão, exatamente como o outro.

A simples lembrança do passado provocou em Alice uma reação inesperada. Com a raiva transbordando em seu espírito, a jovem agrediu a própria imagem, socando o espelho com o punho esquerdo, pouco se importando com o ferimento que ali se abriu.

Agora a tarde chegava ao fim, encontrando-a ali, estirada na cama, encarando o nada, pensando apenas no futuro. Precisava sair do Santuário, aquelas ruínas já não lhe eram mais seguras, também não poderia continuar na Grécia. Seu algoz tinha olhos e ouvidos por todo o país, seria apenas uma questão de tempo para que ele descobrisse seu atual esconderijo.

Num rompante, levantou-se da cama. Tomara uma decisão, retornaria ao plano inicial e para isso, precisava fazer uma ligação. Correu em direção à porta e ao abri-la, deu de cara com uma serva que estava pronta para bater:

- Nossa! Senhorita Williams! Até parece que adivinhou que eu bateria à porta.

- O que quer aqui? - A resposta foi ríspida, Alice não estava com paciência ou tempo para receber alguém naquele momento.

Ignorando a pergunta de sua superiora, a moça questionou inocentemente:

- Aconteceu alguma coisa? Soube que a senhorita teve um mal estar em Atenas... Ah! Minha nossa! Sua mão!? - Só então a serva notou o sangue que ainda escorria pela mão de Alice. - Quer ajuda? Posso levá-la até o médico e...

- Não! - Alice quase berrou quando a serva tentou tocá-la.

Assustada, a garota encolheu-se toda, pressionando contra si a caixa que carregava. Notando a reação da subordinada, Alice acalmou-se, retomando seu auto-controle:

- Eu já estou a caminho do médico. Será que você poderia chamar alguém para arrumar o meu quarto? A penteadeira desabou, alguns vasos quebraram... acho que pode ser cupim.

- Sim... sim senhorita. - A garota ainda tremia, foi quando Alice notou a caixa de tamanho razoável em sua mão:

- O que é isso?

- Ah! Tinha esquecido! Enquanto estava em seu quarto descansando, Atena ligou, o Tatsumi atendeu e ela solicitou que separasse este vestido, para a festa de amanhã. É da própria Atena. Também falou que se não servir, poderá comprar um novo com o dinheiro do Santuário, depois ela acerta tudo.

Pegando a caixa, Alice encarou a serva que lhe sorria e meio que sem delicadeza alguma perguntou:

- Mais alguma coisa?

- Não... não senhora. - a moça voltou a tremer de medo e logo saiu errando as paredes quando Alice a dispensou.

Deixando a caixa sobre a cama, sem dar muita atenção ao que havia ali, a jovem de cabelos castanhos seguiu seu caminho em direção à área onde estavam os carros à serviço do Santuário. Pegando as chaves de um Toyota, a governanta dirigiu até o vilarejo, onde estacionou próximo a um telefone público.

Já ao lado do aparelho, Alice retirou o telefone do gancho, discando os números. Não demorou muito para que alguém atendesse e uma gravação indicando a ligação a cobrar fosse ouvida. Assim que a mensagem terminou, Alice falou:

- Sou eu. Preciso de um favor.

Do outro lado, uma voz masculina, com sotaque português, aparentemente surpresa, respondeu:

- Eu não acredito! Estás viva! O que aconteceu? Fiquei esperando-te aquela noite e não apareceste!

- Houve um imprevisto, eu não posso explicar agora, nem dizer onde estou, mas eu preciso sair daqui. Tenho que deixar a Grécia o mais rápido possível. Ele já me localizou. Estou ligando para saber se o esquema ainda está de pé. - Alice estava nervosa, falava num tom afoito, mal respirando entre as palavras. Olhava par todos os lados, com medo que alguém a encontrasse ali.

Com um berro decorrente do susto, o homem respondeu:

- Estás louca?! Acha que é fácil assim? Essas coisas não acontecem da noite pro dia, já foi muito difícil conseguir o esquema de antes!

Já perdendo a paciência, Alice quase gritou com seu interlocutor:

- Você não está entendendo! O lugar onde estou já não é mais seguro! Dê um jeito! Você sabe como fazer!

O silêncio instaurou-se do outro lado da linha, até que o homem resolveu falar:

- Estás bem! Olha só, há um navio cargueiro saindo do porto de Piraievs em direção à ilha de Cabo Verde, daqui a uma semana. É tudo o que tenho no momento.

- Uma semana?! - a governanta entrou em pânico. - Em uma semana estarei morta!

- Ei! Estou a fazer o melhor que posso! - o homem sentiu-se ofendido com a forma como Alice lhe falou. - E ai? Acreditas que consegue chegar a tempo?

Alice respirou fundo, não tinha outra opção, era pegar ou largar:

- Eu consigo. Valeu Dário.

Do outro lado da linha, um homem negro, alto e forte, trajando um colete de estivador, sorriu, retribuindo o gesto:

- Que isso pequena. Devo-te muito. Tudo pelos velhos tempos.

Desligando o telefone, Alice sorriu, ainda tinha alguns truques na manga. Olhando o relógio localizado na praça central do vilarejo, a moça realizou quão tarde era, a noite havia finalmente caído e o dia que nasceria viria carregado de obstáculos.

Entrando no carro, Alice falou para si mesma:

- Uma semana. Só mais uma semana.

O carro partiu pela estrada de terra que levava ao Santuário. Assim que viu o veículo subir a elevação, Afrodite sentiu-se seguro para sair das sombras de uma árvore próxima do local onde antes encontrava-se Alice.

Com um sorriso nos lábios, o cavaleiro de Peixes seguiu caminhando tranqüilamente pela mesma estrada. E realmente tinha razões para sorrir, mais uma vez sua intuição não falhara.

Quando viu Alice passar correndo pelas doze casas e logo surrupiar um dos veículos do Santuário, decidiu seguí-la. Tinha a impressão de que aquela farsante aprontaria algo e estava certo. Um pensamento cruzou-lhe a mente:

- "Parece que o rato pretende abandonar o navio... É melhor ter uma conversa com o Escorpião sobre isso."