N/A: Saint Seiya não me pertence! Quem dera... aqueles homens todos pra mim...

NÉVOAS

CAPÍTULO VIII

A água caía severa, precipitando-se em seus corpos e escorrendo por suas peles, numa vã tentativa de diminuir o calor do momento. O beijo não era interrompido mesmo quando o ar parecia faltar a ambos, os movimentos, constantes, fortes, acompanhavam a intensidade do jovem casal que se amava pela enésima vez só naquele dia. O ato era praticado como se fosse à última vez, queriam aproveitar cada momento que compartilhavam naquele paraíso reservado apenas aos dois, não sabiam quando poderiam permanecer tanto tempo juntos, assim, sem serem incomodados ou terem seu amor julgado por outros.

Seiya acelerava os movimentos, prensando sua parceira contra a parede enquanto sentia o êxtase cada vez mais próximo. Saori mantinha suas pernas entrelaçadas na cintura do cavaleiro, as mãos percorriam as costas do rapaz, incapazes de traçar um rumo fixo, apenas acompanhando o descontrole trazido pelo clímax que lhe invadia. Logo os dois abandonaram-se à sensação única que os invadia, qualquer resquício de racionalidade esvaiu-se pelo ralo e o prazer tomou conta de ambos.

Saciados, ofegantes, recuperavam o fôlego nos braços um do outro, tendo como pano de fundo o som da água batendo contra o mármore branco do Box. Quebrando o delicado silencio, Seiya murmurou próximo ao ouvido de Saori:

- Eu poderia morrer agora... Morreria feliz.

- Seu bobo... – Saori repreendeu o amado de uma forma leve, mostrando um sorriso iluminado enquanto falava. – Não diga uma coisa dessas. Nós ainda viveremos muito, bem juntinhos, exatamente como estamos agora.

Rindo da bronca que acabara de levar, Seiya afundou seu rosto na curva do ombro de Saori, depositando um delicado beijo sobre a pele da amada. A carícia seguiu-se por todo o pescoço, terminando por um beijo carregado de paixão em seus lábios, acompanhado de mãos que viajavam novamente pelo corpo da garota, mas estas foram delicadamente contidas pelas dela. Interrompendo a caricia, mesmo que contra a própria vontade, Saori afastou-se de Pégasus, já se dirigindo à porta do Box:

- Odeio dizer isso, mas por hoje chega.

Fingindo indignação, Seiya segurou-a pela cintura, logo em seguida envolvendo-a em seus braços:

- Como assim por hoje chega?! Eu nem comecei ainda. – e dizendo isso, o cavaleiro retomou as ardentes carícias, provocando risos em Saori enquanto esta tentava, sem muito esforço, livrar-se de seu "algoz":

- Não Seiya... É sério, tenho que ligar para o Santuário, não consegui entrar em contato o dia todo.

- Eu garanto que está tudo bem por lá. Se alguma coisa tivesse acontecido, a essa altura do campeonato, nem estaríamos aqui, Mu já teria dado um jeito de acabar com a nossa viagem.

- Seiya! – Saori novamente repreendeu o cavaleiro, dessa vez dissonante do tom zombeteiro usado por ele. – Não fale assim de Mu. E não é o Santuário propriamente dito que me preocupa, mas sim outra coisa.

Finalmente deixando o abraço do amante e enrolando-se numa toalha, Saori caminhou em direção ao luxuoso quarto de hotel onde estavam hospedados, já pegando o celular que estava sobre a mesa e discando os números do Santuário.

Vencido, Seiya a seguiu, agora curioso com o que preocupava a reencarnação de Atena:

- E que outro problema seria esse?

- Tive um pressentimento... Com Alice, espero que ela esteja bem. – A moça continuava tentando ligar, mas para variar, o aparelho não colaborava. – Mas será possível que nenhuma operadora funciona por aqui?!

Depois de umas duas ou três tentativas, a garota de cabelos lilases soltou o aparelho sobre a mesa novamente, passando a encarar o amado que agora se encontrava confortavelmente e provocativamente recostado na cama king size.

Seiya nada disse, apenas alisou o lençol à sua frente, num convite explícito à Saori que com um suspiro e um sorriso respondeu já se dirigindo ao encontro dele:

- Tudo bem, mas essa é a última...

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O chanel preto caíra perfeitamente no corpo de Alice, sem necessidade para ajustes. A frente tomara-que-caia, levemente adornada por um camafeu prateado, em forma de orquídea, completava a delicada composição, combinando com o cabelo, preso num displicente rabo de cavalo seguido de cachos, remetendo assim às antigas divindades gregas.

A mulher já não se parecia com uma governanta, longe disso, assemelhava-se a uma dama da mais alta sociedade. O ar elegante e delicado mantinha ainda, um toque sensual e envolvente, todo o conjunto guardando o mistério que cercava aquela personalidade forte e inteligente.

Terminando os últimos toques da maquiagem, Alice passava mais uma camada de pó sobre a região do pescoço. A base e o corretivo conseguiram disfarçar um pouco da vermelhidão deixada pelas garras do maldito escorpião, mas alguns ferimentos insistiam em permanecer.

O desgraçado sabia exatamente o que estava fazendo naquele momento. Tinha a clara intensão de matá-la e obteria sucesso em seu intento, não fosse à oportuna intervenção do Mestre do Santuário. Mu salvara sua vida e simplesmente não questionara os motivos de Milo para o repentino ataque, bem como ignorara completamente a arma na mão da governanta. O ariano agira como se nada tivesse acontecido e isso se tornara uma preocupação a mais para Alice.

Estava claro que Mu sabia quem ela era, ou pelo menos desconfiava. Mas então, por que não a desmascarou?! Poderia ter posto fim à farsa ali mesmo, aliando-se ao escorpião, entretanto, contrariamente, optou por colocar panos quentes no caso, agindo como se nada ocorrera.

Aquilo era perigoso, a situação tornava-se cada vez mais complicada. Aqueles que a princípio não preocupavam Alice, agora eram considerados ameaças em potencial. As paredes pareciam fechar-se em torno da moça, esmagando-a com o peso de sua mentira. Não bastasse o mundo desmoronar aos seus pés, simplesmente não visualizava uma saída. O contato com Dário não fora nem um pouco acalentador, pelo contrário, só a deixara mais angustiada. Uma semana era tempo demais para alguém em sua situação, muitas coisas poderiam acontecer e Alice não via para onde correr ou se esconder.

Uma batida na porta lhe arrancou da tortura mental. Guardando os objetos espalhados sobre a cômoda, respondeu:

- Entre, está aberta.

- Com licença. Senhorita Williams, vim ver se está pronta. O carro nos aguarda. – Mu abriu apenas um pouco da porta, permanecendo entre a fresta, evitando entrar no quarto.

O cavaleiro estava completamente diferente do seu dia-a-dia. Vestido com um smoking preto, os cabelos presos da forma usual e os sapatos impecavelmente lustrados, o cavaleiro de Áries permitiu-se um pequeno galanteio:

- Devo lhe dizer que está encantadora Senhorita.

Sem muita vontade, Alice esboçou um sorriso de agradecimento. Todas as suas suspeitas ainda pesavam sobre o cavaleiro e nada conseguia arrancar daqueles olhos enigmáticos. Era impossível saber o que se passava na mente daquele homem, tinha a sensação de que ele era capaz de apunhalá-la pelas costas a qualquer momento.

Pegando a bolsa Gucci que estava sobre a cama, a moça dirigiu-se à porta, concluindo:

- Estou pronta, podemos ir agora.

Com um gesto cavalheiresco, Mu esperou que Alice saísse do quarto, dirigindo-se então para a escadaria e finalmente à Limusine que os aguardava.

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Após quase uma hora de viagem até o centro da capital grega, o Mestre do Santuário e a Governanta chegaram ao Palácio do Governo, que recebia, nesse momento, em seu salão, toda a elite sócio-econômica grega, para visitarem a uma exposição de fotos sobre as antigas culturas remanescentes no mundo moderno, gastarem seu dinheiro comprando algumas dessas obras e doando mais um pouco às pobres criancinhas atenienses.

Logo na entrada do lugar, em frente a uma imperiosa escadaria de mármore, fotógrafos de jornais e revistas nacionais acotovelavam-se sobre as cordas de segurança, tentando captar uma imagem dos figurões que compareciam ao evento. Felizmente, para Mu e Alice, um político que vinha sofrendo acusações de corrupção no parlamento chamou muito mais atenção que dois ilustres desconhecidos, possibilitando que o casal entrasse no prédio sem perturbações.

Logo depois de assinar o livro de convidados e preencher uma lista com o valor de doação em nome de Saori Kido, ambos seguiram ao hall da recepção, onde boa parte dos presentes se encontrava, conversando, bebendo champagne ou degustando os canapés e caviar oferecidos. Assim que colocou os pés na porta, Mu foi retido por um dos prefeitos da cidade(1), devidamente acompanhado de alguns parlamentares de reputação ilibada, todos conhecidos do Santuário. Não era segredo para os cavaleiros, a conexão da morada de Atena com o meio político mundial, tratava-se na verdade de uma forma alternativa de intervenção da Deusa pelo bem da humanidade, menos direta do que a luta propriamente dita, praticada desde tempos imemoriáveis.

Sendo apresentada a todos ali, Alice limitou-se a cumprimentar aqueles homens com educação, logo em seguida desviando sua atenção para uma taça de champagne e passando a esquadrinhar o recinto. Havia muitos rostos familiares, presenças constantes em capas de revistas ou telejornais, mas ninguém que pudesse conhecê-la ou saber quem realmente era... ainda.

Sabia que não demoraria a surgir, entre os convidados, algum antigo conhecido seu, também sabia que, mesmo a reconhecendo, ninguém ousaria comentar ou denunciá-la, afinal, conhecê-la não significava uma boa credencial para qualquer reputação. Ainda assim, preferia evitar constrangimentos, tanto para si mesma quanto para os outros.

Desculpando-se aos seus interlocutores e pedindo licença, optou por seguir ao salão de festas, onde estavam expostas as fotografias, em grandes painéis formando corredores artificiais distribuídos no espaço. Um labirinto perfeito para esconder-se de qualquer possível desagrado, já que os visitantes estavam dispersos no local e não havia mais do que quatro ou cinco pessoas em cada ala.

Caminhando lentamente, a jovem de cabelos castanhos passava os olhos sempre enevoados pelas imagens das mais diversas culturas. Dos Amish americanos aos Tuaregues no Saara, das comunidades quilombolas brasileiras aos esquimós canadenses, inúmeras etnias estavam espalhadas por aqueles painéis. Detendo-se diante da fotografia de um ritual tupinambá(2), ficou observando os trajes feitos com palha, as diversas cores que compunham cada cocar utilizado pelos homens que dançavam em circulo.

Distraída entre a imagem e sua taça de champagne, Alice não notou o estranho que se aproximava, sendo arrebatada pela surpresa quando este falou-lhe:

- Uma cultura admirável essa não? Ouvi dizer que em eras remotas, era costume da tribo, estripar seus inimigos e alimentar-se com suas carnes.

A taça por pouco não escorregou de suas mãos, para acabar por espatifar-se no chão de granito. Como se estivesse em câmera lenta, a moça virou-se para ver eu interlocutor, mal conseguia conter o tremor que tomava de assalto seu corpo.

Ao visualizar o homem alto, de cabelos levemente grisalhos e traços tipicamente mediterrâneos, um frio percorreu-lhe a espinha e apenas um nome conseguiu sair de sua boca:

- Nicola!

Com mais presença de espírito, o homem, que até então mantinha as mãos escondidas nos bolsos da calça, tratou de abrir os braços num gesto de abraço, bem como iluminou a face aparentemente paternal com um sorriso, cumprimentando-a:

- Há quanto tempo! Devo dizer que não pude deixar de pensar um minuto sequer em você nos últimos meses. Helena!

Ouvir o próprio nome, após tanto tempo, foi como um verdadeiro choque sobre si mesma. Pronunciado ali, daquela forma, por aquele homem, era como um gancho que a arrancava da fantasia que vinha vivenciando e a jogasse na realidade. Tudo estava acabado, depois de tantas fugas, identidades falsas, esconderijos, finalmente ele a encontrara, e o pior, ela o ajudara.

Sem visualizar resposta da jovem, Nicola decidiu falar, ainda mantendo o sorriso:

- Você me surpreendeu Helena! Fez com que eu a perseguisse por Praga, Budapeste, Sófia, Paris e até Londres, para terminar aqui?! Em Atenas?! Chega a ser um insulto. Eu a julguei mal, achei que fosse mais esperta.

Nicola falava com uma leveza absurda, fazia parecer uma conversa entre velhos amigos, enquanto helena mal continha-se em si. Sua cabeça dava voltas na medida em que o desespero invadia sua mente. A sensação que tinha era a de que sua vida terminaria ali mesmo, diante daquela fotografia, naquele corredor vazio. Podia até ver-se estirada no chão, o vermelho do sangue contrastando com o branco dos painéis e do granito.

Sentindo o abalo da jovem, Nicola prosseguiu:

- Como é mesmo que se diz? Ah sim, o criminoso sempre retorna ao local do crime, não é mesmo?! E por falar nisso Helena... Onde está o MEU dinheiro? – subitamente a expressão no rosto do moreno alterou-se, a seriedade formou-lhe rugas, conferindo-lhe um aspecto quase monstruoso.

Aquilo foi um novo balde de água fria sobre Helena, recuperando imediatamente a presença de espírito e agarrando-se a uma coragem renovada, respondeu ríspida:

- Que eu me recorde, seu nome não estava escrito nele. Era de quem chegasse primeiro, e EU ganhei a corrida! – A jovem enfatizou bem o pronome, e assumindo um ar zombeteiro, terminou. – Além disso, já não está mais comigo, doei aos pobres.

Aquilo fez o homem revelar seu verdadeiro caráter. Entre dentes, Nicola rebateu a ousadia daquela mulher miserável:

- Então é melhor pegá-lo de volta Helena, a menos que queira fazer uma longa visita ao inferno!

Àquela altura, Helena já tinha descartado a hipótese de ser assassinada naquele lugar. Obviamente Nicola encontrava-se desacompanhado de seus capangas, caso contrário, não estariam tendo aquela conversa, bem como não faria o trabalho ele mesmo. Por mais que fosse capaz disso, não poderia comprometer-se dessa forma. Isso lhe deu uma injeção de ânimo, talvez conseguisse fugir dali, não sem antes dizer umas verdades ao desgraçado que a destruíra:

- Me matando ou não, nunca colocará as mãos naquele dinheiro Nicola!

- Então creio que não fará diferença se matá-la agora! – A ira já transparecia nos olhos do grego.

- Mas você não vai. Muitos dos seus clientes estão aqui hoje, daria muito trabalho a todos eles explicar como alguém como eu, entrou numa festa dessas e acabou morta ainda por cima. Sem contar que você está desesperado por aquele dinheiro não é mesmo?! Tanto é que vem me perseguindo por um ano! – Helena agora sorria maliciosamente, conhecia Nicola o suficiente para saber todos os seus pontos fracos. O desfalque que ela provocara desestabilizou a organização. Nicola perdeu muitos clientes que se sentiram ameaçados pelo acontecimento e preferiram desvincular-se do esquema antes que se sujassem publicamente.

Ocorre que o homem ainda tinha força, tanto que ainda estava em seu encalço e agora que a encontrara, iria encurralá-la. Helena estava sozinha, entregar-se não era uma opção, fugir parecia impossível, restava apenas esconder-se e era isso que ela faria.

A oportunidade perfeita apareceu diante de seus olhos quando todos os convidados foram chamados a visitarem a exposição. A massa começou a entrar no salão, chamando a atenção para si, o que distraiu Nicola por um segundo, o suficiente para Helena passar entre o vão de dois painéis e se misturar entre o grupo de pessoas.

Não foi preciso andar muito para que encontrasse Mu. Helena quase ia passando pelo cavaleiro sem percebê-lo, tão afoita para sair dali ela estava. Foi preciso que o ariano segurasse-a pelo braço, detendo-a:

- Senhorita Williams! Está tudo bem, parece nervosa. – o rapaz perguntou, expressando preocupação.

- Mu! – Helena encarou-o, num primeiro momento surpresa pela abordagem abrupta, mas logo em seguida sentindo-se aliviada, por não ser outra pessoa. Um pouco ofegante respondeu ao cavaleiro. – Eu não estou me sentindo muito bem, acho que é só o calor. Se não se importa, gostaria de ir para casa.

- Claro, eu a acompanho...

- Mu! Aí está você meu rapaz! Não terminamos de discutir aquela proposta que pretendo apresentar em plenário! Então, como eu lhe dizia, tenho grandes planos, quero que reporte todos à Saori, ela vai adorar! – nesse momento, o prefeito que havia detido Mu anteriormente, vinha em seu encalço novamente.

Sem querer esperar mais, Helena tratou de desvenciliar-se do cavaleiro imediatamente:

- Não se preocupe comigo Mu, eu posso chamar um táxi. A sua presença aqui é mais importante que a minha. – dizendo isso, a governanta despediu-se educadamente do político, e já ia saindo quando o ariano a deteve novamente:

- Chamarei o chofer, quero que volte com o carro do Santuário. É mais seguro.

Helena apenas acenou com a cabeça, concordando. Bem ou mal, Mu tinha razão. A esta altura Nicola já teria colocado todos os seus homens apostos, prontos para seguí-la ou eliminá-la no caminho. Voltar com o carro do Santuário certamente era mais seguro, o motorista era um dos guardas, devidamente treinado para uma possível perseguição.

Mesmo caminhando apressadamente, a moça só conseguiu alcançar a saída depois de quase quinze minutos, devido ao volume de pessoas no lugar. Quando chegou à porta, viu que a limusine já a esperava. Desceu rapidamente a escadaria, enquanto o motorista caminhava para abrir a porta.

Assim que alcançou o veículo, parou bruscamente ao ver Nicola aproximar-se calmamente do mesmo. Sorrindo como se nada houvesse acontecido, fez um gesto camarada para o motorista que o olhava com desconfiança:

- Vim me despedir de uma amiga! – e dirigindo-se à Helena falou – Você não partiria sem me dar um beijo de até logo, não é mesmo?

Desconcertada com a situação, mas ainda assim preocupada com o que o desgraçado estava tramando, a governanta optou por aproximar-se de Nicola, mantendo-o assim, afastado do motorista. Quando já estava perto, o homem puxou-a pela cintura, colando seu corpo ao dele e aproximando os lábios da face direita de Helena, depositou um delicado beijo. Logo em seguida, Nicola encostou sua face à de Helena, sussurrando em seu ouvido:

- Não importa o lugar em que aquela vadia japonesa está te escondendo. Não poderá passar o resto de sua vida sobre as asas de Saori Kido. Mais cedo ou mais tarde, sairá do ninho, e quando o fizer, pode ter certeza que estarei lhe esperando do lado de fora. – Dito isso, Nicola afastou-se novamente, agora com um sorriso no rosto, terminando por falar em voz alta. – Faça uma boa viagem, e cuidado com o caminho, está muito escuro.

Helena nada respondeu, as palavras haviam fugido-lhe completamente. Nicola finalmente conseguira, estava definitivamente encurralada. O Santuário era agora seu único refúgio e sua prisão. Se continuasse lá, acabaria sendo descoberta algum dia, se fugisse, Nicola a encontraria. Não havia mais o que fazer, estava perdida.

Reunindo o pouco de espírito que ainda lhe restava, entrou no carro, logo em seguida fechando o vidro que lhe separava do motorista. Assim que o carro começou a rodar e sentiu-se completamente sozinha, Helena desabou.

As lágrimas escorriam livremente pelo rosto, borrando a maquiagem, a garganta ardia enquanto a jovem tentava inutilmente segurar os soluços. No fundo da alma, desejava que o mundo acabasse ali, naquele momento, assim seria poupada do sofrimento e iria de uma vez por todas direto pro inferno. Não era inocente, sabia muito bem, mas preferia pagar por seus pecados, morta e não em vida, como estava acontecendo agora. Sua testa latejava e, de forma inconsciente, ainda buscava por uma solução, mesmo sabendo que não havia nenhuma.

Jogou-se de forma displicente sobre o banco de couro, entregando-se ao choro por inteiro e logo ao sono.

Helena acordou apenas com um tranco que o carro deu, provavelmente por um buraco que o motorista não viu. Levantou, arrumando-se no banco e olhando para fora, viu que já estavam passando pelo meio do vilarejo. Pegou na bolsa um pequeno espelho e alguns lenços de papel, tentando limpar um pouco o rosto. Terminou passando mais um pouco de pó compacto para diminuir a vermelhidão e o inchaço, causados pelo choro.

Já no Santuário, o motorista parou o mais próximo possível das escadarias. Helena desceu do carro auxiliada pelo rapaz, despedindo-se do mesmo, seguiu o caminho em direção ao 13º templo.

Subia as escadarias sem pressa, como um condenado que caminha pelo corredor da morte. O que a esperava lá em cima não era melhor do que tinha ali embaixo, com sorte, tropeçaria e rolaria até o final, terminando por morrer com o pescoço quebrado.

Depois de quase uma hora, Helena ainda não passara pela oitava casa, mas já se aproximava desta. A simples lembrança do fato fez com que o cavaleiro que a guardava viesse à sua mente. Milo era um dos maiores problemas que tinha dentro do Santuário. Balançou a cabeça tentando afastar o pensamento, não era hora para preocupar-se com o cavaleiro, tinha considerações piores que ele.

Infelizmente, os Deuses não eram tão bons com Helena e não deixariam passar a chance de atormentá-la. Quando passava pela entrada de Escorpião, viu o cavaleiro que a guardava encostado em uma das pilastras. Os braços cruzados sobre o peito demonstravam um ar despreocupado que Helena até deixaria passar, não fosse o maldito sorriso malicioso que o desgraçado carregava. O que estaria tramando?

Milo saiu de sua confortável posição, caminhando até a governanta que agora estava parada, à espera do cavaleiro. Mantendo o sorriso, questionou:

- Voltou cedo. O que foi? Acabou a champagne da festa?

- Milo, está tarde, não estou com disposição para aturar as suas brincadeiras de mau gosto. – A garota respondeu sem muita disposição de seguir com aquela conversa. Já ia desviando de escorpião e seguindo o seu caminho quando este deteve-a, parando bem na sua frente:

- Não tão rápido. - enfrentando o olhar obscuro da moça, completou. - Ou vai fugir do Santuário ainda hoje? Helena.

Continua...

(1) A cidade de Atenas é dividida em 54 subprefeituras, cada uma governada por um prefeito, eleito diretamente pelos moradores da região, bem como um conselho municipal.

(2) Tupinambás: Habitavam o litoral da região sudeste do Brasil. A antropofagia era praticada, pois acreditavam que ao comerem carne humana do inimigo estariam incorporando a sabedoria, valentia e conhecimentos.

N/A: Finalmente um pouco do mistério é revelado! Gostaram do verdadeiro nome? Helena ainda promete, no próximo capítulo mais revelações sobre o passado dela virão! E peço desculpas pelo atrazo... tive muitos problemas que não vem ao caso. o importante é que o capítulo está aqui! Por favor, enviem reviews. Farei o possível para postar os próximos capítulos logo, nao são muitos, a fic aproxima-se do fim. B-jos Fofas!