20:30

- Nossa... Isso é... grande e...

- Luxuoso – completou a loira.

- Não pensei que boates fossem assim.

- Não pensem, procurem seus garotos.

- E depois que encontrarmos, o que vamos fazer, heim? O que sugere Lilá? – ironizou Gina, ficando cara a cara com a loira.

- Boa pergunta, não os procurem. Faça o que vocês quiserem. Eles certamente já estão muito ocupados agora, não?

A ruiva conteve o assomo de irritação que cresceu dentro dela. Lilá era legal, era chata, era irritante, era compreensiva, era fútil, era útil.

- Quanta cultura aqui, né! – afirmou a professora animadamente ao ver casais se agarrando na parede. – Merlin, Merlin, preciso de uma bebida. Adeus, garotas, investiguem o mundo trouxa! Anatomicamente falando, ouviram?! – gritou ela por cima dos ombros – NÃO ME DECEPCIONEM!

- Eu escutei o que pensei ter escutado? – perguntou Gina.

- Sim, escutou...

- Quem abduziu nossa professora?! Tragam-na de volta, por favor. – vendo os olhares confusos a si lançados, completou – Esqueçam. Vamos, eu vou me divertir... e vocês?

Hermione procurou uma cabeleira ruiva entre a multidão que se movia no ritmo frenético da música. Estava escuro, as luzes jorravam em cima delas, os flashes, os corpos que dançavam em ritmo perfeito. Ela não conseguiu vê-lo.

Então, seus olhos castanhos cuidadosa e sutilmente pintados, notaram a atenção de alguns homens para a sua roda. Notou olhares em seu corpo, nela toda. Sentiu-se corar e desviou seus olhos, para bater em cima de uma Lilá. Havia um sorriso naquele belo rosto. A loira achava essa atitude inocente e dramática da morena tãão... de novela mexicana.

Logo as três começaram a seguir o ritmo da música, era estranho o modo como elas faziam sentido juntas, de como o modo diferente de dançar e de suas aparências equilibrava a beleza das três.

Aos poucos, os trouxas começaram a abrir mais espaço para as três bruxinhas dançarem, para admirá-las.

Draco Malfoy havia descoberto uma maravilha do mundo trouxa. Chamava-se vodca. Ele tomou umas bebidas muito loucas que o barman o dera, e sinceramente achava que estava em uma realidade muito alternativa, pois estava crente de que vira a professora Minerva se sentar ao seu lado. Merlin, só faltava ver a fadinha verde do absinto que tomara...

A sua alucinação em forma de professora foi falar com ele. Mas que merda! Até em outras realidades aquela peste o perseguia!

- Malfoy! Vejo que você está conhecendo melhor as bebidas dos trouxas! Que interessante...! O senhor está bem?! Oh, deve ser a emoção de tantas novas descobertas... diga-me o que você recomenda?

- Ab-absinto.

- Preciso depois chamar as garotas para conhecer tais maravilhas!

Essa informação captou sua atenção.

- As amigas de Potter estão aqui? – perguntou rouco.

- Claro, eu as trouxe, estão perto de uma pilastra aí! Oh obrigada, a cor é verde mesmo? – perguntou curiosa para o barman.

Draco não escutou o resto da conversa. Ele não sabia por que, mas foi procurá-las, precisava encontrá-las.

Ron estava perdido... Há pouco estava se agarrando com uma garota muito bonita da qual ele não se lembrava o nome... mas aí uma outra amiga a chamara e ela desapareceu. Ele ainda permanecera encostado na parede esperando sua volta, mas finalmente percebeu que levara um fora.

Agora procurava sua irmã mais nova... Ela deveria estar ali, certo? Junto com ela certamente estava a bela Lilá e sua quase-irmã, Hermione Granger.

Harry Potter estava ocupado demais prensando uma garota cheia de energia contra a parede. Ela o beijava com... força. A imagem mental da noite ainda povoava sua mente e lhe trouxe desagradáveis sensações. Precisava descarregar a tensão que sentia... Desceu seus lábios pelo pescoço da ofegante garota, ela disse-lhe algumas palavras incoerentes... As mãos dele não tinham pudor e subiam por dentro de sua blusa, escorregando pela sua pele suada. Ela gemeu quando ele massageou seus seios. Oh deus... Precisavam sair de lá e encontrar um lugar mais... Discreto.

Ron já avistara seu amigo e sua animada parceira, quase sentiu inveja da sua sorte, mas... talvez ele quem terminasse sendo o invejado, afinal ele iria encontrar Brown, quem sabe se ela estiver carente...

Então ele avistou uma cabeleira ruiva, logo depois conseguiu identificar uma outra cabeça loira e uma morena. Abriu caminho com certa... dificuldade. Notou que elas estavam em cima de algo elevado, e que os trouxas à sua volta impediam qualquer outra pessoa de subir. Conseguiu se aproximar mais, quando ia tentar chamar a atenção de alguma delas ele sentiu sua respiração falhar.

Deus... Ela está bonita.

As três eram lindas, mas... Vê-la tão bonita foi um choque. Um choque que percorreu todo seu corpo, eletrizando-o. Fechou a mão com força, cravando a pouca unha que tinha na sua palma, enquanto seus olhos a consumiam.

Eles começaram a esquadrinhar seu rosto... A morena de cabelos cacheados dançava timidamente, de olhos fechados. Ela carregava uma flor vermelha nos cabelos cheios, que combinava com o a cor vermelho sangue dos seus lábios. Os olhos azuis dele começaram a descer por aquele corpo desconhecido... Ela usava uma blusa justa, deixando as costas nuas e uma saia solta, de pano, que balançava suavemente conforme os movimento de seus quadris.

Sentiu seu peito arfar e todo seu corpo vibrar no momento em que ela abriu seus grandes olhos castanhos e estes mancharam o azul esverdeado dos seus olhos, quando se encontraram. Viu-a ruborizar ligeiramente e se surpreendeu ao ver o quanto isso o excitava. Ela parara de dançar e agora apenas permanecia observando-o, os olhos dele desceram para os lábios vermelhos dela e sorriu ao notar que ela mordia o lábio inferior. Um sentimento de luxúria se apoderava do seu ser.

Era algo incontrolável.

A partir daí ele apenas se viu erguendo a mão e estendendo-a para que ela segurasse. Surpreendeu-se ao vê-la segurando sua mão, então puxou-a para fora do palanque, fazendo-a aterrissar em seus braços. Sem tirar os olhos dela, ele perguntou:

- Aceita dançar comigo?

- Acho que já aceitei.

Ele passou o braço pela cintura fina dela e colou aquele corpo ao seu. Sentiu seu corpo esquentar. A proximidade a deixava tonta, aqueles olhos azuis eram tão intensos e quentes que ela sentia sua respiração se descontrolar apenas com o poder deles. Sem tirar os olhos do seu ele segurou sua mão e a beijou, seus rostos estavam tão perto... Ele deslizou a sua boca pelo pulso dela, notando-a corar violentamente, vendo-a arfar. As reações que ele causava no corpo dela o fascinavam.

Ela viu seus olhos brilharem, o viu pegar seu outro braço e pôr envolta de sua nuca. Ele percebeu os calafrios que causava, notou o mamilo dela se enrijecer e quase gemeu de desejo. Então, ele sentiu calafrios subindo por todo seu corpo, sentia a eletricidade fluir. Ela acariciava seus cabelos ruivos. Era intenso... A sensação era tão... Forte.

A música continuava a rodar e ele se sentiu pressionando o corpo dela ainda mais contra o seu. Subiu sua mão e segurou aquela nuca frágil, enchendo seus dedos de cachos e a beijou.

Ron tentou se conter, sua mente alertava e vibrava, avisando-o quem ele estava beijando, mas... quando a beijou, Merlin... ele não conseguia parar. Sentia-se desesperado por aquele corpo delgado, por aqueles lábios vermelhos e cheios. Encostou-a em uma pilastra e desceu sua boca por aquele pescoço, enterrando-o naqueles ombros escorregadios. Sentiu seu cheiro.

Deus... Sentiu seu gosto. Sua mão tremeu, tremeu quando ele a enterrou em seus cabelos e pressionou com seu corpo o corpo dela contra a parede. Sentiu ela vibrar embaixo dele, sentiu ela gemer, quando sua língua percorria o lóbulo da sua orelha.

Ele queria... queria. NÃO! Não queria nada, mas... NÃO! Melin... não...

Oh Deus... Ele gemeu quando ela pressionou a virilha dele contra a coxa dela, fazendo com que ele ficasse entre suas pernas. Ele se afastou para ver seu rosto. Precisava encontrar algo que o fizesse parar.

Os olhos castanhos dela estavam quase negros, os cabelos estavam bagunçados e, juntamente com a face corada, deixavam-na ainda mais atraentes. A flor permanecia em seus cabelos. Vê-lo observá-la tão atentamente a fez corar ainda mais. Mas ela não conseguia desviar o olhar, apenas permanecia lá, parada, enquanto ele a olhava.

Então, uma garota loira e bonita o puxou:

- Ruivo, meu amor, você se cansou de brincar comigo e já foi arranjar um novo brinquedinho? Obrigada por cuidar dele por mim, vem cá – disse a garota, puxando-o com força.

A garota de antes... era ela. Ele não sabia como reagir, deixou-se levar vendo a multidão dragar a última imagem que ele teve da morena.

Draco Malfoy avistou a Weasley-delgada dançando com a garota Brown, olhou ao redor e constatou que realmente estava mal, afinal, ele estava vendo o idiota-Weasley agarrando a Granger. Ele definitivamente teria que beber menos da próxima vez... Sua vista estava ligeiramente embaçada, por isso teve que se esforçar para conseguir ver de maneira decente as garotas. Seus olhos prateados procuraram os cabelos dourados dela.

Sua boca secou. Draco estava começando a pensar se isso não seria uma reação normal do seu corpo toda vez que a via. Uma espécie de fator Lilá Brown. Percebeu que ela notou sua presença, mas que fora ignorado.

Sentiu vontade de rir. Draco Malfoy estava sendo ignorado? Sim, definitivamente, estava tendo alucinações.

Seus olhos se moveram acompanhando as curvas do corpo dela. A loira estava com um biquíni verde limão e, por cima deste, uma bata branca que caía levemente por seu ombro e uma saia muito curta de pano, aparecendo muito de sua pele bronzeada. Notou que ela começara a dançar mais... lentamente? Sensualmente?

Aquilo era uma provocação?

Tomou mais um gole da bebida que segurava, enquanto apreciava o show. O movimento dos seus ombros, do seu cabelo... Era hipnótico. Quase se engasgou quando um garoto se atreveu a tentar grudar na sua loira. E sentiu seu sangue ferver ao notar que ela deixara. Vadia.

Riu, era isso? ESeria assim então? Perfeito.

Virou-se e procurou os já familiares olhares femininos para a sua figura. Analisou qual era o mais sedento e foi ao encontro da sua escolhida. Se era isso que ela queria, então ótimo.

3ª dia,

13:00

Draco estava com a cabeça doendo intensamente. Era aquilo que ele sofreria por ter tomado aquela bebida maldita? Lembrava-se de ter se agarrado com uma trouxa... Merlin... Até que nível ele desceria nesta viagem?

Sentindo-se tonto, foi procurar água. Ou comida, ou sei lá.

Saiu de dentro da tenda com alguma dificuldade e andou lentamente até a praia, sabia que teria gente por lá.

Estava certo. Havia uma grande roda, com umas oito pessoas, estavam tão compenetrados na conversa que poucos notaram sua aproximação. Sentou-se perto do círculo e pôs-se a escutar, aparentemente pegara o início da conversa.

- Sim, sim! Mas claro que sim, esse é o momento para conversarmos sobre o que aconteceu na festa!

- Não, não irmãozinho, vamos conversar sobre as pessoas que mais aprenderam sobre a cultura trouxa, sobre as pessoas que se empenharam em conhecer esse mundo mais a dentro, não é? Há há há – completou Fred malicioso.

O loiro viu rostos conhecidos à sua volta, lá estavam todos os amigos de Potter, menos... Faltava Granger e a menina Weasley. Como se algo na sua mente disparasse, ele moveu os seus olhos cinzas para Ron Weasley. Ele parecia cansado... Draco observou que havia marcas em seu pescoço branco. Seus olhos voltaram a se movimentar e pararam em Potter, ele parecia bem mais descontraído, mais leve...

- Rapaz... Nosso amigo Harry fez ótimas descobertas ontem, não? Isso Harry! Orgulhe seus pais! – encorajou os gêmeos.

- Meus pais...?

- Mãe – disse Fred para Jorge – ele está nos renegando.

- Poxa Harry... Como... como você faz isso com sua própria mãe?! – exclamou Jorge indignado.

- Ok garotos... Párem – repreendeu-os Gina wWeasley, que vinha caminhando pela praia. Ela estava com um biquíni preto e com uma saia branca. Parecia um tanto aérea, os ventos bagunçavam seus cabelos. A ruiva parou e contemplou o mar por alguns segundos, seus olhos castanhos se moveram para o círculo e encontraram os de Harry Potter. Ainda olhando-o, sem dizer mais uma palavra, ela retirou a saia, lentamente, jogando-a na areia, virou-se e correu para a praia.

Draco observou um Potter estático, a conversa havia continuado, poucos perceberam a troca de olhares. Draco sorriu. O moreno ainda pôde ver a pequena e delicada ruiva entrar no mar, pôde contemplar aquele corpo sequinho, aquelas curvas suaves. E Merlin, ele parecia... perturbado.

Os olhos verdes dele se moveram e fitaram o cinza presente nos olhos de Malfoy. O loiro sabia o que ele estava pensando. Malfoy já tocara aquele corpo... o corpo que ele desejava? Harry percebeu o sorriso de deboche nos lábios finos do loiro e teve uma vontade intensa de socá-lo.

- Eu estou com fome! – reclamou Ron pela décima vez, ele estava se sentindo péssimo e a falta de comida apenas agrava seu estado insuportável.

- McGonagall está passando mal e mandou a gente se virar... Vem cá, vocês sabem quem foi o gênio que a mandou tomar absinto? – falou uma Hermione surgindo do acampamento, de biquíni branco e cabelos presos, sentando-se ao lado de Malfoy. – Ela está falando coisas inteligíveis a respeito de uma fada verde...

Ah... que divertido, Malfoy não conseguiu conter o sorriso que se abriu em seus lábios. Não era uma alucinação.

Ao ouvir aquela voz, o ruivo imediatamente levantou seus olhos azuis. Lá estava ela... Linda. Deus aquilo não podia ser verdade... Podia? Ela era magnética, atraía seus olhos e seu corpo como se fosse um ímã. Sentiu seu peito arfar, seus olhos percorreram o delicado pescoço à mostra. Não havia marcas. Nada. Não tinha a marca do seu dente, quando ele a mordeu, não havia o borrão vermelho da sua boca quando ele a beijou com força.

Sentiu sua cabeça latejar ao ressuscitar as lembranças de seu descaso.

Ela o ignorou completamente. Era torturante...

- Malfoy também se divertiu descobrindo o mundo trouxa, não foi?

Todos os olhares se voltaram para ele.

Os olhos cinzas fitaram a garota loira que soltou a pergunta no ar. Ela se divertia... Era isso então Lilá? O que você pretende garota?

- Sim, bebi demais e agarrei uma garota trouxa. De fato elas têm o mesmo gosto das bruxas... Pode ter certeza que eu me diverti muito, Lilá – disse-lhe brindando com um sorriso malicioso – mas... acredito que a senhorita também fez o mesmo não?

Draco pensou ter visto uma faísca passar rapidamente por aqueles olhos negros, quando ele falou do quanto se divertira. Sorriu, também poderia provocá-la.

- Não, eu não gosto desse tipo de diversão, Malfoy. Como eu já disse meu cabelo me entretém mais que qualquer outra coisa ou pessoa dessa viagem.

- Será?

- Tenha certeza disso.

O clima era estranho. Ron olhava para Hermione, sendo que esta olhava, juntamente com Harry, para o mar. Enquanto Draco e Lilá se encaravam e se alfinetavam descaradamente. McGonagall Observava tudo em seu estado de embriaguez, lembrou-se de um comentário a respeito de um tal ser trouxa chamado cupido. O trabalho do cupido era reunir duas pessoas para fazê-las virarem idiotas, facilmente enganadas e tolas. Não era isso em que o amor transformava as pessoas? McGonagall já achava seus alunos um pouco idiotas, mas queria ver se pelo menos em algo eles poderiam ser bons!

- Me-meninos, ick! – soluçou – Eu klelo que vocez van fzer u arrividadi cultulal. HÁ HÁ HÁ. Tun cun fume!? FUME?! Há há há!

- Ron, eu estou ficando com medo dessa mulher – sussurrou Harry apavorado, esquecendo-se momentaneamente de seus problemas.

- Ah... Relaxe, você não é o único. – respondeu o ruivo de olhos arregalados. – Ei, o que ela está dizendo?

- Acho que ela está nos amaldiçoando...! Ai meu Deus ela está nos amaldiçoando!

- Oww mamão, por que ela iria nos amaldiçoar?

- Sei lá. Achei a idéia interessante... – respondeu o outro amuado.

- Silêncio! Vcs! Izu, vcs van cazaaar! Quler cumida? Van cazar na flolesta. – então ela solta uma risada, jogando a cabeça para trás e se aproximou do ruivo, lançando sobre ele bafo fortíssimo que o fez ficar tonto só de sentir o cheiro – Vz! Seu luivo lidículo! Vz vai cum a glagler cazar! E vz zeu Larry Pottler dleixe de ser gay! dleclida-se! Vz vai zusinhar cun... cun Zinaa! Dlaco vlc me dlecepziona, vla cumplar bebida nu zuplemerclado... uhuhuhu... clumplar vodcaaa, cumplarr cachazaaa. Zau!

Então ela se vira e volta pro acampamento.

- É... alguém.. alguém entendeu alguma coisa? – perguntou Ron, sentindo-se tonto.

- Interessante... Parece que ela apenas delegou tarefas a nós, eu e Brown, Weasley e Granger, Potter e Weasley... Eu e... Brow vamos comprar bebidas para nossa querida professora. Weasley e Potter vão cozinhar e Granger e Weasley vão se embrenhar na mata para encontrar comida... – comentou Draco levantando a sobrancelha direita, intrigado.

Os três casais permaneceram em um estranho silêncio, enquanto todos à suavolta estavam eufóricos. Não iam precisar fazer nada! Isso era perfeito!

Draco fitou a multidão e pela primeira vez em sua vida sentiu... Inveja. Aquilo era injusto! Totalmente injusto. A sua companheira de jornada compartilhava de seus mesmos pensamentos. Iriam comprar vodca? Lilá não fazia a menor idéia nem do que era álcool, quanto mais de vodca.

Eles se olharam, receosos, antes de começarem a formar os pares. Aquilo era alguma espécie de trama? Alguma conspiração? Era coincidência demais.

Ron pensava em por que diabos eles iriam ter que caçar?! Não poderiam comprar direto do supermercado? Que idéia estúpida e ridícula. Sim ele mataria o bastardo que deu o tal absinto para aquela mulher, aproveitaria e mataria o absinto também! Seja lá quem é isso.

Merlin... ele estava confuso! Tinha apenas 17 anos! Não deviam fazer esse tipo de coisa com ele... A perspectiva de estar ao lado dela era... perturbadora, em todos os sentidos possíveis! Deus... ela era quase sua irmã, certo? Não que tê-la beijado fosse incesto, mas... Ele não sabia. Não sabia de mais nada.

Foi então que as garotas trouxas apareceram. As mesmas da boate, as mesmas da torcida. Pela primeira vez, sentiu-se irritado de vê-las. A loira estava entre elas... Do mesmo modo de como ele se lembrava. Com roupa de menos... exibindo suas abundantes curvas.

Só que havia mais gente com elas. Havia homens. Ele não soube dizer por que, mas isso o preocupou. O preocupou porque eles se aproximaram e botaram os olhos em suas garotas. Porque foram apresentados para Hermione Granger, porque ela sorriu para eles de um modo tão adorável que ele sequer imaginou que tal garota era dotada de tão extraordinária habilidade, porque eles tiveram uma breve conversa, porque eles iriam dar uma festa e a convidaram. Porque...

Qual eram mesmo os motivos que o impediam de agarrá-la ali mesmo?

Forçou um sorriso e lançou um olhar rude para as garotas trouxas. Elas sorriam, seus olhos brilhavam em expectativa. O que elas esperavam? Pelo que elas esperavam... tais perguntas faziam seu sangue ferver. Lilá e Gina também eram bajuladas pelos garotos metidos, enquanto as garotas trouxas se aproximavam cheias de sorrisos para os garotos. A loira se aproximou do ruivo, pousando sua mão no tórax desnudo do rapaz.

Os olhos dele faiscaram em desagrado. Ela tinha uma voz infantil e demasiadamente fina, o que o irritou profundamente.

- Amorr! Sentiu minha falta? – Ron sabia que a garota nem sequer lembrava do seu nome. Não que ele se importasse. Não fazia a menor diferença.

Retirou retirou delicadamente a mão dela de cima dele, e vez uma expressão de profundo desagrado.

- Não, não senti sua falta. Me desculpe, não queria ferir seus sentimentos ou coisa assim... O que aconteceu foi um erro e ele não vai se repetir.

A voz dele era firme e a viu morder apertar os lábios, transformando-os em uma fina linha, contendo lá todo seu desagrado, em resposta. Então com um força de vontade impressionante ela sorriu.

- Veremos isso, ruivo.

Agora era demais. Ele manteve a cara séria, seus olhos continham uma frieza que ele não estava acostumado a mostrar. Quem aquela garota pensava que era? Aquele povo todo era muito metido.

Então, virou-se com a mesma expressão séria para Granger.

- Vamos, temos trabalho a fazer.

Ela o encarou por alguns segundos, antes de responder.

- Eu falei com os garotos, eles disseram que vão nos ajudar. Os pais deles têm umas propriedades nos arredores da mata e lá costumam caçar... Então não vamos ter muito trabalho, não é ótimo Ronald? – O tom da voz dela ao falar com ele era tão artificial que ele quase sentiu náuseas de tanta frustração.

- Claro Granger. Obrigado garotos... Vocês são muito gentis. – respondeu frisando o "gentis". Sua voz era arrastada, seus olhos azuis eram gelo puro. Eles eram gentis, como ele nunca foi. Isso era ridículo. Em um momento ele queria descartá-la, mas no outro queria tê-la. Até mesmo para o pouco senso que ele tinha da realidade e dos sentimentos alheios, aquilo era demais! – vamos?

Draco assistia ao show enquanto alimentava as esperanças de uma trouxa sorridente. Seus olhos cinza tentavam observar tudo, eram muitas cenas particulares para captar. Ele viu uns trouxas ridículos irem falar com a garota Lilá, e a viu dando-lhes corda. Ele sentiu a irritação do garoto ruivo, e viu, também, o olhar raivoso do menino Potter, para o modo amável de como a ruivinha tratava os trouxas. E ele se viu sorrindo para a trouxa que observava.

Então... Seus olhos captaram mais.

Eles visualizaram o risinho das garotas trouxas... Era um jogo. Não estavam realmente interessadas neles, em nenhum momento estiveram. Draco não se importava. Por que se importaria? Ele gostava de coisas descartáveis... adorava.

Sorriu para Lilá, ela era uma distração interessante, ponderou. Ele não entendia sua natureza inteiramente e isso a fazia virar uma criatura fascinante e intocável.

- Vamos, garota? Temos trabalho a fazer.

Ela se virou para ele e sorriu graciosamente.

- Sim, vamos comprar mais bebida para a festa, certo?

- Faça o que quiser.

Os trouxas o olharam irritados por sua rudeza para com a bela Lilá. Isso agradou Draco Malfoy.

13:33

- Malfoy... Tem certeza que estamos no caminho certo?

- Claro que não.

- Amor – começou ela irônica – então como diabos você apontou para esse lado da rua?

- Intuição.

Ela para e o fita incrédula. Aquilo era ridículo! Ele estava tentando descontrolá-la! Sentiu seu sangue ferver... Ele definitivamente estava conseguindo alcançar seu objetivo.

- Você fica adorável quando esta com raiva sabia, amor. – comentou ele com a voz leve, ironizando apenas o "amor". Ele tinha um meio-sorriso na cara quando desviou a atenção do caminho e a fitou.

Aquilo era demais! E o pior foi ela se sentir ruborizando, que tipo de adolescente ridícula e infantil ela estava parecendo?! Não conseguindo achar nenhuma resposta à altura, ela permaneceu em um silêncio indignado.

Ela definitivamente compraria um taco de basebol quando voltassem à Inglaterra, faria questão de testá-lo na cara de Malfoy.

Ele recomeçou a andar, obrigando-a a sair do seu estado de indignação para acompanhá-lo. Ele andava depressa... Não se incomodava em esperá-la ou não, isso a irritou. Por que era eles que tinham que ir comprar bebida? O resto do grupo devia estar se divertindo naquele exato momento, enquanto ela andava com Malfoy! Sentiu inveja deles... E ela não estava acostumada a invejar ninguém.

Era um sentimento estranho.

- Ali – disse ele sem, olhá-la. Apontando para uma placa.

Por que ele a ignorava? Não gostava disso, estava se envolvendo sentimentalmente em algo desconhecido.

- Estou vendo.

Entraram silenciosamente e se separaram. Ela foi passando, fileira por fileira, admirando as cores coloridas dos produtos empilhados nas prateleiras de ferro. Não estava se importando muito em encontrar o que procurava, Malfoy encontraria. Era limpinho o local, observou ela... Os produtos eram organizados de acordo com suas especialidades. Chegando ao fim do corredor, encontrou ele, Draco Malfoy, imóvel, seus olhos cinza observavam atentamente as diversas garrafas à sua frente.

Era um homem alto, de porte elegante. Os cabelos loiros eram longos e caíam em desalinho por sobre o ombro. Ele estava com uma camisa escura e apertada, juntamente com uma bermuda um pouco folgada demais. Seus olhos cinza eram pura concentração. Um dos braços estava caído junto ao corpo, segurando uma garrafa escura.

A garota dos cabelos dourados parou. Parou para observá-lo. Sentiu a boca seca, passou a língua no lábio inferior, na tentativa inútil de hidratá-los. Ela não deveria estar ali, com ele. Deus ela não queria esta ali. Inveja. Queria sentir inveja dos seus amigos que não estavam lá, com ele.

Merda, merda, merda. Ela deveria ser uma expectadora, fazer parte do show não estava nos seus planos. Ela assistiu, estática, aquela íris cinza metal se virar em sua direção. E aquele ser caminhar até ela. Parou bem à sua frente, ele deixara lá a garrafa escura que segurava.

O que ele estava fazendo? O que ele estava fazendo?

Sentiu seu coração batucar em seu peito, isso não deveria estar acontecendo, sentiu uma estranha e incomum falta de ar, isso não deveria estar acontecendo. Ela o viu segurar seu queixo e puxar pare perto de si, e sentiu a respiração dele perto da sua orelha.

- Ei, não fique me olhando tanto, garota. Vai tirar o meu verniz. – sussurrou.

Ele estava conseguindo. Estava fazendo-a perder o temperamento.

- Desculpe, não sabia que seu verniz se estragava tão rapidamente, Malfoy. – sua voz saiu zombeteira. Ela ergueu a mão e acariciou a nuca dele, então afastou-se e brindou-lhe com um sorriso provocador, virou-se e falou o suficientemente alto para ele ouvi-la. – Estou bonita, Malfoy?

Ela viu seus olhos faiscarem, isso a agradou. Sem esperar uma resposta a garota se virou e se encaminhou para a seção de bebidas. Mas antes de dar alguns passos sentiu-o agarrando-a por trás. Foi rápido. Do nada, ela sentiu braços fortes a abraçando pela cintura, envolvendo-a, enquanto uma voz sussurrava em seu ouvido. Ela sentiu todo seu corpo estremecer, ninguém jamais tivera tanta intimidade com ela... Ninguém. Quem ele pensava que era?!

- O que você quer Lilá? – a voz dele saiu rouca e baixa. Draco a sentiu estremecer, viu os pêlos da sua nuca se arrepiarem, sentiu o rosto dela ficar quente. Sentia o calor que ela emanava, o cheiro que saií dos seus cabelos e percebeu. Percebeu que fora o primeiro garoto a chegar tão perto dela.

- Você está brincando com fogo, garota, mas... você quer se queimar, não quer? – ele pressionou o seu lábio quente contra o pescoço exposto. Sua voz estava carregada de desejo – você quer sentir como é ser beijada por mim? vVcê quer me ver gemendo, você se imagina me beijando enlouquecida? Decida o que você quer... Decida.

Então ele a largou, sem nem sequer olhá-la, virou-se, pegou algumas garrafas e continuou a examiná-las.

13:33

- Onde estão os seus amigos?

- Não sei, Ronald.

Ron estava irritado. Eles entraram na floresta com arco e flecha e facão... ARCO E FLECHAAA! Tudo para conhecer o mundo trouxa... Eles caçavam com arco e flecha?! Ela estava louca, McGonagall estava muito doida.

Ok, ele não se estressaria, certo?

Shrich – um barulho foi ouvido. – Shrich

- Ron... Você está escutando...? – perguntou Hermione, se esquecendo de ser fria.

- O quê? – respondeu desatento.

- O barulho!

- Não... que barulho?

Shrich!

- Wow! O que diabos é isso? – perguntou olhando em volta – Você, senhorita sabe-tudo, pode me dizer se aqui tem animais carnívoros? Prá ser mais específico, se tem aqueles que gostam de carne ruiva?

- Ronald, cale a boca! – depois de olhar atentamente à sua volta, ela ficou de frente prá ele - Será que não da para você ser sério uma vez na vida!? – exclamou frustrada. Por que ela estava ali... com ele? Não queria estar ali... Não é mesmo? Deveria sentir inveja dos seus companheiros, não era?

- Se eu fosse sério você provavelmente não gostaria de mim. Não é mesmo? – jogou a pergunta no ar, distraído com a cor e a textura das plantas à sua volta, sem notar o impacto das suas palavras nela.

Inicialmente ela ficou pálida, depois seu rosto foi ficando vermelho. Ele observou a essa mudança de tons, bastante curioso. Ela estava adorável.

- QUEM... – controlou o tom de voz - Quem você pensa que é?! Heim? – a morena soltou o ar dos pulmões com força, parecia fazer força para manter o tom de voz firme – Você deve se achar o gostosão, né?!

Ele permaneceu alguns segundos a olhando chocado. Ela estava...

- Hermione... por que você esta chorando?

A garota levantou os olhos cheios de água e encontrou os seus olhos azuis. Ela via confusão naquele belo rosto. E odiou-o por isso.

- SEU DESGRAÇADO! – ela correu na direção dele e começou a bater desesperadamente, com os punhos fechados, naquele peito tão desejado. Queria que ele também sentisse dor, queria que ele sentisse a mesma dor que ela. Então aqueles braços tão conhecidos por ela, porém nunca sentidos, abraçou. Imediatamente ela parou, sentindo-se cansada. – Por que... Heim? – sua voz saiu fraca. – Por que Ron? Não me trate tão bem... – lágrimas silenciosas escorriam por aquele rosto de porcelana, cheios de pintinhas marrons.

Ele caminhou, segurando-a nos braços, como se segurasse uma bonequinha frágil, que ao menor toque poderia se despedaçar. Pretendia encostá-la em uma árvore, ela não parecia bem.

- Mione...

- Não fale nada, Ron.

- Desculpe por eu não ser tão compreensivo, mas...

- Eu não quero suas desculpas – cortou ela, atrevendo-se a erguer os olhos e contemplar olhos azuis dele – A culpa é minha, não deveria ter me apaixonado por você.

Então ela viu aqueles límpidos e profundos olhos azuis se arregalando. Ele parou de andar e antes que pudesse dizer qualquer coisa... Eles haviam caído em uma armadilha.

13:33

Harry contemplou Gina Weasley cortar as batatas. Era estranhamente agradável vê-la realizar um trabalho manualmente, sem magias.

- Vai ficar aí parado, Potter?

Por que ela o estava chamando assim? Era ele que deveria estar com raiva, afinal ela agarrou Malfoy! Aquele nojento!

- E o que eu posso fazer?

Ela se virou e, sem olhá-los nos olhos, começou a explicar. A ruiva estava com a parte da frente do cabelo presa a trás, deixando o resto escorrendo pelos seus ombros. Ela ficava adorável com o avental rosa de babado, parecia quase uma... Esposa trouxa. Ele não conseguiu prestar atenção no que ela falava, seus olhos estavam muito ocupados em observar as sardas no rosto branquinho dela, e seus ouvidos estavam bastante interessados em escutar apenas a sonoridade de sua voz . Era encantador.

- Potter! Você está entendendo o que eu estou dizendo?

- Eu... não.

A garota rolou os olhos. Por que ele era sempre aluado?

- Vamos fazer comida para um bando de cavalos... Eu acho que no estado de subnutrição em que eles se encontram, qualquer porcaria vai parecer muito boa, então... Venha aqui, fazer.

- Quer dizer que eu cozinho uma porcaria...?

- Sim. De fato, você é um lixo.

O canto dos lábios de Harry se contorce em um sorriso maroto. Gina era tão delicada... Gentil.

- Obrigado, então creio que já posso ir?

Ela levantou seus olhos castanhos e fitou os verdes dele com uma expressão séria. Merlin, dai me forças.

- Ok, ok. Explique-me novamente o que eu tenho que fazer.

- Você vai cortar batatas... – disse ela apontando para um enorme saco encostado na porta da "cozinha" – seria isso muito difícil? Você acha que tem capacidade...?

Ele sorriu frente às provocações e ironias lançadas contra ele. Não... uma esposa trouxa seria mais amável. Definitivamente não uma esposa trouxa, mas uma pirralha irritante.

- Verdade, eu não tenho capacidade, acho que vou apenas assistir.

A ruiva riu.

- Pegue a porcaria da faca.

- Ok então.

14:01

Ron e Hermione estavam presos em uma espécie de rede. Era uma armadilha para animais... Quando este pisasse na teia de cordas elas se ergueriam e o prenderiam dentro.

Então lá estavam Ron, no fundo da rede, e Hermione caída em cima dele.

- Ow... merda! Essa armadilha era para pegarmos nosso almoço! – reclamou irritada, tentando se reerguer.

A garota segurou em uma corda ao lado da cabeça do ruivo, queria acabar com o contato físico dos dois, e apoiando seus pés em cordas ao lado do corpo dele, conseguiu ficar exatamente em cima do corpo dele, em um ângulo quase paralelo. Oh Merlin... Essa não tinha sido uma boa idéia.

Quando ela o mirou nos olhos, percebeu que estavam alinhados. O garoto a observava embaixo dela. Os cabelos encaracolados que batiam em seu ombro, agora caíam por seu rosto e quase tocavam o rosto dele.

Os olhos azuis dele adquiriram uma intensidade que fez seu peito arfar. Mesmo sem se tocarem, ele sentia o calor que ela emanava. Ele não pensou quando fez o que fez. Pensaria para quê?

Simplesmente ergueu a mão e puxou a camisa dela com força, fazendo todo o corpo dela ceder e cair em cima dele. A boca dela caiu a centímetros da sua, isso era um erro que ele precisava corrigir. Passou a mão por sua nuca e a beijou calando qualquer exclamação de surpresa, protesto ou prazer.

A beijou com... desejo. Passou a outra mão pelas costas dela, apertando-a contra ele. Sentiu-a arfar, e suspirou baixinho enquanto se apoderava da boca dela. Era quente, deus, estava ficando quente.

Ele sentia o seu sangue se concentrar, sentia sua cabeça latejar.

- Eu... Ow... – gemeu quando ela mordeu seu pescoço – seja... ai meu Deus... – sussurrou quando a mão dela escorreu para o cós da sua calça, excitado-o intensamente – Minha... namorada... Seja somente minha – a voz dele saiu rouca de desejo. A sua respiração estava pesada, e ele estava sentindo seu a parte de baixo do seu ventre pulsar. Aquela garota o descontrolava.

Ela parou instantaneamente.

Por que ela parou...? Ele se sentia desorientado.

- Você quer namorar comigo? – perguntou baixinho no ouvido dele, arrepiando todos os pelos da sua nuca.

- Quero... intensamente – falou tentando respirar.

14:20

- Meu filho... Por que você não me disse antes que sabia cozinhar?!

- Eu passei quase todos os meus 11 anos de vida fazendo as atividades domésticas dos Dursley. Pensei que sabia isso.

- Oh... Seus pais morreram em uma batida de carro. Havia me esquecido.

- Você tem se esquecido de muitas coisas ultimamente, não é Gina?

Ela o encarou, desconfiada do que viria.

- Como o quê, Potter? Algum exemplo, por favor? – seu tom foi frio e irônico.

- Você se esqueceu de quem Malfoy é.

A garota riu do ridículo da sua suposição.

- Ah é Potter? Então diga-me, o que Draco fez de mal? Ele matou alguém? Ele... é algum ser maligno aliado a algum lorde das trevas? – sua voz era carregada de sarcasmo – por que você fala dele como se ele tivesse matado sua mae!

- Não... ele é sonserino, Gina! Você se esqueceu de que ele passou toda a sua vida desde que entrou em Hogwarts com ele nos infernizando?

- E daí que ele é um sonserino? Quem ficou com ele foi eu, não foi você. Seu papo de ser condescende com todo mundo foi parar aonde, heim Potter? Apenas dei uma segunda chance a ele. Mas o que você fez? Você me crucificou. Esses são todos os seus motivos para odiar Malfoy? Tem algum que não seja pessoal, por favor?

Harry não tinha e isso o frustrou.

Vendo que nada ele falaria, a garota passou por ele e foi direto para o balcão, continuando a mexer na enorme panela.

- Resolva sua vida, Potter. E páre de se meter na minha, porque você não faz parte dela.

Ele a olhou, chocado, a garota permaneceu de costas, preparando a comida. Desde quando ele passou a ter tão pouca importância na vida dela? Isso era estranhamente perturbador. Desde quando ele ficava observando as sardas dela, ou como a boca dela era pequenina? Desde quando...?

Não gostou. Não gostou.

Por quê?

- Me desculpe. Me meti na sua vida e você nunca me deu tal liberdade. Todos os meus motivos de ódio a Malfoy são pessoais e não têm nada a ver com você. Quer voltar a ser minha amiga?

Ela não gostou. Ele acabou de expulsá-la da vida dele... Mas tinha sido isso que ela pedira, não tinha sido?

- Ok, você esta perdoado. Vá entrar na mata procurarmeu irmão e a carne que ele supostamente deveria trazer. – disse, ainda sem se virar.

- Você não respondeu a minha pergunta... Quer voltar a ser minha amiga?

Ela finalmente virou-se para encará-lo.

- Não.

- NÃO?! Como assim, não? – exclamou surpreso.

- Eu não quero ser sua amiga, estou sendo clara? Eu não quero que tudo volte a ser como antes.

Ele não a entendia... ele sentia-se magoado, irritado e confuso.

- Por quê? – foi o que conseguiu dizer.

- Porque estou cansada de ser torturada todos os dias, porque me cansei de olhar para você e perceber que estava olhando para outra garota, preciso ser mais clara? – agora ela estava irritada. Não queria ter de precisar dizer isso.

- Pre-precisa...

- Porquer , Harry Potter, eu me apaixonei pelo bundão que você é. E isso esta acabando com minha saúde, por que o senhor simplesmente não consegue reparar que eu existo! Entendeu? Precisa que eu soletre o bê-á-bá?!

- Chegamos com sua carne! – exclamou Ron segurando uma grande sacola. Hermione vinha logo atrás, bastante corada, segurando outra sacola.

Então eles pararam e reparam uma Gina vermelha e um Potter em estado de choque, a tensão no ar era palpável. A ruiva foi a primeira a se recuperar, passou direto por Harry e pegou o embrulho, colocando em cima do balcão de cimento.

- Aonde vocês conseguiram a carne assim? – preocupou-se em perguntar logo, desviando a atenção da cena que a pouco acontecera.

- Açougue. Mione teve a idéia genial, como sempre, não é? – só que ele não disse isso com a habitual ironia na voz, ele dizia tudo com um tom de voz alegre e gentil.

Os olhos castanhos de Gina percorreram o caminho entre a morena e o ruivo. Percebendo os lábios avermelhados, as marcas nos pescoços, os olhos brilhando. Oh merda, eles conseguiram. Ela sentiu-se feliz por eles, mas... Era como se algo frio pesasse em seu estômago. Era como se uma ânsia de vomito se apoderasse dela. Forçou um sorriso na boca seca.

- Então? Estão namorando?

Imediatamente os dois ruborizaram e caíram na gargalhada, ambos deram as mãos e sorriram.

- Está tão aparente assim?! – perguntou Hermione envergonhada.

- As marcas físicas chamam muito a atenção, sabes?

- Oh! – exclamou a garota olhando para o pescoço do ruivo, esquecendo o seu próprio – Desculpa Ron! Eu fiz um hematoma em você!

Ele sorriu.

- Em mim, você pode fazer quantos hematomas quiser.

- Quem bateu em quem? – Perguntou Malfoy adentrando a "cozinha" – Merlin... Isso é uma cozinha? Não era proibido usar magia? Isso aqui não tava aqui quando chegamos...

- Trouxe as bebidas?

- Aqui – apontou para vários pacotes que ele deixara encostado na parede de tijolos vermelhos da cozinha.

Lilá entrou com uma outra sacola. Ela esperou por alguns segundos que algum homem oferecesse ajuda, masnotando que isso não aconteceria, ajeitou-se ela mesma, e olhou em volta para saber o que havia acontecido.

Seus olhos se arregalaram em surpresa e prazer. Oh! Havia acontecido!

20:00

- Vocês vão? – perguntou Ron, desencostando momentaneamente a cabeça do colo de Hermione.

- Vou nada, você vai Gina?

- Não!

Ele sorriu, e antes se voltar a se encostar no colo da morena, perguntou.

- Os garotos também podem ir?

- Mesmo se me convidassem eu não iria. – Respondeu Draco, indiferente – essas trouxas estão ficando irritantes.

- Definitivamente – concordou Harry, fazendo com que o loiro levantasse a sobrancelha intrigado.

- O que vão fazer então? Vocês, solteiros desesperados por um novo amor?

- Ihh! Ele ficou amostrado depois que começou a namorar, né? – comentou Gina zombeteira, em voz alta.

- Claro que sim! Estou com a mulher mais bonita e adorável desse acampamento!

Risos foram ouvidos.

- Então o que vão fazer?

- Vamos contar histórias de terror e assar marshmellows na fogueira! – disse Harry entusiasmado.

- Sério?!

- Na realidade não, foi apenas uma sugestão.

- Gostei, aposto que McGonagall também vai gostar.

- zeu vu gusta di quê?! – perguntou uma voz familiar, saindo de trás de uma árvore.

- Ela tava ali atrás o tempo todo? – sussurrou Gina para Lilá.

- Acredito que sim, provavelmente dormindo.

20:20

Então uma quantidade razoável de 20 alunos se reuniu em volta de uma mínima fogueira e esperaram para a atração da noite.

Harry estava com a cabeça cheia de pensamentos conflitantes. Gina gostava dele. Ela o amou. Amou? Por que não amava mais? Deveria ser melhor assim, não era? Ele não gostou. Era um sentimento possessivo o que o dominava. Desejava ela. Merlin... Ela o atraía.

Mas era só isso?

Gina estava normal. Falava como se nada nunca tivesse acontecido.

Ele acompanhou com os olhos a ruiva sentar na grande roda. Ela estava de vestido, um vestido que marcava de maneira sinuosa as suas curvas... Sentiu-se agoniado. Ela não sentara perto dele. Ela estava perto de Malfoy e de Lilá.

Draco Malfoy... O imbecil o observava, ele via a raiva, a confusão naqueles olhos verdes. Harry notara que vinha sendo observado pelos olhos cinza dele e pelos olhos pretos de Lilá. Era como se aqueles dois estivessem observando a trama que era a vida dele. Como se fossem os narradores da sua história.

Levantou-se e foi se juntar a eles, exatamente como aqueles olhos que o observava esperavam. Então viu Lilá se levantando e indo na direção da cozinha, observou que algum tempo depois Malfoy a seguiu.

- Ei Gina...

- O que foi?

- Eu não tenho certeza, mas...

- O quê?

- Eu acho que gosto de você...

- COMO?

- Eu acho que gosto de você... – falou mais baixo, com medo da reação dela.

- Ah é...? Pois então eu vou te da uma ajudinha Harry – disse ela, do nada, cravando os dedos na nuca dele e puxando-o para um beijo. Foi rápido, quente, lento, forte, asfixiante. Ela largou-o desorientado e fixou sue solhos castanhos brilhantes no dele.

- Então, tem alguma certeza?

- Eu... – disse com a respiração rápida – Quero você. Gosto de você...

20:30

- Qual é a sua idéia, Lilá? Ficar aqui esperando?

- Na realidade sim.

- Então é isso que você sempre faz? Assiste e nunca participa?

Ela estava apoiada no balcão de cimento, onde ainda cedo haviam preparado a carne.

- Basicamente sim.

Ele sorriu e se aproximou dela, colocando seus braços um, em cada lado do corpo.

- Você é uma covarde, sabia? Uma medrosa... Você tem medo de se envolver por que não quer se machucar, então satisfaz seus desejos nos outros.

- Você está absolutamente certo.

Ele sorriu.

- Você me quer, garota Brown? Cansou dos seus joguinhos?

- Como você disse, eu sou uma medrosa.

Então ele se aproximou dela e começou a beijar seu pescoço, grudando seu corpo no dela, pressionando-o contra o balcão. Escutou-a suspirar.

Ele sussurrou no seu ouvido.

- Você quer que eu pare?

Ela não respondeu.

Ele mordeu a orelha dela, passando a língua pelo lóbulo, fazendo-a tremer. Ele mordeu o lábio inferior dela olhando-a com seus olhos cor de metal líquido. Queimando-a por dentro.

-Você... Você quer que eu páre? – a voz dele saiu rouca e demoradamente.

Então ele encontrou a boca dela em um beijo quente... E lento. Ele sentiu o corpo dela vibrar debaixo do seu, escutou-a gemer. Pressionou mais ainda, fazendo-a abrir as pernas, ficando entre as mesmas. Sem se conter mais ele a agarrou, fazendo-a suspirar. Suas mãos percorreram aquela forma nunca antes tocada. Ele a sentia estremecer, isso fazia seus olhos brilharem.

- Peça... Peça para que eu continue. – disse enquanto descia a boca pelo seu pescoço.

- Oh.. eu.. Não pare...


É isso ai :) The end.

(desculpem a demora para postar! É que eu tou em ano de vestibular e as coisas estão "complicadas").

Agardecimentos: julia3d, Thaty, Mafalda Choc (garotas, vocês são adoráveis)