N/A: Segundo capítulo, darlings! Onrigada por todos os reviews! Estou um pouco sem tempo para responder, mas li todos!

Beijos!


- Chegamos! – Ron anunciou quando sua filha saiu da lareira. A sala da recepção na pensão que ficariam hospedados era aconchegante, quente e muito diferente do clima lá fora. Nevava forte, e a maioria das portas estava inacessível. Tinham muita sorte do Ministério da Magia local ter conseguido vaga em um estabelecimento bruxo.

A menina não respondeu. Parecia muito concentrada no outro lado da sala, ainda carregando sua mala com todo o cuidado possível. Um sofá do lado do balcão onde as contas eram acertadas estava muito ocupado, mas havia um motivo especial para olhar para lá. Uma senhora gorda agitava sua varinha e tricotava o que parecia ser um manto. Um menino de cabelos muito pretos e olhos azuis agitados lia com avidez uma história em quadrinhos. Entre eles, estava Hermione, concentrada em muitos papéis, o cenho franzido, mordendo o lábio inferior. O ruivo segurou na mão de Isa e levou-a até onde sua amada estava. Será que a pequena havia notado que a amiga estava ali?

- Muito ocupada? – Perguntou, assim que chegaram ao outro lado da sala, distraindo a morena das suas tarefas. Hermione levou um susto, deixando todos os papéis caírem. – Caramba! Desculpa! – Ele disse, abaixando para juntar os papéis.

- Não, tudo bem! – Ela respondeu sorridente, abaixando também. – Sabe que eu me perco sempre com todos esses papéis? Bem, você viu, minha casa é uma bagunça!

- Não é tanto assim! – Ron respondeu, rindo. Ela se aproximou mais e seus cabelos cobriram o rosto do ruivo, deixando que ele sentisse um perfume forte e floral que vinha de todo o seu corpo. – Perfume novo? – Perguntou, sem se conter.

- É sim... – A jovem respondeu, levantando, e Ron a viu enrubescer. – É forte demais, não é? Eu devia ter comprado um mais...

- É ótimo, Herm. – O ruivo interrompeu, entregando os papéis, fazendo com que ela ficasse mais vermelha, e abrisse o sorriso mais lindo que ele já havia constatado. – Combina com você. Consegue ser forte e delicado ao mesmo tempo. – Completou, encarando os brilhantes olhos cor de chocolate da morena, encantado com a emoção que transbordavam, fascinado com o perfume exalado no ar. Poderia passar horas daquele jeito, observando-a, sentindo sua respiração tão próxima...

- Onde nós vamos dormir? – A voz infantil de Isabela quebrou o clima, fazendo o jovem martirizar-se por tê-la deixado de lado.

- No quarto dezesseis. – Hermione respondeu, guiando-os até o aposento.

Claramente era ampliado por magia: Lá dentro, uma sala estendia-se com confortáveis sofás vermelhos e uma lareira onde lenhas queimavam. Atrás, uma pequena cozinha, e ao lado duas portas, que levavam ao quarto e ao banheiro.

- É ótimo! – Ronald exclamou, largando suas malas em um dos sofás.

- O problema é que... – A morena comentou, logo que abriu a porta do quarto. – Só tem uma cama de casal aqui.

- Ah... Você e a Isa podem dividi-la, não podem? – Ele perguntou às duas mulheres da sua vida.

Elas encararam-se por um momento. A menina havia planejado coisas meticulosas e muito eficientes para deixar Hermione fora do seu caminho, mas isso não parecia importar mais; tinha coisas mais urgentes a fazer. Já a mais velha viu nessa divisão de quartos uma oportunidade ótima de saber se Ron realmente havia mudado – e se era um bom pai. Olharam para o jovem e concordaram, deixando Ronald satisfeito.

- Sejam muito bem-vindos! – O senhor italiano cumprimentou, segurando com firmeza as mãos de Hermione e lhe dando beijos estalados nas faces. – Mas que bela morena o senhor tem, senhor...

- Eu e ela não... – Ron tentou argumentar, mas o dono do restaurante da pensão deu-lhe fortes tapas nas costas, cumprimentando-o pela majestosa suposta esposa.

- Muito bonita mesmo! E essa deve ser a sua menina! Que bela! Que bela! – Exclamou, bagunçando os cabelos de Isabela e completando. – Um ruivo, uma morena e uma loirinha! Como é incrível essa diversidade! – Mais uma vez o jovem tentou explicar a origem das suas companhias, mas o italiano o empurrou para uma das mesinhas redondas, onde pratos fundos já haviam sido postos e uma garrafa de vinho dos elfos já estava servida. – Sentem-se, aqui temos o melhor rodízio de massas na cidade! Temos capeletti, pizzas, calzones e...

- Ah sim, veremos no cardápio e... – Herm tentou interpolar, mas o senhor continuava recitando todas as massas da casa.

- E claro, um espaguete com molho de calabresa... E só! – Finalizou, depois do que pareceram horas. – Já sabem o que vão querer?

- Pizza! – Ron exclamou, como se fosse o mais óbvio dos pedidos. E era o único que ele ouvira, durante toda a falação do homem.

O chefe gritou algumas coisas em italiano antes de afastar-se novamente da mesa, mexendo as mãos e fazendo expressões exageradas.

Em fim, sós. Toda a família reunida. Hermione olhava distraidamente para os talheres, e Isa parecia interessadíssima no resto do restaurante.

- O que mais gostou em Hogwarts? – O ruivo perguntou, para quebrar o gelo, à menina.

- Quadribol! – Ela respondeu, animadíssima. – Você foi da equipe, não é, pai?

- Seu pai foi um grande goleiro da Grifinória. – A morena enalteceu, bebendo um gole do seu vinho.

- A Madame Hooch me disse. E me disse que você não tinha talento nenhum para voar. – Isabela terminou, bebendo o suco que lhe fora servido.

Ronald engasgou com o grande gole da bebida, tentando esconder uma gargalhada. Ainda tinha nítida na cabeça a imagem de Hermione deixando a vassoura intacta no chão, mesmo que insistisse no feitiço para fazê-la voar, e na expressão terrivelmente assustadora e cômica que ela fazia toda vez que via alguém voando, sabendo que aquela era a única coisa que não podia fazer melhor. Olhou para a morena, sentada na sua frente, exibindo a mesma expressão de perda. Parou de rir com esforço, completando:

- Desculpa, Herm! Mas é que...

- Eu sei, eu sei... – Ela disse, fingindo um sorriso. – Eu nunca levei jeito para isso mesmo...

Ron bebia o vinho para não rir mais, fato notado pela jovem, que o encarava o tempo todo. Isabela não ligava. Estava absorta em algo que acontecia no outro lado do salão, com uma outra família de ingleses, sendo bajulada pelo italiano do restaurante. O ruivo seguiu o olhar da filha, vendo a cena também. Uma senhora de cabelos pretos e curtos estava acompanhada por um menino, tão novo quanto a loira, e o dono do lugar questionava alguma coisa sobre o pai da família.

- Que foi, querida? – Ronald perguntou a menina, que parecia despertar de um sonho.

- Pobre família, não é? – Respondeu, sorrindo muito sem graça. – Aquele senhor não vai sair de lá tão cedo...

O pai concordou, feliz. Mas os olhos de Isa não viam só uma família atormentada pelo dono do restaurante. E Hermione sabia disso.

Não era tão ruim voltar a dormir no sofá, principalmente porque aquele tinha o seu tamanho e ficava aquecido pelo fogo na lareira. Depois de terem jantado juntos no restaurante da pensão – e Isa parecia gostar da comida de lá -, a menina e a mulher foram dormir e desde então o cômodo ficou extremamente silencioso. O ruivo sorria com aquela cena: Ele, sua filha e sua futura esposa, todos juntos, na mesma casa, passariam o Natal unidos. Só podia ser um sonho, mas ele preferia viver eternamente dormindo a voltar à realidade. A porta do quarto das garotas abriu-se lentamente, mas no silêncio daquela madrugada qualquer agulha caindo seria ouvida. Levantou-se para ver quem era e viu a morena dos seus sonhos saindo o cômodo.

- Sabia que estava acordado. – Ela comentou, fechando o roupão lilás e felpudo que usava. Ronald sentou e convidou-a para acomodar-se ao seu lado, que ela fez de bom grado. – Isabela é muito vaidosa, não é? Fiquei impressionada...

- Vaidosa? – O auror estranhou, pois nunca vira o mínimo sinal de vaidade na filha. Ela nem gostava de pentear os cabelos.

- Sim, ela prendeu os cabelos em uma trança para estarem mais ondulados amanhã de manhã, e vi que ela ficou olhando enquanto eu guardava os meus batons... Parecia interessada em maquiagem.

- Hum... Deve ter sido Hogwarts. As pessoas mudam muito por lá. – Ron finalizou, dando de ombros. Gostar de maquiagens e cabelos, afinal, era normal nas meninas.

- Você não mudou em nada lá dentro! – Hermione provocou, escorando-se no encosto do sofá, preguiçosa.

- Mudei sim! – Ele contestou, brincando. – Fiquei mais bonito!

- Mas isso foi depois do quinto ano! – A jovem disse, rindo.

- Então é por isso que você só ficou comigo depois do quinto ano? – Ron decidiu que era sua vez de provocar. – Não faz o seu feitio escolher as pessoas pela aparência, Herm!

- Não te escolhi pela aparência... – Ela comentou, corando, mas ainda divertindo-se. – Nem te escolhi, na verdade.

- Não?

- Tem certas coisas que nós não escolhemos... Elas só... Acontecem. – Completou, sem muita coragem de encará-lo nos olhos.

- E o que fazemos com as escolhas erradas que resultaram em coisas que não queríamos que acontecessem? – Ele perguntou, aproximando-se perigosamente, seus olhos focados nos lábios entreabertos da morena. O perfume dela espalhava-se no ar, e ele queria afogar-se naquela fragrância para sempre, intoxicar-se com o cheiro dela.

- Esquecemos. – Hermione sussurrou antes de fechar os olhos e sentir a respiração de Ron em seu rosto, seus lábios quentes dando pequenos beijos perto da sua boca, deixando-a totalmente entregue ao deleite que era estar novamente em seus braços. Suas mãos enlaçaram a nuca do ruivo, implorando por um beijo de verdade, quando uma porta abriu-se com um estrondo.

- Vocês não vão dormir? – Isa perguntou, vendo Ron afastar-se da morena, visivelmente decepcionado. – Tudo bem com você, pai? – Perguntou, fingindo-se inocente.

- Claro... Hermione e eu só estávamos conversando sobre o que vamos fazer amanhã, não é? – Dirigiu-se à amada.

- Sim, isso mesmo... Eu tenho que ir ao Ministério pela manhã, mas de tarde vamos aos pontos turísticos e temos que preparar o jantar... Afinal, é Natal! – Explicou para a menina, sorrindo, novamente não recebendo nenhuma alegria de volta. – Bom, vou dormir. Boa noite, Ronald!

Ron devolveu o "boa noite", apoiando os braços no joelho, sabendo que estava vencido: Isa não desistiria. Provavelmente sabia que os dois estavam juntos na sala, e não queria que ficassem assim. Não queria uma mãe, afinal. Ou não queria Granger, e isso era difícil de entender. A menina sentou ao seu lado, aconchegando-se de baixo das suas cobertas.

- Pai? – Chamou, tão doce quanto conseguia ser. – Posso dormir aqui? O quarto é muito frio.

- Pode sim. – Respondeu, ajeitando-se no sofá para que ela deitasse também. – Você gosta dela?

- Da Hermione? – Isa fez-se desentendida. – Ela é bonita. E inteligente também.

- Não perguntei isso. Isso todo mundo sabe.

- Ela gosta de você, e eu também. – Ela respondeu, como se isso explicasse muitas coisas. Ron levantou seu tronco, para poder olhar a menina.

- Ela te disse que gosta de mim? – Perguntou, afoito pela resposta.

- Ela estava beijando você! – A menina exclamou. – As pessoas só beijam quem elas gostam, não é?

- Por favor, Isa, pense assim pelo resto da vida! – O ruivo disse, encostando-se novamente no travesseiro, sabendo da noite longa que vinha pela frente. Novamente dormiria pensando em mais um beijo não acabado. Mas o outro dia seria Natal. E essa data sempre trazia milagres.