N/A: Desculpa pelos atrasos indevidos, peeps! Sua autora está carente e exigente, querendo reviews demais!
Espero que gostem desse como gostaram do outro!
Ah, a fic ganhou segundo lugar no challenge de Romance! Pirilampei!
Aproveitem!
Ron acordou ainda sentindo em sua pele o perfume de Hermione. Poderia conviver com aquilo para sempre, se fosse necessário, e desejava do fundo do coração que fosse assim. Isabela não estava mais ao seu lado, mas sim no chão, abrindo seus presentes e ofegando de curiosidade por cada um deles.
- Feliz Natal! – Ele desejou sem mexer-se debaixo das cobertas, não querendo enfrentar a manhã fria lá fora.
- Feliz Natal, pai! – A lourinha exclamou, dando-lhe um beijo no rosto. – Veja só o que a vovó me mandou! – Estendeu-lhe um suéter cor-de-rosa, tricotado a mão, com uma flor bordada no centro e um "I" desenhado no peito.
- Oras, um suéter Weasley! – Ronald reconheceu, rindo. – Sua avó vai lhe dar um desses a cada Natal da sua vida, pode esperar! – Explicou, ainda rindo. Uma outra pilha de presentes estava a sua espera, e ele já sabia que um suéter cor de tijolo estava ali. Levantou espreguiçando-se e morrendo de frio. – Acho que vou tomar um banho quente.
- Sim, deve estar congelando lá fora! – Ela concordou, esfregando os braços. Então, ele notou algo curioso.
- Isa... Está usando anéis? – Perguntou, apontando para os dois delicados adornos que ela trazia nas mãos, ambos prateados, um com uma pequena pedra cor de rosa e outro com uma folha verde desenhada.
- Sim... – Ela respondeu, sem jeito. – Alguém me deu de presente. Acho que foi a Hermione.
- Muito bonitos... – O ruivo avaliou, sem entender a motivação do presente. "Meninas usam anéis", algo lhe respondeu. "Minha filha não costuma usar anéis", ele pensou. "Sua filha está crescendo", o algo lhe explicou. Ron abanou a cabeça, para espantar a outra voz e esquecer que sua filha não era tão criança assim.
"Na idade dela, você já perdia noites de sono por causa da Hermione", a sua consciência lembrou. "E quando conseguia dormir, tinha sonhos, no mínimo, impuros para alguém dessa idade", continuou. "Lembra no terceiro ano, quando ela te abraçou?" A voz lhe perguntou. "Que tem?" Ele respondeu mentalmente. "Oras, você ficou noites e noites mal dormidas lembrando de que da última vez que tinham se abraçado ela não tinha tantas curvas e...".
- CALA A BOCA! – Gritou para sua voz interior. Mas não mentalmente. Isa olhava para ele assustada.
- Mas eu não falei nada! – Ela contestou, com os olhos arregalados.
- Ah... Bem... Estava falando comigo mesmo. – Ele explicou, sentindo que ficava vermelho. Talvez ele devesse perguntar à ela se nenhum menino da escola havia puxado assunto. "Claro que não puxaram assunto, são só crianças". "São crianças, senhor 'Hermione, você é uma garota!'? Não é só porque você é meio lerdo que..." – Pára com isso! – Ron sussurrou para sua consciência, saindo da sala e indo para o banho. Precisava esfriar a cabeça. Ou esquentar, não sabia bem.
O italiano do restaurante já havia dado mais tapas nas costas de Ron – que suspeitava que hematomas se formariam no lugar – e desajeitado os cabelos trançados de Isabela o suficiente para que eles decidissem nunca mais almoçar na pensão.
- A sobremesa pode ser em outro lugar? – A menina sussurrou, temendo ser ouvida pelo grande senhor.
- Com certeza vai ser em outro lugar. – O jovem respondeu, massageando as próprias costas. – Temos que encontrar Hermione na Fontana di Trevi. Ansiosa para conhecer Roma? – Perguntou, carinhosamente.
- Estou! – A menina exclamou, contente. – Vamos logo?
Ronald afirmou, pagando rápido a conta e esgueirando-se até a porta, com medo de ser avistado novamente pelo dono do restaurante, que ainda estava interessadíssimo na sua diversificada família. Pisaram na neve fofa sem que ninguém lhes desse tapas nas costas, e agradeceram a Merlim por isso. Os prédios tinham uma grossa camada de gelo encobrindo-lhes os telhados e quase fechando as portas. Apesar de fria, era a mais bela cena que ambos já tinham visto.
A Fontana di Trevi era tão movimentada quanto Ron pensara, e chegar perto dela para fazer um pedido parecia ser a motivação de toda Roma naquele dia. As águas estavam congeladas por cima, e quando as moedas batiam na superfície a camada fina se rompia e deixava o objeto afundar. Era engraçado ver a animação das crianças querendo ouvir o barulho de gelo partindo-se.
- Quer uma moeda? – Ron perguntou a filha, pondo a mão no bolso. – Troquei alguns galeões no Gringotes quando soube da viagem. – Explicou.
- Quero! Tenho que fazer um pedido! – Ela exclamou, estendendo a mão, e logo depois ponderando, sem graça. – Pode ser duas moedas? Queria fazer dois pedidos...
- Gulosa! – O ruivo riu, entregando as moedas à menina. – Vou fazer um também...
Isa fechou os olhos, mentalizando seus desejos. "Que o papai não me abandone. E não me troque pela Hermione".Pensou, atirando a primeira moeda e vendo-a bater no fundo da fonte. Segurou a outra e mentalizou outro dos seus desejos. "Que aquele garoto preste atenção em mim".Pediu, largando a moedinha. Sorriu, satisfeita.
- Agora você! – Disse a Ron, apontando para a água. – Vamos, faça um pedido!
Ron fechou os olhos, mesmo que não acreditasse em tantas superstições idiotas a ponto de crer que aquela fonte uniria sua família. Desejou, ainda assim: "Que a família dos meus sonhos se una".
- O que você pediu? – Uma voz feminina perguntou, mas não era Isabela. Hermione estava parada atrás dele, sorridente, usando o cachecol que o ruivo tinha visto nas suas compras.
- Não pode contar, pode? – Ron respondeu, virando-se para ela. – Mas acho que vai se realizar. – Finalizou, segurando a mão da amada, entrelaçando devagar os dedos nos dela, sentindo na sua pele fria a luva que cobria a pele dela, desejando ser aquecido, como sempre ficava ao lado da morena.
Ela sentiu suas bochechas esquentarem enquanto o jovem guiava sua filha e ela para longe da multidão em volta da fonte. Não podia mais negar: nada lhe agradava mais que estar perto dele, com a pele encostando-se à sua, seu perfume atraindo-a para si, observando toda a atenção que ele dedicava a ela. Apenas uma coisa ainda a preocupava. Isa andava ao lado deles, a cabeça baixa, o olhar quase congelado.
- Temos que levar alguns condimentos também, Ron. – Hermione comentou, andando pela pequena loja de departamentos em que faziam as compras de Natal. O lugar não apresentava muitas opções de alimentos, mas tiveram sorte de achar uma loja aberta naquele dia. – Acho que tem chocolate em pó lá... – Disse, apontando para um corredor distante, depois de conferir dentro da sua bolsa a lista de compras.
- Oba! Vai ter chocolate! – O ruivo comemorou, sorrindo para a amada, que retribuiu. – Biscoitos?
- Bolo. – Ela respondeu, andando até as prateleiras. – Onde está a Isa, Ron? – Perguntou, dando por falta da loura.
- Na seção de etrelodomésticos. – Ron apontou para trás, onde ficava a seção, e viu Hermione rir.
- Eletrodomésticos, Ronald! – Ela corrigiu, pegando o pacote de chocolate. – Vou chamá-la, acho que já temos tudo... – Disse, deixando o ruivo com as compras a serem pagas e atravessando os corredores.
Isabela examinava um telefone sem fio verde que estava no mostruário, parecendo fascinada pela cor, pegando as caixas e conferindo os preços e cores dos outros aparelhos.
- Vamos, Isa? – Hermione perguntou, aproximando-se da menina, que largou o aparelho e imediatamente tomou a postura gélida que sempre assumia com a suposta futura mãe. – Já terminamos as compras.
A loura concordou de cabeça baixa, não deixando que a jovem reparasse em um leve sorriso travesso nos seus lábios, que indicava o que faria a seguir. Andaram pelos corredores, a pequena aproximando-se gradualmente da mais velha, estendendo a mão para alcançar sua bolsa. Hermione sentiu um leve puxão, virando-se para trás a tempo de ver um pacote de balas caindo da mão da menina. Pacote que Isa tentava esconder na sua bolsa.
- O que você estava fazendo? – A morena exclamou, olhando para criança, que tinha os olhos arregalados em surpresa. – Isa, você ia roub...
- Eu não ia roubar nada! – A loura respondeu, antes que Hermione pudesse terminar sua frase. – Eu só queria levar... Não pensei que traria problemas... – Explicou-se, com a cabeça baixa.
- Mas traria! – A jovem exclamou, olhando para o pacote. – Ainda tem etiqueta. Os sensores na porta iam identificar... – Suspirou, vendo o preço das balas. – Compro pra você. Agora vamos lá...
- Mas Hermione... – Isa chamou, manhosa. – Não conte pro papai...
A morena suspirou mais uma vez, pesadamente, quase lamentando ter que esconder algo do ruivo. Não que fosse algo horrível. Afinal, faria com que a menina confiasse nela, e isso faria Ron feliz. O que não fazia por aquele homem?
- Tudo bem, Isa. Não vou contar nada.
A menina sorriu, andando em direção ao caixa em que o pai já pagava as compras, sendo seguida de perto por Herm. Não podia deixar que ela aprontasse mais alguma coisa.
O perfume de baunilha e chocolate já invadia a pequena cozinha acoplada com sala no quarto em que os três estavam hospedados. Depois de comer um delicioso peru com passas, receita da família de Hermione, Isa tirou do forno o bolo que a morena havia preparado. Pôs em cima da mesa, ouvindo os elogios que seu pai despejava na amiga, e foi cortando os pedaços.
- Acho que a primeira a comer deve ser a Herm. – Comentou, sorridente. – Afinal, ela preparou com tanto carinho...
- Ah, eu devia ter o direito de escolher para quem vai o primeiro pedaço! – A jovem contestou, fingindo-se braba. – Mas já que vocês insistem...
Ronald riu, achando maravilhoso que sua filha e a mulher da sua vida estivessem tão felizes juntas. Observou a morena levar o pedaço de bolo à boca, e viu a primeira mordida... Explodir. O recheio de chocolate, tão bem preparado, espalhou-se pelo rosto, roupas e cabelos dela. De dentro da fatia, algo que parecia uma mini-bomba saiu rodopiando pela cozinha, fazendo um barulho ensurdecedor, atropelando talheres e copos.
- Deixa que eu pego! – Ron exclamou, levantando com a intenção de juntar o objeto, que fugia dele toda vez que tentava escapar. – Ei, volte aqui! – Ele gritou, ouvindo as risadas de Isa, que acompanhava tudo ainda sentada na sua cadeira. Hermione limpava o creme no seu rosto. – Ah, te peguei! – Disse, quando, depois de jogar-se, no chão, prendeu o objeto nas mãos. E ele explodiu mais uma vez, transformando-se em pó.
- O que foi isso? – Hermione perguntou, levantando, as mãos na cintura. Só agora o ruivo podia ver a real situação da amada. A mini-bomba havia passeado pelos seus cabelos, muito mais bagunçados do que de costume agora. O recheio de chocolate parecia impregnado na sua pele. Estava horrível e muito, muito engraçada.
- Você fez o bolo... – Ron justificou, rindo. – Devia saber o que pôs nele!
- Não, não devia! – A morena exclamou, apontando para Isa. – Porque foi ela que fez isso!
- Eu? – A loura perguntou, apontando para si mesma. – Eu não fiz nada!
- Mentira! – A jovem exclamou, perdendo sua paciência. – Claro que fez! Você que pôs a massa no forno!
- Eu não acredito que você esteja culpando a minha filha por um erro seu, Hermione! – O Weasley interrompeu a discussão entre as duas, indignado. – E ainda a chamou de mentirosa!
- Mas é verdade, Ronald! Parece que não percebe o quanto ela quer me provocar! – Ela gritava agora, as mãos na cintura, querendo ou sumir dali ou estuporar alguém.
- Que bonito, Senhorita Granger! – Ron gritou também. – Querendo competir com uma menina que não tem nem doze anos!
- Eu nem poderia competir com ela, Senhor Weasley! – A morena rebateu, no mesmo tom irônico que ele usara. – Afinal, não sei pra qual de nós duas você liga menos!
- O que? Eu que lig...
- Você não notou que ela derramou aquele café de propósito em mim! Não viu que ela me provocava toda vez que tinha oportunidade! Não reparou nem que ela está apaixonada pelo filho daquela mulher que ela não pára de olhar no restaurante! – Concluiu, deixando-se cair na cadeira de novo. Olhou de relance para Isa, que estava de cabeça baixa, escondendo as bochechas coradas com todas as revelações. Principalmente a última. – Você é tão idiota, Ronald!
Terminou, apoiando a cabeça entre as mãos, segurando as lágrimas que teimavam em brotar nos seus olhos. Queria, por tudo, que ele tivesse mudado. Que fosse um pai responsável e atencioso, compreensivo e sensível. Mas aquele era Ronald Weasley. O legume mais insensível que ela tivera a infelicidade de conhecer. Levantou, indo tomar banho e tirar toda aquela sujeira do seu rosto, deixando pai e filha sozinhos.
O ruivo deixou todo seu peso cair de uma vez só no sofá. Cansado demais até para baixar a cabeça, ficou encarando as chamas crepitantes na lareira, que trocavam de cor de segundo em segundo, de amarelo para laranja, de laranja para vermelho, de vermelho para nuances em azul. Azuis, como seus olhos. E os olhos de Isabela. A menina sentou ao seu lado, quieta, escolhendo as palavras que deveria usar. Mas não era ela que precisava dizer algo.
- Desculpa, filha. – Ron pediu, com a voz rouca. – Eu devia ter perguntado como você se sentia em relação a ela. Devia...
- Não, pai. Eu devia ter perguntado. – A loura admitiu, pondo uma mecha dos finos cabelos atrás da orelha. – Mas eu não queria... Não queria te dividir.
- Querida... – Ele chamou, pegando nas suas pequenas mãos e olhando-a nos olhos. – Você nunca vai me dividir com ninguém, porque eu nunca vou deixar de ser seu pai. Você não perderia nada se eu ficasse com a Hermione. Ao contrário, você ganharia mais alguém para cuidar de você! – Isa ponderou por um momento, olhando de esguelha para as chamas na lareira, para não ter que encarar os olhos do ruivo.
- Você a ama, não é? – Isabela perguntou, sabendo a resposta. – Quanto? – Completou.
- Muito. Acho que ela é a mulher perfeita para viver comigo e cuidar pra sempre de você. – Ele explicou, confessando pela primeira vez em voz alta tudo que sentia pela morena.
- Então... Acho que ela é perfeita para mim também. – Concluiu, dando de ombros. – Você não faz muitas escolhas erradas... Afinal, você quis me adotar! – Completou rindo, fazendo o jovem rir também.
- Mas parece que eu fiz tudo errado de novo... – Ron comentou, a melancolia passando nos seus olhos. – Não é?
- Não... Se eu puder evitar... – Ela sorriu, abraçando-o. Um sorriso muito parecido com o idêntico sorriso de Fred e George. – Juro que nunca mais uso os presentes dos tios na comida, pai!
Ronald riu, já imaginando de onde ela havia tirado aquela mini-bomba. Nunca pensou que criaria alguém tão parecido com seus irmãos.
