Parte 6:
House não estava orgulhoso do que havia feito, mas ao menos era por uma boa causa.
No entanto sabia que sua mentira havia preocupado Cuddy, afinal ela não parava de ligar para ele.
Ele sabia que ela o faria, por isso destinou as ligações da sua casa para seu celular porque ao invés de estar descansando em casa ele estava perambulando pelas joalherias em busca do anel perfeito.
- "Você está bem?" Ela perguntou pela milésima vez.
-"Estou melhor. Não se preocupe." Ele garantiu.
- "Acho que vou sair mais cedo para passar ai ver você." Disse ela.
- "Não! Ele se apressou. –"Não precisa se preocupar. Você que devia estar em casa, com essa barriga enorme ai."
-" De qualquer forma vou passar ai depois do expediente para impedir você de se entupir de comprimidos."
- Senhor temos também com esmeraldas... Disse a funcionaria da joalheria.
- "Cuddy tenho que desligar." Disse ele fingindo estar passando mal.
- "House!"
Logo em seguida ele desligou com medo de que ela desconfiasse.
- O que eu disse pra você? Nada de conversa enquanto eu estivesse no telefone! Ele reclamou com a moça que ficou corada.
- Mas o senhor...
- Esmeraldas? Eu pedi claramente um diamante. Você não sabe a diferença? Ele perguntou ironicamente.
- É claro que sei! Ela pareceu ofendida. – Apenas quis mostrar todas as possibilidades.
- Você já viu alguém noivar com esmeraldas? Eu nunca.
A moça deu um suspiro deixando claro que já estava perdendo a paciência e mostrou todos os anéis de diamantes possíveis até que os olhos dele se encantaram com um especificamente.
A pedra era grande, vistosa e brilhava tanto que era possível se espelhar. O anel era em ouro branco com detalhes em pequenos brilhantes e seria impossível aquela jóia não ser vista no anel de alguém. O anel era como Cuddy, embora muito atraente era elegante e clássico, portanto teve a certeza de que era aquele. Ao comparar com um anel dela que ele havia pego furtivamente na caixa de jóias dela, teve a certeza de que caberia com precisão no dedo dela, deixando ainda mais claro de que aquele diamante, já tinha dona.
- Vou levar esse. Ele disse deixando a moça aliviada por finalmente se livrar de House. Ele então colocou a pequena caixinha no bolso do casaco e resolveu ir para casa o mais rápido possível antes que Cuddy percebesse que ele havia mentido.
Por sorte ainda deu tempo de tomar um banho e esconder o anel numa gaveta da cômoda.
Como Cuddy tinha a chave do apartamento dele foi entrando à procura dele e o encontrou na banheira com a cabeça tranquilamente pousada no encosto e os olhos fechados. Se demorasse pouco mais, talvez teria sido descoberto.
Ela sorriu e se aproximou, abaixando-se com cuidado ao lado dele. Logo em seguida pousou a mão no peito dele acariciando-o gentilmente enquanto ele abria o olho devagar.
- Como se sente? Ela perguntou parecendo preocupada o que o fez sentir-se culpado por um minuto por ter mentido.
- Melhor agora. Ele respondeu com malícia fitando os seios dela.
- Você não toma jeito, não é? Ela riu.
- Não. Agora pare de falar e entre aqui. Disse ele num tom de ordem.
- Não posso.
- Porque não? Ele perguntou intrigado.
- Não quero machucar você. Disse ela fitando a perna dele.
- Você acha que vou conseguir pensar nisso tendo você aqui dentro? Ele perguntou apoiando o braço na banheira para fitá-la mais de perto.
- Como você pode dizer isso? Eu não estou nada sexy. Ela riu.
- Pra mim está ótima. As bolsas da diversão estão duplicadas o que resulta em diversão duplicada. Ele ergueu as sobrancelhas.
- Mas eu não me sinto ótima. Ela resmungou insegura.
- Entre aqui que eu já faço você se sentir ótima. Ele insistiu.
- Você não vai desistir mesmo, não é? Ela sorriu.
- Você tem alguma dúvida?
Ela então cedeu e começou a se despir para entrar na banheira e somente ao vê-la retirar o vestido vermelho e os sapatos já estava ficando excitado. Sentando-se de frente para ele ela deu um suspiro aliviado.
- Nossa... Isso era tudo que eu precisava. Meus pés doem... Minhas costas doem...
- Devia parar de usar tanto salto agora nos últimos meses.
- A única coisa que eu tenho sem salto são os meus chinelos. Ela explicou com um sorriso. House então puxou uma das pernas dela e começou a massagear-lhe os pés com movimentos firmes, porém de forma carinhosa fazendo com que ela soltasse um suspiro.
- Esse era um dote seu que eu não conhecia, Gregory House.
- Gostou da descoberta? Ele perguntou passando a massagear seus tornozelos que estavam inchados.
- Não poderia ter gostado mais. Você me surpreende mais a cada dia. Disse ela instantes depois se erguendo para tocar o queixo dele.
- Em que sentido? Ele perguntou curioso.
- Em todos. Você está diferente dessa vez. Ela argumentou.
- Estou velho. Isso sim, minha cara.
- Nesse caso eu gosto desse velho House. Ela riu virando-se e deitando-se sobre ele enquanto ele passava a esponja delicadamente pelo corpo dela.
- Sabe, o que aconteceu na verdade? Ele perguntou de repente.
- O que?
- Por mais que seja duro admitir, eu preciso de você. E por isso eu tenho que fazer possível para não perder você. Ele suspirou.
- Você nunca vai me perder. Ela disse entrelaçando a mão dele na sua e dando-lhe um beijo suave.
- Não mesmo. Já garanti isso, colocando uma coisa minha dentro de você. Disse ele massageando a barriga dela.
- Na verdade você põe algo seu dentro de mim todas as noites. Ela falou baixinho no ouvido dele sentindo que o corpo dele havia se eriçado com aquele comentário.
- Você me mata, mulher!
- Sabe que outra coisa anda duplicada em mim nos últimos meses? Ela perguntou com um sorriso suspeito enquanto as mãos dele deslizavam até a virilha dela.
- O que? Ele perguntou infiltrando-lhe um dedo fazendo com que ela suavemente contraísse o quadril.
- A minha libido. Ela sussurrou no ouvido dele.
Aquilo bastou para que House continuasse o que fazia com ainda mais intensidade até que ela puxasse sua mão deitando a cabeça sobre ele novamente, com a voz falha e ofegante.
Ele então a puxou para cima amaldiçoando a barriga que a cada mês se tornava um empecilho mais difícil de contornar naquelas horas em que a necessidade de estar dentro dela era mais urgente do que tudo.
Cuddy encaixou-se sobre ele naquela posição mesmo contraindo o quadril e deitando a cabeça no ombro dele enquanto House adentrava seu corpo cada vez mais à fundo, com as mãos acariciando seus seios e a boca dando beijos suaves em seu pescoço.
Ela pensou que não poderia mais agüentar quando finalmente com um grito de alívio eles chegaram ao ápice juntos e House acariciou a testa dela.
Ele nem mais se lembrava do porquê tinha ficado em casa, ela tinha o dom de tirar todo e qualquer pensamento de sua mente.
No entanto, um chute do bebê os tirou daquele estado nirvana.
- Parece que mais alguém acha que o papai aqui é ótimo. Disse House num tom suave.
- Convencido! Até parece que você fez sozinho. Cuddy retrucou ofendida.
- Porque quando se trata de nós, tudo acaba virando uma competição? Ele perguntou quando ela começou a se levantar.
- Porque você faz de tudo uma competição.
- Eu? Ele perguntou chocado.
- House, sem brigas inúteis hoje por favor? Amanhã cedo marquei com uma corretora, para vermos uns apartamentos. Dizendo isso ela beijou a testa dele e deixou o banheiro enrolada na toalha.
- Isso! Depois que já usou o bastante vai embora sem uma despedida apropriada. Ele bufou.
- Não estou ouvindo! Ela gritou do quarto com uma voz maldosa.
House deu um sorriso satisfeito e suspirou, saindo da banheira. Enrolou a toalha na cintura e começou a fazer a barba, quando de repente sua toalha caiu, e ficou a analisar sua perna. Fazia tempo que não olhava para aquela cicatriz, para os vestígios que haviam sobrado daquilo que poderia ter resultado em sua morte.
Então viu o reflexo de Cuddy no espelho, e ela o fitava com uma expressão culpada enquanto acariciava a barriga.
Ele se lembrou de como costumava jogar na cara dela que ele estava aleijado por causa dela, mas na verdade era somente para irritá-la e talvez nunca tivesse percebido como aquele tipo de comentário a chateava.
Pensando que era hora de fazer mais uma mudança em seus pensamentos ele ajuntou a toalha, cobriu-se e se virou para ela aproximando-se.
- Me desculpe, não havia outro jeito... Ela disse com os olhos lustrosos e prontos para derramar uma lágrima. House colocou a mão delicadamente sobre a dela e sussurrou para que ela se calasse dizendo:
- Não tem porque se desculpar. Você me salvou. Desculpe nunca ter reconhecido isso antes. Ao menos não na sua frente. Ele disse sorrindo.
Ela sentiu-se mais leve ao ouvir aquilo. Era tudo que ela precisava para que pudesse olhá-lo mancando e com dor sem sentir-se culpada. Porque afinal das contas não era culpa dela, ela fez o melhor que pode pois o que realmente a faria sentir-se derrotada seria permitir que ele morresse ao invés de tentar salvá-lo mesmo sabendo que deixaria alguma seqüela.
House sabia disso e queria que ela tivesse certeza disso então sem dizer mais nada a abraçou e beijou seus cabelos ainda molhados e fazendo uma piada para quebrar aquele clima tenso.
- Eu nem ligo mais, quer dizer a menos que você se importe de andar com um velho de bengala. Cuddy teve que rir com aquele comentário.
Era por isso que ela o amava, porque por mais duro e seco que quisesse aparentar na maior parte do tempo, ele sabia como trazer a luz que ela precisava quando tudo que via era escuridão.
- Vamos dormir? Está ficando muito tarde... Disse ela puxando-o pela mão.
- Tudo bem que eu uso uma bengala, mas você poderia ter negado o fato de eu ser velho. Ele reclamou.
- Você não é velho, Greg. Ela riu.
- Agora não é válido. Você negou só porque eu pedi. Ele cruzou os braços.
Dando um suspiro impaciente Cuddy o jogou na cama e o beijou nos lábios de uma maneira violenta dizendo em seguida:
- Podemos dormir agora?
- Se você quiser fazer com que eu durma, essa não é a melhor maneira. Ele sorriu.
- House...
- Está bem... Como quiser, minha senhora e soberana. Disse ele fazendo uma continência.
- Estou ficando cheio disso! Porque as pessoas não podem ver uma mulher grávida sem enfiar a mão na barriga dela? Disse House irritado.
- Você acha que eu também não me incomodo com isso? Cuddy sussurrou enquanto os dois entravam no elevador para ver mais um apartamento. Já haviam visto uns quatro e nenhum havia agradado os dois mutuamente. Sempre discordavam em alguma coisa.
- Já chegamos. Avisou a corretora olhando com cara feia para House, pois ela havia tocado na barriga de Cuddy.
- Agora sim que ela vai nos mostrar os piores apartamentos. House sussurrou para Cuddy.
- Eu sei que vocês queriam um apartamento num andar mais baixo, mas entendam, apartamentos com uma boa localização são cada vez mais procurados e logo, mais difíceis de conseguir.
- Que nada. Tenho certeza que a nossa filha vai adorar fazer ginástica subindo pelas escadas vinte e cinco andares. House debochou.
- House... Cuddy o olhou apreensiva.
- Bem, vamos ver o apartamento... Ele suspirou com um ar cético.
A mulher de cabelos negros abriu o apartamento que tinha a maior janela de vidro na sala de jantar que ele já havia visto.
- Até agora eu gostei... É espaçoso.
- Vinte e cinco andares... House comentou de novo.
- E daí? Pra isso que inventaram o elevador! Cuddy reclamou.
- Mas e se faltar luz?
- Ai não saímos de casa.
- E se precisarmos ir ao hospital? Ou levar o bebê para o hospital? E se tivermos uma emergência?
- Você tem que ser sempre tão pessimista? Você mora num andar bem alto, caso não se lembre.
- Mas eu não tenho um bebê morando comigo.
- Vocês querem ver os quartos? Ela perguntou.
- Sim, eu quero. Disse Cuddy frizando a palavra "eu.".
Cuddy seguiu em frente com Cuddy lutando para não admitir para si mesmo que realmente o apartamento era muito bom. Os quartos eram espaçosos, a suíte tinha uma banheira enorme e a vista era linda.
- O que achou House? Cuddy perguntou ao ver que ele estava balançado.
- Ainda podemos ver outros.
- Será que pode nos deixar a sós um minuto Claudia? Perguntou Cuddy com um suspiro irritado.
- Mas é claro. A mulher saiu do quarto e fechou a porta.
- Que foi? Ele perguntou confuso.
- Admita que você gostou do apartamento.
- Você não pode me obrigar a dizer algo que não concordo. Ele disse num tom arrogante e sarcástico.
- Ah é? Quer pagar pra ver? Ela sorriu e começou a descer a mão pela barriga dele até alcançar sua virilha e apertar o membro dele, fazendo com que ele estremecesse.
- Isso é golpe baixo, literalmente. Ele resmungou.
- House, nós já vimos centenas de apartamentos e você sempre acha algum defeito. O único suposto defeito desse é o andar no qual ele se encontra e eu não acho que seja uma reclamação válida levando em consideração que você não quer morar numa casa. House não havia prestado atenção em nada do que ela dizia, pois a mão dela permanecia naquela região perigosa que se aquecia mais a cada minuto que passava.
- Mas eu queria um apartamento que fosse ao menos no décimo andar. Vinte e cinco é demais. Ele sussurrou quase sem voz.
- Pense assim... Ela falou calmamente no ouvido dele. – 25 é o número de vezes que vou transar com você na nossa primeira noite aqui.
Ela então sustentou o olhar dele e ao invés de dar uma resposta ele a empurrou contra a parede e começou a beijá-la nos lábios ferozmente, descendo até os seios, mordendo-os mesmo cobertos pela blusa vermelha profundamente decotada.
- Isso é um sim? Ela perguntou entre um beijo e outro.
- É uma tentativa de evitar o assunto. Disse ele pouco antes de voltar a beijá-la e colocar a mão dentro da saia dela.
- Claro, você não agüenta vinte e cinco vezes não é? Cuddy provocou.
- O que? Podemos começar agora mesmo! Disse ele abaixando a saia dela e caindo na armadilha dela.
- House, Claudia está ali fora. Cuddy sussurrou.
- Ela não se atreveria a entrar aqui. Disse ele encaixando-se a ela.
- Meu Deus! Claudia entrou logo em seguida tapando os olhos e se virando de costas.
- Sua boca grande! House gritou com Cuddy,
- Desculpe. Nós nos sentimos em casa demais. House deu um sorriso amarelo, fechando a calça ligeiro. – Ficaremos com o apartamento.
- Como se tivessem outra saída. A mulher bufou e saiu do quarto corada e ainda escondendo o rosto.
- Satisfeita? House resmungou.
- Ainda não. Porque não termina o que começou? Ela perguntou com um olhar cheio de malícia.
- Sua insaciável! Terei que te engravidar mais vezes. Disse ele cobrindo os lábios dela com um beijo mais uma vez e atendendo ao pedido dela, pois ouviu quando a mulher bateu a porta de entrada do apartamento, deixando-os a sós.
Sendo assim eles estrearam o apartamento que agora já era deles, fazendo sexo em todos os ambientes do mesmo, inclusive no quarto que seria destinado ao bebê, ainda sem nome.
Nos dois meses seguintes eles decoraram o apartamento e completaram o enxoval da filha. Levou tempo até mobiliar o apartamento, pois eles quase não tinham tempo e Cuddy se recusava a pedir uma licença apesar de já não agüentar usar seus sapatos de tão inchados que estavam seus pés.
Mesmo assim ela continuou indo trabalhar até que ela própria conseguiu admitir para si mesma que sua barriga incomodava demais.
Passou então a ler livros sobre como cuidar de bebês embora já soubesse tudo de cor, pois estava lendo livros sobre bebês já faziam uns seis anos.
Admirou o quarto de sua filha, todo cor de rosa, que o próprio House fez questão de pintar e ajudar a decorar, algo que ela nunca pensou que quisesse fazer.
E House ainda guardava aquele anel que comprou há tanto tempo sem saber a hora certa de pedir, ou como pedir Cuddy em casamento.
Não queria um clichê nem queria ser meloso, como dizer que ela era a coisa mais importante da vida dele, sem parecer melodramático?
