Parte 7.

- Cadê ela? House perguntou andando o mais rápido possível pelos corredores, procurando por Cuddy que havia passado mal mais uma vez e não se encontrava no quarto onde ele havia deixado.

- Ela estava aqui há um minuto. Respondeu Treze.

- Bom, ela caminha muito em um minuto então. Debochou House.

- Ela está na sala dela. Respondeu Cameron, sem saber se tinha feito a coisa certa.

- Diabos mulher, você não devia estar em casa? House resmungou entrando na sala dela sem bater.

- Greg, não seja ridículo, foi apenas uma queda de pressão. Ela riu com deboche.

- Se você não for, eu registro ela como Mary May House. Disse ele num tom de ameaça.

- Ok, está bem. Ela respondeu descrente.

- Está duvidando? Ele parecia ofendido.

- Não, eu apenas concordei com você. Disse ela séria, apoiando a mão nas costas.

- Mulher você pode ter esse bebê a qualquer momento, será que não vai usar a sua licença?

- Não, enquanto minhas pernas saírem do lugar. Disse ela sorridente.

- Teimosa!

- Odeio ficar em casa sem fazer nada. Me sinto inútil. Ela respondeu.

- Arrume as coisas do bebê, separe as roupas por cores, qualquer coisa! Disse ele fazendo-a levantar-se da cadeira, pois a barriga dela já estava muito grande, afinal estava prestes a dar a luz.

- Já fiz isso umas duas vezes. Ela respondeu.

- Leia o kama sutra. Ele disse com um tom malicioso.

- Já sei de cor e você já se esqueceu de como coloco em prática? Ela perguntou correndo os dedos pelo peito dele abrindo um botão da camisa com um olhar de desejo.

- Não me tente. Ele resmungou. – Sei o que você está fazendo. Não vai funcionar.

- Não mesmo? Ela perguntou abrindo o botão da calça dele e enfiando a mão dentro da sua cueca.

- Não! Posso estar louco por dizer isso, mas você realmente precisa de repouso. Disse ele se afastando com pesar e direcionando ela a porta, embora mesmo com aquela barriga ele achava que ela estava incrivelmente sexy naquele vestido vermelho que destacava tão bem os atuais e avantajados seios dela.

Cuddy perdeu a briga e acabou indo para casa. Achava deprimente ficar em casa à toa enquanto todos naquele horário estavam trabalhando.

Precisava se ocupar com algo então resolveu organizar a parte do closet destinada à House. Era uma bagunça e desde que foram morar juntos ela entendeu porque as camisas dele viviam amassadas.

Começou arrumando as camisetas, logo em seguida passou para as camisas e quando chegou aos casacos encontrou várias coisas nos bolsos dele que ele a acusava de ter "escondido em algum lugar.".

No entanto, quando checou os bolsos de um casaco que ele não usava há muito tempo, talvez porque o mesmo estivesse esquecido no fundo do armário ela ficou surpresa, para não dizer chocada. Havia uma pequena caixinha de veludo num dos bolsos internos e quando abriu a caixinha, o mais belo anel de diamantes que ela já havia visto.

Porque diabos House guardara um anel de noivado num casaco esquecido no fundo do guarda roupa? Não parecia estar lá há muito tempo, então estaria ele tentando pedi-la?

Ela não saberia o que responder se ele fizesse a pergunta, quer dizer ela sabia muito bem a resposta, mas estariam prontos para assumir um compromisso como aquele?

Por outro lado eles já tinham um compromisso ainda maior: uma filha.

Uma filha que chegaria em breve realizando um sonho antigo dela, um sonho que ela nunca pensou que terminaria por compartilhar com Gregory House.

E essa era uma das surpresas mais agradáveis que ela tivera, pois por mais que ele ainda fosse o velho House em muitos aspectos, ele havia se tornado o companheiro e o pai mais dedicado que ela chegou um dia a imaginar.

- Querida, cheguei! Ouviu ele dizendo em alto e bom som fazendo com que ela guardasse novamente o anel de um jeito descuidado para que ele não soubesse que ela havia encontrado.

- Encontrou alguma ocupação? Ele perguntou entrando no quarto.

- Minha ocupação acabou de chegar. Respondeu ela sorridente e jogando sobre ele para beijá-lo.

- Porque todo esse repentino bom humor? O que aconteceu? Perguntou ele desconfiado.

- Nada demais. Eu amo você. Disse ela com um brilho diferente nos olhos que ele não soube reconhecer.

- E só agora você descobriu? Ele perguntou como se fosse óbvio.

- Você nunca pode falar sério? Ela bateu no braço dele.

- Só às vezes. Então ele se aproximou e disse em seu ouvido: Também amo você minha deslumbrante patroa.

- Nossa que funcionário mais amável. Ela brincou enquanto desabotoava a camisa dele.

- Você não viu nada minha cara. Precisa de ajuda para ficar completamente nua nesse exato momento para que eu possa executar de maneira mais eficiente minhas tarefas?

- Bem, não seria problema algum, se você me ajudasse, sempre tão gentil. Disse ela suavemente.

- É um prazer, minha senhora. Literalmente.

- Precisamos de um nome. Disse Cuddy deitada sobre o peito dele roçando os dedos na barba dele.

- Bom, eu acho que me sentiria estranho nessa altura da minha vida não sendo mais Gregory House. Disse ele pensativo.

- Não para nós. Para o bebê e você sabe. Ela riu.

- Você pense, já dei minhas sugestões. Disse ele magoado.

- Você realmente queria que ela se chamasse Honda Lee ou Mary May? Cuddy debochou.

- Sophie não é ruim. Ele pensou.

- Sophie não era uma namorada sua da faculdade? Cuddy arqueou a sobrancelha.

- Não! Aquela era Sofia, lindas coxas. Ele relembrou, fazendo com que Cuddy lhe desse um tapa numa região sensível do seu corpo.

- Porque fez isso? Você é bem mais gostosa que ela.

- Não me interessa o seu passado. Disse ela com um ar superior.

- Porque? Você estava no meu passado. Ele a lembrou. E está no meu presente. Disse segurando o rosto dela.

- E pretendo estar no seu futuro. Ela sorriu.

- Sempre. Agora não sorriu, ao invés disso, lhe deu um beijo profundo, demorado e intenso, fazendo com que todo o seu corpo se arrepiasse a cada toque, a cada gesto dela.

- Hum... Ela deu um gemido parando de beijá-lo.

- O que foi? Perguntou ele escorregando a mão pela barriga dela e entendendo que aquele gemido não era o que costumava ser.

- A bolsa estourou! Ela respondeu calmamente.

- Estou vendo! Levante-se, vista-se, temos que ir pro hospital. Disse ele levantando e procurando a mala que ela já havia deixado pronta para isso. No entanto parou ao ver que ela não parava de rir.

- Qual a graça? Ele franziu a testa.

- Você pretende ir para o hospital assim? Disse ela descendo o olhar e ele se deu conta de que ainda estava nu.

- Mero detalhe. Disse ele procurando as calças e se vestindo enquanto ela ia calmamente para o banheiro se secar, em contraste com a histeria dele.

- House, você quer se acalmar? Eu estou entrando em...

- Em? O que foi? Ele se aproximou segurando o braço dela que se contorceu de dor.

- Em trabalho de parto, não tendo um ataque cardíaco.

- Não, o ataque cardíaco quem está tendo sou eu. Disse ele pálido fazendo ela rir.

- Termine de se vestir. Estou bem. Disse ela colocando novamente o vestido e pegando sua mala.

- Meu Deus, nem parece que é a primeira vez que você faz isso. Porque está tão calma? Ele perguntou confuso.

- Porque estou feliz, e porque o histérico aqui já é você.

Eles finalmente chegaram ao hospital, mas diferente do que House esperava sua filha não tinha pressa alguma em nascer. Já haviam se passado três horas e Cuddy ainda não tinha dilatação o bastante para ser mandada para a sala de parto.

- Ela interrompe a gente, pra isso? Deixar-nos aqui plantados esperando por ela? Disse ele irritado.

- Pare de gritar com um bebê que ainda nem nasceu! Disse Cuddy tampando a barriga.

- Exatamente, não nasceu!

- É claro que ela não tem pressa. Ela é sua filha! Você levou anos para tomar alguma atitude e dizer que me amava.

- Eu não sabia que era isso que eu queria.

- Porque não se arriscou? Ela deu de ombros.

- Porque essa conversa agora? Já estamos juntos, moramos juntos e estamos esperando nossa filha preguiçosa nascer, acho que superamos a lerdeza não? Disse ele com um sorriso sarcástico.

- Porque está irritado? Você está estragando o parto da minha filha! Ela reclamou.

- Como você pode esta calma, gemendo a cada cinco segundos e não envolver sexo?

- Bem, envolveu sexo, nove meses atrás. Disse ela se contorcendo.

- E que sexo bom... House suspirou.

- Sempre é. Ela sorriu e agora reclamou com mais intensidade.

- Cuddy, você está bem? Ele perguntou, ficando assustado novamente, segurando a mão dela.

- Não. Eu acho que agora ela está vindo. Ela disse por entre os dentes.

- Viu, foi só fazer pressão psicológica que ela se mexeu.

- Igual à você. Disse ela dando um breve sorriso.

- Eu vou chamar o médico. Disse House.

- Você é médico! Não saia daqui!

- Acredite, esse não é meu departamento, o meu departamento é aquele que resulta nisso.

- Até numa hora dessas você tem que fazer piada?

- Ué, você não disse que eu estava muito histérico?

- Será que está na hora? Disse o médico entrando no quarto.

- Diga você. Mas meus ouvidos já estão zunindo. Cuddy beliscou ele, por falar isso.

- Bem, parece que essa garotinha está pronta para nascer. Vou mandar trazerem uma cadeira de rodas.

- Eu posso andar! Cuddy alegou.

- Não, não pode. House a contradisse.

- Você é um pé no saco às vezes. Ela resmungou mas ao invés de retrucar ele foi na frente dela, ergueu sua camisola e logo em seguida disse:

- Acho que as orelhas estão para fora. Não fale assim na frente da criança. Disse ele debochado.

- Consegue vê-la? Ela perguntou emocionada, esquecendo a dor por um minuto.

- Na verdade vejo uma bola preta cheia de sangue. Mas acredito que seja ela. Ele garantiu.

- Bem, prontos para ir para a sala de parto? Disse o médico empolgado.

- Não, todo esse suspense me deixa extasiado. Ironizou House recebendo um olhar nada agradável de Cuddy que já estava corada e suada de tanto se contorcer de dor.

E o suspense não terminaria tão cedo, porque como Cuddy havia dito, aquela menina não tinha pressa, não ligava para o quanto sua mãe estava louca para ver seu rosto. Ou o quanto seu pai estava curioso para ver se ela se pareceria com a mãe e assim ele se tornaria um alvo muito fácil para a menina.

Cuddy estava feliz, mas ao mesmo tempo cansada, tinha vontade de desistir, mas House estava ao lado dela o tempo, segurando sua mão e lhe dizendo:

- Lisa Cuddy, você pode fazer isso! Não desista.

- Estou cansada. Ela sussurrou. – Porque não me dão alguma droga? Não posso ficar "Lucy in the sky with diamonds1"? Cuddy resmungou.

- Lisa, você esperou tanto para ganhar essa corrida e agora quer desistir segundos antes de cruzar a linha de chegada? Ele perguntou com um sorriso e ela emocionada não resistiu e o beijou suavemente nos lábios antes de fazer força novamente.

- Ela está vindo, um pouco mais. Disse o médico. Cuddy fechou os olhos e apertou a mão de House ao ponto de quase machucá-lo, mas quando abriu os olhos ouviu um choro de bebê. – Ela é linda. Disse o médico sorridente. – Dr. House, gostaria de cortar o cordão umbilical?

- Eu? Ele pareceu surpreso.

- É sua filha não é? O médico riu.

House um pouco amedrontado se aproximou do médico e olhou para o bebê como se fosse uma bomba. A bomba que já tinha modificado sua vida muito antes de nascer. A surpresa é que olhando para ela, ele não via nada assustador, pelo contrário, mesmo vendo-a pela primeira vez soube que amaria aquele pequeno pedaço de gente tanto ou mais do que amava Cuddy, porque ela era a mistura dos dois.

Depois de cortar o cordão umbilical, segurou o bebê que chorava incansavelmente e ele nem ligava, pois só conseguia ver os olhos ansiosos de Cuddy ao vê-la nos braços dele. O médico então deixou a família à sós.

- Parabéns, mamãe. Ele disse colocando a bebê nos braços dela e os olhos dela se encheram de lágrimas.

- Qual o problema? Ele perguntou confuso ao vê-la agarrar-se ao bebê chorando.

- Nenhum. São lágrimas de felicidade. Nunca pensei que esse dia chegaria. Ela disse. – Ela é tão linda.

- Igual à você. Os maiores olhos azuis que eu já vi. Disse ele tocando o bebê que prontamente agarrou seu dedo com força, como se soubesse que ele era seu pai. – Ela vai acabar comigo. Continuou pouco depois sem querer admitir que estava emocionado com aquele momento.

Cuddy esfregou o olho e sorriu com o comentário dele fitando-o de uma maneira admirada, deixando-o desconfortável.

- O que foi agora? Ele levantou uma sobrancelha.

- Obrigada. Ela sussurrou. – Obrigada por me dar essa coisinha. Ela riu acariciando o rosto dele.

- Não, eu que tenho que agradecer. Por você existir. House estava sério, ainda segurando a pequena mão do bebê enquanto os dois se beijavam, até que a menina reclamou.

- Bem, ela precisa de um nome. Cuddy suspirou.

- Você não queria ficar "Lucy in the sky with diamonds"? Quando você falou isso, ela saiu então podia ser o nome dela.

- Lucy in the sky with diamonds? Ela riu.

- Lucy sky? Ele sugeriu e ela fez que não com a cabeça.

- Lucy Diamond?

- Sean Penn deu esse nome pra filha no filme que ele tinha problemas mentais.

- Está bem! Só Lucy. Lucy Cuddy-House.

- Lucy... Ela pensou. Eu gosto. Concordou sorrindo.

- Eu também. Nossa pequena Lucy, que já está interrompendo os momentos do papai e da mamãe. Disse House, falando com o bebê. Fazendo Cuddy rir.

- House, eu nunca pensei que você ficasse tão bem com um bebê no colo.

- E eu nunca pensei que você pudesse ficar mais linda do que já é. Ele então a beijou novamente até que Lucy voltou a resmungar. – Deixe de ser ciumenta Lucy! Você ganha beijo também. Disse ele beijando a testa do bebê.

- Eu acho que Lucy precisa comer. Disse Cuddy ajeitando o bebê no seio e preparando-se para amamentar.

- Eu... Eu vou buscar um cobertor pra você. Disse ele levantando.

- Qual o problema? Cuddy riu.

- Nenhum. Ele mentiu.

- House!

- Está bem! Pode me chamar de doente, mas eu fico excitado vendo você fazer isso. Eu queria estar no lugar dela! Ele exclamou.

- Ok, você é doente. Ela afirmou. Mas... Cuddy oscilou a cabeça.

- Mas o que? Ele perguntou interessado.

- Você tinha exclusividade sobre eles antes dela...

- Estou gostando do rumo da conversa. Ele ergueu a sobrancelha.

- Quando ela terminar, quem sabe eu possa cuidar de você. Ela sorriu.

- Lisa Cuddy! Você não estava exausta?

- Eu não estou falando de ir até o fim! Mas não significa que não possamos brincar um pouco. Explicou.

- Mas e o bebê?

- Eu faço ela dormir. Ela deu de ombros.

- Não, eu não posso fazer isso na frente dela. Não quero que ela cresça traumatizada.

- House! Ela pareceu chocada.

- É sério, quando eu era criança ouvi meus pais diversas vezes, não era agradável. Ele explicou.

- Bom isso explica muita coisa... Mas ela não entende nada ainda...

- Mas ela está presente, não posso, não consigo. Ele teimou.

- E como que se excitar vendo-a sugando meu peito você consegue?

- Já disse! É complicado! Olha só a força que ela tem. Ele arregalou os olhos.

Lucy dormiu e Cuddy a colocou no berço a seu lado olhando para House que tentava ficar em negação sobre a amamentação quando viu que Cuddy continuava com o seio exposto encarando-o.

- Porque você faz isso comigo? Você sabe que não podemos. Ele suspirou, sentindo seu corpo aquecer e latejar.

- Eu não estou fazendo nada. Disse ela.

- Ah claro, você tem o costume de andar com os peitos de fora, especialmente quando eles estão duplicados.

- Se você está tão incomodado com isso porque não vem até aqui escondê-lo você mesmo? Ela sugeriu.

- Você sempre consegue o que quer. Ele bufou e sentou na cama ao lado dela, entregando-se ao desejo que sentia, beijando-lhe o pescoço suavemente, até alcançar o seio, brincando com seus mamilos e voltando-se a boca dela quando ela começou a gemer um tanto alto demais.

- Então...

- Então o que? Ele sussurrou, mordendo a orelha dela.

- Quando você vai tomar coragem e me pedir para casar com você? Disse ela num tom impaciente.

- O que? Ele se afastou imediatamente.

- Eu vi o anel. Ela sorriu.

- Que anel? Ele pareceu confuso por um momento, então se lembrou do anel que havia comprado dois meses atrás.

- Gregory House...

- Porque você tinha que mexer nas minhas coisas?

- Você disse para eu arranjar o que fazer.

- E tinha que mexer nas minhas coisas?

- Que importa, o fato é que vi. Ela deu de ombros.

- E não podia ter ficado quieta? Tinha que estragar tudo? Ele franziu a testa.

- Estragar? Você está guardando aquele anel tanto tempo...

- Estava esperando o momento certo. E agora não vai ter momento certo porque vai parecer que vou pedir só porque você me pressionou e não porque eu amo você, porque eu sempre amei você, porque você é a melhor pessoa que eu conheço e provavelmente a única com quem eu quero estar e que não me assusta nenhum pouco casamento e filhos desde que seja com você. E que eu quero passar o resto dos meus dias acordando com você.

Sem querer House acabou fazendo o melhor pedido que Cuddy poderia esperar e nem sequer percebeu.

- Eu aceito. Ela sorriu.

- Mas eu nem pedi formalmente ainda. Ele pareceu confuso.

- O seu pedido já foi bom o bastante para mim. Disse ela beijando-o.

- É mesmo? Bom saber, afinal foi pra isso que eu trouxe isso comigo. Disse ele com um sorriso malandro tirando a caixinha de veludo de dentro do casaco.

- Eu não acredito... Ela riu.

- Tenho que começar a surpreender você não? Disse ele numa voz suave pegando a mão dela e dando um beijo carinhoso antes de colocar o anel no dedo dela.

- Você me surpreende todos os dias. Ela garantiu.

- Lucy, escute bem o que vou dizer: isso é entre nós dois ouviu? Nada de contar para a sua mãe, porque sabe né, eu tenho que manter a minha reputação.

Disse House olhando no fundo dos olhos da filha que aos cinco meses já tinha vastos cabelos negros e como ele mesmo disse, os maiores olhos azuis q ele já havia visto.

Lucy usava um pijama azul que realçava seus olhos e os pés estavam descalços enquanto House a embalava no quarto todo cor de rosa que ele mesmo havia pintado.

Ligou o rádio e começou a embalar a menina cantando:

"Picture yourself in a boat on a river

With tangerine trees and marmalade skies

Somebody calls you, you answer quite slowly

A girl with kaleidoscope eyes"

Quando ele disse "kaleidoscope eyes" Lucy deu uma gargalhada enchendo os olhos de House de alegria. Lucy realmente tinha poder sobre ele, tanto ou mais que sua mãe. Não havia nada que ele não fizesse por aquela baixinha, gordinha de bochechas rosadas. Então continuou, agora dançando com ela, cantando com ainda mais entusiasmo.

"Cellophane flowers of yellow and green

Towering over your head

Look for the girl with the sun in her eyes

And she´s gone"

- House o que está fazendo? Já é tarde. Pedi para você fazê-la dormir. Disse Cuddy abrindo a porta e pegando-o de surpresa. Ele deu um olhar de cima a baixo nela e disse:

- Não estou fazendo nada demais. Disse ele dando pause no rádio. Agora você a acordou. Ele mentiu.

- Vocês tem quinze minutos. Ela ordenou séria.

- Yes mistress. Ele fez uma continência. Aliás... Ele a fez dar a volta.

- O que? Ela perguntou.

- Você já se recuperou bem do parto, não? Ele comentou com olhar malicioso ao vê-la com uma camisola preta justa com um decote generoso.

- Ainda faltam dois quilos. Ela balançou a cabeça, satisfeita com o desejo brotando dos olhos dele.

- Não, é que antes você tinha dois a menos do que deveria. Ele a elogiou com um sorriso no canto dos lábios.

Cuddy não resistiu e seu aproximou dele dando-lhe um beijo de tirar o fôlego e logo em seguida beijou a bochecha de Lucy.

- Juízo vocês dois. Espero você mais tarde. Piscando para House ela deixou o quarto e assim que o fez House continuou:

- Já disse hein? Você está com sérios problemas se contar isso para sua mãe. É um segredo nosso, está bem?

Lucy resmungou algum som típico de bebê e riu.

- Aceito isso como um sim. Disse House sério ligando novamente o rádio e dançando com a filha que não parava de gargalhar:

"Lucy in the sky with diamonds

Lucy in the sky with diamonds

Lucy in the sky with diamonds"

Sem saber que Cuddy o ouvia e o assistia pela fresta da porta com uma expressão satisfeita e sorridente. Tolinho, pensou ela.

Fim.

1 Lucy in the sky with diamonds é uma música da extinta banda inglesa The Beatles cujo significado há muita controvérsia já que as iniciais das palavras formam a sigla LSD, droga alucinógena.