Yuki POV

- TRIMMMMMMMMMMMMMMMMM

Ah, estou morto só pode. Acho que nunca senti o corpo tão dorido. Peguei no relógio.
- NOVE DA MANHÃ?? Eu mato alguém!!

- TRIMMMMMMMMMMM

Mas será que não tem ninguém para abrir a porcaria da porta? Bem lá tenho de ir eu. Senti as articulações todas a estalarem quando levantei da cama, e desci as escadas a pensar que já voltaria para aqueles lençóis quentinhos e cheirosos. Tanto pensamento o resultado foi óbvio, meti um pé na frente do outro e lá foi trambolhão, pelo menos estava nas duas ultimas escadas.

- ESTÁ TUDO BEM??
Uma voz veio do outro lado da porta, num tom preocupado. Eu reconheci a voz… Uruha?? Tinha que ser aquele loiro dos infernos a acordar-me, vou mata-lo. Abri a porta de rompante fazendo-o dar um salto. Sei que estou com um olhar assassino, mas que se lixe, o que eu quero mesmo e mata-lo por me acordar e voltar a dormir.

- Bom dia Yuki…
Bom dia?? Só pode estar a gozar comigo…
- Estavas a dormir?
- Francamente. Não Uruha estava a descansar as pestanas. Agora se não te importas eu vou voltar afazer ginástica as pálpebras.
Vi que ele ficou magoado comigo. Este meu maldito mau humor matinal. Não foi de propósito.

- Desculpa Uruha. Mas as manhãs não são o meu forte.
- Não tem problema eu então volto mais tarde.
Mesmo com ele a dizer que estava tudo bem eu pude ver que ele ainda estava magoado.
- Vá o que é isso. Agora que acordas-te o mínimo a fazeres é tomar o pequeno almoço comigo.

Ele entrou a sorrir, vi que ele me observou longamente, eu tive de me encolher um pouco mesmo com a t-shirt larga e com os calções as minhas pernas estavam mais á vista do que eu queria.
- Belas pernas!
Devo estas a ter alucinações, só pode, o loiro acabou de elogiar as minhas pernas!!
- Ah…. Obrigado…

A minha voz sai tão baixa que até eu tive dificuldade de a ouvir. Ele ficou levemente corado, como se só agora tivesse tomado noção do que tinha dito. Eu realmente não pude deixar de sorrir. Sentamos na mesa da cozinha Ruki parecia já ter saído e tinha deixado uma cafeteira enorme, repleta de café acabado de fazer, sim agora estou no céu.
- Tu não és japonês certo??

Levantei os olhos da caneca cheia de café, e fixei o loiro.
- Na realidade eu nasci em Londres, pai inglês e mãe japonesa.
- Entendo, daí o facto dos teus olhos terem essa cor…
Eu tive que sorrir.
- Sim herdei a cor de olhos do meu pai. Não é lá muito comum, e tem quem ache bem estranho.
- Eu gosto!

Ele falou no momento em que estava a beber um gole de café, o resultado foi óbvio engasguei completamente. Olhei para ele completamente confuso, primeiro as pernas agora os olhos, mas este loiro esta a tentar engatar-me?? Ele ergue-se da cadeira e encaminhou-se para a bancada.
- Estas todo sujo de café!
Pegou um pano e virou-se para mim, passou o pano no meu rosto.
- Assim está bem melhor!

Depois sem que eu tivesse tempo para pensar os lábios dele cobriram os meus. Um toque leve e suave, ele logo se afastou.
- Desculpa-me! Eu não sei o que se passa comigo… Não volta a acontecer eu prometo.
- Está tudo bem…
A minha voz saiu arrastada, sussurrada, e antes que eu pudesse fazer alguma coisa ele saiu a correr vermelho, igual á noite passada.
- Afinal parece que o Ruki tinha razão. Será?

Os meus dedos moveram-se, involuntariamente para os meus lábios. Uruha, os lábios dele são tão macios. Ele é tão lindo, e o jeito dele provocador e tímido… Eu já sabia eu estava a apaixonar-me, e eu nem sabia nada dele. Um simples pensamento passou pela minha cabeça, quando ele soubesse ele não ia mais sequer olha para mim. E foi o suficiente para que eu começar a sentir as lágrimas a deslizarem pela minha face, uma depois outra, rapidamente entrei num choro convulsivo. O Ruki chegou em casa pouco depois.

- Yuki??
Não me dei sequer ao trabalho de responder, não queria falar com ninguém. Mas ele encontrou-me.
- O que se passa??
O tom de voz aflito dele fez com que eu me recriminasse por não lhe ter respondido, ele esta preocupado comigo, o meu melhor amigo.
- Eu não sei Ruki. O Uruha esteve aqui…
- O que foi que aquele loiro fez??
- Ele não fez nada. – Tentei controlar-me, sequei as lágrimas. – Quer dizer. Ele elogiou-me a acabou por me beijar, depois pediu desculpas e saiu a correr.
- Mas isso é porque ele deve estar a sentir-se confuso.
- Mas eu comecei a pensar em contar-lhe, mas ele assim nunca mais vai querer olhar para mim.

Ele levantou a minha face. Vi o olhar dele indignado e triste.
- Nada! Nada do que se passou foi culpa tua! Nunca te esqueças. Tu não tens nem nunca tiveste culpa do que aconteceu. Estamos entendidos?
Eu assenti com a cabeça. Ele esboçou um sorriso e abraçou-me.
- E eu sei que o Uruha nunca vai te rejeitar pelo que aconteceu. Deixa-o digerir um pouco os sentimentos e depois fala com ele com calma.
- Está bem Ruki! Quem diria que eu ia acabar por me apaixonar pelo mister cinta liga!
- Xiiii… Tu nem te atrevas a dizer isso ao pé dele. Eu a única vez que fiz essa brincadeira fiquei pendurado na varanda pelos pés.
- Tá! Obrigado por avisar!

Olhamos sérios um para o outro e começamos a rir. Ficamos ali sentados no chão a rir, ele cercado de sacos de compras e eu com a camisola cheia de café. Mas agora nada disso importava, éramos apenas dois amigos, que tentavam superar seus problemas. Depois de muito rirmos, resolvi que estava na hora de tomar um banho, um bom banho bem longo…

E foi exactamente o que eu fiz, liguei a água e meti-me no duche, a água quente fez maravilhas para eu relaxar, mas a imagem daquele rapaz não a abandonava a minha mente, mudei de continente para fugir e acabei por me apaixonar. Dou por mim com o coração a bater mais forte por alguém que apenas conheço á um dia, pode parecer loucura, mas ao pensar no sorriso dele, nos seus lábios macios, eu esqueço tudo o que me levou a sair de Londres e a tomar tantas decisões difíceis. Sai do duche a secar-me com uma toalha, no quarto já estava a roupa para eu vestir, umas sapatilhas pretas, a camisa preta e o colete vermelho escuro que eu usava desabotoado, com os jeans direitos a roupa ficou completa. Peguei no meu estojo negro, onde estava o meu bem mais precioso, e desci as escadas. Eu e o chibi almoçamos e depois saímos no carro dele para o estúdio. Como era comum sempre que andávamos de carro, íamos a cantar.
- Já escolhes-te a musica que vais tocar hoje? E o instrumento que vais usar?
- Isso é segredo vais ter de esperar para ver e ouvir.
- Sempre uma aura de mistério…

E continuamos a viagem a cantar uma música qualquer. O primeiro que vi quando chegamos ao estúdio foi Kai, o moreno simpático, simpatizei mesmo com ele.
- Então? Pronto para os testes?
- Sim, creio que vão gostar.
Em seguida encontramos Aoi e Reita sentados num sofá numa das salas, eles já estavam prontos para os testes começarem. Só faltava um…
- Estas pronto? Podemos começar já!
- Sim, mas onde está o Uruha?
Mal acabei de perguntar ele apareceu na porta esbaforido, tinha visivelmente entrado no prédio a correr.
- Desculpem pelo atraso!

Ele não olhou para mim, e o meu peito apertou.
- Não tem problema íamos agora mesmo começar, alias Yuki estava mesmo a perguntar por ti.
Aoi indicou-me uma cadeira para pousar o meu estojo, este foi aberto e de lá tirei a minha grande paixão, de madeira carmesim com elegantes curvas, o meu violino. Perfeito, elegante, imaculado… Apoiei-o na curva do meu pescoço e comecei a deslizar o arco sobre as cordas, as notas saíram, na minha mente tudo estava apagado a excepção das notas que se sucediam de maneira ininterrupta. Elas brotavam de dentro de mim, como água de uma nascente. Aquela sensação de liberdade de novo apossa-se da minha alma. Abri os olhos e encarei os olhos castanhos que me fitavam, mas de novo deixei-me levar pela música e de novo cerrei os olhos, a ultima nota foi extraída pelo arco e abri os olhos para ver as reacções deles. Eles fitavam-me espantados, Ruki começou a aplaudir e todos o acompanharam, o loiro sorria com um olhar sonhador, tive tanta vontade de sentir aqueles lábios de novo.

- Como conseguis-te se não sabes ler uma pauta??
A pergunta de Kai fez-me sorrir. Para mim era natural que me perguntassem isso.
- Por ouvido, eu ouço e adapto as notas.
- Tu adaptas-te a People Error para o violino por ouvido?

Reita observava-me de olhos arregalados. Aoi sentou-se no sofá a sorrir. Olhou-me directamente antes de falar.
- Tu realmente és muito especial.
Eu sorri timidamente perante o comentário.
- E ainda não ouviram a voz! Acreditem que vão gostar ainda mais…
- Então canta para nós, mas fica sabendo que por mim já fazes parte da banda.

Aoi deixou-me bem a vontade. Reita sentou-se ao pé dele.
- Não podemos perder um violinista assim. – Kai sorriu.
- Sem falar nessa carinha. As fãs vão trepar paredes. – Reita mal acabou de falar começou a rir, todos o acompanharam excepto Uruha que me olhava de lado.
- Vá Yuki canta mostra a estes rapazes a tua voz.
Eu pisquei o olho a Ruki. Sentei na mesa, fechei os olhos e deixei a minha voz sair.
Reila...

Deatte kara doredake onaji kizu wo oi
Doredake sasae atta?
Kimi ga tsurai toki ni wa hoka no dare yori
Boku dake ni oshiete hoshikatta
Jijitsu ga me ni yakitsuku
Mugon de fudou no kimi wa nani mo omou
Riyuu nado iranai sa
Tada boku no kimi wo kaeshite kurereba

Nokosareta boku yori mu ni natta kimi wa
Dorehodo tsurai darou ka
Mada nanimo hajimattenai no ni
Mada kimi ni kono kotoba ietenai no ni doko e

Reila...
Kimi no na wo yonde mite mo
This voice does not reach you...
Reila...
Me wo akete?? uso da to waratte misete yo...

Ashita wa doko e yukou
Kimi ga nozomu nara doko e demo yuku yo

Kimi wa itsumo sou boku ga omou hodo
Dokoka e itte shimau
Mata boku wo nokoshi hitori de hashitte yukunde
Mou todokanai mou todokanai
Yatto kimi ni aeta no ni
Gaman shiteta mono ga subete afurete
Namida ni natte koboreta

Reila...
Ienakatta kono kotoba wo
Reila...


Ima koko de kimi ni utau yo
Reila...
Dare yori mo kimi wo aishiteru

(não resisti neste ponto foi inevitável eu fixei os olhos no loiro, ele olhou de volta para mim e continuei a cantar com o olhar preso nele, sem me importar se os outros iam notar ou não)

Futari ga ita heya ima mo sono mama
Reila...
Aishiteiru. aishiteiru...
Kagi mo kakezu ni
Itsudemo kimi ga kaette koreru you ni
Zutto matteru yo wakatteru kedo
Ima de mo kimi ga doa wo akeru sugata ga mierun da
Ashita wa kitto kaette kite kureru kana

Terminei a música e deixei-me estar na mesa, peguei um cigarro e levei-o aos lábios, SG de mentol, aspirei o fumo sentindo um sabor mentolado na minha boca, os nervos a flor da pele eles não me diziam nada, apenas falavam entre si.
- Bem Vindo…

A voz de Kai acordou-me. Todos olhavam para mim a sorrir, Uruha mais afastado encostado a parede. Porque raio foges de mim?
- Que voz… Arrepiei-me todo!
- Isso acontece-me sempre que ouço esta voz é linda por demais.

Os rapazes começaram a falar entre si. Uruha estava a sair, eu tinha de fazer algo, sai atrás dele. Encontrei-o na saída encostado na moto.
- Já vais embora?
Ele olhou-me como se estivesse surpreso pela minha presença.
- Sim. Já acabei o que tinha a fazer e hoje tenho o dia de folga.
Torci as minhas mãos, não podia deixa-lo ir assim.
- Gostas-te da música??

Ele olhou no fundo dos meus olhos e eu senti um arrepio.
- Sim gostei bastante. Um um anjo com um violino.
A ultima frase saiu num sussurro arrastado. Ele colocou o capacete e subiu na moto, eu não quero que ele vá embora. Agarrei no braço dele.
- Posso ir contigo?

Continua...

Notas da Lolita: Okis, mim sabe que a fic está meio parada mas isto vai mudar, se vai, e então qual será o segredo que o Yuki guarda?? Alguma sugestão??

Reviews?? Vá lá, elas não fazem o seu dedinho cair, elas não custam nada e elas fazem-me super feliz...