Depois de alguns anos, nunca imaginou se sentir entediada e desanimada. Certo, a sua vida não era das piores, ao contrário, sequer tinha do que reclamar. Mas ainda assim, algo faltava na sua vida, e pedia desesperadamente por ação. Bem, seu desejo foi atendido... agora, será que ela agüenta?
Disclaimer: Sakura Card Captors e todos os outros personagens são da Clamp®, eu só sou mais uma doida varrida que vou fazer todos eles sofrerem (nem só eles, os meus personagens também vão sofrer muito, aguardem só!)
Capítulo 2 – A Guardiã
Tudo estava mais vazio, mais frio do que antes. Aquele lugar, antigamente, não lhe dava muito medo, mas agora tudo que queria era sair dali. Precisava garantir que suas cartas estavam em segurança, e se não estivessem, iria consegui-las de volta a todo custo. Mas como sairia daquele vazio? Como escaparia dali, agora que faltava parte de si?
"Sakura... Sakura!"
Sakura abriu os olhos lentamente. Estava deitada na enfermaria, Tomoyo ao seu lado. Ela percebeu que o rosto da amiga estava vermelho de tanto chorar, a preocupação estampada na expressão facial. A enfermaria media o seu pulso, com certeza tentando descobrir o motivo do desmaio.
"Tomoyo, há quanto tempo eu estou aqui?" - perguntou, depois de alguns minutos em silêncio.
"Há uma meia hora. Ai, Sakura, não sabe como eu fiquei preocupada com você. De repente, você ficou pálida e desmaiou... o que aconteceu, amiga?"
Sakura fechou os olhos, estava sentindo a presença de Kero se aproximando da escola. Alguma coisa tinha acontecido, para ele sair de casa. Então seus pressentimentos deveriam estar certos...
"Eu preciso falar com o Kero." - disse, procurando o walkie-talkie que Tomoyo lhe dera há algum tempo. - "Preciso falar com ele agora!"
"Algum problema?"
"Senti uma coisa na hora em que eu desmaiei. Uma coisa ruim... como se estivessem arrancando parte do meu corpo, da minha alma."
"Ai meu Deus! Sakura, você só se sentiu assim uma vez, e foi quando..."
"Exatamente. Foi na época que a carta Vácuo estava tirando as minhas cartas. Mas dessa vez a sensação foi muito pior. Parecia que estavam tirando todas."
Tomoyo, vendo a agonia da amiga, a abraçou com força. Se as suspeitas dela fossem verdade, ela precisaria de muita força.
"A sua pulsação está normal." – disse a enfermeira, olhando para as meninas – "Acho melhor você ir descansar em casa, ainda não está em condições de assistir aulas."
"Eu vou com ela." – ofereceu Tomoyo
"Não precisa Tomoyo, eu vou sozinha!" – replicou Sakura, já se levantando.
"Não mesmo." – Tomoyo abriu a porta da enfermaria com força, extremamente decidida – "Pode te acontecer alguma coisa no meio do caminho, e eu não me perdoaria se você passasse mal. Vou à sala pegar o nosso material, enquanto isso você me espera lá em baixo, certo?" – ao dizer isso, saiu para o corredor fechando a porta, não dando outra alternativa a Sakura a não ser esperar.
"Droga, por que gostam tanto de me proteger?"
Ela ainda ficou um tempinho deitada, tentando sentir a presença de Kero. Ele estava se afastando, indo na direção de sua casa. Tentou procurar por Yue, e para a sua surpresa, ele também estava indo para lá. Algo realmente deveria ter acontecido.
Tomoyo teria que desculpa-la depois, pois não poderia esperar para saber o que estava realmente acontecendo. Desceu as escadas correndo, e já estava no pátio quando ouviu alguém chamar:
"Sakura!"
Ela olhou para o lado, e viu Nakata encostada na grade que separava a Escola Tomoeda do Colégio Seijyo. Ela estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo e usava o uniforme de educação física. Sua expressão estava preocupada. Não, preocupada não era a palavra certa, sua expressão estava triste, angustiada e nervosa.
"Olá Nakata." – respondeu, andando em direção a pequena amiga – "Pelo jeito está na aula de educação física."
"É, agora eu estou descansando, já acabei de jogar basquete. Mas você não parece muito bem, o que houve?"
"Não foi nada." – Sakura disse em uma voz cansada, como se já estivesse aborrecida com a insistência em dizerem que não estava bem. – "Só estou meio cansada."
Nakata encarou Sakura firmemente, seus olhos azuis estavam até um pouco esbugalhados, como se quisessem ler a mente dela. Logo em seguida, ela pulou a grade, caindo no pátio do Colégio Seijyo, e voltando a encarar a amida. Sakura se sentiu um pouco incomodada, Nakata parecia revistar toda a sua alma e ler todo o seu ser, como se procurasse alguma informação importante. Era sempre assim quando a menina decidia encarar alguém: os olhos azuis pareciam transparecer a pessoa que encaravam.
"Você está nervosa e triste. Aconteceu alguma coisa?"
Pronto, ela acertara de novo. Como sempre.
"O quê?"
"Aconteceu alguma coisa ruim, não aconteceu? Sakura, você não é assim; nunca te vi tão angustiada. O que aconteceu? Fala pra mim!"
Sakura suspirou. Pelo jeito aquele seria um dia de ficar dando satisfações.
"Eu desmaiei durante uma aula. Calma, Nakata, não aconteceu nada de mais." – acrescentou quando viu o rosto da menina entrar em expressão de choque – "Eu só senti uma fraqueza e desmaiei."
"Mas sentiu uma fraqueza por quê? Não comeu bem, não dormiu direito?"
"Não, não, nada disso. Eu só senti... que algo estava me faltando, entende?"
Sakura esperava que a menina perguntasse o que exatamente ela estava sentindo faltar, Nakata era extremamente curiosa e sempre queria saber de todos os detalhes. Mas, dessa vez, a menina apenas confirmou com a cabeça e a baixou logo em seguida, preocupada e triste. Sakura viu que a mão dela tremia, e seus olhos estavam marejados.
"Nakata, algum problema?" – perguntou, se ajoelhando para encarar os olhos da garotinha
"Não, nenhum. Mas é que eu fico triste em saber que... bem, que você está se sentindo mal. Que lhe falta alguma coisa."
"Não se preocupe, tudo vai acabar bem." – Sakura ergueu o rosto dela e deu o seu mais belo sorriso, para animá-la – "Eu prometo."
"Vai mesmo?"
"Claro que vai."
"Promete que, se precisar, vai pedir a minha ajuda?"
Sakura estranhou aquele pedido. O tom de voz de Nakata havia sido muito sério e autoritário, lhe lembrando muito Yue quando lhe perguntava algo. Nunca havia visto a menina tão séria e preocupada.
"Prometo." – respondeu, beijando os dedos indicadores da própria mão, postos um sobre o outro em forma de cruz.
"Vamos, Sakura, melhor irmos andando." – a voz de Tomoyo ecoou de longe, indicando que a amiga estava vindo.
"Agora eu vou para casa. Boa aula, Nakata."
Sakura se levantou e já estava se virando para falar com Tomoyo quando sentiu a mão de Nakata segurar a sua. Olhou novamente para a menina, que parecia lhe pedir algo com o olhar.
"O que foi?"
"Se cuida, Sakura." – ela soltou a mão da amiga e pulou novamente a grade, voltando para a sua aula de educação física.
"Quem era?" – perguntou Tomoyo, se aproximando
"A Nakata. Ela veio ver o que estava acontecendo comigo."
"Alguém já te disse que essa menina te adora? Desde que a conheço, ela sempre se preocupa muito com você, e procura te agradar. Acho até que morreria por você."
"Ai, Tomoyo, não fala essas coisas. De notícias ruins, já bastam as de hoje."
"Mas o que exatamente aconteceu, Sakura? Você sentiu o que, para ter aquele desmaio?" – perguntou Tomoyo, ambas já saindo do colégio.
"Senti que alguém estava roubando as minhas cartas. Tomoyo, foi horrível. Era parte de mim que estava indo embora... até parecia que eu estava dentro daquele sonho."
"Que sonho?"
"Um sonho que ando tendo há alguns dias. Eu estou em um lugar frio e vazio, e estou sozinha. No começo, eu encontrava uma luz que me fazia sair dali, mas hoje, antes de acordar, eu estava tendo esse mesmo sonho, só que não havia a luz. Não consegui sair de jeito nenhum, por mais que quisesse. E alguma coisa estava errada comigo, eu me sentia incompleta, como se parte da minha alma não estivesse comigo."
"Será que não foi uma premonição?"
"Kero pensou nisso, mas nem levei em conta. Só que agora, depois do que eu senti na aula, começo a achar que ele estava certo."
"E o que você pretende fazer?"
"Primeiro, chegar em casa e conferir minhas cartas, se todas ainda estão lá."
"E se não estiverem?"
Sakura parou de andar, sendo seguida por Tomoyo. Sentiu os olhos se encherem de lágrimas, só de pensar na possibilidade de ter perdido suas queridas amigas cartas. Mas não podia chorar, tinha que ser forte e agüentar o pior, ter forças para caçar todas elas de novo.
"Se elas não estiverem..." – disse, segurando as lágrimas – "eu vou atrás delas, uma por uma, até conseguir todas. Custe o que custar."
"Não seria melhor ligar para o Eriol? Talvez ele saiba de alguma coisa."
"Talvez. Mas antes, eu só quero chegar em casa."
As duas foram andando em silêncio até a simpática casa amarela. Chegando lá, Sakura nem tirou os sapatos direito, subiu correndo até o seu quarto. Ao abrir a porta com toda a força que tinha, quase desmaiou de novo com a cena que viu. Todas as suas coisas estavam espalhadas pelo chão, o guarda roupa tombado, o edredom da sua cama totalmente revirado. Kero e Yue estavam nas suas verdadeiras formas, ambos olhando algo pela janela. Ou apenas seus olhares estavam perdidos.
"Kero... o que aconteceu aqui?" – perguntou, se aproximando dos guardiões.
O grande leão alado pareceu acordar de um transe ao ouvir a voz de sua mestra. Sakura se desesperou ao ver o olhar dele, tão decepcionado, tão culpado, tão desolado. Sem pensar uma outra vez, se atirou na direção de sua escrivaninha, arrancando a gaveta onde estava o Livro das Cartas. Seu medo se confirmou: as cartas não estavam lá.
"Minhas cartas... onde estão minhas cartas?"
"Uma rajada de vento invadiu o seu quarto, há algum tempo atrás." – começou a explicar Kero, sua voz estranhamente mais baixa – "Uma rajada de vento provocada por magia."
"Magia? Então quer dizer que alguém provocou essa rajada?"
"Provavelmente." – disse Yue, ainda olhando para a janela – "Enquanto Yukito trabalhava na sua loja de doces, senti uma presença muito maligna e poderosa aparecer em Tomoeda, e na hora vim ver o que estava acontecendo. Imagino que o dono dessa presença foi o responsável por essa rajada que destruiu o seu quarto."
"E o que aconteceu, Kero?" – perguntava uma Sakura desesperada, a ponto de querer chacoalhar o leão alado a qualquer momento – "Por que as minhas cartas não estão no livro?"
Kero olhou para Yue, que apenas fez um sinal de positivo com a cabeça. Voltando a olhar para Sakura, começou a explicar:
"Quando a rajada de vento começou, tudo aqui começou a ser destruído. De repente o livro se abriu e as cartas saíram voando pela janela, numa velocidade incrível."
"Voando? Como no dia em que eu as libertei?"
"Pior. Naquele dia, cada uma foi para uma direção, mas dessa vez todas saíram juntas, para um mesmo lugar."
"E VOCÊ NÃO FEZ NADA PARA IMPEDIR, KERO?" – agora sim Sakura chacoalhava Kero com todo o desespero do mundo.
"Calma, Sakura, deixe Kerberus terminar de explicar." – pediu Yue, pondo suas mãos no ombro da mestra.
"Tudo bem, desculpa. Pode continuar, Kero."
"Ótimo. Como eu estava dizendo, assim que as cartas começaram a voar pela janela, eu saí atrás dela, tentando trazê-las de volta. Aí..."
FlashbackKero estava voando na sua velocidade máxima, tentando desesperadamente recuperar as Cartas Sakura. Mas elas voavam numa velocidade que ele nunca havia visto, nem mesmo no dia em que sua mestra as libertara. O estranho é que todas iam numa única direção, como se estivessem sendo guiadas. Aliás, havia uma forte e negra magia as conduzindo, ele sentia que essa magia era quem atraía todas as cartas. Mas de quem era?
"Droga. Vou ter que acelerar o vôo."
Abriu mais as asas e disparou, tentando ao máximo se aproximar das cartas. Quando finalmente estava chegando, as cartas pararam no ar e começaram a flutuar. Kero quase bateu em um prédio enquanto tentava parar, já que sua velocidade estava alta. Quando finalmente conseguiu parar, viu as cartas girando rapidamente e sumirem no ar, sobrando apenas quatro cartas que caíram no chão.
Fim do Flashback"Onde estão as cartas que ficaram?" – perguntou Sakura desesperadamente, começando a se render ao choro.
"Estão aqui." – Kero pegou cinco cartas da escrivaninha e entregou à Sakura – "Ficaram as cartas Luz, Escuridão, Bosque e Vento."
Sakura pegou as cartas e viu que havia mais uma, que Kero não havia mencionado. Aquela carta que sempre a fazia se sentir melhor, que mais combinava com a sua personalidade.
"Kero... a carta Esperança também ficou!" – disse, dando um leve sorriso
"Qual? Ah sim, essa foi a única carta que não saiu voando. Ficou no quarto o tempo todo."
Sakura sorriu mais ainda. Se tinha aquela carta em mãos, significava que tudo daria certo no final.
Enquanto isso, num lugar muito escuro e isolado...
Uma taça de vinho branco era jogada no chão. Havia treinado durante tantos anos, arquitetando o plano perfeito, para no dia dar tudo errado. Como não conseguira todas as cartas? Por que nove cartas não haviam vindo? Estava tudo programado, a magia usada era o suficiente para trazer as setenta e duas, até setenta e três se existissem. Então como havia falhado?
"Algum problema, srta. Rytwild?" – perguntou o serviçal Kim, temendo que sua patroa tinha finalmente enlouquecido.
"O meu plano falhou, Kim. Você não me disse que a garota não tinha os poderes mágicos limitados? Então, como não consegui trazer todas as cartas para mim? Será que você me dizer?"
Kim suou frio, sabia que talvez estivesse em encrenca.
"Eu... nã-não se-sei, senhora. A menina deve ter feito alguma coisa..."
"Ela estava na escola na hora em que fiz o ataque. Não fez nada." – ela colocou um dedo no pescoço de Kim, e lançando uma magia, fez o serviçal começar a perder o ar – "Acho bom você me dar uma boa explicação ou uma boa solução para esse problema, se realmente valoriza a sua vida."
"Eu... juro... que não sei... senhora!" – dizia Kim, tentando respirar – "Talvez... a garota... tenha criado laços... sentimentais mágicos..."
"Laços sentimentais mágicos?" – Rytwild diminuiu a força da magia, permitindo que Kim respirasse um pouco, mas ainda ficasse a mercê dela. – "Me conte mais sobre esses laços sentimentais." – tirou o dedo, mas ainda o deixou erguido, mostrando que, se ele não fizesse o que ela mandasse, poderia ser sufocado de novo.
"Sim senhora." – respondeu Kim, tentando recuperar o ar perdido – "Laços sentimentais mágicos são..."
No quarto de Sakura"Você tem certeza, Eriol?"
Tomoyo conversava com Eriol pelo telefone, enquanto Sakura tomava um banho. O inglês havia ligado há poucos minutos, para saber o estado da amiga. E como Tomoyo desconfiara, ele já sabia de tudo.
"99 de certeza, Tomoyo." – respondeu Eriol, sua voz bastante preocupada – "A partir de agora, Sakura pode estar correndo sérios perigos."
"Que tipos de perigos?"
Do outro lado da linha, Eriol olhou para Kaho. Ela estava ouvindo a conversa deles por um outro aparelho de telefone, e ouviu a pergunta de sua ex-aluna. Sabia que Eriol não poderia contar os tipos de perigo que aquela maluca poderia representar, senão ele teria que explicar como sabia de tantas coisas. E naquele momento, o melhor seria que todos soubessem que ele não sabia de nada. Mas será que ele conseguiria enganar Tomoyo, a única pessoa para a qual ele não conseguia mentir?
"Tente, não custa nada." – murmurou, afastando o aparelho da boca.
Eriol suspirou, mentir para Tomoyo era a coisa mais difícil do mundo.
"Eu não sei, Tomoyo." – disse, tentando parecer natural – "Como não conheço a pessoa que tomou as cartas, não faço a mínima idéia do que ela é capaz."
Tomoyo não conseguir conter uma risadinha. Eriol realmente não conseguia mentir para ela.
"O que foi?" – ele perguntou, já prevendo o que estava acontecendo
"Mais sorte da próxima vez, Eriol. Não foi dessa vez que conseguiu me enganar."
Eriol bufou de raiva e encarou Kaho com olhos de fogo, ela também estava rindo da situação.
"Desculpe-me Tomoyo, mas é que realmente não posso contar o que sei, pelo menos por enquanto." – se desculpou, ainda olhando feio para Mizuki
"Tudo bem Eriol, se você diz que não pode, deve ter uma boa razão para isso. Mas como fica a Sakura? Ela fica sem saber de nada?"
"Por enquanto, basta ela saber que precisa tomar cuidado. Essa pessoa é realmente muito forte, e pelo jeito está disposta a lutar pelas cartas. Por favor, faça com que ela pense muito bem antes de agir, todo cuidado é pouco a partir de agora."
"Pode deixar, me assegurarei que ela tomará todos os cuidados necessários. Falando nisso, ela está aqui."
Sakura estava saindo do banheiro naquele momento. Sua expressão ainda era de tristeza, e lutava de todas as formas contra as lágrimas. Ao ver Tomoyo no telefone, disparou em direção à amiga:
"É o Eriol?" – perguntou, recebendo um aceno de cabeça de Tomoyo, afirmando – "Deixe-me falar com ele."
Tomoyo entregou o telefone e se sentou na cama de Sakura, ao lado de um Kero totalmente desconsolável. Yue, ou melhor Yukito, havia descido para preparar um chá para Sakura.
"Alô, Eriol?"
"Olá, querida Sakura. Imagino que esteja bastante preocupada."
"Você sentiu, não foi? Já sabe que as minhas cartas foram roubadas?"
"Sim, eu senti uma presença muito forte, e Tomoyo me confirmou enquanto você tomava banho. Eu sinto muito."
"Estou me sentindo tão mal, Eriol. Sinto que tiraram algo de mim."
"Sei exatamente como se sente, Sakura. Mas, pelo que Tomoyo me contou, Kerberus conseguiu recuperar cinco cartas, não é mesmo?".
"Na verdade, ele recuperou quatro. A quinta não chegou a sair do quarto."
"Aposto como foi a carta Esperança, não foi?"
Sakura sorriu. Eriol realmente era muito esperto.
"Acertou! Mas como soube que era a carta Esperança a que ficou?"
"Da mesma forma que sei por que as outras quatro cartas não sumiram com as outras."
"Você sabe por quê?"
"Imagino. As cartas que ficaram foram Luz, Escuridão, Bosque e Vento, não foi?"
Sakura olhou para Tomoyo, que estava segurando Kero no colo, tentando anima-lo. Ela sorria:
"O que você não contou para ele, hein?" – Sakura perguntou, fazendo Tomoyo sorrir ainda mais. – "Exatamente, Eriol. Você sabe por que elas ficaram?"
"Luz e Escuridão são as cartas mais fiéis ao seu mestre, nunca o abandonaria. Já Vento e Bosque são cartas pacíficas, e também não gostam de causar problemas. Por isso não seguiram com as outras."
"E Esperança? Por que ficou?"
"Será que você não imagina?"
Sakura encarou a carta, que estava ao lado do telefone.
"É por que metade dela foi criada exclusivamente por mim, em vez de ter sido transformadas como as outras?" – perguntou, esboçando um leve sorriso no rosto
"Não só por isso." – respondeu Eriol, já imaginando o sorriso da amiga – "Ela também tem uma forte ligação com você. Afinal... ela vive do seu amor, não é mesmo?"
Sakura abriu mais o sorriso. Eriol sabia mesmo como animar alguém.
Os dois ficaram conversando por mais algum tempo. Eriol explicou que apenas uma pessoa com magia elevada seria capaz de roubar alguma coisa a grandes distâncias, e pelo jeito a pessoa que havia roubado as cartas estava bem longe de Tomoeda, pois utilizara muita magia para fazê-lo, e a presença pode ser sentida até na Inglaterra. Também disse para a amiga tomar cuidado na busca das cartas, e que ligasse a qualquer novidade. Assim que desligaram, Sakura se jogou na cama, olhando as cinco cartas que estavam em seu poder. Tomoyo e Kero se aproximaram dela:
"Você parece está melhor, Sakura." – disse Tomoyo, vendo o sorriso no rosto da amiga
"Tudo vai dar certo, Tomoyo. Eu sei que vai."
"Você está brava comigo, Sakura?" – perguntou Kero, sua voz ainda baixa, como se quisesse acalmar a mestra e amiga
"Claro que não, Kero. Não foi sua culpa o que aconteceu. Agora, nós temos que ser fortes e lutar até recuperar todas as cartas."
Kero ficou feliz ao ver o belo sorriso de sua dona, tão esperançoso novamente.
"É isso aí!" – disse, com suas esperanças também renovadas.
Lá em Hong-KongO silêncio reinava durante o jantar na residência dos Li. Sentada na cabeceira da grande mesa, Yelan refletia sobre a presença que sentiu durante o dia. Seus pressentimentos diziam que algumas coisas iriam mudar por ali. A única coisa que estranhava era o seu filho caçula ainda não ter comentado nada sobre o assunto. Com certeza, ele estaria esperando uma certa ligação.
Shaoran sequer conseguia comer direito. Enquanto brincava com a sua comida, pensava no por quê de Sakura ainda não ter ligado. Tinha certeza que algo havia acontecido com ela; não sabia por que achava isso, mas a presença que sentira lhe dizia que sua Flor não estava bem. Não comentara nada com a mãe para não lhe preocupar, mesmo porque poderia estar enganado, já que Sakura ainda não havia ligado. Esperava que estivesse errado.
Estavam quase terminando o jantar quando um foguete de cabelos negros atravessou a porta da sala de jantar. Todos olharam espantados para Meilin, que acabara de parar na frente de Shaoran, tentando respirar.
"Meilin, algum problema?" – perguntou Yelan, preocupada com o desespero da menina.
"Sim, todos!" – a garota levantou a cabeça e encarou o primo – "Você não sabe o que acabou de aparecer lá no jardim."
"O que acabou de aparecer lá no jardim, Meilin?" – perguntou Shaoran, impaciente.
"Isso!" – e ela mostrou cinco cartas rosas, deixando Shaoran totalmente boquiaberto e surpreso.
Novamente no quarto da Sakura (isso está começando a ficar chato)
Sakura estava se despedindo de Tomoyo. A amiga já havia ficado muito tempo, e como estava tarde, achou melhor que ela fosse embora. Além disso, Yamato e Nakata foram visitá-la, e prometeram à garota de olhos azuis que cuidariam de Sakura até a hora em que o senhor Kinomoto chegasse. De forma que lá estavam os dois na sala, assistindo televisão.
"Todo mundo lá na escola te desejou melhoras, Sakura." – disse Nakata, assim que Sakura voltou à sala – "Até mesmo o professor Terada ficou preocupado quando soube."
"Lá na escola também." – comentou Yamato – "Você nos deu um baita susto."
"Hoje não foi um bom dia." – respondeu Sakura, com um sorriso sem graça – "Espero não ter causado problemas."
Nakata ia dizer alguma coisa quando o telefone tocou. Sakura correu para atendê-lo, imaginando quem seria àquela hora.
"Alô? Kinomoto falando."
"POSSO SABER O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AÍ EM TOMOEDA?"
Sakura se assustou ao ouvir aquele grito, mas não poderia ficar mais feliz. Era a ligação que esperara o dia todo.
"Boa noite para você também, Shaoran." – disse, tentando manter a voz séria – "Algum problema?"
"COMO ALGUM PROBLEMA? EU SINTO UMA PRESENÇA EXTREMAMENTE PODEROSA, CINCO CARTAS SUAS APARECEM NO JARDIM DA MINHA CASA E VOCÊ AINDA ME PERGUNTA SE HÁ ALGUM PROBLEMA?"
A felicidade de Sakura se transformou em desespero. Então ele também havia sentido? E pior (ou melhor), ele estava com cinco cartas suas?
"Você está com cinco cartas minhas? Com quais você está?"
"Gelo, Doce, Areia, Trovão e Nuvem. Mas o que isso importa? Eu quero saber o que está acontecendo para as SUAS cartas virem parar aqui em Hong-Kong."
Sakura deu uma espiada nos amigos, que a olhavam, curiosos. Ela pediu licença e subiu para o seu quarto, para falar mais à vontade com o namorado.
"Desculpa a demora, mas é que eu estava com visitas."
"Tudo bem, também tenho que pedir desculpas pelo grito que dei. Tudo bem com você?"
"Na medida do possível, sim. Tirando os problemas..."
"O que aconteceu, Sakura? Senti uma presença muito forte hoje."
"Está sentado? Porque essa é uma longa história."
Sakura contou tudo que estava acontecendo: seus sonhos constantes, o desmaio na escola, a descoberta do roubo das cartas e a conversa com Eriol sobre as que ficaram com ela.
"E o que você está pensando em fazer agora?" – perguntou Shaoran, assim que terminou de ouvir a história – "Ir atrás delas?"
"Conversei com Yue sobre isso. Ele acha melhor esperar que as cartas manifestem as suas energias, para que assim eu possa localizá-las. Nunca pensei que teria que procura-las todas de novo, estou me sentindo a própria Card Captor."
"Sakura... você É uma Card Captor."
"Sim, mas eu já cumpri a minha missão. Não queria ter que cumpri-la de novo..."
"Ora, não era você que dizia que sua vida estava parada? Então, essa é a sua chance de viver uma nova aventura!"
"Você não acha que está engraçadinho demais hoje?" – perguntou, fazendo o namorado rir um pouco – "Certo, eu queria um pouco de ação, mas não que roubassem as minhas cartas!"
"Certo, me desculpe pela brincadeira." – agora ele ficara sério – "Mas pelo jeito, é esse tipo de ação que você vai ter. Se pelo menos você tivesse meu tabuleiro..."
"Seria bom se você estivesse aqui." – Sakura disse, numa voz manhosa – "Já seria de grande ajuda."
Do outro lado da linha, Shaoran sorriu. Acabara de ter uma idéia.
Eles conversaram mais um pouco, até que Sakura sentiu a presença forte de novo. Ela olhou pela janela e viu que várias explosões aconteciam na cidade. Despediu-se de Shaoran e chamou Kero, que dormia na sua gaveta-quarto. O guardião deu um pulo quando ouviu o grito da mestra, e já se transformou no grande leão alado, bagunçando ainda mais o quarto de Sakura. Ao perceber que não estava nenhum assassinato ou algo do estilo, acalmou:
"Sakura, quer me matar de susto?" – reclamou, quando estava mais controlado – "Achei que alguém estava sendo morto."
"Não tem ninguém morrendo, Kero, mas estamos quase lá. Está sentindo a presença?"
Kero se concentrou e sua expressão voltou a ficar assustada. Virou-se para a janela, e viu as explosões acontecendo na cidade.
"Ah não. De novo não." – murmurou, alto o suficiente para Sakura ouvir
"De novo? O que você quis dizer com 'de novo'?"
"Vamos resolver essa situação, e no caminho eu te explico." – disse, voltando a sua falsa forma e já saindo pela janela.
"Espera, e o que eu faço com o Yamato e a Nakata?"
"Dê uma desculpa a eles! Vamos lá Sakura, até parece que já perdeu a prática."
Sakura ficou brava com aquele comentário, mas não tinha tempo a perder. Desceu as escadas correndo, e encontrou os dois amigos olhando para a janela, suas caras assustadas. Nakata estava de punho cerrado: parecia ter raiva.
"Olá?" – chamou Sakura, querendo ter a atenção deles.
"Hã... ah, oi Sakura!" – disse Nakata, se voltando rapidamente para encara-la – "Algum problema?"
"Ah... nenhum!" – mentiu – "Mas agora eu vou precisar sair. Vocês não se incomodam, né?"
"Você vai sair no meio desse inferno?" – perguntou Yamato, voltando apenas a cabeça para ela
"É que... meu irmão ligou pedindo para buscar uma coisa minha lá no apartamento dele."
"E não pode deixar para amanhã?" – sua cara mostrava que não estava acreditando muito na história
"CLARO QUE NÃO! Quer dizer... até posso, mas eu preciso dessa coisa pra hoje. Vocês não se importam de ficarem sozinhos por um momento, não é mesmo?"
"Claro que nos importa..." – Nakata estava dizendo, quando teve sua boca tampada pela mão de Yamato.
"Claro que não, Sakura. Mas você já está boa para sair?"
"Ah, já estou sim." – disse Sakura, agitando os braços para mostrar que se sentia bem – "Não se preocupem. Eu já volto!" – e saiu correndo, encontrando Kero na rua.
"Até que enfim." – disse o guardião – "Achei que nunca ia se livrar deles."
"Acho que Yamato não acreditou muito na minha desculpa... ah, mas isso não importa agora. Precisamos saber o que está acontecendo. Se pelo menos eu estivesse com Alada, eu poderia ir mais rápido."
"Talvez eu possa resolver isso." – e Kero se transformou – "Vamos, suba. Assim, chegamos lá mais depressa."
Sakura subiu nas costas de Kero e os dois foram voando até o centro da cidade. No meio do caminho, encontraram Yue, que vinha voando rapidamente.
"Yue! Você também sentiu a presença?" – perguntou Sakura
"Não só senti, como vi também. E pelo jeito, é a mesma presença de hoje!"
"Era só o que nos faltava." – reclamou Kero – "Além desse maldito roubar as cartas, ainda cria um pandemônio na cidade."
De repente, Sakura sentiu uma presença a mais. Uma presença que ela conhecia muito bem.
"Kero, PÁRA!" – gritou, fazendo o guardião "brecar" bruscamente, assim como Yue.
"O que foi, Sakura? Por que esse desespero?" – perguntou o leão, um pouco bravo.
"Não está sentindo?"
"O quê, a presença? Claro que estou... até Tomoyo deve estar sentindo."
"Não a presença... é uma carta Sakura."
"O quê?"
"Presta atenção Kero... é a presença da carta Terra."
Kero olhou para Yue, que apenas confirmou com a cabeça. Percebendo aquela troca de olhares, Sakura perguntou:
"Ei, o que vocês estão escondendo de mim?"
"Lembra que eu te falei que ia explicar uma coisa no caminho, Sakura?" – Kero perguntou, voltando a voar – "Então, é sobre isso."
"Sobre o quê? Do que vocês estão falando?"
"Como você sabe, o Mago Clow criou primeiro todas as cartas, para depois nos criar." – Kero falava devagar, para a amiga entender – "Mas, antes mesmo dele criar as cartas que você conhece, ele tentou criar outras, como se fosse um teste."
"Um teste?"
"Ele criou algumas cartas fracas, para saber se conseguiria criar as Cartas Clow de fato." – disse Yue, mais grosseiramente – "Como se fosse um teste piloto. Se essas cartas funcionassem, ele criaria as Cartas Clow."
"E deu certo?" – perguntou Sakura
"No começo deu, tanto que ele criou as cartas em seguida." – respondeu Kero, acelerando o vôo – "Mas depois, essas cartas deram problemas, e Clow decidiu inutiliza-las, retirando a magia que as sustentavam."
"Isso quer dizer... que ele matou essas cartas?"
"Basicamente isso. Lembra-se quando estava transformando as cartas, as que ainda eram Clow ficavam frias por que não recebiam magia? Então, ele parou de fornecer magia a essas cartas, e elas foram se transformando em cartas comuns com o passar do tempo, só podendo voltar a condição de cartas normais caso uma Carta Clow fosse usada para ativa-las."
"Uma dessas cartas era Explosão, que para ser reativada, precisava utilizar os poderes da Carta Terra ou Vento." – informou Yue – "Imagino que a pessoa que tenha roubado suas cartas as esteja usando para reativar essas que Clow deixou de lado, e hoje escolheu Explosão para iniciar o projeto."
"Mas como, se Vento está comigo?" – perguntou Sakura
"Apenas uma das cartas é necessária para ativar a carta. Como Vento está com você, Terra está sendo usada. Por isso você consegue sentir sua presença."
"Então, para recuperar Terra, terei que trancar Explosão?"
"Exatamente. Mas aconselhamos você a desativar essa carta, ela realmente pode trazer muitos problemas." – disse Kero
"E se eu a transformar em Carta Sakura, será que não se resolve?"
"Eu não sei, Sakura. Talvez, já que você, ao transformar uma carta, a recria totalmente. Pode ser que você resolva o problema."
Eles chegaram nas ruas do centro da cidade, que estavam sendo totalmente destruídas por um homem de cabelos grisalhos, que vestia túnica e jogava bolas explosivas. Ao avistar Sakura, sorriu maliciosamente e, parando de jogar bolas nas lojas e restaurantes que haviam por perto, encarou os guardiões. Pelo rosto, não tinha boas intenções.
"Tome cuidado Sakura, Explosão é uma carta agressiva." – avisou Kero
"Certo. Chave que guarda o poder da Estrela, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós, e os ofereça a valente Sakura, que aceitou essa missão. Liberte-se!" – e pegou seu báculo no ar, matando toda a saudade que tinha de poder segurá-lo de novo.
"Ótimo, nossa convidada de honra finalmente chegou." – Sakura ouviu uma voz feminina soar na sua mente, uma voz fria e desdenhosa – "Achei que nunca apareceria."
"Está se comunicando por telepatia." – constatou Yue
"Muito esperto, Yue." – disse a voz, dando uma risada cavernosa – "Como eu esperava, você continua muito inteligente. Espero que esteja tão irritante como antes também, assim não fico com dó de acabar com você."
"Quem é você? Por que está fazendo tudo isso?" – perguntou Sakura, desesperada
"Não imagina, Kinomoto? Eu sou aquela que deve ser a Regente da Natureza, aquele que merecia o cargo que você roubou. Eu sou aquela que deveria ser a dona das cartas e dos seus guardiões, em vez de você."
"Então foi você que roubou minhas cartas?"
"Suas cartas... elas eram minhas antes de você aparecer. Como Clow não quis entrega-las a mim, não vi outro jeito a não ser rouba-las. E tudo seria perfeito se você não tivesse ficado com nove delas."
"Nove? Mas você só está com cinco!" – murmurou Kero para Sakura
"Shaoran encontrou mais cinco lá em Hong-Kong. Ele me ligou avisando."
"Mesmo assim. Se ele está com mais cinco, então você está com dez, e não nove."
"Ela não deve saber de Esperança. E melhor ficar sem saber!"
"Confesso que fiquei muito espantada ao ver que meu plano havia falhado, Kinomoto." – continuou a falar a voz, não dando a mínima para a conversa de Kero e Sakura – "Fiquei imaginando por que algumas cartas decidiram ficar com você, mesmo depois de eu ter planejado tudo durante tantos anos. Devo admitir que você foi muito esperta em criar laços sentimentais mágicos com algumas delas."
"Criar o quê?" – perguntou Sakura, sem entender nada.
"Mais tarde explicamos." – murmurou Yue, fazendo a mestra se acalmar – "Muito bem, você já se vangloriou por ter roubado as cartas. Agora, pode nos dizer por que está destruindo toda a cidade?"
"Faço isso por culpa de vocês. Se não tivessem criado esses malditos laços, eu estaria com todas as cartas agora, e os deixaria em paz. Mas como isso não aconteceu, fui obrigada a pedir ajuda para as cartas desativadas de Clow, que agora estão todas em meu poder. Claro, seria mais fácil usar as Cartas Sakura, mas por enquanto elas ainda não me obedecem."
"Não te obedecem porque elas são minhas!" – disse Sakura, orgulhosa com a fidelidade de suas cartas – "E nunca te obedecerão."
"Veremos, Kinomoto, veremos. Agora, pode me entregar as nove restantes? Estou realmente com muita pressa."
"NUNCA! Vai ter que me matar para pegá-las de volta."
"Muito bem, você que pediu. Explosão, cuide dela por mim. Já sabe o que fazer."
Sakura, Kero e Yue olharam para Explosão. Ela tinha uma grande bola na mão, e já estava pronta para atirar em um dos três. Atirou para Sakura que, sem a carta Escudo, não pôde fazer nada. Yue se pôs na frente da mestra, enquanto Kero os protegia com suas asas.
Explosão avançou sobre eles, e a toda hora atirava ou em Kero, ou em Yue. Sakura percebeu que a intenção da carta era derrotar os guardiões, e não a ela. Mas, com a luta entre eles, quando poderia atacar?
O tempo foi passando, e a carta foi tomando vantagem. Pouco a pouco, ela conseguiu derrotar Kero, e depois Yue, deixando os dois desacordados no chão. Tendo os dois fora do caminho, ela olhou para Sakura. Agora, era a vez dela.
Começou com apenas algumas bolas, que Sakura desviou facilmente dando mortais para trás. Depois, Explosão começou a aumentar o nível dos ataques. Sakura não sabia o que fazer, tinha que ganhar tempo para bolar algum contra-ataque. Mas, naquela velocidade, a única coisa que conseguia fazer era pular e ficar dando mortais para trás, e aquilo já a estava deixando tonta. Tanto foi que, quando não agüentava mais ficar virando de ponta cabeça a toda hora, acabou torcendo a mão de leve e se desequilibrando, caindo no chão sem defesa alguma.
Explosão foi se aproximando, uma grande bola na sua mão, pronta para lançar. Sakura não conseguia se levantar, estava à mercê da carta. Era o seu fim, Explosão já jogava a bola, a qualquer hora iria pelos ares...
"SAKURA, CUIDADO!"
Sakura sentiu seu corpo sendo arrastado por alguém, e sendo rolado logo em seguida. Quando abriu os olhos, se viu sob Nakata, que encarava a carta Explosão com ódio.
"Nakata... o que faz aqui?"
"Viemos ver o que você veio fazer, e vimos essa carta maldita te atacando." – ela olhou para Sakura com raiva – "Você me prometeu que pediria minha ajuda, por que não me chamou?"
Sakura estava estupefata. Se Nakata havia visto tudo, com certeza já descobrira sobra sua magia.
"Eu... achei melhor... você não vir..."
"Como sempre, acham que não dou conta do recado. Mas tudo bem, o importante agora é derrotar essa carta."
"Sinto dizer que não há mais tempo para isso, garotas!" – a voz feminina novamente ecoou no ambiente – "Explosão, cuide da menina. Está nos atrapalhando."
Explosão formou uma nova bola e lançou na direção de Nakata. Sakura abraçou a menina, querendo protegê-la, mas para a sua surpresa, a bola não veio. Ao contrário, atingiu o chão.
"Há, errou, sua vesga!" – disse Nakata, sorrindo
"Eu não diria isso!" – replicou a voz feminina.
Sakura logo entendeu o que ela quis dizer. O chão começou a rachar, formando um buraco, onde as duas caíram.
Estavam em um lugar muito escuro. Sakura logo viu que era muito parecido com o lugar dos seus sonhos, mas era um pouco mais claro. Do seu lado, estava Nakata caída, mas ainda acordada. À frente delas, estava uma mulher alta, vestindo uma túnica negra, cabelos roxos presos em um coque, pele mais branca que a neve. Seus olhos eram vermelhos, e ficavam ainda mais assustadores em contraste com o lápis negro que havia.
"Bem vindas ao meu mundo, garotas. Como devem ter percebido, Explosão criou um buraco que usei como portal para trazê-las até mim."
"Quem é você?" – perguntou Sakura, seu corpo se enchendo de raiva ao ver a mulher que roubara suas cartas.
"Isso não lhe interessa, Kinomoto. O que realmente importa agora é ter as cartas que estão com você. Como Explosão não conseguiu tirá-las lá fora, resolvi trazê-las para cá, onde você não tem como escapar."
"Não tenho como escapar? Você só pode estar brincando."
"Então olhe acima de você!" – a mulher apontou para cima, e Sakura olhou – "Há uma barreira que apenas a magia do Sol ou da Lua pode quebrar. Como você não possui essa magia, e como seus guardiões estão desacordados lá fora, acho que você não tem saída."
"Quer dizer... que apenas um guardião meu pode quebrar a barreira?"
"Exatamente. Agora, que tal me devolver as cartas? Não estou com muita vontade de trazer Explosão até aqui para acabar com você."
"Não vai ser necessário." – Nakata se levantou, assustando Sakura e a mulher, e se pôs entre as duas – "Nós vamos sair daqui agora mesmo."
"Nakata, não se intromete!" – gritou Sakura. O que a menina tinha na cabeça?
"Ah vão?" – perguntou a mulher com voz desdenhosa – "E eu posso saber como?"
"Claro que pode!" – e ao dizer isso, Nakata fechou os olhos. Sakura viu que das suas costas saiu um par de asas, que a cobriram logo em seguida. Mas como? Só se ela fosse...
As asas finalmente se abriram, e delas saiu uma menina, de aproximadamente seis anos, vestindo um grande vestido branco, e possuía grandes cabelos lisos e prateados, duas trancinhas nas mechas da frente. Aparentava ter uns seis anos de idade, e os olhos azuis ainda eram grandes e profundos, como sempre foi. Sakura não tinha dúvidas, aquela garotinha era mesmo Nakata, mas de uma outra forma. Ela se transformara, assim como Kero e Yue faziam.
A mulher estava estupefata no fim da transformação. Aquele pequeno ser a sua frente lhe deixava desconcertada.
"Quem... quem é você? Que coisa é você?"
"Não sabe mesmo?" – a voz da menina era muito parecida com a de Nakata, mas um pouco mais infantil – "Então eu vou te dizer. Eu sou a Guardiã Suplente das Cartas, e tenho o meu poder baseado no poder da Lua. Algumas pessoas me conhecem como Nakata Yuninoyo, minha falsa identidade, mas poucos sabem quem realmente sou." – a garota pousou no chão, escondeu as asas e encarou a mulher com um sorriso maroto, que fez Sakura lembrar de Eriol – "Muito prazer, senhora." – ela ficou séria – "Meu nome é Nakateri Yue."
Sakura estava assustada, chocada. Tinha muita coisa naquela história que não estava entendendo. Mas não tinha tempo para pensar nisso, se Nakata era uma guardiã como ela dizia, então tinham uma chance de sair dali.
"Guardiã Suplente?" – perguntou a mulher, com voz desdenhosa – "Não existe outros guardiões além de Kerberus e Yue."
"Ah, existe sim! Não só existe como eu estou aqui, na sua frente, e vou destruir essa barreira."
Ela formou vários diamantes, assim como Yue fazia, e lançou-os para cima, destruindo a barreira e deixando a vilã muito irritada.
"O que você fez, sua pirralhinha insolente?"
"Destruí a barreira. Vamos, Sakura, não temos tempo a perder!"
A garota pegou pela mão de Sakura, que ainda estava parada de choque, e saíram voando dali, chegando na rua. Sakura viu Kero tentando se levantar, enquanto Yue ainda estava no chão. Com eles, estava um garoto alto, vestindo roupas pretas, colete azul e tinha os cabelos compridos presos em um rabo de cavalo, castanhos claros.
"Olhe Kerberus, elas voltaram!" – disse o garoto, encarando as duas.
Kero levantou a cabeça e encarou primeiro Sakura, e depois a garota.
"Você a tirou de lá, Nakateri?" – perguntou, e a menina afirmou com a cabeça
"Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? Não estou entendendo nada!"
"Talvez mais tarde, Sakura." – respondeu Kero, se levantando com muito esforço – "Agora, temos que derrotar essa carta."
"Sinto dizer que isso não será possível, Kerberus." – replicou a voz da estranha mulher- "Vocês já me causaram muitos problemas, e já estou perdendo a paciência. Explosão, acabe com eles de uma vez por todas!"
Explosão avançou pra cima deles. Nakata se pôs na frente de todos e criou uma rajada de vento que serviu como escudo, desviando todas as bolas explosivas que vinham:
"Eu não vou conseguir segurar essa carta por muito tempo, alguém faça alguma coisa!" – gritou, enquanto mantinha a rajada de vento.
Então Sakura finalmente pareceu acordar do transe que estava. Realmente não podia perder tempo, tinha que trancar a carta Explosão logo. Precisava de um plano, e urgente.
"A carta é muito forte, como será que eu consigo pará-la?" – se perguntou, observando os movimentos da carta. Foi então que percebeu uma coisa que não tinha percebido antes: a presença da carta Terra estava aumentando consideravelmente. Prestou um pouco mais de atenção para ver se não estava enganada, e conseguiu ver, por uma fração de segundo, a imagem da carta agindo, retirando terra do chão para criar as bolas. Então era assim que elas eram feitas: se conseguisse parar Terra, conseguia parar Explosão também.
"Kero, ajude Nakata a distrair a carta Explosão. Eu já tenho um plano!"
"Tem certeza, Sakura?"
"Confie em mim, vai dar tudo certo. Agora vá!"
"Certo."
Kero saiu andando até onde Nakata estava e a ajudava a desviar as outras bolas, com suas rajadas de fogo. Tendo a certeza de que Explosão estava totalmente concentrada nos dois, Sakura saiu correndo até ficar atrás da carta e se posicionou.
"Ajude-me a parar a carta Terra e faça com que essas bolas não existam mais, BOSQUE!"
Quando Explosão percebeu que Sakura estava logo atrás dela, já era tarde demais. Bosque já avançava e a prendia pelos braços e pelas pernas. Tentou explodir os ramos que lhe prendiam, mas Bosque agia sobre a carta Terra, e não sobre ela. Com a carta hospedeira parada, Explosão não conseguia criar nenhuma bola, perdendo suas forças logo em seguida.
"Agora, Sakura, é a sua chance." – disse o garoto de negro e colete azul – "Tranque logo a carta."
"Certo." – respondeu, já preparando o seu báculo – "Volte à forma humilde que merece, Carta Clow!"
A carta foi se transformando em névoa até voltar a sua verdadeira forma. Ao seu lado, estava a carta Terra e a carta Bosque, as duas brilhando intensamente. Sakura pegou as cartas e olhou Explosão atentamente. Era uma carta negra, fria, e visivelmente sem vida.
"O que eu faço com essa carta agora?" – perguntou, olhando a face do homem com uma bola na mão
"Você pode deixá-la como está, ou transformá-la em Carta Sakura se quiser." – disse o garoto de negro, se aproximando dela – "Mas, se for transformá-la, tome cuidado: ela pode trazer alguns problemas."
Sakura olhou para o moço a sua frente. Ele se parecia conhece-la muito bem, e ela também parecia conhece-lo de algum lugar...
"Desculpa, mas... quem é você!" – perguntou, fazendo ele cair com tudo no chão, uma gota na sua cabeça.
"Acho melhor você voltar a sua falsa forma, senão ela nunca vai adivinhar quem você é!" – disse Nakata, rindo
"Tem razão." – e dizendo isso, surgiram asas nas costas dele, o cobrindo logo em seguida. Quando as asas se abriram novamente, Sakura voltou ao estado de choque que estava antes.
"Ya...Ya...Yamato?"
"E quem você imaginava que fosse?" – perguntou, guardando suas asas – "Se a Nakata é uma guardiã, irmão dela é que eu não poderia ser!"
"Então você... também é um guardião?"
"Não. Embora também tenha uma identidade falsa, eu não sou guardião."
"Oras, então que diabos você é?" – Sakura cruzou os braços e olhou feio para ele – "Estou começando a perder a paciência, vocês até agora não me explicaram nada!"
Nessa hora, Yue começou a acordar. Todos se viraram para ele, Yamato indo ajudar. Quando o Guardião da Lua abriu totalmente os olhos, viu Nakata na sua verdadeira forma, e a encarou seriamente:
"O que ela faz aqui?" – perguntou
"Boa pergunta." – disse Sakura, agora encarando Nakata, os braços ainda cruzados – "Eu também quero saber."
Nakata suspirou e voltou a sua forma falsa. Quando a transformação acabou, encarou Sakura e disse:
"Vamos para a sua casa, temos muito que conversar" – disse, seguindo pela rua escura
Lá no lugarzinho da megeraRytwild se contorcia de raiva. Quebrava tudo que via pela frente, sem se importar com o preço das coisas. Aquela menininha idiota! Devia agora estar comemorando que conseguira recuperar uma de suas preciosas cartinhas. E aquela guardiã, que do nada apareceu? Isso era coisa do Clow, com certeza ele a deixara para atrapalhar sua vida. Mas dessa vez ele não venceria, ela levaria a melhor e tomaria o seu posto de direito. Isso é, se conseguisse pensar no meio do alvoroço que aquela tonta estava fazendo. Qual seria o motivo dessa vez?
"KIM!"
"Chamou, senhora?" – disse o serviçal sem demoras, já vendo, pelo tom de voz da mestra, que ela estava brava
"O que raios está acontecendo aí fora? Essa garota grita tanto que sequer consigo pensar!"
"Ela está feliz, senhora. Parece que a família do garoto irá se mudar para o Japão."
Aquilo surgiu como uma luz na vida da vilã. Um grande sorriso maligno surgiu em seu rosto.
"Japão, é? Isso é realmente muito bom!"
"Bom, senhora?"
"Kim, prepare suas malas. Também vamos nos mudar."
Kim arregalou os olhos:
"Vamos?"
"Claro. Quer coisa melhor do que enfrentar o inimigo cara a cara?" – ela se sentou em uma poltrona negra e pegou um grande conjunto de cartas negras – "Já que usando a técnica do portal eu não consegui o que queria, vou tirar essas cartas pessoalmente. Escreva o que lhe digo, Kim: dessa vez, tudo dará certo!" – e riu malvadamente, arrepiando a espinha do empregado.
ContinuaPs: caramba, esse ficou grande! Acho que realmente tenho problemas para escrever, eu sempre enrolo muito. Deu pra entender ou confundiu ainda mais? Eu tentei explicar algumas coisas, mas sinto muito, deixei outras em suspenso, não é? Vou tentar ser mais breve da próxima vez, prometo! Além disso, o próximo capítulo é bem interessante, e sinceramente, é um que eu gosto muito. Mas é melhor deixar quieto, posso falar demais.
litlledark: sério que ainda não chegou aí em Portugal? Que pena. Realmente é muito interessante, aposto como você vai gostar muito. E valeu pelo review, adorei saber que você gostou do primeiro capítulo. Espero que continue lendo.Beijos para todos, e até o capítulo 3 de "Senhores da Natureza".
