Depois de alguns anos, nunca imaginou se sentir entediada e desanimada. Certo, a sua vida não era das piores, ao contrário, sequer tinha do que reclamar. Mas ainda assim, algo faltava na sua vida, e pedia desesperadamente por ação. Bem, seu desejo foi atendido... agora, será que ela agüenta?
Disclaimer: Sakura Card Captors e todos os outros personagens são da Clamp®, eu só sou mais uma doida varrida que vou fazer todos eles sofrerem (só peço que não me assassinem por todas as maldades que fizer, pelo menos me deixem terminar a fic. Garanto que todos ficarão bem!)
Capítulo 9 – Soluções com Problemas
Com o verão se aproximando, os dias iam ficando mais bonitos e mais quentes. Os passarinhos saiam voando pelos céus e as árvores estavam no ápice de sua beleza, com suas flores abertas e as folhas, bem verdes. Os dias estavam ensolarados, e os céus estavam mais azuis do que nunca. Em um dia lindo como esse, todos se sentem mais dispostos e alegres para sair e se divertir, dispostos até a acordar cedo para aproveitar o dia de sol. Quer dizer, quase todos...
"Incrível como essa monstrenga dorme!" – comentava Touya, enquanto ajudava o seu pai a arrumar a mesa para o café – "Nem em um dia ensolarado como esse, ela acorda cedo."
"Deixe a sua irmã descansar, Touya." – pedia Fujitaka, com seu costumeiro sorriso – "Ela merece dormir até mais tarde. Além disso, hoje é domingo; ela não se prejudicará em acordar fora da hora."
"Touya fala isso, mas aposto como queria estar no lugar dela." – disse Yukito, sorridente como sempre – "É um verdadeiro irmão mais velho implicante."
"Se continuar falando isso, juro que nunca mais te trago comigo para visitar o meu pai, Yuki." – reclamou Touya, sentando-se à mesa de cara feia
"Não ligue para Touya, Yukito; sabe que sempre será bem vindo aqui." – dizia Fujitaka – "Espero que venha mais vezes com ele."
"Tentarei." – respondeu o moço, começando a sua 'discreta' refeição
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Kero voava de um lado para outro do quarto. Sakura dormia em um profundo sono, e não parecia querer acordar tão cedo. Ótimo, era exatamente o que ele precisava. Não gostava de admitir, mas até que a preguiça da mestra em acordar cedo tinha lá as suas vantagens.
Ele abriu uma das gavetas da escrivaninha e de lá tirou um livro rosa. Era estranho pegá-lo e o sentir tão leve. Nos últimos anos, ele estava extremamente pesado, já que todas as cartas estavam lá dentro. Agora, com a chegada dessa bruxa desconhecida, todo o pesadelo de busca às cartas havia voltado, e isso lhe deixava muito triste. Era muito ruim ver Sakura sofrendo daquela forma, ainda mais por alguma coisa que eles nem sabiam o por quê. Mas isso ele daria um jeito de descobrir.
Colocou o livro no chão e o abriu com cuidado. Dentro havia vinte e quatro cartas Sakura; quatro delas, antigas cartas Clow inutilizadas. Pegou a carta Luz e a colocou na sua frente.
"Além da Carta Espelho, a Carta Luz também consegue se comunicar com palavras." – comentou, fechando os olhos – "Carta Luz, por que Rytwild está tentando roubar vocês para ela?"
A carta brilhou, deixando Kero, por alguns instantes, cego. Depois que o brilho cessou, o pequeno guardião sentiu uma fraca aura saindo da carta, e uma voz doce lhe dizendo:
"Ela não está bem. A ambição a tornou uma pessoa magoada e ressentida com as pessoas ao seu redor, e ela agora quer cumprir a promessa que fez anos atrás."
"Que promessa?"
"A promessa de se vingar de todos que lhe tiraram aquilo que ela julga ser seu."
"Explique-me melhor, eu ainda não entendi."
"Eu também não sei direito. A única coisa que sei é que ela está com um desejo enorme de vingança, porque acha que nossa Mestra lhe tirou o que lhe era direito, mas na verdade ela está enganada."
"Uma vez, ouvi Sakura dizer para Tomoyo algo sobre Hierarquia e Regente." – pensou Kero, lembrando-se de um dia em que Sakura e a amiga conversavam em cochichos – "Será que é isso?"
"Há outra coisa que você precisa saber, Kerberos." – disse a carta, surpreendendo Kero
"E o quê?"
"As últimas cartas capturadas. Elas estão agitadas, e radiando delas uma aura estranha. Estou com medo de que elas voltem a causar problemas, assim como antes de serem inutilizadas."
"Ah não." – Kero se sentou, com a expressão desolada – "Tem certeza disso?"
"Certeza eu não tenho, mas que elas estão estranhas, estão! Por favor, avise nossa Mestra. Ela já está enfrentando problemas demais para lidar com mais esse."
"Muito bem, farei isso. Obrigado, Luz, pode descansar."
A aura da Carta Luz desapareceu, e Kero a guardou junto com as outras. Queria perguntar se a carta sabia como Rytwild havia conseguido realizar o roubo, mas o que ela acabara de dizer era mais importante, e mais sério por hora. Assim que guardou o livro, ele viu Sakura acordando. Havia conseguido bem a tempo.
"Bom dia, Kero." – disse ela, com seu costumeiro sorriso no rosto
"Bom dia, Sakura." – respondeu o pequeno guardião, desanimado
"Nossa, o que foi? Até parece que comeu algo ruim."
"Não é nada, só não acordei bem." – ele olhou para o despertador – "Caramba, acordou tarde hoje, hein?"
"Ah Kero, hoje é domingo, qual é o problema de dormir até mais tarde?"
"Nenhum, mas se você não quiser que Touya lhe chame de monstrenga, acho melhor você descer logo. Ele e Yukito já estão aí."
Não deu outra: Sakura se levantou rapidamente da cama, se arrumou em poucos segundos e desceu correndo as escadas. Kero suspirou aliviado: ela não desconfiava de nada.
"Só espero que nada aconteça hoje. Não seria nada justo com a coitada."
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Sakura descia as escadas com pressa. Estava se xingando de todos os nomes possíveis, como havia esquecido que Touya e Yukito viriam visitar o seu pai hoje? Agora, teria que agüentar o irmão mais velho lhe chamando de monstrenga o dia todo. Ah, ele que não se atrevesse a xingá-la na hora do almoço, quando Shaoran estivesse presente. Odiaria ter que passar por esse papel na frente do namorado.
Quando chegou na cozinha, todos já estavam comendo. Pronto, era agora que tinha que agüentar as tiradas de sarro incessantes do irmão mais velho. Entrou cuidadosamente na cozinha, com os olhos fechados, pronta para ouvir Touya lhe chamando de monstrenga:
"Bom dia." – disse, quase em um sussurro
"Bom dia, Sakura." – respondeu Yukito educadamente
"Bom dia, minha filha!" – respondeu Fujitaka, enquanto servia comida a Yukito
Sakura ficou esperando a costumeira saudação de Touya, mas para sua surpresa, ela não veio. Ao abrir os olhos, sua surpresa aumentou: o irmão não estava na cozinha.
"Ué, cadê o Touya?"
"Ele foi lá fora, disse que precisava tomar um pouco de ar." – respondeu Fujitaka – "Parecia curioso com alguma coisa, não sei exatamente com o quê."
"Estranho." – ela comentou – "Vou lá falar com ele, ver exatamente o que aconteceu. Com licença."
Ela saiu da cozinha e se dirigiu à varanda, onde o irmão estava. Touya olhava para o céu, seu olhar estava perdido e sua boca, levemente aberta. Sakura se aproximou dele calmamente, estranhado a sua distração.
"Touya?"
Ele se virou lentamente para ele, com seu olhar ainda perdido. Encarou a irmã por alguns segundos:
"Oi!" – disse, antes de voltar a olhar o céu
"O que está acontecendo?" – ela perguntou, verdadeiramente preocupada com a atípica saudação de Touya – "Está se sentindo mal?"
"Sossegue, eu estou bem." – ele voltou a encará-la, mas dessa vez estava menos sonhador – "E você?"
"Na medida do possível." – ela suspirou, aliviada – "Sabe como é, com os últimos acontecimentos..."
"Tem certeza de que está bem, Sakura?" – ele a interrompeu, com um tom de voz preocupado
"Claro que tenho!" – ela respondeu, um pouco assustada – "Por que não estaria?"
Touya se ajoelhou até ficar da altura de Sakura, que era bem mais baixa que ele embora estivesse mais velha. Passou a mão nos longos cabelos da irmã, e esboçou um leve sorriso nos lábios:
"Sabe que eu sinto falta dos seus cabelos curtos?" – ele disse, tom de voz carinhosos – "Lembra bem a época em que você vivia metida em encrencas."
"Continuo me metendo em encrencas com o cabelo comprido." – ela disse, sorrindo
"Não, agora te metem em problemas, é diferente." – o sorriso de Touya se desfez – "Sakura, eu sei que já não tenho os meus poderes, mas ainda não perdi a minha sensibilidade. Eu acabei de sentir que algo irá acontecer, e estou verdadeiramente preocupado."
"Não precisa se preocupar Touya, está..."
"Espere que eu ainda não acabei!" – ele a interrompeu,fazendo-a ficar espantada – "Claro que não está tudo bem. Olha só pra você, sempre cansada e abatida, dormindo mais do que o necessário. Está certo que você sempre foi uma preguiçosa de marca maior, mas agora está saindo do controle. Estou muito preocupado, e ainda que não possa mais te ajudar nas lutas, quero muito ajudar como irmão mais velho."
"Touya..." – ela murmurou, emocionada
"Só me prometa que, caso precise de qualquer tipo de ajuda, não irá hesitar em pedir minha ajuda. Prometa que sempre irá me procurar e me manter a par do que está acontecendo." – ele começou a acariciar o rosto de Sakura – "Eu não sei por que, mas estou sentindo que hoje teremos muitos problemas a resolver."
"Assim você me assusta, Touya!" – ela retrucou, fazendo beicinho; Touya apenas sorriu, enquanto se levantava
"Também, quem manda ser uma monstrenga medrosa?" – ele disse, saindo correndo antes que Sakura pudesse atingir um forte tapa na sua cabeça – "O que foi, monstrengas perdem a capacidade de bater conforme vão ficando mais velhas?"
Sakura ficou na varanda bufando de raiva. Doce engano seu achar que Touya havia ficado mais amável naquele domingo – ele ainda estava o mesmo irmão chato que sempre fora.
"Desse jeito, vocês ainda se matam." – disse uma voz conhecida às costas de Sakura
"E o que você queria que eu fizesse, hein? Ele simplesmente me tira do sério."
"Quem dera se Yue fosse assim comigo." – Sakura sorriu e se virou para Nakata, enquanto ela pulava o muro que separava sua casa da de Sakura – "Geralmente ele fala coisas piores e sequer sorri ao dizê-las."
"Bom, você tem o Yamato pra recompensar, não é mesmo?"
"Pode ser." – a menina deu de ombros – "Mas vamos ser sinceras, ele é muito quieto para recompensar a seriedade e frieza do Yue comigo. Nesse quesito, eu ainda prefiro o tio Kerberos. Ele é bem mais engraçado. Falando nisso, onde ele está?"
"Lá em cima. Vamos, ainda temos muito que fazer."
As duas entraram na casa. Nakata deu bom dia a Fujitaka, Touya e Yukito (ao último, ela dirigiu o cumprimento muito seriamente, antes que Yue pudesse se manifestar contra ela) e subiu junto com Sakura para o seu quarto. Assim que as duas entraram, Kero avançou para cima delas e disse, com ar de pidão:
"Sakura! Diga que seu pai preparou um bom café da manhã, diga, diga..."
"Eu não sei, Kero, eu sequer tomei o café da manhã ainda."
"O QUÊ?" – o guardião parecia desolado – "Sakura, o que anda acontecendo com você hoje? Parece que esqueceu que eu existo."
"Ah tio Kerberos, não vamos discutir agora." – pediu Nakata, impaciente – "Onde está, Sakura?"
"Aqui em algum lugar." – disse a garota, revirando as gavetas do seu próprio quarto – "Mas para quê exatamente o Yamato o quer?"
"Disse que acha muito estranho a megera velha querer as suas cartas assim, de repente, e que nele pode haver alguma informação que nos ajude a descobrir o porquê." – respondeu a garota, colocando a mão no queixo como se quisesse lembrar de tudo – "Ah, e parece que ele também quer saber se houve algum incidente estranho naquela época que vocês deixaram passar."
"Do que diabos vocês estão falando?" – perguntou Kero, não entendendo o que as garotas estavam falando
"Do meu diário de férias." – respondeu Sakura, ainda mexendo nas suas gavetas – "Yamato pediu para eu emprestar os que eu fiz na época em que capturamos e transformamos as cartas. Ah, achei!" – ela pegou diversos cadernos que serviram como diário – "Embora eu não ache que servirá de alguma coisa, já que eu não falava de magia na minha lição de casa."
"Bom, isso você reclama com o Yamato." – retrucou Nakata, pegando os cadernos – "Nossa, isso me lembra que eu tenho que fazer o meu desse verão. Bom, de qualquer maneira, obrigada Sakura. Prometo que assim que ele acabar, nós..."
Mas ela não teve tempo de terminar o que estava dizendo. Um brilho começou a sair de uma das gavetas abertas de Sakura, um brilho negro e negativo. Os três encararam a gaveta com curiosidade e medo, pensando o que exatamente estava acontecendo. Sakura se aproximou da gaveta, com Nakata e Kero na sua cola, mas antes que os três pudessem chegar perto, três cartas ganharam forma e encararam Sakura friamente:
"Ah, olhem só a nossa nova Mestra." – disse uma garota que segurava correntes – "Belo dia de domingo, não?"
"Vamos logo, eu quero me divertir." – disse um homem de cabelos grisalhos e túnica negra – "Vamos aproveitar nossa volta à vida."
E antes que alguém pudesse agir, as quatro cartas saíram pela janela, cidade afora.
"Oh-oh!" – murmurou Kero – "Bem que Luz me avisou."
"O que aconteceu aqui?" – perguntou Sakura com a voz esganiçada – "Por que aquelas cartas saíram de repente?"
"Não são as últimas cartas recuperadas?" – perguntou Nakata, ainda meio boba com o ocorrido – "Aquelas que estavam desativadas?"
"Elas mesmas." – respondeu Kero, com tom de voz triste – "Pelo jeito, não adiantou nada elas serem transformadas; continuam dando problemas."
"E que tipo de problemas elas dão?" – perguntou Sakura, levemente receosa
"Vários." – Kero agora parecia assustado – "Mas eu garanto que todos são bem cabeludos. Vamos, precisamos detê-las antes que algo pior aconteça."
"Algo pior? O que você quer dizer com algo pior?" – perguntou Nakata, ficando assustada
"Bom, Corrente já matou três crianças, não foi?" – Kero parecia impaciente – "O que estamos esperando? Temos muito que fazer. Vamos logo Sakura, não fica aí enrolando." – ele pegou a mão de Sakura e a foi arrastando em direção à janela
"Espera aí, Kero, eu tenho que avisar os outros..."
"Não temos tempo para isso! Além disso, quanto mais gente for, pior será; melhor irmos só nós três."
"Mas eu prometi ao Touya..."
"Sem promessas agora, Sakura! E você, Nakateri, o que está esperando? Transforme-se e venha logo."
Nakata pareceu sair de um transe e obedecendo às ordens de Kero, rapidamente se transformou e seguiu voando para a janela. Kero também se transformou, enquanto Sakura pegava todas as suas outras cartas e utilizava Alada para voar. Os três atravessaram os céus rapidamente, seguindo a presença das cartas:
"Kero... o que exatamente eu devo fazer com as cartas?" – perguntou Sakura, mostrando insegurança na voz
"Bem, isso fica a sua escolha. Mas já devo te avisar que, se elas já estão dando problemas agora, é um sinal de que você terá muitas dores de cabeça com elas. Se eu fosse você, as desativava antes que a coisa fique séria."
"Então quer dizer que agora não é sério?" – perguntou Nakateri, que encolheu a cabeça ao ver o olhar fulminante que Kero lhe dirigia
Sakura viu uma coisa acontecendo no centro da cidade. Ela via diversos lampejos, como se algo se movesse muito rapidamente. Parou no céu e procurou sentir alguma presença vinda daquela região. Não se enganou: era a carta Teletransporte. Estava pronta para ir naquela direção quando ouviu um barulho de explosão vindo da direção oposta. E por último sentiu a presença de Corrente no Templo Tsukimini.
"Ótimo, tudo o que eu precisava era cada uma ter ido pra um canto!" – ela comentou, exasperada
"Não seria melhor a gente se separar?" – sugeriu Nakateri – "Assim a gente atrai as cartas para um lugar só!"
"Não acho uma boa idéia." – respondeu Kero – "Podemos não ter sucesso."
"Ai Kero, deixa de ser rabugento." – replicou Sakura – "Se estamos em três, e há três cartas para capturar... ou melhor, para deter, sei lá..."
"É verdade, Tempestade não veio." – ponderou Nakateri – "O que será que aconteceu para ela ficar em casa?"
"Não vamos perder tempo pensando, não é mesmo?" – resmungou Kero – "Ainda não tomei o café, e se essa captura demorar, vou ficar com fome!"
"Será possível que o senhor não pensa em outra coisa além de comida, tio Kerberos?"
"Olha como fala comigo, sua pirralhinha..."
"CHEGA!" – gritou Sakura, antes que aqueles dois começassem a brigar ali mesmo – "Será que podemos continuar com o que viemos fazer?"
"Desculpe" – responderam os dois guardiões, baixando a cabeça
"Certo, faremos o seguinte." – disse Sakura, dando as costas para eles, principalmente porque estava com uma vontade imensa de rir da cara de arrependido dos dois – "Kero, você vai atrás de Explosão, e tente atraí-la até o Templo Tsukimini, onde eu estarei te esperando. A mesma coisa vale para você, Nakata: vá atrás de Teletransporte e a atraia para o Templo. Mas vá na sua identidade falsa, não queremos mais confusão por aqui."
"E você? Vai atrás de Corrente?" – perguntou Nakateri
"É o que parece, não é mesmo?"
"Toma cuidado, então, Corrente é perigosa." – alertou a pequena guardiã – "Não se esqueça de que ela..."
"Já matou três crianças, eu sei! Não gosto nem de me lembrar." – replicou Sakura, se arrepiando – "Então vamos?"
"Nos encontramos no Templo Tsukimini!" – disse Kero, que bateu asas em direção da presença de Explosão
"Toma cuidado, Sakura!" – disse Nakateri, dando um abraço na Mestra – "Corrente te dará trabalho!"
"Eu sei." – Sakura sorriu – "Vai, não temos tempo!"
Nakateri saiu voando para onde estava Teletransporte, deixando Sakura sozinha. A garota olhou a direção do Templo Tsukimini, pensando em como era azarada em ter que sair buscando suas cartas em um lindo dia de domingo, em que poderia estar agora recebendo o seu lindo, maravilhoso e tudo de bom Shaoran... céus, Shaoran! Como ela pôde esquecer que ele estava indo pra sua casa naquele exato momento?
"Droga de cartas rebeldes!" – resmungou, voando pelos céus – "Eu juro que se alguma coisa a mais sair errada hoje, eu mato um!"
Ela foi se aproximando do Templo Tsukimini devagar. Ainda no céu, ficou vendo se havia algum movimento estranho, mas estranhou muito que as coisas estivessem calmas. Desceu perto da grande cerejeira, guardou Alada no bolso e saiu andando pelo lugar, olhando sempre para os lados em busca da Corrente. A presença dela estava forte, porém não parava em um lugar fixo. É como se estivesse fugindo.
"O que será que ela está aprontando?" – perguntou para si mesma, enquanto andava cuidadosamente pelo Templo, o báculo levantado.
"Olá Mestra!" – disse uma voz logo atrás. Sakura se virou e encarou uma jovem que segurava longas correntes – "Veio brincar comigo?"
"Brincar?" – Sakura perguntou, incrédula – "Você só pode estar tirando uma com a minha cara!"
"Eu não costumo fazer isso." – a carta sorriu, enquanto enrolava uma corrente no braço – "O meu negócio é causar confusão mesmo!"
Sakura só sentiu o queixo cair enquanto a carta lhe encarava com um sorriso muito malicioso no rosto. Com certeza, aquilo era um pesadelo e a qualquer hora o despertador iria tocar, ou então Kero lhe acordaria com alguns gritos, ou até mesmo mudaria de sonho... ou pelo menos esperava!
"O que foi, Mestra?" – perguntou a carta, ainda com aquele maldito sorriso – "Vai dizer que não está achando tudo engraçado?"
"Quê?" – Sakura pareceu chacoalhar a cabeça, tentando acordar daquele sonho maluco
"Ora, é mais tapada do que eu pensei." – a carta desfez o sorriso – "Estou lhe fazendo uma pergunta!"
"Eu sei que você me fez uma pergunta!" – respondeu a garota asperamente, estava começando a achar aquela carta muito folgada – "E você? É cega o suficiente para ver que eu não estou achando nada disso engraçado!"
A carta suspirou e encarou Sakura friamente:
"Você consegue ser ainda mais chata que o Mago Clow! Nossa, como é rabugenta. Além de pirralha, é intragável."
"O quê?" – Sakura arregalou os olhos, não acreditando no que estava ouvindo – "Quem você acha que é, hein?"
"Olha só, a Mestra está mostrando a sua verdadeira cara! Finalmente vou mostrar aos outros que você só é mais uma convencida e metida a poderosa, que não quer nem saber da gente!"
Sakura encarou a carta por alguns instantes, com certa desconfiança. O que ela queria dizer com aquilo?
"Talvez eu precise te ajudar a ser um pouquinho mais, para você se soltar." – a carta disse, levantando o pulso envolto de correntes – "Talvez se eu fizer isso..."
Habilidosamente, ela enrolou uma árvore enorme que estava próxima e a tirou do chão, até a raiz. Sakura viu seu queixo caindo novamente, enquanto a gigantesca árvore era jogada à sua frente, bloqueando toda a passagem.
"O que você está fazendo?" – gritou, enquanto a carta ria maldosamente – "Quer mesmo destruir o Templo?"
"Demorou a perceber, não?" – a carta ficou séria – "E agora, o que vai fazer? Vai me dar uma bronca? Ou será que vai ficar dizendo que o que eu acabei de fazer é uma coisa muito feia?"
"Deveria!" – Sakura levantou o báculo – "Mas pelo jeito não vai adiantar muito."
"Até que você é bem espertinha." – ela pegou outra árvore e jogou no chão
"QUER PARAR COM ISSO?"
"Achei que nunca pediria."
E num movimento incrivelmente rápido, a carta lançou suas correntes para cima de Sakura. Vendo que seria atacada, ela se jogou para o lado e saiu rolando para o buraco onde antes estava uma árvore. Tinha que dar razão para Kero, aquelas cartas eram realmente problemáticas. Ela espiou para fora, se certificando que não seria atacada de novo. Quando estava saindo, sentiu alguma coisa enrolar os seus braços e a puxá-la de volta para o buraco, jogando-a no chão. Depois, todo o seu corpo foi envolvido, de forma que ela não conseguia se mover.
"Às vezes eu me pergunto como você derrotou aquele puxa-saco do Yue sendo tão bobinha assim." – a carta surgiu à sua frente, segurando as correntes que enrolavam Sakura – "E também como aquelas cartas bobas são tão fiéis a você."
"Você... também é uma carta!" – rebateu a garota, tentando se mexer
"Eu sou diferente. Sempre fui mais independente do que as outras, e nunca aceitei essa história de ser usada até não precisarem mais de mim. Clow adorava nos descartar depois de nos usar, ainda mais quando pegou o jeito de nos criar."
"Isso não é verdade! O Mago Clow era uma pessoa muito especial, e gostava muito de todas as cartas que criou!"
"ISSO É MENTIRA!" – Corrente apertou mais Sakura – "Ele só se importava com ele mesmo. Esquecia-se que todo o poder dele era por nossa causa, e nos tratava com indiferença."
"Não é verdade, ele sempre se preocupou com vocês, e as tratava com muito carinho."
"Isso é o que diz aquelas idiotas que ele deixou viver." – ela apertou ainda mais as correntes, e Sakura começou a ficar sem ar – "Eu, que sempre fui a mais poderosa, a mais decidida, ele decidiu inutilizar! Eu, que fui a primeira a ser criada, vivi sendo rebaixada e esquecida, unicamente porque ele dava mais atenção para aquelas cartinhas que ele criou por último... as cartinhas perfeitas."
"ELE NÃO ERA ASSIM!"
"Ah, era! Tudo que eu fazia, para ele, era errado. 'Não faça isso, Corrente. Isso é errado, é feio. Obedeça-me, Corrente. Não me desacate!'. Ele me odiava por não o obedecer, por não fazer o que ele queria. E você é igualzinha a ele: manipuladora, falsa, uma fraca!"
"Você não sabe o que está dizendo..."
Sakura finalmente estava começando a entender. Corrente era problemática porque era amargurada. Se o que disse era verdade, ela deveria ter sentido ciúmes quando Clow começou a criar outras cartas depois dela, e começou a arranjar problemas para irritá-lo. E sua amargura só havia crescido depois que fora inutilizada. Sentiu dó dela, e queria ajudá-la. Iria ajudá-la!
"Acho que já me diverti o bastante com você!" – Corrente apertou Sakura ainda mais – "Agora, o melhor é fazer com você o mesmo que fiz com aquelas crianças. Adeus, Mestra."
Ela estava pronta para deixar Sakura totalmente sem ar, quando algo esbarrou nela e ela sumiu. A corrente afrouxou, e Sakura pôde finalmente se libertar, procurando desesperadamente por ar. Olhou para os lados, procurando a Corrente, mas a única coisa que viu foi Nakata sentada em cima de uma árvore caída, na sua falsa identidade. Os seus longos cabelos loiros estavam bagunçados, e os seus olhos mostravam cansaço.
"Desculpe por não ter chegado antes, Teletransporte estava decidida a me pegar!" – disse, dando um pequeno sorriso – "Acredita que ela estava teletransportando todo mundo lá no centro da cidade? Estava um verdadeiro caos!"
"É, aqui não está muito diferente." – Sakura passou a mão direita no braço esquerdo, que estava dolorido – "Corrente estava querendo me matar."
"Não brinca!" – a garota se levantou e saiu correndo em direção a Sakura – "E você está bem, ela não te fez nada?"
"Tudo bem, alguma coisa a tirou na hora. Acho que foi Teletransporte."
"E foi! Ela estava quase me pegando, mas aí eu me abaixei e ela acabou pegando Corrente. Mas está tudo bem com você, Sakura? Não está machucada?"
"Só estou dolorida, não se preocupe. Graças a você, estou a salvo!"
Nakata corou, mas sorriu para Sakura com timidez.
"Onde será que elas se meteram?" – perguntou Sakura, sentindo o corpo todo doer
"Acho que por aí. Teletransporte não deve ter ido muito longe, ela só está brincando mesmo. Tio Kerberos ainda não chegou?"
"Não, ele deve estar tendo problemas também. Espera aí, não é ele ali?"
Um pontinho dourado avançava velozmente no céu. Atrás dele, diversas bolas de fogo iam sendo disparadas por um homem de cabelos grisalhos e túnica preta. O pontinho se desviava com agilidade e rapidez, desviando das bolas de fogo. Os dois passaram à frente de Sakura e Nakata, ainda nesse pega-pega: Kero voando, Explosão atrás dele.
"É, ele está tendo problemas!" – concluiu Nakata
"Venha, vamos ajudá-lo!" – Sakura saiu correndo para onde Kero estava indo, com Nakata logo atrás. Elas embrenharam no Templo perseguindo os dois, até pararem de frente ao lago, onde agora Kero lutava com Explosão. Era uma luta intensa, onde a carta não parava de lançar bolas de fogo, e Kero se defendia soltando rajadas também de fogo. Os dois estavam sobre o lago, que evitava que o Templo inteiro pegasse fogo.
"Nossa, tio Kerberos parece bravo!" – comentou Nakata, vendo a expressão decidida de Kero – "O que será que aconteceu?"
"Se bem conheço Kero, ele deve ter discutido com Explosão. Ele não toma jeito mesmo!" – comentou Sakura, infeliz – "Melhor fazermos alguma coisa antes que ele se machuque."
As duas avançaram sobre o lago, Sakura com Alada, Nakata se transformando. Elas pararam na frente de Kero e encararam Explosão, que estava formando outra bola de fogo. A carta pareceu hesitar por um momento, mas ainda estava com expressão de brava.
"Se quiser lutar com ele, vai ter que lutar com a gente também." – anunciou Nakateri
"Contenha-se, Explosão." – disse Corrente, aparecendo no ar com Teletransporte ao seu lado – "Eu mesma vou acabar com esses traidores e essa pirralha!"
"Como sempre é a cabeça da confusão, Corrente." – disse Kero, entre os dentes – "Não mudou nada mesmo, é só ganhar poder próprio de novo e já sai arranjando encrenca."
"Bela recepção hein, Kerberos." – ela riu, desdenhosa – "Achou mesmo que ficaria naquele estado deplorável pra sempre, dependendo de Poder e Volta pra voltar a viver? Não mesmo... a sua Mestra até que foi bem boazinha me dando poderes próprios ao me transformar, mas isso não vai ser o suficiente para deixá-los todos vivos."
"Como você é ingrata!" – replicou Nakateri – "Sakura te dá uma vida nova e é assim que você agradece?"
"Cala a boca, sua pirralha puxa-saco." – Corrente apontou uma corrente para ela – "Acho que vou começar por você, a penúltima criação de Clow. Explosão, me ajude. Eu seguro e você lança a bola de fogo."
Ela lançou a corrente em Nakateri. A guardiã conjurou um escudo que a protegeu, mas que não adiantou muito, pois Teletransporte tentou pegá-la por trás. Antes que conseguisse, Kero entrou na frente e foi pego, indo parar do outro lado do lago. Nakateri se distraiu vendo para onde o guardião havia ido parar, e nesse momento Corrente a enlaçou.
"Não!" – gritou Sakura, vendo seus dois guardiões lutando freneticamente contras as cartas; Nakateri se debatia tentando se soltar, e Kero fugia de Teletransporte, que tentava pegá-lo a todo custo – "Deixe-os em paz, a sua briga é comigo!"
"Está louca, Sakura?" – perguntou Nakateri, quase se soltando – "Corrente quer te matar!"
"Podemos cuidar dessas cartas, não se preocupe!" – disse Kero, ainda fugindo – "Você tem que pensar em um jeito de inutilizá-las logo, antes que não haja mais controle."
"Ninguém nos controla, Kerberos." – disse Corrente, travando uma pequena batalha com Nakateri, que já conseguia se livrar – "Se Clow não conseguia, você acha que essa pirralha pode?"
"Já que é assim..." – Sakura voou até onde Corrente estava e a encarou nos olhos – "Acabe comigo!"
"O QUÊ?" – perguntou os dois guardiões, enquanto as três cartas paravam de atacar
"Se Clow cometeu o erro de não dar a atenção a vocês como deveria, estou disposta a pagar pelo erro dele. Vamos, faça o que quiser comigo, Corrente, mas deixe Kero e Nakata em paz."
Todos olhavam para Sakura. Ela, porém, sorria por dentro. Sabia que briga, naquela hora, não adiantaria nada. Corrente, que parecia liderar a rebelião, estava amargurada e enciumada, e precisava ver que era tão importante quanto as outras. Teletransporte e Explosão, embora mais contidas, pareciam estar tão amarguradas quanto ela, por isso atacavam. Talvez se oferecendo para receber o castigo que as cartas queriam dar a todos que as "ignoraram" quando foram inutilizadas, ela pudesse conter a todos sem prejudicar ninguém. E seu plano parecia dar certo: as cartas estavam confusas.
"Você enlouqueceu, Sakura?" – perguntou Kero, se aproximando da mestra – "Inutilize-as logo, antes que seja tarde demais."
"Você só pode ser maluca." – disse Corrente – "Tem noção do que está fazendo?"
"Claro que tenho!" – respondeu Sakura – "Você está magoada com tudo o que sofreu, merece descontar sua raiva no culpado, no caso eu."
Teletransporte e Explosão se reuniram a Corrente. As três pareciam confusas e indecisas a continuar a causar confusão. Sakura deu um leve e discreto sorriso, estava dando certo.
"Você é tão diferente.. não tem medo da gente, não nos julga... o que estou dizendo?" – repreendeu-se Corrente – "Vou acabar logo com você. Cartas, me ajudem!"
Teletransporte não se moveu, nem Explosão. As duas continuavam olhando para Sakura com caras confusas, mas ao mesmo tempo arrependidas. Corrente as olhava com raiva:
"O que há com vocês duas? Vamos logo, me ajudem!"
"Desculpa, mas não podemos!" – disse Explosão.
E antes mesmo que Corrente pudesse dizer algo, as duas voltaram à "forma humilde" e entraram no bolso de Sakura, onde estavam as outras cartas. Corrente deixou o queixo cair, enquanto Nakateri e Kero se entreolhavam, entendendo o objetivo de Sakura. Esta sorria.
"Você é tão importante para mim quanto as outras, Corrente." – disse Sakura, agora se aproximando mais da carta – "Todas vocês são. Gosto de todas igualmente, e sei que sem vocês eu não seria nada. Não pense que não te dou importância, porque dou."
"Mentirosa!" – Corrente gritou, embora não estivesse com a voz muito segura – "Clow também dizia isso, e olha o que ele fez!"
"Ele também gostava de vocês, deve ter tido um motivo especial para fazer o que fez. Ele criou três guardiões para protegê-las, porque as amava!" – Sakura se aproximou mais da carta, colocando a mão no seu rosto – "E eu também as amo, e muito!"
"MENTIRA!" – a carta se afastou e tornou a olhar para Sakura com raiva – "Já deveria ter acabado com você há tempos, no dia em que me deixei capturar! Mas não vou errar de novo, vou fazer isso agora mesmo!"
Ela lançou uma corrente em Sakura, pronta para enlaçá-la de novo. Ela não se moveu, estava disposta a ir até o fim com o que começara. Porém, sentiu seu corpo sendo empurrando por um grande quadrúpede com asas, e a única coisa que viu foi Nakata lançando diversas flechas para cima de Corrente (assim como Yue fazia), enquanto a carta fugia rapidamente. A pequena não desistia: continuava lançando as flechas habilidosamente, mostrando o resultado de anos de treinamento; enquanto Kero arrastava Sakura pra longe.
"Me larga, Kero!" – ela pediu, fazendo o guardião parar – "Por que me tirou dali?"
"Por que eu te tirei dali? Oras, ela estava para te atacar, o que você queria que eu fizesse?"
"Queria que me deixasse lá! Não entende, Kero? Ela precisa ver que nós gostamos dela, que ela é importante."
"E ser morta por isso? Sakura, você já sabe do que ela é capaz, já matou..."
"Três crianças, eu sei! Mas eu também sei que ela estava dominada pela tal da megera velha."
Kero parou, soltou Sakura e balançou a cabeça:
"Você é boa demais, Sakura!"
Ela sorriu, passou a mão na cabeça do guardião e voltou para onde Nakata ainda lutava contra Corrente. As duas pareciam estar se esforçando ao máximo.
"Pare, Nakateri Yue!" – ela disse, fazendo a pequena guardiã parar, levemente chocada por ter sido chamada pelo verdadeiro nome por Sakura – "Isso é assunto meu!"
"Mas Sakura..."
"Estou mandando você parar!" – e encarou Nakateri seriamente
Nakateri consentiu com a cabeça e parou de lançar flechas, sumindo inclusive com o arco que estava nas suas mãos. Sakura voltou a olhar para Corrente, que ainda lhe encarava. Seu rosto, embora ainda estivesse bravo, mostrava a dúvida e a confusão. Sakura se colocou diante dela, sorrindo e abrindo os braços:
"Vamos lá, você não queria acabar comigo?" – ela disse, ainda sorrindo
A expressão de Corrente foi se anuviando, mostrando toda a confusão que sentia. Sakura foi se aproximando e voltou a passar a mão no rosto dela, com carinho. A carta foi baixando a guarda.
"Deixe-me ajudar, mostrar que todos somos uma equipe!" – disse – "Deixe-me mostrar que gostamos de você."
Neste momento, as outras cartas saíram do bolso de Sakura e ficou rondando as duas. Esperança parou à frente de Corrente e começou a radiar uma bondosa energia.
"Elas estão se comunicando." – comentou Nakateri – "Esperança está dizendo que Sakura é de confiança, é uma boa pessoa. Está contando a experiência dela."
"Ninguém melhor para convencer Corrente do que uma outra carta, que já foi rebelde." – disse Kero – "Sakura pensou bem nas coisas."
"É tão bonito! Dá vontade de chorar!"
Esperança e Corrente continuavam se comunicando, enquanto as outras cartas estavam ao lado de Sakura. Ela mantinha o seu sorriso doce quando Esperança parou de "falar" e ficou do lado da mestra. Corrente baixou a cabeça e encarou Sakura com o olhar baixo:
"Ela me disse que você a acolheu, mesmo depois de ter quase acabado com você!"
"É verdade!" – respondeu Sakura- "E estou disposta a fazer a mesma coisa com você!"
"Mesmo?"
"Mesmo."
Corrente levantou a cabeça e voltou a sua "forma humilde", parando na mão de Sakura, assim como as outras cartas. A garota suspirou, finalmente havia acabado.
"Você foi ótima, Sakura!" – disse Nakateri, a abraçando por trás – "Conseguiu resolver o problema sem lutar."
"Vocês também se saíram bem. Vi que o seu treinamento está tendo resultados, Nakateri."
"Yamato ficaria orgulhoso de você, pequena!" – disse Kero, voltando à falsa identidade e passando a mão na cabeça dela – "Agora, você dona Sakura... me surpreendeu. Resolveu o problema melhor do que pensei."
"Não poderia lutar, Kero, sabe que não é o melhor jeito." – ela disse, sorrindo tolamente – "Tenho certeza de que agora elas não darão mais problemas."
"Eu só espero." – replicou Kero, fingindo sentar no ar – "Elas conseguiram me cansar. E ainda estou com fome."
"Ai meu Deus... o almoço!"
Sakura saiu voando rapidamente em direção a sua casa. Nakateri olhou para Kero com uma expressão interrogativa:
"Por que esse desespero?"
"O moleque vai almoçar na casa dela hoje. Com certeza ele já deve ter chegado."
"Será que os velhos chatos irão também?"
"Quem, os tios do moleque?"
"Esses mesmos. Será que eles vão lá encher o saco dela? Não me pareceu que a briga tenha parado naquele jantar!"
"Bom, se eles forem, melhor irmos também. Ela vai precisar de ajuda pra se defender."
"Defender a Sakura? Ih, depois de agora, acho que ela não precisa de defesa, não!"
"Eu sei." – Kero suspirou – "Ela está crescendo rapidamente."
"Está mesmo. Vamos logo, eu também estou cansadinha e com fome. E Yamato deve estar preocupado comigo, ainda não levei os diários."
Os dois foram voando, seguindo o caminho que Sakura havia seguido para voltar pra casa. Ambos admirados do crescimento da mestra, admirados com sua bondade e sabedoria.
ContinuaObs: Antes de tudo, DESCULPEM-ME PELO ATRASO! Eu sei que demorei a atualizar, talvez tenha sido a vez que mais demorei, mas é que eu realmente tive que parar tudo por causa da maldita semana de provas. Mas graças a Deus ela já acabou, e eu já passei de ano sem nenhum problema (nem em matemática – fui ótima na prova de geometria – HÁ). Agora sim eu posso voltar a escrever no meu ritmo normal, e atualizar a fic toda semana. Prometo!
É, as cartas negras voltaram a dar problemas. Lembram-se que no começo disse que elas eram problemáticas? Mesmo assim, a nossa Sakura (apesar da insistência de todos) não as inutilizou; ao contrário, usou o seu jeitinho moleca de ser e conseguiu com que todas se acalmassem. Isso é tão emocionante...
O Touya não é demais? Ah, como eu queria ter um irmão como ele... seria tudo de bom. Mas a única coisa que eu tenho é a minha irmã mais velha, que às vezes só me tira do sério (mesmo assim, eu te adoro, viu?)
Aquele asterisco... bem, era só pra eu não esquecer de comentar que todos os superelogios feitos ao Shaoran, na verdade, são feitos por mim! Hihihi, o que eu posso fazer? É o personagem masculino mais adorado que eu já conheci (se bem que o Heero, do Gundam Wing, também está na corrida), e o meu favorito também. E todos os elogios também são feitos pelos leitores (a Analu que o diga), então só coloquei o que sempre ouço. E com muito prazer... ele merece isso e muito mais!
Bom, antes de ir aos agradecimentos (a última vez que farei isso aqui), preciso contar a vocês que já construí o site da fic. Lá, eu colocarei os agradecimentos e o resumo do próximo capítulo, então vocês poderão saber mais da história.
Sem mais delongas, vamos aos agradecimentos:
littledark: clima? Será? Hehehe, acho que por enquanto não. O "Yamatozinho" (estou pensando seriamente em usar esse apelido na fic, a Shiefa simplesmente iria adorar – e ele odiar – assim como eu adorei) realmente não se dá bem com a nossa querida Li. Ele tem um certo pavor dela – pelo menos por enquanto! Bom, a única coisa que posso dizer é que a fic tem ainda mais alguns diversos capítulos, e até lá tudo pode acontecer. Aí eu pergunto: será? Com o tempo a gente descobre. Beijos.
HikariTenchi: nossa! Que felicidade receber de novo um review seu! Achei mesmo que você tinha desistido de ler a minha fic. Não precisa se desculpar, sei exatamente como a escola consegue nos atormentar (inclusive estou atrasada com a fic por causa da bendita semana das provas finais – que, graças a Deus, já acabou!). Que bom que você gostou dos dois últimos capítulos, os fiz com muito amor e carinho. Quanto ao capítulo dedicado à Tomoyo e ao Eriol, era o mínimo que eu podia fazer por vocês que me acompanham desde a minha primeira fic, O Fantasma da Ópera. Além disso, não é nada difícil fazer uma cena com os dois, afinal eles são o casal mais kawaii que existe na face da Terra. Touya e Shaoran concordando em alguma coisa realmente foi algo que eu adorei escrever, principalmente porque uma trégua entre esses dois é bem difícil. E sim, a Tomoyo não muda mesmo. E eu nem quero que mude, gosto dela assim, toda fofinha. Obrigada por ler minha fic, pode deixar que atualizarei o mais rápido possível.
Analu: pois é, você já tinha dito que era professora, e sinceramente adoraria ter uma professora como você. Já pensou, trabalhar com animes na escola? Gente, eu iria adorar isso! Sonho de consumo de todo estudante adorador de animes... garanto que seria o meu melhor trabalho, e que faria de tudo para tirar nota máxima (afinal, não daria nenhum trabalho trabalhar com isso, hehehe). Andei dando uma lida no seu perfil (e confesso que fiquei impressionada ao ver a sua idade – realmente parece que você é mais nova), e vi que sua paixão começou com Os Cavaleiros do Zodíaco. A minha também começou com esses lindos cavaleiros (aliás, acho que a de todo mundo começou com eles) e desde lá não parei mais. Seus alunos têm muita sorte de terem uma professora como você, ai como eu queria ter essa sorte... mudando de assunto, eu concordo com você, esses anciões ainda irão apanhar. Mas sinto em dizer que você não será a terceira, e sim a quarta... porque antes do Shaoran e do Touya, quem irá bater neles sou eu! Hihihi, brincadeira. Adoraria saber que tipos de golpes você prepara para os nossos bons velhinhos, que (sim!) agora irão pegar no pé da nossa queridinha Sakura. Mas nada está perdido, ainda nos resta nossa defensora Hyang, que fará de tudo para proteger nossa heroína. Adoro essa titia! Concordo com você, Tomoyo é sempre Tomoyo, e agradeço aos céus porque a Clamp criou essa personagem maravilhosa. O vestido que ela fez? Bom, se eu conseguir, farei um desenho dele (embora eu seja péssima nisso). Já com a Sara... bom, não posso negar que você tem uma parcela de razão quanto a ela... ela não irá aprontar na fic, mas devo confessar que quando era mais nova, ela aprontou muito! Mas agora tudo fica nas lembranças, e suas aventuras serão contadas através dos capítulos. Concordo com você, até hoje estou triste porque Friends acabou (embora Joey também seja ótimo, não é a mesma coisa). Gilmore Girls é muito interessante, eu gosto porque a Lorelai é bem sarcástica... sim, Três é Demais é o seriado das gêmeas Olsen, quando elas ainda são pequenas... e quanto ao resto, eu gosto porque tem uma história envolvente, sei lá. Eu gostava de Smallville, mas por alguma razão parei de gostar... desde que o Clark explodiu o celeiro da casa dele e fez a mãe perder o bebê, não gosto mais. Mesmo assim, continuo dando uma olhadinha. E quanto a Rytwild... sim, ela vai continuar aprontando, e vai nos trazer muitos problemas. Mas do que seria a nossa história sem uma vilã? Beijos e aguardo mais reviews.
Tamires do Orkut: eu te adicionei no msn! O engraçado é que deu que você não tinha, mas depois você apareceu. Bom, de qualquer maneira eu espero que você resolva o seu problema com ele, sei muito bem como é ter msn que dá pau! Continuando, você viu o capítulo 15 de Sem Barreiras? Nossa, achei tão lindo, agora estou imaginando como será que a fic vai terminar. Pra me acalmar, comecei a ler outra fic da Rô, DESTINOS ENTRELAÇADOS. É de Harry Potter, e também está ficando ótima. Se você gosta de HP, vale a pena. Ah, antes que eu me esqueça: eu dei uma lida em "As cores do Inverno", como você recomendou – devo dizer que simplesmente AMEI a história. Acho que estou sem fôlego até agora, aquele capítulo seis me deixou uma noite inteira acordada por causa da curiosidade. Beijos.
Nanda chan: sabe, até que você se tornou uma boa estudante de Hogwarts. É sério, ficou muito legal a sua participação. Acho até que vou te transformar em personagem definitiva, e te enfiar na big aventura final. Mas aí eu preciso te fazer uma pergunta: está disposta a trazer o Sirius de volta à vida? Aposto como você não vai se arrepender. Quanto a fic da Black perdida, mal vejo a hora de ver começar a escrever. A Jessica já disse que topa escrever em conjunto (inclusive já começamos a bolar algumas coisas – como o par romântico da menina, no caso, o Fred), e ficou animada com a idéia. E agora que você topou, vai ficar melhor ainda. E a sua carta? Gostou dela? Achei a sua cara! Vou ver se consigo colocá-la na fic, mas acho que isso é possível. Beijos, amiguinha.
Gente, até o capítulo 10 de "Os Senhores da Natureza!" (dores de cabeça estão por vir, leitores. E estou falando no sentido literal da palavra!).
Comentários extras: eu sou muito esquecida mesmo. Quase não deixo o endereço do site! É http (dois pontos /) geocities (ponto) yahoo (ponto) com (ponto) br (/) missofdarknessff . Lá estão disponíveis informações de todas as minhas fics postadas aqui (O Fantasma da Ópera, Os Senhores da Natureza e Harry Potter e a Taça de Chama Verde), e semana que vem estará também informações de fics que ainda não postei (Você Não Me Ensinou a Te Esquecer, O Uivo dos Lobos e Caindo por Terra). Na parte de Os Senhores da Natureza, coloquei o resumo do próximo capítulo (Dores de Cabeça), informações sobre os personagens, sinopse da história e (para os mais curiosos) um breve resumo do que é a Hierarquia da Magia Natural. Também há leves dicas sobre a história, aposto como todos irão gostar. Espero que vocês entrem e gostem. Depois, quero saber o que vocês acharam. Beijos e visitem o meu site, ele foi feito para vocês.
