Depois de alguns anos, nunca imaginou se sentir entediada e desanimada. Certo, a sua vida não era das piores, ao contrário, sequer tinha do que reclamar. Mas ainda assim, algo faltava na sua vida, e pedia desesperadamente por ação. Bem, seu desejo foi atendido... agora, será que ela agüenta?

Disclaimer: Sakura Card Captors e todos os outros personagens são da Clamp®, eu só sou mais uma doida varrida que vou fazer todos eles sofrerem (principalmente os anciões malditos. Falando nisso, alguém aí quer se alistar pro BEDJLQLCVTADBPUSOEDV – Big Exército de Jovens Lutadoras que Lutam Contra Velhinhos Tiranos Armados de Bengala por um Shaoran ou Eriol da Vida?)

Capítulo 11 – Uma noite de angústias

Em uma sala escura, ouvia-se apenas os passos impacientes de uma pessoa, passos leves que indicavam a classe e educação, porém passos nervosos, que mostravam a raiva e desespero. Aos olhos de qualquer um, ela era uma jovem mulher, mas se alguém prestasse mais atenção, veria em seu olhar o peso de um passado horrível e condenador. E não só isso: veria uma alma já idosa e antiga, dentro de um corpo que claramente não era mais o mesmo. Essas eram todas as conseqüências de um ato inconseqüente e vingativo. Mas ela não percebia isso, ou então nem queria perceber.

Eu fui matando os meus heróis

Aos poucos como se já não tivesse nenhuma lição pra aprender.

O verão quente e abafado da cidade não ajudava em nada na sua tentativa de controlar a raiva. Por muito pouco conseguira o que queria, mais um pouco e os efeitos seriam irreversíveis. Mas aqueles malditos tiveram que interferir, principalmente o descendente daquele que lhe tirara a chance de ser poderosa. Sim, já não bastava ter que sofrer as injustiças na mão dele, agora sofria com a intervenção de sua "descendência". Respirou fundo, tentando buscar calma. Tinha que se concentrar, senão perderia o controle e poderia pôr tudo a perder.

Eu sou uma contradição

E foge da minha mão fazer com que tudo que eu digo

Faça algum sentido.

"Senhora" – disse um homem que estava parado à porta, fazendo a mulher parar – "Está tudo pronto para o ritual."

"Obrigada, Kim." – ela se voltou para o fiel serviçal, pensando em como ele era idiota – "Você já está pronto?"

"Sim senhora. Como sempre estou e estarei."

"E ela? Está pronta?"

"Também. Ela quase acordou hoje, mas consegui impedi-la. É surpreendente que continue resistindo depois de toda a essência vital tirada dela."

"Sem sombra de dúvidas ela é uma mulher ativa e cheia de vida. Mas não é forte o suficiente para resistir a mim." – ela voltou a encarar o nada – "Já sabe o que fazer, não sabe?"

"Sim senhora. Com licença."

O homem chamado Kim se retirou. A mulher encarou um espelho, pensando em como mudou depois de apelar para métodos tão baixos e perigosos, com o objetivo de continuar viva e poderosa para se vingar. A sua pele, tão morena e lisa, hoje estava seca e pálida, a ponto de deixar o sangue aparecendo. Seus olhos, que antigamente tinham uma cor viva de mel, hoje estavam vermelhos, como o próprio fogo do inferno. Seu corpo, sempre tão esbelto, hoje estava mais magro do que o normal, mostrando o sofrimento e ódio contido nele. Mas tudo valia a pena para realizar os seus objetivos.

Há muitos anos que acontecera tudo, há exatamente 80 anos. Lembrava-se muito bem, estava tudo pronto para tomar o seu lugar de direito na Hierarquia da Magia Natural. Clow já havia morrido há 20 anos, e nenhum Regente havia aparecido. Ela, durante todos esses anos, foi uma pessoa exemplar, cumprindo todas as suas missões com uma destreza que poucos tinham. Todos achavam que ela fazia isso por nobreza e amor a Clow, e ela mesma imaginava que ninguém sabia do que havia acontecido entre os dois há muito tempo antes. Estava enganando a todos, menos a uma pessoa...

Eu quis me perder por aí

Fingindo muito bem que eu nunca precisei de um lugar só meu.

Memórias

Não são só memórias

São fantasmas que me sopram aos ouvidos

Coisas que eu...

"Ele foi irritante até o fim." – ela disse para si mesma, enquanto ainda se olhava no espelho – "Além de deixar as cartas bem longe de mim, deixou aquela pirralha avisada do que iria acontecer. E ainda hoje eles me atrapalham."

Ela nunca entendera por que não pôde ter o que queria. Lembrava-se de quando Clow lhe confidenciou que iria criar cartas mágicas, que o ajudaria a ter mais controle sobre seus magníficos poderes. Ela lhe ajudou a criar aquele tesouro, acreditando piamente que depois elas seriam suas. Afinal, ela havia ajudado, não é mesmo? Depois da morte dele, por direito elas seriam suas. Ela era mais preparada para tanto, e também era muito mais forte do que ele, ou pelo menos julgava ser. Além disso, ela fingia muito bem que era sua melhor amiga, sua melhor confidente, sua melhor amante. É, as cartas seriam suas, sem sombra de dúvidas.

Logo em seguida, ambos foram convidados a participar da Hierarquia da Magia Natural, ele como Regente e ela como Sub-Regente. Uma escolha que ela logo percebeu ser inadequada, pois ele não estava pronto para tal cargo. Ele era tolerante demais e ambicioso de menos, e com todo aquele poder em suas mãos, a única coisa que fazia era seguir as regras. Ah, se fosse com ela, já teria o mundo ao seu controle, como deveria ser. Cargos altos foram feitos para pessoas que devem controlar o mundo. Então, por que ela não fora escolhida, se era forte e ideal para o cargo?

Mas não se preocupou com isso, por ora. Os anos estavam passando e logo Clow morreria, e com isso poderia tomar o seu lugar de direito. Ele com certeza deixaria as cartas para ela, e o cargo de Regente lhe seria concedido, já que ela era a Sub-Regente. Era só uma questão de esperar e continuar fingindo ser uma pessoa exemplar, dedicada ao seu trabalho e também a todos os seus colegas. Estaria tudo bem se Kinomoto não tivesse aparecido em seu caminho.

Eu dou sempre o melhor de mim

E sei que só assim

É que talvez se mova alguma coisa ao meu redor

Era um dia de verão quando Clow lhe contou que deixaria as cartas para uma garotinha de dez anos, que se chamaria Sakura Kinomoto. Também disse que já tinha uma leve noção de quem seria o Regente no seu lugar, e que esperava que ela se dedicasse a ele tanto quanto ela se dedicou a si próprio. Ao saber tudo isso, Rytwild se descontrolou: todos os anos de dedicação e fingimento, agüentando aquele trouxa ao seu lado, para no fim não ter nada do que pretendia? Ela simplesmente não poderia permitir isso, de jeito nenhum. No mesmo dia eles travaram uma batalha, onde ela foi gravemente ferida, chegando a ficar inconscientes por meses. Clow não contara a ninguém sobre a briga dos dois, deixando para fazê-lo apenas quando ela acordasse. Mas não teve tempo para isso: acabou morrendo antes.

Assim que acordou, ela logo soube que essa era a sua chance. Continuaria fingindo como sempre fez, esperando o momento certo para dar o bote. O que ela nunca soube é que Clow não deixara os seus colegas desavisados; ele avisou a todos que havia um traidor na Hierarquia e contara à pirralha quem era. Também deixou as cartas muito bem escondidas em algum lugar do mundo, bem longe dela, com seus guardiões de guarda. Tudo isso causou o incidente de 80 anos atrás, onde fora desmascarada e expulsa da Hierarquia. Nesse mesmo dia, ela jurou vingança a todos, principalmente àquele que seria o dono de suas cartas, Sakura Kinomoto. Aquela garota iria se arrepender de ter entrado no seu caminho.

Eu vou despedaçar você

Todas as vezes que eu lembrar por onde você já andou sem mim

Memórias

Não são só memórias

São fantasmas que me sopram aos ouvidos coisas que eu...

Memórias

Não são só memórias

São fantasmas que me sopram aos ouvidos coisas que eu nem quero saber!

"Preciso parar de pensar no meu passado." – ela disse para si mesma, desviando o olhar do espelho – "Tenho coisas mais importantes a fazer agora."

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A noite caía na pequena cidade de Tomoeda, e a lua reluzia o seu esplendor por todos os lados. Era uma ótima noite para sair, se não fosse pelo simples fato de que nove jovens estavam exaustos, depois de chegarem de uma viagem mais do que cansativa. A mais nova do grupo, ou pelo a que parecia ser, já tinha se entregado ao sono. Os outros estavam agüentando até chegarem em suas casas.

Depois de mais ou menos vinte minutos depois de chegarem a Tomoeda, todos já estavam entregues em seus lares, e só faltavam quatro pessoas chegarem em seus destinos. Touya estacionava o seu carro na garagem da casa amarela, enquanto Sakura descarregava o porta-malas e Yamato descia com uma Nakata adormecida no colo. Ela, durante toda a viagem, pareceu preocupada e triste; estava assim desde o dia em que capturara Confusão. Estavam todos preocupados com a baixa estima dela, parecia que a carta havia ido um pouco longe demais nos seus efeitos. Assim que paravam em casa, todos davam recomendações de que deveria tomar cuidado e não hesitar em chamar por alguém em qualquer situação. Touya parecia ser o mais preocupado, mas não se manifestava.

Sakura terminou de descarregar o carro e foi ajudar Yamato a abrir a porta de sua casa, já que o garoto carregava Nakata. Kero ia carregando as malas dos irmãos logo atrás, resmungando que.

"Obrigado por me ajudar, Sakura. E você também, Kerberus, valeu por ter trazido minhas malas."

"Eu merecia uma recompensa por isso." – resmungou Kero, enquanto entrava na casa do garoto para pôr as malas – "Imagine só, eu sendo carregador de malas..."

"Não liga pro Kero." – disse Sakura, forçando um sorriso – "Ele faz isso com prazer."

"Eu sei." – respondeu Yamato – "Bom, vou ter que entrar, ainda preciso colocar Nakata na cama. Mas já sabe, qualquer coisa..."

"Não hesite em te chamar." – Sakura deu um suspiro de resignação – "Todo mundo me disse a mesma coisa."

"Estamos todos muito preocupados com você. Queremos te ajudar no que for preciso."

"Eu sei, mas não se preocupem, eu estou bem. Bom, tenho que ir. Boa noite Yamato, até amanhã. KERO, VAMOS LOGO!"

Ela se despediu do amigo e seguiu para a sua casa com o semblante triste. Kero parou na porta junto com Yamato e se virou para o treinador:

"Ela está se achando fraca por ter se confundindo com o feitiço da carta." – comentou o pequeno guardião

"Ela quer se mostrar uma garota forte, por isso não se conforma de ter sido confundida por Rytwild." – o garoto suspirou – "Quando ela vai entender que não poderia ter feito nada para impedir?"

"Talvez quando voltar a lutar com aquela megera. Agora, a briga já virou questão de honra."

"Não me lembrava de Sakura ser tão orgulhosa assim. Mas, a cada dia que passa, ela me surpreende."

"Ela está assim depois que começou a namorar o Moleque. Tomoyo tem razão, isso deve ser algum tipo de efeito colateral."

"O Efeito Colateral Li." – completou Yamato, dando uma leve risadinha

"Agora, há outra coisa que me intriga, Yamato." – disse Kero, assumindo totalmente uma expressão séria, e sendo seguido pelo treinador – "Que tipo de treinamento você está dando para Nakateri? A cada dia que passa, sinto que as habilidades dela se aperfeiçoam mais e mais, e que ela está se aprimorando mais rápido do que o previsto."

"Estou dando o mesmo treinamento de sempre, mas agora há um fator que não tínhamos antes. Agora, ela está aplicando o que aprende, e isso faz com que ela se aperfeiçoe mais depressa do que o normal."

"Será que essa luta com Rytwild está fazendo com que ela acelere o processo de aperfeiçoamento?"

"Eu não sei, Kerberus." – Yamato olhou para a garota adormecida em seus braços – "Mas acho que vocês deveriam confiar mais nela. Está se tornando uma guardiã digna de mérito."

"KERO, VOCÊ VAI DEMORAR MUITO?" – gritou Sakura da sua casa – "JÁ ESTÁ TARDE, VAMOS DORMIR!"

Kero e Yamato se entreolharam mais uma vez antes de cada um seguir para sua casa. O guardião foi direto para o seu quarto- gaveta, enquanto deixava Sakura se despedindo de Touya, que tinha que voltar para o seu apartamento.

Fujitaka ficou muito feliz ao ver a filha de volta. Depois de insistir muito para que Touya ficasse naquela noite (sem sucesso, pois o filho não ficou), preparou uma comida para ela e perguntou como havia sido o acampamento. Ela contou quase todos os acontecimentos, menos sobre a carta Confusão, e deu uma lembrança ao pai, que havia comprado em um vilarejo vizinho à floresta. O senhor Kinomoto ficou muito preocupado com a cara de preocupação e tristeza da filha, mas não fez mais nenhuma pergunta. Deixou Sakura subir para o seu quarto, pois ela deveria estar cansada.

E de fato ela estava, mas de alguma forma ela não conseguia descansar. Na sua cabeça, rondava apenas todas as cenas que a carta Confusão lhe fizera ver, todas as coisas horríveis que pensara naquele dia. Como se deixou enganar tão fácil? Ela era a Mestra das Cartas Sakura, deveria ser mais forte do que aquele simples feitiço. Que força era aquela que a deixara tão confusa e perdida, a ponto de não conseguir lutar? Como aquela feiticeira poderia ser tão forte assim?

Ela se revirou na cama várias e várias vezes, mas simplesmente não conseguia dormir. Kero já estava no décimo sono, e muito dificilmente iria acordar. Não pensando em coisa melhor naquela hora, ela decidiu sair um pouco, para esclarecer a mente. Pegou suas cartas, invocou Alada e saiu voando pelos céus de Tomoeda, sem rumo nem destino.

Depois de dez minutos voando, Sakura se viu acima do Templo Tsukimini. Sorriu de lado ao ver onde tinha parado, pensando que aquele templo com certeza a atraía de alguma forma. Mas não tinha do que reclamar: era o lugar perfeito para refletir e se acalmar, como queria fazer.

Desceu ao chão, desativando Alada, mas seu báculo ainda em suas mãos. Começou a andar devagar, dirigindo-se a um lugar específico, o lago de previsões do futuro. Não que ela quisesse saber o que aconteceria, mas aquele lago era calmo e parado, perfeito para ficar olhando enquanto se pensava. Foi quando sentiu uma presença por ali, que já conhecia. Andou mais um pouco para ver se não estava enganada, e realmente não estava. Havia uma pessoa também no Templo, e pelo jeito fazendo o mesmo que ela. Sorriu um pouco e parou logo atrás dessa pessoa.

"Achava que estaria dormindo a essa hora, Flor de Cerejeira. Foi a primeira coisa que Shaoran e Meilin fizeram quando chegaram em casa."

"Eu estou meio sem sono hoje à noite, e parece que não sou a única, não é mesmo senhora Hyang?"

A anciã voltou seu rosto para Sakura com um sorriso no rosto. Ela trajava um longo e largo vestido branco, e seus cabelos estavam presos em um coque.

"Aos velhos a falta de sono é comum." – ela se voltou totalmente para Sakura, aumentando seu sorriso – "Agora, se uma pessoa tão jovem como você está sem sono, é porque algo a incomoda, ou estou enganada?"

Sakura negou com a cabeça, dando um longo suspiro, enquanto se aproximava da senhora e encarava o lago ao mesmo tempo.

"Soube que vocês tiveram contratempos no acampamento." – continuou a senhora, encarando a garota – "Meilin nos contou o que aconteceu assim que chegou em casa. Pelo o que ela disse, foi uma dura batalha."

"Foi. Todos se arriscaram para me proteger, enquanto eu era enganada pela Carta Confusão." – Sakura abaixou sua cabeça, se sentindo envergonhada – "Aposto como os senhores Chen e Hyu disseram que sou uma fraca."

"Vou ser sincera com você, menina, eles disseram mesmo. Mas você não deve se importar com a opinião deles, os dois são uns resmungões por natureza, reclamam de tudo e todos. Às vezes, reclamam deles próprios... acho que por isso que se dão tão bem um com o outro."

"Eles têm razão quando dizem que sou uma fraca. A cada vez que acontece algo, eu sempre meto os pés pelas mãos e coloco os outros em perigo. Não sou digna do poder que tenho."

Hyang suspirou com resignação. Pelo jeito, o orgulho de Shaoran havia contagiado Sakura, e agora ele a atormentava, fazendo-a achar que era uma fraca por ter se deixado levar pelo poder da Carta. Mas Hyang sabia que Sakura não era fraca... havia acabado de ver nas águas daquele lago o quanto a garota era forte e capaz, senão não lhe seria cabido um destino tão difícil e perigoso quanto ao que lhe foi dado.

"Quando eu era mais nova, eu sempre ouvia dos anciões da família que o guerreiro é fraco apenas se ele realmente o acha que é." – ela viu o rosto de Sakura se voltar para ela, com uma expressão de dúvida – "Por menor que seu poder físico e mágico seja, um guerreiro pode ser considerado forte se ele quiser mostrar que é. O que realmente conta na força de uma pessoa é seu valor, caráter, inteligência e sentimentos, e nada mais. Entende o que quero dizer, Kinomoto?"

"A... acho que sim, senhora!"

"Você se acha uma guerreira fraca, Sakura? Ou será que se deixou contaminar pelos efeitos da Carta Confusão para fugir de suas responsabilidades?"

"CLARO QUE NÃO!" – Sakura sentiu seu controle saindo de si por alguns instantes, e em seguida se repreendeu pela atitude tomada – "Desculpe-me, senhora Hyang, não queria gritar com a senhora..."

"Não queria, é?"

Sakura viu os olhos de Hyang lhe encarando com seriedade e sabedoria. A garota parou para pensar quais eram as intenções da senhora ao lhe fazer aquela pergunta. Não demorou muito para perceber.

"Sim, eu queria gritar com a senhora." – respondeu, enquanto a encarava – "E peço desculpas pelo o que vou dizer, mas me indignei quando a senhora me acusou de irresponsável..."

"Em nenhum momento eu disse isso, minha jovem. Apenas perguntei se está fugindo de suas responsabilidades, pois é o que está parecendo, se me permite dizer."

"Eu não estou fugindo de minhas responsabilidades!"

"Então, por que está se acusando de fraca, dando até atenção aos meus dois irmãos rabugentos, que a única coisa que sabem fazer é criticar os outros?"

"Não é tão simples quanto parece. Desde que transformei as Cartas Clow em Cartas Sakura, ouço dizer que sou a mais poderosa feiticeira da Terra, que nada nem ninguém pode me derrotar. Todos acreditam que sou poderosa, mas eu sequer consigo proteger as minhas cartas e amigos, e sou controlada por uma carta, da qual, teoricamente, sou dona. Não consigo deter Rytwild por um só momento, e sempre dependo da ajuda dos outros para vencer. Até no Juízo Final tive que receber outra chance de Clow, para que assim pudesse vencer Yue."

Hyang suspirou mais uma vez, dando um leve sorriso, que Sakura não percebeu. Ela colocou a mão na cabeça da garota, acariciando seus cabelos:

"A maior prova de que somos fortes é quando recebemos a confiança de outras pessoas, porque esse é o sinal de que acreditam em nosso potencial e capacidade. Se Clow te deu outra chance de lutar com Yue, é porque ele sabia que só você poderia derrotá-lo no Juízo Final, e que só você poderia ser dona das Cartas. Se seus guardiões se sacrificam para protegê-la, é porque eles acreditam piamente que sua vida está acima de tudo, e que só você pode impedir que o mal seja disseminado no mundo. Se seu próprio namorado arrisca sua vida para lhe deixar em segurança, é porque ele sabe que você é importante não só para ele, mas para todos. Você não é fraca, Sakura. Muito ao contrário, é tão forte que consegue ter em suas mãos a confiança e respeito de todos ao seu redor."

"Senhora Hyang..." – Sakura tinha lágrimas nos olhos

"Todos estão dispostos a lhe ajudar nessa dura batalha, não porque acham que você não seja capaz de lutar sozinha, mas porque acham que você é a única capaz de deter Rytwild, e querem te manter segura até não poderem mais te proteger. Depende apenas de você dar um rumo nessa batalha: você pode unir suas forças a eles, ou ignorá-las e tentar seguir sozinha. A decisão é somente sua, e você tem que aprender a tomá-la: usar os poderes que seus amigos lhe oferecem ou ignorar e fazer tudo sozinha."

Sakura sentiu as lágrimas descendo pelo seu rosto, mas elas não eram de tristeza. Eram de alegria e agradecimento por tudo que Hyang havia lhe feito ver que era verdade. Seus amigos confiavam nela, a ajudavam porque a achavam capaz de vencer esse desafio. A senhora tinha razão: estava na hora dela parar de ser uma garota chorona, parar com aquele orgulho sem motivo e decidir o que fazer da sua vida. Decidir se aceitaria a ajuda dos amigos ou se encararia Rytwild sozinha.

"Muito obrigada, senhora Hyang." – ela agradeceu, abraçando a senhora com ternura, e sendo retribuída – "Seguirei o seu conselho; pensarei no que fazer."

"É assim que eu gosto, garota. Agora sim está mostrando ser a garota pela qual Shaoran é apaixonado. Falando nisso, fale com ele amanhã, ele está morrendo de preocupação por sua causa."

"Eu sei, e pode deixar, amanhã mesmo falarei com ele. Não sei como agradecer por tudo que fez por mim."

"Era o mínimo que eu poderia fazer pela minha futura sobrinha-neta, não é mesmo?"

"Ora, senhora Hyang, não é pra tanto... nem sei se um dia casarei com o Shaoran, como todos acreditam... embora vontade não me falte, não posso falar do futuro."

Hyang sorriu. Era bem verdade que ninguém poderia falar do futuro com certeza, mas naquele caso, as probabilidades eram 100 a favor do que acreditava e vira no lago, momentos antes.

"Bom, se me permite, preciso me retirar." – a senhora fez uma reverência a Sakura – "Daqui a pouco meus irmãos chatos darão pela minha falta e não quero confusões a essa hora da noite. Até logo, Flor de Cerejeira."

"Até logo, senhora Hyang, e mais uma vez obrigada."

Sakura prestou reverência enquanto via a senhora se afastar. Olhou mais uma vez para o lago e sorriu, se sentindo melhor depois de tão angustiantes dias. Estava para ir embora quando sentiu outra presença por perto, que lhe causou arrepios. Arrepios que sempre lhe deixavam alerta.

Olhou ao redor, procurando o dono, ou melhor, a dona daquela presença tão maligna. Olhou para todos os lados, mas como não viu ninguém, decidiu subir em uma árvore próxima para observar, e escondeu sua presença, para não ser percebida. Não demorou muito para a pessoa que procurava aparecer. Os mesmos olhos vermelhos, a mesma pele pálida que tanto lhe causava arrepios, dessa vez não mostravam uma expressão raivosa ou sarcástica. Estava séria, como se quisesse fazer algo muito importante. Sakura se ajeitou melhor no galho onde estava, para ver o que ela estava fazendo. Isso era uma coisa que não mudava nela: a curiosidade.

A mulher ficou parada em silêncio, olhando o lago por alguns longos minutos. Ela fechou os olhos e juntou suas mãos, fazendo a pose que deveria ser feita para as previsões do futuro. Sakura se mexeu um pouco para ver melhor o que ela estava vendo no lago, enquanto se perguntava como ela conhecia o método para as previsões. Em um descuido, se mexeu demais e sentiu o galho começar a se partir. Segurando-se para não cair, suspirou aliviada quando viu que Rytwild não se movera nem um centímetro. Ela não percebera nada.

Passou-se mais alguns minutos, com a mulher estática em frente ao lago, ainda fazendo algumas previsões. Com medo de o galho quebrar de vez, Sakura não se mexeu mais, embora sua curiosidade pedisse para se mexer mais um pouco, a ponto de conseguir ver o que estava acontecendo. Mas, apelando para o bom senso, ficou parada no seu canto, esperando a rival ir embora. Só esperava que ela não demorasse muito, pois o corpo já estava começando a doer, vendo que estava agarrada fortemente ao galho.

Foi então que tudo aconteceu rápido demais. Em questão de milésimos de segundo, uma forte rajada de vento atingiu Sakura em cheio, terminando de quebrar o galho e a derrubando com tudo da árvore. E, antes mesmo da garota ter tempo de se levantar, Rytwild se virou para ela e lançou uma magia que a rodeou rapidamente. Sakura ainda tentou lutar contra a magia, mas em pouco tempo sentiu que suas mãos e suas pernas não a obedeciam mais, assim como o resto do seu corpo. Estava paralisada.

"Confesso que não esperava sua presença hoje, Kinomoto. Não imaginava que fosse adepta à noite."

Sakura tentou falar, mas sua boca não obedecia, fazendo-a ter que ficar totalmente em silêncio, agüentando aquela coisa horrorosa na sua frente.

"O que foi, Sakurinha? O gato comeu sua língua?" – a mulher se aproximou dela e encostou o rosto no da garota. Sakura sentiu sua raiva crescer no seu corpo, mas sequer conseguia estampar isso no seu rosto paralisado, o que a fazia ficar com mais raiva. – "Nossa... eu acho que vi um olhar de raiva. É o máximo que você consegue fazer comigo?"

Ao ver o silêncio da rival, Rytwild deu uma risada sonora, que ecoou no templo vazio. Ela ajeitou o corpo, ficando de pé, totalmente ereta. Olhava com desdém para Sakura.

"Kinomoto, eu poderia acabar com você agora mesmo, sabia? Com você paralisada dessa maneira, seria muito fácil te destruir, como sempre quis. Depois disso era só pegar o restante das cartas e terminar a minha vingança." – um brilho maléfico surgiu em seu olhar – "Mas, pensando bem, isso não teria graça. Sempre me disseram que eu tinha esse defeito, sempre esnobar do inimigo antes de derrotá-lo de vez. Aqueles idiotas da Hierarquia odiavam quando eu fazia isso... e odiavam mais ainda quando não podiam ralhar comigo, já que eu era superior a eles. Trouxas!"

Sakura sentiu que seus olhos se arregalariam se ela pudesse fazer isso. Rytwild deve ter adivinhado o que ela estava pensando, pois um sorriso debochado surgiu em seu rosto antes de voltar a falar:

"Imagino que você esteja curiosa para saber o que é a Hierarquia, não é mesmo? Eu falo tanto dela pra você, mas nunca cheguei a detalhes. Acho que você merece algumas explicações antes de partir pro outro mundo, afinal algo de mim deveria ter resistido a todos esses anos. Acho que os outros até que tinham razão: eu realmente adoro esnobar os meus inimigos derrotados." – suspirou antes de voltar a falar – "Hierarquia da Magia Natural foi a melhor e a pior coisa que me aconteceu na vida. O maior centro de poder do planeta, que esteve praticamente nas minhas mãos, se não fosse pelo maldito do Clow." – Sakura prestava atenção nas palavras dela, embora não pudesse demonstrar – "O que é realmente estranho, já que eu sempre fiz tudo por ele. Se não fosse por mim, ele não seria metade do que foi. Eu sempre o ajudei, sempre o aconselhei, sempre dei força pra ele, em todos os sentidos. Aliás..." – ela voltou a se aproximar da garota, que ainda estava tentando digerir as palavras ditas um pouco antes – "Sabia que eu o ajudei a criar as primeiras cartas Clow? Aposto que isso não te contaram, não é mesmo?"

Sakura sentiu seu coração parando por alguns segundos. Seria possível?

"Ora Kinomoto, vai dizer que nunca se perguntou como eu roubei suas cartas?" – ela perguntou com impaciência, pelo visto adivinhando o que ela estava pensando – "Acho que já te disseram algo sobre laços sentimentais mágicos, não é verdade? Mas claro que já te disseram, aquele petulante do Yue deve ter formulado uma teoria no momento em que peguei as cartas de volta, e aquela irritante da Yelan também deve ter desconfiado. Pois bem, eles estão certos: eu realmente tenho laços sentimentais com as cartas, afinal elas não existiriam sem mim. Com isso consegui pegar grande parte das cartas, menos aquelas que possuem laços com você... nove delas, pra ser mais exata."

Sakura sentiu uma vontade imensa de sorrir. Ela ainda não sabia da Carta Esperança.

"Eu fiquei me perguntando por dias por que essas cartas teriam o laço com você, uma garota tão fraca e insignificante. Mas parece que você consegue fazer com que todos caiam aos seus pés, Kinomoto. Por causa desse jeitinho meiguinho e sedutor, você conseguiu me destruir."

"Do que essa maluca está falando? Eu sequer a conhecia!" – pensava Sakura consigo mesmo

"Às vezes eu me pergunto por que Clow deixou todas as cartas pra você, uma insignificante garota. Eu tinha tudo para ser a futura dona, eu o ajudei a criar." – o olhar de Rytwild agora tinha um brilho alucinado de desespero e loucura – "Elas, por direito, eram minhas, eu fiquei ao lado dele contando com isso. Deus sabe o quanto lutei para agüentar aquele gênio bobo e irritante de Lead, o quanto sofri com as atitudes tolerantes dele. Já era muito difícil ter que conviver com o fato dele ser o Regente da Hierarquia, ainda mais com o fato dele sempre ser benevolente, sempre se negar a usar a violência. Era um direito meu possuir as cartas depois da morte dele, mais do que isso, era uma obrigação. EU era a mais forte, a mais preparada. Então, por que ele deixou tudo para você? POR QUÊ?"

O silêncio tomou conta do lugar. Sakura esperava que Rytwild falasse mais, muitas informações estavam sendo dadas, embora ainda não entendesse quase nada do que ela dizia. E perguntas ainda rondavam a sua cabeça: como Rytwild havia vivido com Clow, se ele havia morrido há anos? Como ela poderia tê-lo ajudado a criar as cartas, sendo tão perversa daquele jeito? E o que diabos era a tal Hierarquia, que ela até agora não sabia?

"E como se não bastasse você pegar minhas cartas, Kinomoto, você também resolveu pegar o cargo da Regência, que também deveria ser meu depois da morte de Clow. Estava tudo certo, tudo planejado, eu até já sabia o que fazer quando ocupasse o cargo, mas aí ele anuncia que o cargo será de outra pessoa, a mesma que possuiria as cartas. Mais uma vez você entrou no meu caminho, me tirando tudo que eu tanto queria e sonhava. VOCÊ foi minha pedra do sapato durante anos, por sua causa fui expulsa da Hierarquia, por sua causa cheguei onde estou hoje." – ela aproximou seu rosto do de Sakura, e a encarava com o mais profundo ódio – "Mas um dia eu prometi me vingar, eliminando essa sua existência indesejável e acabando com a raça de todos da Hierarquia, tomando o meu lugar na Regência de volta, assim como todas as minhas cartas. E esse dia finalmente chegou, Kinomoto; finalmente poderei sumir com essa sua vida inútil e conseguir o poder que tanto desejei durante todos esses anos." – seu olhar adquiriu um brilho maldoso e cruel – "Finalmente vou acabar com você de uma vez por todas, e recompensar todo esse tempo de espera e sofrimento. Prepare-se para a sua morte, Sakura." – ela se levantou e encarou a garota com desdém e sarcasmo – "Alguma coisa a dizer antes de morrer? Ah é, eu esqueci: você não pode falar." – ela riu sarcasticamente, o que fez Sakura ficar com muita raiva – "Já que você não tem nada a declarar, morra Kinomoto."

Rytwild ergueu os dois braços e conjurou uma enorme foice de fogo. Segurou-a como se aquilo não fosse nada, e apontou para Sakura. A garota apenas olhava para a foice à sua frente, pesando desesperadamente em como sair daquela situação. Mas por mais que tentasse, seu corpo simplesmente não obedecia. Ela estava paralisada totalmente.

Rytwild aproximou a foice do pescoço de Sakura, deixando-a meio milímetro afastada. A jovem podia sentir o calor do fogo intensamente, que a fazia suar. A bruxa deu mais um sorriso satânico:

"Antes que eu me esqueça, você foi paralisada pela carta Paralisação, Sakura. Ela pára todos os seus movimentos, inclusive te impede de falar. Você fica estática no tempo e espaço, como se fosse uma pedra." – ela sorriu mais ainda – "Agora, MORRA!"

Sakura a viu erguer a foice, fazendo o vento quente passar pelo seu pescoço. Tentou fechar os olhos, mas eles não obedeciam. Sabia que aquela era a sua hora, e ela sequer podia se defender. Ficou esperando a foice atingir o seu pescoço, mas ela não veio. Ao contrário, foi atingida por outro jato de fogo incrivelmente forte, que ao queimar a mão de Rytwild, a fez soltar sua arma. A bruxa olhou para trás e encarou um par de olhos incrivelmente castanhos a olhando com desafio, enquanto segurava um pequeno pedaço de papel. Era Hyang.

"Não tem nenhuma vergonha de se declarar poderosa enquanto ataca pessoas impossibilitadas de se defender, Rytwild?" – a anciã perguntou, não fazendo nenhuma questão de esconder sua raiva – "Achava que você era uma oponente mais digna."

"Quem é você, sua velha maldita?"

"Interessante você me chamar de velha, minha cara. Se os meus ouvidos não me enganam, você acabou de dizer à senhorita Kinomoto que conheceu o Mago Clow. E se minha cabeça não estiver muito falha, isso significa que você é bem mais velha do que eu. Só queria saber como mantém essa aparência... aliás, como se mantém viva."

"Ela ouviu tudo que Rytwild disse!" – pensou Sakura, ficando surpresa.

"Pelo jeito não estávamos sozinhas durante todo esse tempo." – retrucou Rytwild, encarando a velha – "Imagino que tenha vindo ajudar Kinomoto, já que ela sozinha não daria conta do recado."

"Eu não vim por isso, caríssima." – e com isso, a anciã pegou outro pedaço de papel e encarou a oponente – "Deus do Fogo, vinde a mim!"

"Ela usa a mesma magia que o Shaoran!" – pensou Sakura, ainda mais assustada

Um grande jato de fogo voltou a atingir Rytwild, a jogando dentro do lago. Sakura, nessa hora, sentiu seu corpo relaxando, e todos os seus movimentos voltando para si. Mexeu suas mãos para conferir se podia se mexer de novo, e com grande alegria viu que não estava mais sob o efeito da carta. Olhou para cima, e viu um homem de calças e camisa justa de manga mais comprida que seu braço surgindo no céu. Era a carta Paralisação.

"Capture-a logo, antes que Rytwild volte a ter o controle!" – gritou Hyang para Sakura

"Certo." – ela pegou a chave do seu pescoço – "Chave que guarda o poder da Estrela, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós, e os ofereça a valente Sakura, que aceitou essa missão. Liberte-se!" – ela segurou seu báculo com força e apontou para o homem, que terminava de surgir no ar – "Volte à forma humilde que merece, Carta Clow."

Pouco a pouco a carta foi voltando à sua "forma humilde" e parou na mão de Sakura, juntamente com Cadeado, Tempo e Silêncio. Mais três, pensou Sakura com alívio. Olhou atentamente a carta Paralisação: o homem estava ereto, como um soldado em continência, com os braços cruzados e olhos fechados. Mais uma carta negra que teria que transformar depois.

"Tudo bem com você, Sakura?" – perguntou Hyang com preocupação

"Agora sim." – a garota respondeu, olhando para a mulher – "Obrigada por me ajudar."

"Não poderia deixar que Rytwild te derrotasse naquelas condições. Você tem que ter a chance de se defender em uma luta, apenas quis igualar o combate."

Sakura ia dizer algo de novo, mas foi interrompida com a presença de Rytwild aumentando consideravelmente. Segurou seu báculo com mais força, preparando-se para se defender, quando a mulher voltou novamente à superfície. Seu olhar, cheio de ódio por natureza, estava ainda mais raivoso, se isso era possível.

"Como sempre, recebendo ajuda, Kinomoto." – ela rilhou os dentes – "É realmente uma fraca."

"Pelo menos não sou covarde a ponto de atacar alguém indefeso." – Sakura retrucou, devolvendo o olhar que recebia – "Eu luto de igual para igual."

Rytwild pareceu que iria atacar, mas ao ver Hyang ao lado da garota, recuou um pouco. Sabia que a velha não era muito poderosa, mas se unisse forças com Kinomoto, poderia ter problemas. Além disso, tinha que evitar ao máximo que Sakura soubesse controlar a magia dos outros; seria muito mais difícil conseguir a Regência na Hierarquia se a rival soubesse ter aquele imenso poder nas mãos, ao seu bel-prazer.

"Melhor deixarmos nossa luta para um outro dia, Kinomoto, para quando ninguém puder te poupar ou ajudar. Tenho certeza que, nesse dia, nosso duelo vai acabar."

E antes mesmo que alguém pudesse fazer algo, Rytwild conjurou um portal na água, que a levou para longe dali.

Sakura e Hyang ainda ficaram alertas por alguns minutos, esperando Rytwild aparecer em qualquer lugar, atacando pelas costas na primeira oportunidade. Mas ao verem que a presença da feiticeira havia sumido por completo, relaxaram seus corpos. As duas se encararam por alguns segundos, sem saber o que dizer. Quem desfez o silêncio foi a anciã:

"Acho que hoje conseguimos muitas informações sobre sua rival, Flor de Cerejeira."

"É."

"Várias coisas que ela disse me intrigaram profundamente. Mas o que achei mais curioso é que ela não parou de falar na Hierarquia."

"É comum dela, fala o tempo todo."

Hyang encarou Sakura com um olhar rígido e sério:

"Por um acaso ela já havia falado sobre a Hierarquia com você, Kinomoto?"

Sakura abaixou um pouco a cabeça, se maldizendo por falar demais. Agora era questão de tempo para todos saberem que a tal Hierarquia era um dos motivos para Rytwild a perseguir, e logo todos estariam pesquisando freneticamente. E logo ela que queria manter segredo...

"Eu lhe fiz uma pergunta, Kinomoto."

"Sim, senhora. Ela já mencionou a Hierarquia diversas vezes. Diz que eu tomei a posição dela."

"E você sabe o que é a Hierarquia?"

"Não senhora. Andei pesquisando com Tomoyo sobre o assunto, mas não conseguimos nada."

Hyang suspirou aliviada. Seria melhor mesmo Sakura não saber de nada por enquanto; sua sabedoria dizia que em breve as coisas seriam esclarecidas, e que ela não deveria se meter no assunto. Tinha uma leve noção do que estava acontecendo, e embora ainda tivesse suas dúvidas, Rytwild tinha esclarecido muita coisa naquela noite. Agora, era só fingir que não sabia de nada além do que todos já conheciam.

"Vamos embora, Kinomoto. A noite já está alta e ambas precisamos descansar. Amanhã conversaremos com todos sobre o que aconteceu hoje."

"Tem razão, senhora Li. Vamos embora."

E em silêncio, cada uma perdida em seus pensamentos, elas voltaram para suas casas.

Continua

Obs: antes de tudo, quero agradecer a TODOS que me apoiaram nessa fase difícil. Fiquei tão emocionada quando recebi os reviews das pessoas perguntando como eu estava, se eu já tinha melhorado, desejando os pêsames e oferecendo ajuda caso eu precisasse. É sério, nunca me senti tão bem em toda a minha vida. É bom saber que as pessoas se preocupam com o nosso bem estar, mesmo que seja de longe. Mas não se preocupem: eu já estou bem melhor. Depois que o tempo passou um pouco, eu entendi uma coisa que antes eu não entendia, mesmo ouvindo há tanto tempo. Eu entendi que, quando amamos uma pessoa, ela realmente não nos abandona, e sim que está conosco o tempo todo, em nossos corações. Claro que irei sentir muita falta do meu avô quando voltar à Bahia, porque não terá mais ninguém que faça as brincadeiras que ele fazia, que conte aquelas histórias ANTIGAS que só e nem alguém com um humor e otimismo tão grandes que contagiavam a todos que passassem. Mas, só de lembrar da pessoa que ele era, isso é o suficiente para suprir um pouco da falta que ele faz, e o suficiente para sabermos que ele está do nosso lado, nos guiando o tempo todo.

Bom, esquecendo um pouco esse lado emocional (mesmo porque eu acho que vocês não merecem ficar lendo essas coisas tristes), vamos aos comentários do capítulo. Será que agora vocês entenderam um pouco a nossa vilã? Quando eu decidi colocar o nome do capítulo de "Uma Noite de Angústias", eu não pensei apenas nos problemas que a Sakura está sofrendo, e sim também em todos os motivos que estão fazendo a Rytwild fazer tudo isso, e nesse lado negativo que, de certa forma, faz mal sem que ela perceba. Essa raiva que ela sente de todos, e essa ambição desmedida que faz dela a minha vilã que eu acho mais interessante (se bem que eu também tenho a Lore, mas infelizmente ela não é criação minha; e quanto ao espião de HPEATDCV... bem, desse aí eu nem tenho o que falar!). Estava ouvindo uma música da Pitty (embora não goste muito dela, devo confessar que as músicas dela são bem inspiradoras) e achei a cara da Rytwild. Foi então que me veio a idéia de criar esse capítulo, que acabou se tornando um dos mais importantes. O nome dela é "Memórias", e como eu a achei A CARA dela, dei um jeito de enfiá-la na história. Mais tarde vocês verão por que eu acho isso. Bom, no próximo capítulo eu irei falar um pouco da Meilin e da Fai. Se alguém quiser saber mais, basta ir checar lá no site (e eu desisto de colocar o endereço aqui, eles sempre tiram alguma parte), o endereço está no meu perfil. Até hoje eu não soube o que vocês acharam do site. Quero saber tudo que vocês acham. Beijos e até o capítulo 12!

Comentários extras: sabe uma coisa que eu percebi enquanto assistia as minhas fitas de SCC? Que o nosso tão amado Shaoran é um conquistador nato! É sério, ele tem uma arma de conquista infalível: aquele lenço que ele carrega pra todo lado. Assistam e vocês verão que as duas pessoas que são apaixonadas por ele (Meilin e Sakura) foram conquistadas quando o garoto ofereceu aquele encantador lenço pra elas poderem chorar! O lencinho é poderoso... agora estou vendo todos os garotos irem comprar um pra ver se funciona. Hihihi, é sério, tem amigo meu que está pensando seriamente em tentar a tática. Será que funciona?

Uma outra coisa que eu percebi: Kero sabe ser muito maldoso quando quer. Vocês acreditam que ele chamou o Yukito de "Goiabinha bichado" no episódio da Carta Cadeado? Se bem que ele não estava lá muito errado, mas mesmo assim!

Mais uma coisinha (estou até parecendo o tio do Jackie Chan): será que posso pedir um presente de aniversário pra vocês? Quarta, dia 25/01, foi meu aniversário, e eu adoraria receber como presente um review do pessoal que lê. POR FAVOR, NÃO CUSTA NADA! FAÇAM UMA ANIVERSARIANTE FELIZ, E TIREM DELA ESSE GOSTO DE AMARGURA PORQUE ESTÁ FICANDO IDOSA! Estou brincando, mas eu queria muito que todos deixassem review, falando o que acham da história. Mas, claro, não vou obrigar ninguém...

Só pra matar a curiosidade de vocês: o BEDJLQLCVTADBPUSOEDV (Big Exército de Jovens Lutadoras que Lutam Contra Velhinhos Tiranos Armados de Bengala Por Um Shaoran ou Eriol da Vida) foi a organização que eu e minha amiga Nanda criamos enquanto trocávamos e-mails furiosos, reclamando dos anciões, tios-avôs do Shaoran. Surgiu meio sem querer, mas acabou virando coisa séria. Nosso objetivo é lutar contra esses velhos chatos (que, mesmo sendo irritantes, faz a nossa alegria, porque aumenta nossa vontade de acabar com eles) que pegam no pé da Sakura e do Shaoran o tempo todo, principalmente do último. Por isso tem esse nome (quanto à referência ao Eriol, assim que ele voltar de vez pra fic, vocês vão saber por que o Exército luta por ele também). Se alguém quiser participar, é só dizer. Pretendo fazer uma surpresa mais pra frente, e preciso de aliadas...

E só pra acabar... se alguém aí está sentindo falta do Eriol, não se preocupem! Só mais um capítulo e ele está de volta!