Depois de alguns anos, nunca imaginou se sentir entediada e desanimada. Certo, a sua vida não era das piores, ao contrário, sequer tinha do que reclamar. Mas ainda assim, algo faltava na sua vida, e pedia desesperadamente por ação. Bem, seu desejo foi atendido... agora, será que ela agüenta?

Disclaimer: Sakura Card Captors e todos os outros personagens são da Clamp®, eu só sou mais uma doida varrida que vou fazer todos eles sofrerem (Ah, Angelita Gowdak também não é minha! Ela é da minha amiga Jessica, mas eu tenho permissão para usá-la aqui. Valeu amiga!).

Capítulo 12 – Os Sentimentos de Meilin

Era uma noite gostosa de sábado, característica de uma noite de verão – muito calor, brisa leve e céu claro, mostrando a lua quase cheia, junto com todas aquela lindas estrelas. Era uma noite perfeita para as pessoas saírem de casa e passearem pelas ruas calmas de Tomoeda, aproveitando a estação. E pelo jeito, muitas haviam decidido seguir aquela "regra", principalmente os estudantes, que queriam curtir as últimas semanas de férias que ainda tinham. Todos eles pareciam estar nas ruas, andando em grupos e rindo de qualquer coisa. A beleza da juventude!

Porém, havia um grupo mais sério andando pelas ruas, um grupo bem heterogêneo e preocupado. Estavam todos sentados em um banco do Parque do Rei Pingüim, olhando o céu em silêncio enquanto esperavam o último membro do grupo chegar. Para variai, ela estava atrasada.

"Não tem jeito!" – resmungou uma garota de longos cabelos negros e intensos olhos vermelhos, enquanto olhava um relógio – "Toda vez é assim, ela sempre se atrasa".

"Você já deveria estar acostumada, Meilin".– respondeu um garoto de cabelos castanhos claros e pele clara – "Você a conhece desde criança, sabe que ela tem essa mania".

"Pois eu acho que você deveria dar um jeito nisso!" – Meilin fez cara feia – "É vizinho dela, poderia dar um jeito de fazê-la se arrumar a tempo".

"E por que eu deveria fazer isso? Ser vizinho dela não me dá direito algum de interferir na vida pessoal de Sakura".– o garoto desviou o olhar de Meilin e começou a encarar o jovem ao seu lado – "Aliás, acho que isso deveria ser missão sua! É a sua namorada, não?".

Shaoran encarou Yamato e fez cara feia. Era bem verdade que tentara fazer com que Sakura parasse de se atrasar nos seus compromissos, mas simplesmente não conseguira! Aliás, já estava até ficando acostumado... os atrasos dela eram tão comuns que viraram rotina.

"Não acham que estão implicando demais com a Sakura, não?" – perguntou Tomoyo, de um jeito meio sério – "Ela sempre foi assim, e vocês sabem disso. Daqui a pouco ela aparece".

"Pois eu ainda acho um desaforo ficar aqui esperando".– Meilin cruzou os braços e fez cara feia – "Estamos cheios de problemas e a tonta fica se atrasando...".

"Não fique zangada com ela, Meilin".– pediu Nakata, lançando um olhar carinhoso à amiga – "Daqui a pouco ela deve aparecer".

"É, eu sei!" – foi o último comentário da garota antes de cruzar os braços e fazer cara feia.

Era sempre daquele jeito, eles marcavam alguma coisa e Sakura era sempre A ÚLTIMA a chegar. Antigamente, achava que aquela mania desapareceria com o passar do tempo, mas sua decepção foi grande ao perceber que nada havia mudado nos últimos anos. Naquela noite, ainda tinha a mínima esperança de que ela chegaria na hora, afinal eles tinham uma coisa muito importante a fazer. Desde a noite em que Hyang contara a todos da família que Rytwild falava a todo instante sobre uma tal de Hierarquia da Força Natural, ou algo parecido com isso, todos começaram a procurar informações em livros, sites e até mesmo em algumas revistas! Era de se esperar que o assunto fosse levado a sério e que todo o material recolhido naqueles últimos três dias fosse logo reunido. Mas não! Ela tinha que atrasar, como sempre. E o mais engraçado era que todos gostavam disso nela... todos, sem exceção. E falando nela, finalmente Sakura se aproximava do grupo, correndo a passos largos e ofegando desesperadamente.

"Cheguei!" – ela anunciou, parando na frente de todos para respirar – "Desculpem o meu atraso, mas fiquei tão concentrada lendo os livros do papai que acabei perdendo a hora".

"Achou alguma coisa?" – perguntou Shaoran, com a sobrancelha levantada.

"Não!" – deu um sorriso sem graça – "Juro que procurei em tudo, mas não achei nada que pudesse ajudar!".

Meilin sorriu, e ficou pensando em todas as coisas que haviam mudado e não mudado naqueles anos todos. Tanto tempo se passara, e tantas coisas haviam acontecido. E continuavam acontecendo, uma novidade atrás da outra. Era tão difícil se acostumar àquela nova vida!

"Meilin, algum problema?" – perguntou Nakata, olhando fixamente para a garota.

"O quê? Não, nenhum!" – ela respondeu, dando um leve sorriso, e desviando a sua atenção para os outros – "Então, o que realmente descobrimos sobre a tal Hierarquia da Força Natural?"

"MAGIA Natural, encrenqueira!" – respondeu Kero, saindo da mochila de Sakura e olhando para Meilin de forma zombeteira – "Continua burra, não é mesmo?"

"O que disse?".

"Por favor, não briguem!" – pediu Sakura, totalmente sem jeito – "Que tal começarmos logo?".

"Concordo com você!" – respondeu Yamato, sentando-se no banco – "Alguém achou algo?".

"Eu achei!" – manifestou-se Tomoyo, tirando seu laptop da bolsa e o abrindo – "Não foi muita coisa, mas foi algo".

"O que você exatamente encontrou, Tomoyo?" – perguntou Kero, agora se colocando na frente da garota.

"Em um site de lendas, achei esse texto aqui".– ela abriu um documento do Word com rapidez. – "Não representa muita coisa do que eu já deduzia ser, mas é algo útil".

"Então leia logo!" – pediu Meilin, irritada – "Já demoramos demais".

Tomoyo sorriu com o pedido. Essa era sua amiga Meilin mesmo...

"O mundo passa por diversas fases e eras desde a sua criação, e todas são caracterizadas por fatos e momentos históricos que fazem delas únicas. Porém, a última foi caracterizada pela presença do ser humano, e suas profundas transformações em si mesmo, no espaço e no tempo".

"Ah, ótimo!" – retrucou Nakata, fazendo bico – "Tudo que eu precisava era de aulas de História e Geografia agora".

"Nakata, não interrompa a Tomoyo, ela ainda não terminou".– repreendeu Yamato – "Vamos ver o que ela encontrou".

"Obrigada Yamato".– Tomoyo agradeceu, dando um sorriso, antes de continuar – "A presença do ser humano no planeta, assim como todas as suas atitudes, causaram grandes impactos ao longo da História. Desde a supremacia dos faraós no Egito Antigo, até a Guerra Fria do século XX, todos os acontecimentos interferiram de algum modo na vida da Terra, com conseqüências positivas e negativas. Conseqüências que tinham como semelhança uma coisa: as profundas mudanças na natureza".

"Agora está começando a ficar interessante".– comentou Kero baixinho, apenas para si mesmo, mas alto o suficiente para Sakura ouvir e dar um cascudo na sua cabeça, como pedido para ele se calar.

"Está cientificamente comprovado que conforme o tempo passa, o homem interfere cada vez mais e mais na natureza, retirando dela matéria prima e energia necessária para a produção de bens de consumo, seja na agricultura ou na indústria, ou até mesmo em outras coisas simples e necessárias para a manutenção da vida, como a preparação da comida. Porém, desde o começo dessa prática, o que se verificava era que o homem sempre devolvia o que retirava em forma de poluição, que trazia aspectos e conseqüências negativas para toda a sociedade".

"Ei, nem sempre foi assim!" – retrucou Sakura, se manifestando – "Antigamente, a exploração da natureza não era tão gigantesca como hoje, tirava-se apenas para a sobrevivência do ser humano".

"Eu ainda não terminei, Sakura".– respondeu Tomoyo, com um tom de voz muito delicado e gentil – "Eu já ia chegar nessa parte".

"Ah, desculpa".

"Tudo bem".– ela sorriu e tratou de terminar o que tinha descoberto – "No começo da humanidade, essa troca entre homem e natureza era estabelecida de forma equilibrada, no começo oferecendo apenas a comida para o nômade, e depois oferecendo todas as condições (como solo, clima, nutrientes, relevo e diversos outros fatores) para o começo da agricultura no mundo (e, conseqüentemente, tornando o homem sedentário). Mas, conforme os anos foram passando, se tornava cada vez mais comum o excedente de produção e a necessidade de novos bens de consumo, e eis que então surge o comércio primitivo, baseado na troca."

"A gente não pode pular a parte escolar do processo?" – perguntou Nakata, levemente aborrecida – "Estou tão cansada de ouvir tudo isso...".

"Já está acabando".– Tomoyo encarou a garota – "Mas se todos concordarem, eu posso realmente pular essa parte".

Todos se entreolharam, como se perguntando uns aos outros se poderiam seguir em frente sem aqueles dados. Shaoran suspirou e respondeu pelos outros, com uma pergunta:

"São dados muito importantes?".

"De certa forma".– respondeu Tomoyo – "Mas nada que não vá nos prejudicar muito... inclusive, acho que posso dar uma resumida".

"Então faça isso, por favor!" – respondeu Meilin, cansada – "Não gosto de Geografia!".

"Tudo bem".– Tomoyo releu todo o texto, tentando escolher o que realmente deveria falar ou não. Ficou algum tempo concentrada nisso até que deu um belo sorriso – "Ah, já sei. Com a evolução do comércio, juntamente com novas descobertas (como a matemática) e surgimentos de novos sistemas de produção, a exploração da natureza foi se tornando cada vez mais crescente, e com ela o desequilíbrio foi aumentando gradativamente. O relevo, o clima, a temperatura do planeta, a taxa de gases nocivos no ar... todos esses fatores foram apenas crescendo conforme o passar dos séculos, começando a causar um imenso colapso de escala mundial. Os problemas ambientais começaram a ter impacto, tornando os prejuízos da exploração praticamente irreversíveis e de escala tão grande que o planeta entrava em sério risco. Foi então que eles se reuniram".

"Eles?" – perguntou Sakura, confusa – "Quem são eles?".

"Você verá!" – respondeu Tomoyo, voltando a ler – "Diz a lenda que, desde o começo da vida neste mundo maravilhoso, houve a necessidade de existir pessoas que representasse o poder de Deus na natureza, usando-se do que hoje é conhecido como 'magia' para manter toda sua bela criação intacta e, ao mesmo tempo, pronta para atender às necessidades do ser humano. Eram pessoas comuns, escolhidas pela Mãe-Natureza para serem concebidas com a dádiva da magia, unicamente para ajudar o Senhor a controlar o planeta. Conhecidos como magos, bruxos, sábios e outros diversos nomes, muitos ficaram famosos por seus feitos, enquanto outros morreram no anonimato. No começo, não tinham muito trabalho, e seus feitos se resumiam a controlar os quatro elementos: Fogo, Água, Terra e Vento. Porém, conforme a humanidade foi evoluindo e os problemas, aumentando, a necessidade de se manter o equilíbrio se tornava cada vez maior, e com ela novas responsabilidades sobre fenômenos naturais nunca controlados antes, como maremotos, vulcões e clima, surgiam. Estava cada vez mais difícil para os escolhidos pela Mãe-Natureza cuidarem de suas responsabilidades sozinhos e sem controle. Foi então que todos, sob ordem da Mãe-Natureza, se reuniram para decidirem o que fazer sobre o recente, porém crescente desequilíbrio natural. Nesse dia, ficou decidido que um número determinado de escolhidos controlariam cada setor da Natureza, e que todo poder mágico ficaria em suas mãos. Cada escolhido ficaria responsável por um setor, e aqueles que controlassem algo em comum, ficariam reunidos em quatro classes. Todos seriam liderados por uma pessoa, também escolhida pela Mãe-Natureza, e esse líder teria ao seu lado uma pessoa para lhe ajudar. Foi assim que, há muito tempo (não se sabe a data certa, mas com certeza há mais de mil anos), que a Hierarquia da Magia Natural nasceu".

"Então é isso?" – perguntou Kero, levemente indignado – "Oras, achava que era uma coisa mais emocionante!".

"Kero!" – repreendeu Sakura, fazendo cara feia.

"Ele está certo, Sakura".– comentou Tomoyo, fechando o laptop – "Não foi de grande ajuda".

"Pois é aí que você se engana, Daidouji".– disse Yamato, cruzando os braços e fechando os olhos – "Embora possa parecer pouco, agora temos uma noção básica do que é a Hierarquia. Pelo menos agora podemos deduzir o que Rytwild quer; afinal, sabemos que ela tem uma certa obsessão sobre esse assunto".

"O que ela te disse naquela noite em que você se encontrou com minha tia, Sakura?" – perguntou Shaoran.

Enquanto Sakura dava um suspiro cansado e recontava o incidente daquela noite, Meilin apenas observava os amigos. A partir daquele momento, todos iriam começar a formular as mais diferentes hipóteses sobre o assunto, analisariam todos os dados conseguidos por Tomoyo, veriam se os dados conseguidos por Shaoran poderiam trazer algo a mais, e ficariam horas naquela discussão. Estava se tornando rotina desde que Hyang chegara naquela noite, contando sobre a luta de Sakura com Rytwild e sobre tudo que a feiticeira havia revelado. A curiosidade em saber sobre a tal Hierarquia havia se tornado tão grande que o grupo não pensava em outra coisa desde então. Shaoran, Nakata e Yamato reviravam as bibliotecas de toda a cidade, enquanto Tomoyo, que já havia iniciado a pesquisa sobre o assunto antes do ocorrido, passando horas na frente do computador, agora não saía mais de casa; e Sakura se trancava no porão de sua casa, analisando os livros de seu pai com Kero. Yue e Touya, que não estavam presentes naquela reunião, faziam o que podiam para encontrar algo nas livrarias de Tóquio, enquanto tia Yelan e Shiefa vasculhavam todos os documentos, lendas, livros e até mesmo fotos da família, na esperança de achar algo. Ela havia sido a única que ficara de fora. Não que tivesse sido obrigada a ser excluída; ela preferiria não se envolver na parte "burocrática". Sabia que era uma ajuda importante para Sakura, e que tinha carta branca para se envolver, mas sua área não era aquela. Ela gostava mesmo era das lutas físicas, onde suas habilidades nas artes marciais tinham real valor. Sim, era nas lutas que deveria estar, e não ali, com aquele monte de dados chatos e complexos.

"E, se tudo que ela disse for verdade, imagino que ela tenha sido membro da Hierarquia há algum tempo, junto com o Mago Clow, que era o regente." – Sakura terminou de contar a mesma história pela milésima vez, agora dando a sua opinião – "E pelo jeito, ela queria o cargo dele."

"Disso não temos dúvidas." – comentou Shaoran, olhando o céu, como se aquilo o fizesse pensar melhor – "Pelo o que você e tia Hyang nos contaram, ela disse com todas as letras que queria as cartas e o cargo. A pergunta é: por que ela diz que você foi a culpada por isso tudo?"

"Ela disse que além das cartas, eu roubei o cargo de Regente, que seria dela".– Sakura abaixou a cabeça – "Mas até onde eu saiba, eu não sou Regente de nada. Nem sabia que essa tal Hierarquia existia... eu nem sei o que um Regente faz!".

"O Regente, na música, é a pessoa que conduz o Coral ou a Orquestra". – disse Tomoyo, colocando a mão no queixo – "Resumidamente, ele é o líder do grupo enquanto fazemos a apresentação".

"Isso quer dizer que o Regente da Hierarquia seria o líder?" – perguntou Nakata, mas em um tom de voz que mais indicava certeza do que dúvida.

"Para ser um cargo cobiçado por Rytwild, com certeza é isso".– respondeu Kero, cruzando seus pequenos bracinhos – "Só não entendo como alguém como ela pode ter sido convocada para fazer parte da Hierarquia".

"Que cargo será que ela exercia?" – perguntou Sakura.

"Consegui em um livro algumas hipóteses sobre os diversos cargos que existem na Hierarquia".– disse Shaoran, abrindo um dos grossos livros que havia trazido – "Talvez se analisarmos algum deles, consigamos identificar o que ela fazia".

Meilin percebeu que, naquele momento, a discussão acabaria indo mais longe do que ela imaginara, e que definitivamente sobraria por ali. Então, antes que alguém pudesse perceber, ela se levantou, se colocou à frente de todos e abriu um imenso sorriso. Vendo que ninguém lhe prestava atenção, ela pigarreou, e todos se calaram:

"Algum problema, Meilin?" – perguntou Nakata, que se debruçava sobre Yamato para ler o livro que Shaoran segurava.

"Eu só queria dizer que eu vou indo".– ela respondeu, em seu tom mais delicado – "Acho que já está um pouco tarde, e ainda preciso terminar as minhas lições de férias".

"Mas as férias só acabam na semana que vem!" – comentou Kero, com uma sobrancelha levantada.

"Mas, diferente de você, eu não deixo nada para a última hora, BONECO!" – ela respondeu, frisando bem a última palavra, deixando o pequeno guardião irritadíssimo – "Sendo assim, eu já vou embora. Depois vocês me contam a qual conclusão chegaram, certo? Beijinhos, e até amanhã!" – disse, já se dirigindo para a sua casa.

Assim que ela sumiu de vista, todos se entreolharam, cada um com uma expressão bem desconfiada no rosto. Todos, principalmente Tomoyo, Sakura e Shaoran, sabiam que Meilin não era do tipo de pessoa que fazia as lições com antecedência... se havia uma pessoa que fazia tudo na última hora, ERA ELA! Mas acabaram deixando aquilo para lá, voltando a se concentrar no que estavam fazendo.

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Meilin ia andando calmamente pelas ruas de Tomoeda, buscando em cada canto uma lembrança do seu passado. Incrível como a vida havia seguido uma trajetória totalmente diferente do que ela havia esperado, ou melhor, planejado. Há quase cinco anos, havia chegado naquela cidade como uma garota histérica, atrás daquele que julgava ser seu namorado, pra não dizer noivo. Durante muito tempo, viveu aquela ilusão, e não suportava que mais ninguém lhe contradissesse, nem mesmo o próprio Shaoran. Vivia implicando com todos ao seu redor, se achando a melhor em tudo, e odiando quando era superada. Mas, quando menos viu, havia perdido aquele espírito competitivo, havia feito amizade com os outros, principalmente com Sakura e Tomoyo, e descobrira que podia ser útil na captura das cartas. Começou a ser mais flexível, dando até a Shaoran carta branca para terminar o compromisso. Voltou para Hong-Kong, onde passou a ter uma vida um pouco solitária e parada. Havia se acostumado com o caos da captura das cartas, das aventuras em que se metia e das encrencas que arrumava. No fundo ela sempre quis ter magia, mas como não havia sido concebida com o dom, tinha que se contentar em apenas acompanhar os amigos, ajudando no que lhe era permitido. Um tempo depois, recebera a fatídica ligação de Shaoran, pedindo para conversar com ela. Morrendo de curiosidade, e também cheia de saudades do Japão, não pensou duas vezes antes de pegar o primeiro vôo e partir para a "Terra do Sol Nascente". Achava que poderia finalmente voltar a viver um pouco daquela emoção que o mundo mágico oferecia, e ainda aproveitava para ser seu querido "namorado". Mas levou um grande choque ao ver que os problemas dos amigos agora eram bem mais sérios (e esquisitos) do que capturar as cartas, e que Shaoran queria terminar o compromisso, pois estava gostando de outra. Naquele momento, Meilin percebeu que sua vida não seria mais a mesma. Problemas maiores iriam aparecer, e ela teria que recomeçar tudo de novo. Desde criança, planejara sua vida de uma maneira, e Shaoran estava envolvido em todos os projetos. E naquele momento, todos os sonhos haviam se desfeito. E cinco anos depois, lá estava ela, andando pelas mesmas ruas de Tomoeda onde um dia chorara, pensando em tudo que havia acontecido depois. Muitas coisas mudaram, enquanto outras permaneciam as mesmas.

Ela chegou silenciosamente na sua casa. Entrou com cuidado na sala e acabou seguindo direto para o quarto. Estava tão cansada que a única coisa no que pensava era cama, travesseiro, coberta e uma boa noite de sono. Mas, ao caminho do dormitório, acabou se deparando com a mãe se olhando no espelho do próprio quarto, analisando seu corpo e principalmente seu rosto. Aquilo estava se tornando muito comum naqueles dias.

"Algum problema, mãe?".

"Ah!" – Fai deu um leve pulo para trás, respirando pesadamente; logo em seguida olhou com leve fúria para a filha – "Meilin, quer me matar do coração?".

"Desculpe-me" – a garota abaixou a cabeça, em sinal de arrependimento – "Mas é que a vi se olhando no espelho mais uma vez e fiquei curiosa em saber o porquê da senhora se olhar tanto...".

"O quê, agora vai implicar com quantas vezes me olho no espelho? Realmente, às vezes você me faz perder a cabeça."

Meilin olhou com o cenho franzido. A mãe andava tão estranha naqueles dias... mas devia dar um desconto. Estava muito quente, e as coisas da mudança para o Japão ainda não tinham sido todas resolvidas. Talvez o estresse a deixasse daquele jeito.

"Achei que estava saindo com os seus amigos".– Fai comentou, voltando a se olhar no espelho – "Aconteceu algo de errado?".

"Ah não, eu que decidi voltar mais cedo. Sabe como é, eles iriam começar a falar de magia e iriam ficar horas discutindo sobre o assunto... não é muito a minha área."

"Pensava que você queria ter poderes mágicos".

"E eu queria, mas já me conformei com a minha condição".– Meilin suspirou e se sentou na cama da mãe – "Além disso, a parte burocrática não me interessa muito, por isso voltei mais cedo".

"Pois eu acho que você deveria ter ficado" – Fai fez uma careta, pelo jeito havia algo em sua imagem que não lhe agradava – "São seus amigos, não são? Eles não a deixariam isolada só porque possuem magia!".

"O problema não é bem esse...".

Fai olhou com curiosidade para Meilin, deixando de se olhar no espelho. Aproximou-se da filha, a encarando fixamente. Um silêncio muito incômodo se estabeleceu entre as duas, coisa que nunca havia acontecido antes. Sentindo-se um pouco incomodada, Meilin resolveu quebrar aquele gelo:

"Mãe... algum problema?".

"Você me intriga às vezes, Meilin. Uma hora está toda feliz e contente, e mais do que repente cai nesse poço de tristeza. O que está acontecendo? Qual é o seu problema?".

"Ah, não é nada demais. Eu apenas... queria ter mais participação nessa luta, entende? Mas nada acontece, ficamos sempre na parte burocrática e blá blá blá..."

"Será que é só isso mesmo?" – Fai olhou ainda mais intensamente para Meilin – "Ou será que há algo ou alguém no grupo que a incomoda?".

"Ah mãe, deixe de bobagens!" – Meilin desviou o olhar – "Sabe que já passei dessa fase, há muito tempo parei de implicar com Sakura".

Fai arregalou os olhos e se afastou de Meilin. A jovem levantou as sobrancelhas, intrigada com a atitude da mãe. Nunca a havia visto tão surpresa...

"Por que essa cara de surpresa, mãe? Até parece que disse alguma novidade!".

"Ah não, não é por isso. Eu só... fiquei chateada por você ter pensando isso".

"Isso o quê?".

"Que eu estava me referindo à Sakura. Imagine, logo ela, que é tão sua amiga...".

"É mesmo, a senhora nunca teria essa intenção. Desculpe-me".

"Está desculpada. Mas agora que você tocou no assunto, sabe que nunca entendi bem a sua implicância com a Sakura?".

"Como não?" – foi a vez de Meilin se surpreender – "Mamãe, até os pássaros sabem que eu gostava do Shaoran na época da captura das cartas. Era óbvio que eu sentiria ciúmes, com os dois capturando as cartas juntos, o tempo todo. Anormal seria se eu não implicasse com ela".

"Ah, então o problema era esse?" – Fai agora parecia demonstrar profundo interesse.

"Era. O quê? Pensou que eu implicava com ela por algum outro motivo?".

"Bom... sim, exatamente isso! Achava que havia outro motivo além desse. Mas me diga, minha filha, por que desistiu do seu primo?".

"Ah mamãe, você sabe. Eu nunca teria chances".

"Ué, por que não? Você não perde da Sakura em nada. Inclusive, acho que você deveria ter lutado pelo seu primo. Foi muito mole o entregando assim, de bandeja pra aquela menininha".

"Eu não o entreguei de bandeja".– Meilin agora aparentava sinais de aborrecimento – "Eu simplesmente sabia que nunca seria párea para ela".

"Por que não tem magia?".

Meilin se calou durante algum tempo, baixando a cabeça. Fai voltou para frente do espelho e passou a se olhar novamente, observando a imagem de Meilin pelo reflexo. Tinha um sorriso enigmático no rosto.

"Diga-me Meilin... se possuísse magia, você teria lutado pelo seu primo?".

"Não sei. Talvez...".

"E se te oferecessem magia hoje, você aceitaria?".

Meilin levantou a cabeça, estranhando o rumo daquela conversa. Sua mãe, em todos aqueles anos, nunca havia lhe feito tais perguntas. Olhou para Fai, e então viu uma imagem que simplesmente a deixou muda.

"Você... você... não..." – a garota começou a gaguejar, ainda olhando fixamente para a imagem do espelho, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa com sentido, sua visão começou a ficar turva e finalmente escureceu.

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"Ah, eu desisto!" – Nakata jogou os livros no chão, visivelmente aborrecida – "Desse jeito, não chegaremos à conclusão nenhuma!".

"Nakata, não jogue os livros do Shaoran no chão, por favor" – Yamato a repreendeu – "Não é educado".

"Não tem problema" – Shaoran sorriu para Nakata e pegou os livros do chão – "Pra falar a verdade, estou com vontade de fazer a mesma coisa há umas duas horas".

"Você deveria ser menos certinho, Yamato!" – Shiefa disse, num tom de voz divertido – "Desse jeito, vai acabar ganhando rugas".

"Não sou humano, Shiefa!" – Yamato virou a cara, ficando mais aborrecido – "Pode me irritar a vontade, que pelo menos de rugas eu não vou sofrer".

"Vamos lá, pessoal, amanhã as aulas já começam e ainda não saímos do lugar" – Tomoyo tentava animar o grupo – "Temos que encontrar algumas conclusões antes de voltarmos à escola".

"Ah, nem me fale!" – Sakura suspirava, encostando a cabeça na mesa da biblioteca onde todos estavam – "Ainda me faltam uma pilha de lições para terminar".

Todos olharam para a pilha de livros e cadernos à frente de Sakura. Possuía, no mínimo, um metro e meio de altura, e a grande maioria ainda para se fazer.

"Eu disse pra você fazer isso antes" – Shaoran comentou, balançando a cabeça – "Estaria livre agora".

"Eu faria antes se os seus amáveis tios-avôs não tivessem exigido que eu fosse almoçar com eles quase todos os dias das férias" – ela lançou um olhar ameaçador para o namorado – "Além disso, você também não terminou as suas tarefas".

"É, mas só falta a tarefa de matemática, que a senhorita pediu para fazermos juntos. Ou será que se esqueceu desse detalhe?".

Sakura fez um bico, cruzou os braços e virou as costas para Shaoran. Todos começaram a rir da briguinha do casal, achando engraçada a birra de Sakura. Kero, que estava relendo a lenda que Tomoyo havia pegado da Internet, saiu de trás do laptop que o escondia e chamou a atenção do grupo:

"Deixe esses dois discutindo aí e vamos acabar logo isso. Alguém chegou a alguma conclusão?".

"Eu ainda acho que a tal da Rytwild ocupava o cargo de Controladora da Água" – palpitou Shiefa – "Aqueles soldados de água que ela conjurou na floresta... só alguém especializado em magia da água poderia fazer um feitiço daqueles".

"Pois eu tenho pra mim que ela era Controladora da Escuridão" – disse Yamato – "Apenas esse cargo permite que alguém como ela entre para a Hierarquia".

"Eu não concordo. Não é porque alguém controla a Escuridão que esta pessoa seja má" – Tomoyo se manifestou, mostrando um leve aborrecimento – "Basta ver o caso do Eriol: maior parte da magia dele se baseia na Escuridão, e nem por isso ele é uma pessoa má!".

"Como sempre, em defesa do Eriol, não é Tomoyo?" – provocou Nakata com um riso maroto, que fez a jovem ficar vermelha e a garotinha cair na risada.

"Engraçado... geralmente quem faz essas brincadeiras é a Meilin" – comentou Yamato, olhando para Shiefa – "Por que ela não veio hoje?".

"Sinceramente não sei." – Shiefa deu de ombros – "Há uns três dias que não vejo Meilin... você sabe por que ela não veio, Shaoran?".

"O quê?" – o jovem, que ainda estava entretido na "briga" que estava tendo com Sakura, olhou interrogativo para a irmã.

"Perguntei se você sabe por que a Meilin não quis vir hoje".

"Verdade" – Sakura olhou para o namorado – "Por que ela não veio?".

"Não sei. Fui chamá-la hoje, mas ela simplesmente disse que não queria vir. Ela anda muito estranha esses dias...".

"Estranha como?" – perguntou Tomoyo, curiosa.

"Não sei explicar... ela anda no mundo da lua o tempo todo, não está saindo do quarto nem para comer, e quando você vai falar com ela, nem parece que é ela quem está ali. Sempre com o olhar perdido...".

"Ué, o que será que aconteceu?" – perguntou Nakata.

"Bom, veremos isso depois, temos coisas mais importantes para pensar" – Shaoran voltou-se para Sakura – "Vou te ajudar a terminar sua tarefa, assim você pode nos ajudar também".

Sakura sentiu seus olhos marejarem, em sinal de alívio e agradecimento. Sem dizer nada, abraçou o namorado fortemente, fazendo-o cair da cadeira. Enquanto todos riam (e ela pedia desculpas), Shiefa balançava a cabeça e comentava:

"Eu não sei o que esse meu irmão tem, mas toda garota que gosta dele tem essa mania de derrubar o coitado com um abraço. Com a Meilin era a mesma coisa" – ela suspirou – "O que será que está acontecendo com ela?".

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Era uma tarde quente de verão, com uma brisa extremamente agradável que batia no rosto dos cidadãos da Cidade das Luzes. Nas ruas, via-se o grande movimento de turistas e cidadãos, todos procurando programas para se fazer em uma das cidades mias famosas do mundo. Todos querendo aproveitar o calor da estação, que logo partiria para dar lugar ao outono que traria, pouco a pouco, o frio característico da Europa. Mas havia dois adolescentes que, naquela tarde, decidiram aproveitar o clima agradável em casa, reunidos em volta de um pequeno lago construído no jardim de uma grande mansão datada ainda do século XIX. Para muitos, aqueles dois jovens estavam perdendo uma grande oportunidade de se divertirem, mas para eles havia algo muito mais importante. Estavam no meio de uma missão de extrema importância, e se algo de diferente acontecesse, eles não queriam perder nenhum momento. Não havia muito tempo a perder...

"De novo aqui, garotos?" – uma senhora, de idade bastante avançada, se aproximou deles – "Desse jeito acabarão perdendo o café".

"Não estamos com fome, Sara, muito obrigado" – o rapaz falou em tom bastante polido, como era de costume – "Quando estivermos, pode deixar que eu mesmo preparo nossa comida. Creio que Mick não se importará".

"Sempre falando pelos outros!" – a garota balançou a cabeça, e olhou para a senhora com um sorriso – "Mas dessa vez eu concordarei com ele. Pode ir comer sem nós".

"Vocês não deveriam ficar muito tempo nessa casa" – a senhora chamada Sara se sentou ao lado deles – "São jovens, devem aproveitar a vida lá fora".

"Não poderemos aproveitar a vida, não enquanto resolvermos nossos problemas" – o rapaz olhou para a senhora – "Nenhuma novidade deles?".

"Ainda não. Tomio foi atrás deles, mas ainda não trouxe notícias".

"Papai não irá dizer nada, não enquanto não tiver certeza de que eles virão" – a moça chamada Mick se deitou no chão – "Só não sei por que não começam a reunião sem aqueles dois, eles nunca vêm".

"O caso é sério, Mick, precisamos de todos aqui!" – a senhora sorriu para ela – "Não adiantaria fazer a reunião sem eles".

"Mas não temos tempo a perder. Temos que ajudar Sakura logo, ela não pode lutar sozinha".

"Você fala como se essa luta também fosse sua!" – comentou o jovem rapaz.

"E não é?".

"Teoricamente, não. Você não é Controladora".

"Mas sou assistente, e, portanto, tenho minhas funções também!" – a garota se levantou e saiu andando, pisando forte, indicando que havia ficado brava. O rapaz deu um sorriso irônico, muito comum de sua personalidade.

"Não deveria falar assim com ela, Eriol. Sabe que ela não gosta!".

"Por isso mesmo falo. É muito divertido irritar a Mick" – Eriol riu ainda mais – "Além disso, tinha que lhe falar em particular".

"Algo aconteceu com Sakura?".

"Com ela não. Mas tenho o pressentimento de que aconteceu com alguém próximo a ela".

"Quem?".

"Olhe você mesma!".

Eriol pegou uma chave do bolso e a transformou em seu báculo. Em seguida, abriu um portal no lago, onde se conseguia ver o que acontecia em uma pequena cidade, em especial com um certo grupo de jovens que estudavam em uma biblioteca. Detiveram-se a prestar atenção em tudo que acontecia com eles, os dois no mais absoluto silêncio.

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Sakura estava exausta. Já estava começando a anoitecer e ainda estava na biblioteca junto com os outros. Com a ajuda de Shaoran, havia terminado suas tarefas, mas agora estava compenetrada em outro assunto de maior importância. Naquele momento, escutava a opinião de Kero. O pequeno guardião defendia a hipótese de que Rytwild deveria ocupar um cargo muito baixo na Hierarquia, e sedenta de poder, fez de tudo para roubar o cargo de Regente.

"Estou dizendo, ela deveria ser Controladora da Classe dos Animais!" – Kero batia suas patinhas na mesa – "É a classe com menor poder na Hierarquia, por isso ela queria o cargo de Clow".

"Mas ela sempre diz que, se não fosse por ela, o Mago Clow nunca teria criado as cartas" – Sakura tentava raciocinar – "Se isso for verdade, ela deveria ter uma posição mais alta, pra poder ter tamanha influência na vida de Clow".

"Vocês não se lembram do Mago Clow ter comentado algo sobre a Hierarquia?" – Tomoyo perguntou para Kero, Yamato e Nakata, mas os três acenaram negativamente com a cabeça.

"O Mago Clow não costumava falar muito de suas atividades externas" – Kero explicou – "Não tínhamos contato com o círculo de amigos dele, se é que ele tinha algum!".

"Tio Kero!" – repreendeu Nakata.

"O fato é que o Mago Clow era uma pessoa muito fechada, até mesmo conosco" – explicou Yamato – "Não gostava de falar sobre a vida pessoal além da que tinha conosco".

"Eu ainda acho que Rytwild ocupava um cargo muito alto na Hierarquia, que só se subordinava ao cargo do Mago Clow" – ponderou Tomoyo – "Talvez ela só não fizesse o que queria na Hierarquia porque Clow a impedia, por isso ela querer o cargo dele".

"Faz sentido" – comentou Shiefa – "Segundo o relato da Sakura, ela reclamava do fato dele não aproveitar o poder que tinha, ou algo parecido. Não é isso, Sakura?".

Sakura confirmou com a cabeça, mas não disse mais nada. Shaoran jogou a cabeça para trás, mostrando todo o seu cansaço. Tomoyo fechou o seu livro com força, se levantou e disse:

"Bom pessoal, acho que não ganharemos nada se continuarmos aqui. O melhor que temos a fazer agora é descansar e pensar nisso só amanhã".

"Mas amanhã temos aula" – comentou Nakata

"Tomoyo tem razão, não vamos chegar a uma conclusão cansados desse jeito" – Yamato se levantou também – "Agora que já pesquisamos tudo que tínhamos para pesquisar, só nos falta pensar mesmo. Podemos fazer isso depois das aulas, ou até mesmo nos intervalos".

"Não poderei me reunir nos intervalos da escola de vocês!" – reclamou Shiefa.

"Nem eu!" – protestou Nakata.

"Você nem vem a todas as reuniões, Shiefa, perder algumas não seria novidade pra você!" – respondeu Yamato – "E você, Nakata, vive passando para a nossa escola durante os nossos intervalos, não lhe custaria fazer isso agora".

"Então vamos embora logo!" – Sakura disse, se espreguiçando e levantando – "Minhas pernas estão até dormindo de tanto que fiquei sentada aqui".

"E minha bunda está quadrada!" – reclamou Nakata – "Passei o dia todo aqui dentro".

Todos saíram da biblioteca, Tomoyo tomando o seu caminho de casa e os outros seguindo para o outro lado. Sakura, Yamato e Nakata seguiriam com Shaoran e Shiefa até o Parque Pingüim, e lá se separariam. Iam conversando animadamente, e riam animados, principalmente quando Yamato e Shiefa começavam mais uma de suas freqüentes brigas. Estavam tão distraídos que nem perceberam que um vulto estava se aproximando deles. Só se deram conta quando chegou o momento da separação, e Sakura ouviu o barulho de passos.

"O que foi?" – perguntou Shaoran, percebendo a inquietação dela.

"Há alguém aqui!" – ela olhava para todos os lados – "Tem alguém nos seguindo".

"Bobagem!" – disse Shiefa – "Deve ser alguém passeando por aqui!".

"Não, eu sei que está nos seguindo!" – Sakura segurou a chave que carregava no pescoço – "Eu posso sentir".

Todos ficaram apreensivos e passaram a olhar para todos os lados. Ouviram passos que vinham por trás, e se viraram quase que ao mesmo tempo. Mas logo a sensação de alívio tomou conta deles. Era apenas Meilin.

"Ah Meilin, que susto!" – Shiefa comentou, se aproximando da prima – "Resolveu sair de casa, foi? Já estávamos preocupados com você!".

Meilin não respondeu. Mantinha-se de cabeça baixa e tinha o semblante sério. Shiefa estranhou o comportamento quieto da prima, e resolveu se aproximar ainda mais.

"Meilin, está tudo bem com você?" – ela perguntou, passando a mão na frente do rosto da garota.

"Derrotar... lutar..." – foi o que Meilin disse, ou melhor, murmurou antes de acertar Shiefa com um chute bem no meio do estômago, que pegou a garota de surpresa e a jogou longe dali. Nakata saiu correndo para ajudar a moça, enquanto os outros olhavam surpresos para Meilin, que voltava calmamente à posição em que estava antes.

"Meilin, o que você fez?" – Shaoran estava inconformado, a prima deveria ter enlouquecido – "Por que você chutou a Shiefa?".

Ela não respondeu novamente. Apenas levantou a cabeça e encarou o primo com um olhar frio, o olhar mais frio que ele já havia visto. Sakura sentiu um grande arrepio na espinha, um arrepio que ela conhecia muito bem, e olhou dentro dos olhos da amiga. Estavam vazios, como se não fosse ela quem estivesse ali. Como se ela não estivesse dentro do próprio corpo.

"Tem algo errado com ela!" – a garota comentou para Yamato – "Essa não é a Meilin".

"É, deu pra perceber!" – Yamato ainda estava de boca aberta – "Tudo bem que ela é meio esquentada, mas acho que ela não chegaria a esse ponto".

"Essa encrenqueira?" – Kero saiu da mochila de Sakura para expor sua opinião – "Eu não esperava nada diferente dela".

"Meilin não faria uma coisa dessas com a própria prima, não em condições normais!" – Sakura insistiu – "Há algo errado com ela, eu tenho certeza!".

"Destruir a inimiga!" – Meilin sussurrou para si mesma, e passou a encarar Sakura. Em seguida, empurrou Shaoran e avançou sobre a amiga. Sakura, numa reação de instinto, colocou os braços sobre a cabeça, já esperando o golpe, mas por alguma razão ele não veio. Quando olhou, Kero estava a sua frente, em sua verdadeira forma, a protegendo com suas asas. Meilin, com a força do escudo de Kero, havia sido jogada longe, mas já se levantava como se nada houvesse acontecido.

"Ela enlouqueceu!" – Shiefa comentou do lugar que estava – "Atacar a Sakura?".

"Não, ela não enlouqueceu!" – Nakata comentou – "Isso tem cara de magia, e das poderosas".

"Está querendo dizer que alguém a está dominando?".

"Talvez".

Meilin se recompôs e voltou a encarar Sakura com o mesmo olhar frio e vazio. Sakura voltou a sentir um grande arrepio na espinha, enquanto Yamato, Kero e Shaoran se colocavam à frente dela.

"O que você acha que está acontecendo?" – perguntou Yamato a Shaoran.

"Não faço a mínima idéia, mas com certeza alguma coisa está errada com a Meilin".

"Não estará ela dominada por alguma magia?" – questionou Kero.

"E por que alguém dominaria a Meilin?" – perguntou Yamato, incrédulo.

"Porque ela é minha amiga!" – Sakura concluiu – "A pessoa que a está dominando sabe que eu nunca a atacaria".

"Você tem algum palpite de quem seja?" – perguntou Shaoran.

"Tenho um, mas não tenho certeza" – ela voltou-se para Kero – "Há alguma carta que possa controlar uma pessoa?".

"Não me lembro de nenhuma no momento, mas talvez haja". – respondeu Kero – "O quê, está achando que isso é coisa da Rytwild?".

"Eu não duvidaria!" – ela olhou para Meilin – "Esse tipo de jogo baixo é bem a cara dela".

"Mas o que vamos fazer?" – perguntou Yamato – "Não podemos atacá-la!".

"Temos que tentar acordá-la" – Kero ponderou – "Ah, essa encrenqueira só sabe arranjar problemas!".

"Meilin tem uma personalidade muito forte pra se deixar controlar!" – Shaoran parecia confuso – "O que a fez se render dessa maneira?".

Ninguém teve tempo de responder a pergunta. Meilin rapidamente atacou Kero, e os dois iniciaram uma luta. Kero lançava rajadas de fogo na garota, mas ela desviava agilmente, dando-lhe golpes sucessivos. Quando Kero tentou voar, Meilin agarrou sua asa e, com uma força que nem parecia ser dela, rodou e jogou o guardião longe. Kero estava desacordado. Ela voltou a encarar Sakura e quando partiu pra cima dela, foi a vez de Yamato defender a garota e começar a lutar com ela. Durante algum tempo, os dois se mantiveram na luta física, mas ao ver que Meilin estava aumentando a intensidade dos golpes, Yamato voltou à sua forma verdadeira e começou a usar magia para se defender. Porém Meilin aumentou ainda mais a intensidade dos golpes, e com uma grande agilidade, também pôs o treinador a nocaute.

"Ela derrotou o Yamato? Como ela fez isso?" – Nakata se perguntava, enquanto Meilin se recuperava para voltar a atacar.

"Meilin é bem treinada em artes marciais, possui uma força incrível!" – comentou Shiefa – "Agora, ela deve lutar com Shaoran, e se continuar nessa intensidade de golpes, ele vai ser obrigado a machucar para derrotá-la".

E Shiefa estava certa. Quando Meilin finalmente se recompôs, voltou a encarar Sakura, decidida a atacá-la a qualquer custo. Já estava se preparando para dar um chute quando Shaoran se pôs à frente da namorada, em posição de defesa. Por um momento, Meilin parou na posição onde estava e, para a surpresa de todos, baixou a guarda.

"Não posso... ele não..." – Meilin murmurou para si mesma, abaixando a cabeça – "Tenho que derrotar a inimiga, ela o roubou de mim...".

"O que ela está falando?" – perguntou Shiefa, tentando se levantar.

"Algo sobre alguém roubar alguém... não estou entendendo direito!" – comentou Nakata – "Aliás, não estou entendendo mais nada. Por que ela não atacou o Shaoran?".

"Talvez seja... ah não!" – Shiefa abaixou a cabeça e pôs a mão no rosto – "Ainda essa história?".

"Que história?".

"Meilin gostava do Shaoran quando eles eram crianças, mas ele começou a gostar da Sakura e ela teve que desistir dele" – Shiefa explicou com calma – "Achei que ela tinha superado isso, afinal já faz tanto tempo... mas pelo jeito ainda é uma ferida aberta dentro dela. E quem a está dominando deve ter usado isso para controlá-la, só um ponto fraco para fazer uma pessoa dominar alguém como a Meilin".

"Ela está dizendo que eu roubei você dela, ou é impressão minha?" – perguntou Sakura, vendo a amiga dizer palavras desconexas.

"Pelo jeito, sim!" – Shaoran respondeu, ainda em posição de defesa – "Ah Meilin, será possível que você ainda pensa nessa história?".

"Mas eu achei que ela já tinha superado!".

"Pelo jeito não superou, ou pelo menos quem a dominou a faz achar que não superou".

"Como assim?".

"Digamos que suas suspeitas estejam certas, que Rytwild a controla através de uma carta. E se essa carta cria uma nova ilusão na cabeça da Meilin, a faz pensar que ainda gosta de mim?".

"Você quer dizer que há uma magia que a faz pensar assim... como uma hipnose?".

"Exatamente! Se existir uma carta capaz de hipnotizar alguém, a Meilin pode ter sido controlada num momento de tristeza e ter recebido ordens de te atacar. Atacar a pessoa que me roubou dela".

"Ah meu Deus, e como a gente a tira desse transe?".

"Eu vou lutar com ela, e tentarei imobilizá-la. Enquanto isso, tente ver se ela está sendo dominada por uma carta. Se estiver, capture-a na hora em que eu a parar!".

"E como você vai fazer isso?".

Shaoran parou e ficou mais sério do que de costume. Ele se virou para a namorada e disse em um tom baixo, quase culpado:

"Se não tiver outro jeito, desculpa, tá?".

Sakura não entendeu o que ele queria dizer, mas nem teve tempo de perguntar. No mesmo instante, ele partiu para cima da prima, que golpeada de surpresa, não conseguiu se defender e foi jogada longe. A garota se levantou, e levemente chocada, encarou o primo com cara interrogativa. Em seguida olhou para Sakura, e sua expressão ficou raivosa.

"Por sua causa... foi por sua causa!" – Meilin rangia os dentes, e encarava a amiga com ódio. Tentou atacá-la, mas encontrou Shaoran no meio do caminho, que bloqueou o seu golpe. Ela tentava desviar dele e atacar Sakura, mas ele sempre entrava no meio do caminho e bloqueava os golpes. Sempre tentando atingir Sakura, Meilin dava golpes sucessivos que sempre eram bloqueados por Shaoran, até que ele a derrubou enquanto bloqueava seu soco. Ela não desistiu e continuou a querer atacar a amiga, mas sempre era bloqueada e derrubada. Nakata e Shiefa observavam a luta atentamente:

"Vai ficar assim mesmo ou seu irmão vai tomar uma atitude?" – perguntou Nakata, enquanto via Meilin tentar chutar Sakura e ser bloqueada novamente.

"Eu não sei o que ele está tentando fazer. Mas seja lá o que for, ele parece não estar muito confiante".

"E como você sabe disso?".

"Olhe só a cara dele. Parece atormentado".

Mais uma vez, Shiefa estava certa. Shaoran parecia perdido, pensando em como Meilin ainda tinha forças pra lutar depois de tanto tempo. Foi então que de repente sua expressão ficou decidida e, ao bloquear um soco da prima, aproximou-a de si e deu um beijo nela, deixando não só Sakura, mas Shiefa e Nakata de bocas abertas.

Por um instante, Meilin não teve reação, mas em seguida seus lábios começaram a tremer e seu corpo seguiu o mesmo rumo. Os olhos voltaram a ter foco, e numa reação quase que desesperada, ela empurrou o primo para longe, e começou a esfregar a boca:

"Shaoran, seu maluco, o que pensa que está fazendo?!" – ela gritava, enquanto limpava a boca.

"Ela voltou a normal!" – Shiefa exclamou – "Meilin voltou ao normal".

"Deu pra perceber" – Nakata comentou – "Olhe ali!".

Uma energia começou a sair de Meilin, uma energia que relutava em deixá-la e fazia de tudo para voltar a controlá-la. Mas a garota parecia estar muito bem acordada, e não permitia de jeito nenhum ser dominada novamente.

"Sakura, está esperando o quê?" – Nakata gritou, levemente nervosa – "É uma carta, capture!".

Sakura pareceu acordar de um transe, um transe que mais parecia um pesadelo. Rapidamente capturou a carta, que por tentar dominar Meilin novamente, acabou por não fazer resistência para ser capturada. Sakura pegou a carta em suas mãos, olhou bem o nome. Hipnose. O namorado havia acertado.

Shiefa e Nakata saíram correndo para ajudar Meilin, mas a garota não parecia mal. Sequer parecia que havia sido dominada. Estava disposta, consciente e, decididamente, muito brava:

"O que deu nessa sua cabecinha oca de fazer uma coisa dessas?" – Meilin olhava com raiva para o primo – "E o pior de tudo, nem respeitou a própria namorada!".

"Você não se lembra do que aconteceu?" – perguntou Nakata, espantada.

"Lembrar do que? Que meu primo maluco acabou de me atacar? Lembro sim, obrigada!" – ela ainda gritava de raiva – "Nunca imaginei que logo você, Shaoran, seria capaz de uma coisa dessas!".

"Meilin querida..." – Shiefa segurou os ombros da prima, tentando acalmá-la – "Não culpe o Lobinho por isso... deixe-me explicar uma coisinha que acabou de acontecer".

Enquanto Shiefa contava todo o ocorrido, Sakura e Shaoran se entreolhavam. Ele, com olhar de culpa, pedindo por perdão; ela, com olhar de profunda tristeza. Tentando quebrar aquele clima, o garoto se levantou de onde estava e tentou se aproximar, mas ela recuou.

"Ah... você acertou!" – ele disse, apontando para a carta.

"Você também!" – ela mostrou a carta para ele – "Era Hipnose mesmo".

"Sakura... quanto ao que acabou de acontecer...".

"Eu sei! Não precisa se desculpar, eu sei que você não fez por mal. Eu só... preciso me acostumar com a idéia".

"Eu fiz isso?" – Meilin estava chocada com o que Shiefa acabara de contar – "Mas eu não me lembro de nada!".

"Eu nunca tinha te visto daquele jeito, você parecia querer matar a Sakura só com um olhar!" – Nakata exclamava – "E olha que eu já te vi brava".

"Do que você se lembra, Meilin?" – Shiefa parecia querer esclarecer a situação.

"Eu me lembro do que em que nos encontramos aqui no parque, aquele dia em que você não veio!" – Meilin falava, mas ainda parecia confusa – "Eu estava chateada porque há dias estávamos com a cara enfiada nos livros, e aquilo me deixava totalmente entediada. Queria fazer alguma coisa a mais, queria que tivesse alguma luta física pra eu poder ajudar... quase não ajudei, já que não possuo magia, então resolvi ir embora antes, antes que ficasse mais chateada com essa história. No caminho, sem querer acabei lembrando de algumas coisas que aconteceram na época da captura das cartas, inclusive comentei com minha mãe sobre essa história do Shaoran, mas depois fiquei com sono e fui dormir. Desde então não lembro de mais nada!".

"Você comentou só com tia Fai sobre o Shaoran?".

"Só com ela! Ela até me perguntou por que eu não havia lutado por ele, mas aí eu respondi que eu não queria, e que agora eu já não sentia mais nada por ele. Não entendo como eu pude ser dominada com esse pensamento... lutar pelo Shaoran... eu nunca faria isso, mesmo que ainda gostasse dele – o que não é o caso!".

"Rytwild deve ter hipnotizado Meilin durante o sono. Ela com certeza foi dormir pensando na infância e Rytwild se aproveitou desse momento de fraqueza" – Shiefa concluiu – "O caso do Shaoran deve ter sido a última coisa que ela lembrou, por isso estava mais fresco na memória. Como ela estava chateada, Rytwild juntou as duas coisas na hora da hipnose e fez Meilin pensar que ainda gostava dele. Não deve ter passado disso".

"Ah Sakura..." – Meilin agora olhava para a amiga, que ainda mantinha o semblante triste – "Desculpa por ter te causado tantos problemas. Eu não sirvo pra nada mesmo!" – e ela abraçou a amiga fortemente, gesto que Sakura retribuiu.

"Deixe de bobagens, Meilin, não foi sua culpa" – Sakura tentava amenizar a culpa da amiga – "Foi culpa daquela bruxa velha, você não teve como impedir".

"Mas se eu não fosse tão fraca, eu não teria sido hipnotizada".

"Você não é fraca. Mas por que todo Li tem esse orgulho, hein? Olha, que tal esquecermos toda essa história? Vamos para casa dormir, já que amanhã temos aula cedo".

"Ai meu Deus!" – Meilin soltou o abraço e olhou Sakura com cara de espanto – "As lições! Eu não fiz minhas lições!".

"Grande novidade" – Kero resmungou do canto onde estava, ainda meio sonolento por estar acabando de acordar – "Sabia que você não faria naquele dia, também deixa pra última hora".

"O quê?!" – Meilin tentou avançar pra cima de Kero, mas foi segurada por Shiefa – "Agora eu acabo com você, seu bicho de pelúcia maldito. Me solta, Shiefa, vou terminar de acabar com ele agora mesmo...".

Enquanto os outros se preocupavam em impedir um novo confronto entre Meilin e Kero, Sakura e Shaoran ainda se entreolhavam. Ambos tristes, ambos chateados. Sem dizerem nada, os dois foram acalmar Meilin e acordar Yamato, para enfim voltarem para casa.

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"Era só o que nos faltava!" – a velha senhora reclamava, assim que Eriol fechou o portal – "Ela conseguiu desestabilizar os dois, tudo o que não precisávamos".

"Ela conseguiu uma boa vitória hoje!" – Eriol guardou a chave do báculo em seu bolso – "Pode não ter tido sucesso na hipnose de Meilin, mas conseguiu algo que já a ajudará muito".

"Se não formos rápidos, a situação pode piorar! A força da Hierarquia depende da união dos dois. Separados, nem eles nem nós temos forças".

"Deve ter sido uma decisão difícil para ele" – Eriol olhou para o lago onde estava o seu portal há algum tempo atrás – "Se bem o conheço, ele deve estar totalmente atormentado!".

"Não podemos mais esperar, Eriol. Se Gowdak e Saniére não chegarem até amanhã, começo a reunião sem eles".

"Não será preciso!".

Eriol e a senhora se viraram e viram a jovem Mick parada diante deles, com os braços cruzados e batendo o pé. Os dois se levantaram, e também pararam diante dela:

"Achei que não voltaria mais aqui hoje, Mick" – disse Eriol, com um sorriso – "Mas pelo jeito não ficou tão brava assim comigo".

"E por mim não voltaria, mas mamãe me obrigou a vir dar o recado!" – ela olhou para a senhora – "Eles chegaram".

"Ótimo. Vamos então, Eriol, quero resolver isso ainda hoje".

Os três entraram na antiga mansão, passando pela grande sala de estar, pela cozinha e enfim entrando numa porta que parecia dar ao porão. Percorreram um caminho escuro, iluminado apenas por uma vela que Mick pegara na cozinha, e enfim chegaram a outra porta. Ao abrirem, deram de cara com um imenso salão, cheio de poltronas organizadas em fileiras de diversos tamanhos e dispostas em um meio círculo; e logo à frente, uma poltrona maior, virada para todas as outras poltronas, em cima de uma espécie de palco, de onde se tinha uma visão ampla de todo o salão. Ao lado da poltrona maior, uma poltrona de porte médio, um pouco mais baixa do que a outra. A senhora adentrou o salão e foi de encontro com uma jovem moça de cabelos loiros que se encontrava em um canto, junto com um senhor de aparentemente 50 anos, cabelos grisalhos e face emburrada.

"Há quanto tempo não os vejo!" – a senhora deu um abraço na jovem – "Mudou muito desde a última vez em que a vi, Angelita!".

"Já não posso dizer a mesma coisa de você, Sara!" – a jovem lhe mostrou um belo sorriso, que encantava muitos homens pelo mundo – "Ainda tem a mesma aparência de antes".

"Já passei do limite de idade do ser humano, menina, não há mais o que envelhecer. E você, Pierre, ainda mal-humorado?".

"Também ficaria mal-humorada se fosse trazida às pressas para Paris" – o senhor ficou com a cara ainda mais emburrada – "Sabe onde eu estava? Nas ilhas da Polinésia! Estou perdendo dias de praia pra estar aqui!".

"O caso é sério, Pierre, sua presença era mais do que necessária". – a senhora suspirou – "Começarei a reunião agora. Sente-se e já explico o que está acontecendo".

Os dois concordaram e foram se sentar na última fileira. Eriol foi com Mick para chamar os outros membros, e em seguida ele voltava com muitas outras pessoas, enquanto a jovem, muito a contragosto, teve de ficar do lado de fora. Assim que todos ocuparam os seus lugares, Sara Whitman, como o membro mais velho de todos ali, iniciou a reunião.

Continua

Obs: É, já faz um bom tempo, não? Vocês devem achar que eu desisti de escrever. Bom, na verdade foi algo um pouco mais... técnico, por assim dizer. Duas semanas depois de ter postado o capítulo 11, tive um "pequeno" probleminha com meu pc... um problema que só foi resolvido semana passada, hehehe. O fato é que, durante todo esse tempo, fiquei impossibilitada de escrever, por isso esse grande atraso. Por isso, na hora que eu peguei meu pc de volta, a primeira coisa que fiz foi escrever o capítulo 12 e entregá-lo o mais rápido que pudesse. Então, desculpa o atraso, mas prometo que vou tentar não atrasar mais. Se bem que agora vai ser meio difícil postar toda semana, como eu fazia antes, porque agora entrei na época de vestibulares (fora a semana de provas da escola que começou, e eu já estou ficando doida!), mas mesmo assim prometo postar o mais rápido que eu puder. Certo?

Bom, indo ao que interessa. Vamos ver... o mistério que cerca a Fai agora está bem maior. Afinal, quem ela é de verdade? O que tanto ela parece esconder? Será que alguém chuta? Ela é bem misteriosa mesmo, e já vou avisando a vocês que a coisa só vai piorar... até o ponto certo, claro!

E a Meilin? Gostaram da atuação dela nesse capítulo? Se todos achavam que ela ainda gostava do Shaoran, estavam enganados. Eu queria deixar bem clara essa minha opinião, que eu tenho desde quando eu assisti o segundo movie de SCC. Vejo muitos amigos meus achando que ela ainda gostava do nosso queridinho, e eu queria mostrar o por quê de eu achar o contrário. Fora que ela é uma personagem MARAVILHOSA de se trabalhar, e desde o começo eu tinha a vontade de fazer um capítulo só dela. E saiu bem melhor do que eu imaginava... nossa, acho que é o meu favorito.

Bom, o que eu tenho a dizer a mais? Ah sim, a primeira "fase" da fic acaba nesse capítulo. No próximo, já começamos a nos encaminhar pra parte mais séria da história, onde a luta começa pra valer. Todos os segredos serão revelados nos próximos capítulos, e a história "Os Senhores da Natureza" finalmente tomará seu rumo definitivo, ou seja, começará de verdade. Afinal, houve um motivo para eu colocar esse título, não é mesmo?

Para acabar, quero pedir uma autorização à Analu: querida, será que posso te usar em um mini-projeto que estou fazendo? Prometo que não será muita coisa, é mais uma brincadeira mesmo. Estou esperando a sua resposta.

Beijos pessoal, e até o capítulo 13! Fãs do Eriol, comemorem: ele vai voltar de vez!

Finalmente vou começar a parte ET dessa história, mal posso ver a hora!

Comentários extras: uma amiga minha me perguntou, enquanto estávamos conversando nessa semana, como eu havia pensado na história do "Senhores da Natureza". Ela disse que achou interessante toda a relação que eu fiz sobre a Hierarquia (sim, ela visitou o meu site) e sobre a Conferência citada no capítulo 7. Como eu prometi, resolvi contar a história, mas vou por partes, certo? Ela é um pouco comprida e vou precisar de alguns capítulos pra contar tudo com detalhes. Se alguém se interessar, pode ler. Vamos lá?

Começou quando eu tinha 13 anos, no final do ano de 2002. Um dia depois de assistir o filme "Sakura Card Captors: A Carta Selada" (que eu gravei para ter sempre em minha coleção), eu fiquei comentando com meu amigo Gustavo o que eu tinha achado. Ele me pediu a fita do filme emprestada, pois não tinha assistido tudo, e queria muito ver como a história acabava. Como eu não vi nenhum problema, eu emprestei a fita e no dia seguinte ele me devolveu. Mas, junto com a fita, ele me deu outra coisa: um caderno pequeno, desses de alunos da primeira série, com muitas coisas rabiscadas. Quando eu perguntei o que aquilo significava, ele me disse que era uma idéia que tinha passado na cabeça dele enquanto assistia ao filme. Quando eu comecei a ler aquilo, eu achei a idéia interessante, embora muito simples. Era sobre um dia que a Sakura havia acordado e as cartas haviam sumido, do nada. Aí ela ia para a escola e capturava a Carta Parede. Sim, a história era essa. Quando eu perguntei o que ele ia fazer com aquilo, ele me pediu ajuda, porque eu já havia lido muitas outras histórias de SCC, por isso deveria ter mais experiência. Ele também disse que queria criar uma vilã com o nome de Rytwild (sim, o nome da minha vilã favorita não foi criação minha), mas que não sabia como fazer isso, porque ele não tinha idéia do que ela ia querer com a Sakura, o que ela ia fazer, nem como seria a personalidade dela. Depois de conversamos um pouco, resolvemos que íamos fazer a história juntos: eu criaria toda a personagem da Rytwild, assim como todos os outros personagens que fossem surgindo durante o processo de criação; enquanto ele se encarregava do enredo em geral. A trama mais detalhada seria bolada por nós dois. E foi assim que o primeiro rascunho de "Os Senhores da Natureza" nasceu.

Bem pessoal, essa foi a primeira parte da minha jornada com essa fic. No próximo capítulo eu vou contar como surgiu o Yamato e a Nakata, assim como surgiu a idéia da Hierarquia da Magia Natural, ponto chave da história. Embora seja uma parte triste da história (mas não se preocupem, não é nada trágico), foi uma coisa bem interessante que aconteceu. E tudo graças aos meus professores de Geografia, principalmente a Rose, que anda dando uma senhora contribuição para a base da minha história (mesmo que ela ainda não saiba disso). Foi com eles que consegui todas as informações necessárias para criar a fic de vez. Mas isso é história pra próxima semana (espero!). Certo? Beijos!

Ah, antes que eu esqueça: reviews, por favor! Quero muito saber o que vocês acharam.