N.A: Nenhum dos personagens abaixo me pertencem e eu não passo de uma fã. 8D
........................................................................................................................................................
O documento era breve e cheio de idéias abstratas e utópicas. Inglaterra sabia exatamente de onde vinha tanta inspiração, o que lhe rendeu uma careta de desaprovação. Francis estava distorcendo o seu garoto.
Já era a quarta vez seguida que lia aquela declaração de Independência. Independência... a idéia lhe parecia tão tola que não era absorvida. Aquela colônia mimada tinha tudo o que queria – não podia negar que era a sua preferida – e essa era a gratidão que ele demonstrava. Um documento alucinado falando dessas idéias futuristas sobre Igualdade e Liberdade que não faziam nexo algum.
4 de julho de 1776, dizia o documento. O inglês não conseguia desgrudar os olhos desta data.
Arthur mexia e remexia nas suas gavetas como se estivesse procurando alguma coisa. Mas não havia nada que quisesse naquela sala.
Não podia deixá-lo. Não podia deixá-lo.
Fechou a gaveta com força, resolvendo-se. Teria que chamar mais uma vez os Exércitos.
........................................................................................................................................................
Chovia.
E a cena não poderia ser mais decisiva. A batalha já durava há semanas, com perdas decisivas que desfavoreciam a Inglaterra. E lá estava ela, no meio das planícies outrora vívidas de Yorktown exatamente no meio de Francis e Alfred. Francis, às suas costas, tinha o domínio do mar com suas tropas. O maldito francês sorria de satisfação, sentido a revanche da última guerra fluindo no dedo que segurava o fuzil que lhe apontava.
Alfred estava diretamente a sua frente, também com um fuzil francês na mão, apontando exatamente pra sua cabeça.
Não havia o que fazer.
Arthur deixou lentamente com que os braços perdessem a força e deixassem cair o rifle no chão enlamaçado. Não desgrudou o olhar de América, do seu Al, que agora lhe apontava um fuzil francês para a sua cabeça.
Não havia o que fazer.
Os joelhos fraquejaram e caíram no chão, na lama da vergonha que aquela planície lhe reservara. Alfred abaixou a mira da arma, observando a ruína do inglês. Deu uma ordem para que Francis fizesse o memso.
Aproximou-se lentamente de sua ainda Metrópole, ainda receoso. O inglês estava ajoelhado na lama, os braços moles sem quaisquer intenção de pegar no rifle novamente. A tempestade aumentava, piorando a situação da terra, mas o som da chuva não foi capaz de esconder o soluço do inglês. O soluço de choro.
Aquele som desabou Alfred, que se ajoelhava a frente de Arthur. A idéia de que o grande e bravo Reino Unido estava chorando desmanchou qualquer hostilidade, derretendo qualquer resquício de revolta. Tudo o que pode fazer, antes de reprimir qualquer reação, foi abraçar o seu Artie.
Nenhum dos dois pode dizer quanto tempo durou aquele abraço.
........................................................................................................................................................
A batalha havia sido decisiva sob qualquer ângulo, mas há dois anos Inglaterra recusava-se a tirar suas tropas de Nova York.
Recusava-se.
E não havia nada nem ninguém que pudesse lhe tirar de lá. Não podiam. Fora ele quem instituiu uma civilização naquela terra de ninguém, oras! Fora ele quem ensinou o cultivo, as noções de Estado; tudo e qualquer conhecimento para que eles se tornassem tão fortes e saudáveis quanto são hoje.
Não podiam simplesmente expulsá-lo do lugar que ele próprio criara...
França estava profundamente irritada com a situação. Chama-lhe de criança mimada, cachorro sem osso entre outras expressões francesas muito piores que ele não entendia. Mas não importava, Francis era um idiota de qualquer forma. Afinal, América iria cedo ou mais tarde se arrepender de tudo o que lhe causara. E iria implorar pra voltar a ser sua colônia.
Alfred não reagia. Esperava que mais cedo ou mais tarde a Metrópole fosse cair na real. Quando percebeu que a Inglaterra não se retirava em hipótese alguma, teve que pedir novamente ajuda de Francis. Os dois travaram um plano, juntos, elaborando um documento oficial de reconhecimento da Independência.
Alfred tomou coragem para conversar com sua ainda Metrópole,depois de alguns anos.
"Eu preciso conversar com você, Arthur." Ele começou sem jeito, depois de se encontrarem.
"Não é por isso que estamos aqui?" Perguntou secamente o inglês, dentro de seu gabinete que não era exatamente seu em Nova York.
"Arthur, porque você não vai pra Inglaterra?" Perguntou América do jeito mais circular que pode. "Você está abandonando a sua terra."
"Eu nunca abandonaria uma Terra que fosse minha, Alfred Jones, se já não dá pra perceber."
Alfred sentiu a indireta bem direta. "Arthur, essa terra já não é mais sua. Você perdeu a guerra." Doía no americano dizer estas palavras, porque ele sabia o quanto machucava para o inglês ouvi-las. Era visível nos seus olhos verdes.
"Você é ingrato demais." Soltou, desviando o olhar para o chão. Como se quisesse dizer isso há muito tempo.
América ficou em silêncio, incentivando o inglês a explodir.
"Você é simplesmente ingrato. Tudo o que eu fiz por você parece valer nada pra você. Se eu fiz todas aquelas Leis era porque eu precisava da sua ajuda. Eu precisava me restabelecer. Como você pode ver, uma guerra consome todas as suas economias. Mas não. Você não me compreendeu. Tornou-se uma colônia mimada e idealista, se aliando àquele...àquele..." Inglaterra tinha a voz controlada, e a cabeça apoiada em uma das mãos. Usava a força para não deixar a tremedeira evidente. O coração, temia ele, parecia ser audível há quilômetros. "Você me traiu."
Alfred não mexia um músculo.
"Você me traiu" disse o inglês, mais forte agora, incapaz de deixar a voz firme. "Você sabia que eu passava por momentos delicados e não deu a mínima consideração pelo o que eu estava passando; ah, não, muito pelo contrário" a sua voz crescia conforme a fala, até o momento em que já estava gritando "Você viu exatamente que este era o momento perfeito pra me apunhalar pelas costas!! Depois de tudo, tudo o que eu fiz por você... Depois de tudo o que eu investi em você, pra você ser a melhor colônia do mundo inteiro, você vem com esse papo furado de Liberdade e igualdade que aquele francês de m**** fica enfiando na sua cabeça!!"
A gritaria não afetava a reação do americano. Ele entendia o inglês. Sabia que era exatamente essa explosão que ele precisava pra se aliviar.
Mas o inglês não entendia o silêncio da colônia.
"E ainda vem aqui com a cara lavada pra pedir com que eu assine a porcaria de um tratado que você escreveu junto com A FRANÇA! Oh, pelo amor de deus, é ironia demais da sua parte, Alfred Jones, sarcasmo demais do seu projeto de humilhação para mim." Arthur fez uma pausa, tomando ar, soltando um olhar pra cara sem expressão do Americano."E você fica calado...calado como se concordasse com cada palavra que eu dissesse. Depois de tudo..." e a sua voz falhou, ele engoliu seco como se tentasse se desfazer de uma bola enorme que lhe engasgasse, o que lhe rendeu outro soluço.
Aquele soluço a que Alfred não podia fingir indiferença nenhuma.
"Arthur." Apressou-se em dizer , quebrando o silêncio "Eu não quis nada disso. Nunca em meus sonhos eu pensei em te humilhar. Eu só estou pensando diferente agora. Eu quero um espaço pra ser eu mesmo. Eu quero crescer, criar minha própria base, pra que um dia, quem sabe...eu seja tão grande quanto você."
O inglês buscou naquela declaração qualquer tipo de malícia em querer concorrência, mas só conseguiu achar os olhos admirados de Alfred fitando os seus. Não era um desafio. Era admiração... Arthur voltou a se sentar, percebendo que a bola na garganta se desmanchara. Deixou a cabeça cair pra trás, tampando o rosto com as duas mãos.
"Eu vou assinar esta porcaria." Disse, depois de alguns momentos. "Estou indo pra Paris semana que vem"
........................................................................................................................................................
P.S
Em todos os sites de história
que eu procurei disseram que a América ganhou a batalha de Yorktown
por superioridade militar; mas todo o site de Hetália que eu acho
diz que a Inglaterra só não ganhou a Revolução porque não foi
forte suficiente pra atirar nele.
Nessa fic eu resolvi seguir a história do mundo mesmo, embora minha visão preferida seja a de que a Inglaterra não conseguiu lhe dar o tiro final. UI~~
P.S2
Uma bom fanfiction pra ser
ler depois desse capítulo quarto e antes do quinto é "Presos em
Yorktown" by Sumiri 9___________________9~ por coincidência se
encaixa perfeitamente....6.6~~~~~~ mas se ela quiser me matar pela
propaganda eu apago isso daqui AGORA.
