Capítulo Um: O Salvador de Harry

Harry's Pov -

Um garoto estava encolhido no canto de seu armário às quatro horas da manhã...ele não conseguia dormir. Ele nunca dormia. Dormir significava fechar os olhos, e quando você fecha seus olhos, você deixa a escuridão vir e te levar. De qualquer modo, ele não podia ver nada, já que estava fechado em um armário de vassouras, mas pelo menos enquanto estava acordado, ele não podia sonhar. Os sonhos eram terriveis e vinham freqüentemente quando ele já não conseguia mais ficar acordado. Eles sempre consistiam em uma dor inimaginável cercada por escuridão. Em seus sonhos, ele ouvia seus entes queridos sendo torturados ou mortos. Acordava gritando, com suor e lágrimas correndo por sua face, mas tinha que permanecer quieto. Ele não podia acordar seus tios, porque se ele o fizesse, sabia que seria espancado sem piedade alguma. Mas ele não estava afim de pensar nessas coisas, que sempre traziam nada mais que dor.

E ele se odiava. Odiava o modo com que os cabelos negros sempre apontavam para todas as direções, nunca parando certo.Também odiava seu corpo, sempre tão magro e desnutrido. Mas com mais intensidade ainda, odiava a cicatriz.A cicatriz em forma de raio em sua testa só significava uma coisa. Ele era Harry Potter, o menino que viveu. Não, ele não era Harry... Ele era Potter, um jovem semelhante ao seu pai...morto. Mas havia uma coisa da qual Harry gostava em si mesmo: seus óculos. Claro, eles eram grandes, pretos, e sempre estavam quebrando, para não mencionar que ele parecia um nerd com eles, mas eram sua única fonte de conforto nas horas difíceis. Quando estava com seus óculos, tudo que precisava fazer era tirá-los e todas as imagens ruins - que ele definitivamente não queria ver - virariam um borrão, assim tudo o que via eram pedaços de formas e cores. Deste jeito, mesmo que pudesse sentir o pé de Válter o chutando fortemente nas costelas, ou suas mãos o esmurrando a face, ele não via.

Os pais de Harry foram ambos assassinados por um bruxo das trevas chamado Voldemort. Harry havia enfrentado Lord Voldemort durante quatro anos e apenas sobreviveu. Embora o ano passado tenha sido o pior. Ele tinha testemunhado Voldemort matar um colega de escola, Cedrico Diggory, com a mesma maldição que usou para matar seus pais. Assistiu o corpo do garoto cair molemente aos seus pés, assistiu Voldemort nascer novamente, o que a propósito, era em parte sua culpa. E como se isso não fosse o bastante, todo culpavam Harry pela morte de Cedrico. Sim, aquele ano tinha sido extremamente ruim. Mas este ano era sem dúvida o pior. Com uma mistura de um tio que o batia toda vez que tinha chance, uma tia que nunca lhe dava qualquer comida, e um primo que torturava de todas as formas que seu cérebro do tamanho de um amendoim poderia pensar. Harry estava vivendo um inferno.Sem mencionar também que Harry era bruxo e seus tios absolutamente não o eram, e odiavam tudo o que tivesse relacionado a magia. Sem esquecer de mencionar que Harry não pudesse fazer os trabalhos escolares, pois todos os seus pertences ficavam presos no segundo quarto de Duda.

De repente, Harry ouviu passos que descendo os degraus e olhou para o relógio. "Droga!" - já eram oito horas da manhã e agora, e aí vinham seus tios. Seu preguiçoso primo Duda sempre dormia até o último minuto, assim Harry adivinhou que ele não acordaria durante umas duas horas ou mais. Harry virou a cabeça quando a porta se abriu e a luz invadiu o armário. Ouviu seu tio Válter gritar: "Saia logo desse armário, garoto! E me faça o café da manhã." Harry acernou tristemente com a cabeça e foi para a cozinha.

Sabia do que seu tio gostava, já que fazia seu café todos os dias. Enquanto Harry fritava o bacon, Tio Válter pediu que fizesse café. Harry o serviu em sua habitual caneca gigantesca, e correu de volta para a frigideira, esperando que o bacon não tivesse queimado, porque isso sim seria uma péssima notícia. Harry havia queimado os ovos de Válter uma vez, e Válter o fez segurar a frigideira quente nas mãos, até que sua pele ganhasse devastadoras manchas vermelhas. Assim ele nunca mais havia cometido aquele erro...

Quandoterminou de cozinhar, Harry pegou um pedaço de torrada silenciosamente e se meteu no armário embaixo da escada. Quando estava para dar uma mordida em sua torrada, a voz de Tia Petúnia veio da cozinha. "Garoto! Traga esse corpo esquelético aqui e limpe essa bagunça que você fez, ou então você vai ficar tão roxo e inchado que não poderá se sentar durante uma semana!" Harry afastou o pensamento e voltou à cozinha, arrumando a bagunça e colocando os pratos na lava-louças. Entrou tão quietamente quanto possível na sala de estar e perguntou ao Tio Válter se ele poderia entrar no armário para não perturbar ninguém durante o resto do dia. Depois de Tio Válter o ter agarrado pelo colarinho, cuspido em seu rosto, e feito o discurso habitual sobre não fazer qualquer magia, Harry pôde voltar para seu armário. Mas não era a intenção de Harry voltar para aquele lugar miserável, ao invés disso, ele se esgueirou para fora afim de dar um passeio. Estar ali fora era muito melhor do que lá dentro, é claro, ele não era de sair, mas uma vez por semana ele se se movia furtivamente porta afora para respirar um pouco de ar fresco e clarear a mente. Se os Dursleys descobrissem que ele tinha estado fora perto de outras pessoas, ou o que eles chamaram: "às vistas", ele apanharia como nunca! Mas Harry caminhou lentamente pela vazia Rua dos Alfeneiros enquanto lançava olhares para trás, para ter certeza de que os Dursleys não estavam vindo atrás dele.

Depois de caminhar durante umas duas horas, ele começou a voltar para a casados Dursley quando ouviu algumas vozes. Entrou depressa atrás de um arbusto e escutou as vozes se aproximando.Sim, ele conhecia muito bem essas vozes... era Duda e sua gangue. Harry cuidadosamente se ergueu no arbusto para ver o que estava acontecendo. Dudley tinha um cigarro na boca e estava tragando como um velho que tinha sido privado de ar durante setenta anos. Harry sabia que eles estavam todos bêbados e drogados, pelo jeito. Duda e sua gangue faziam isso a aproximadamente dois anos e os Dursleys, sendo tão limitados mentalmente nem notaram, não tinham idéia de que o seu "anjinho perfeito" ficava se drogando com os seus "amigos de chá."

Harry esperou nos arbustos até que eles estivessem no fim da rua, perto da casa dos Dursleys. Harry saiu de trás do arbusto e cuidadosamente se esgueirou de árvore em árvore, para não ser visto e já estava a uns cinco metros da gangue quando percebeu algo interessante acontecendo. Duda e seu velho amigo Max estavam brigando. Primeiro com palavras mas logo passaram a usar os punhos. No fim Duda ganhou, mas ele não saiu sem marcas -estava com um olho roxo seu lábio sangrava. Harry não soube como aconteceu ou por que eles brigaram, pois teve que entrar e se esgueirar rapidamente de volta ao seu armário. Não sabia por que, mas teve a "leve impressão" de que se ficasse por perto, ia se meter em uma enorme confusão. Assim, tão silencioso quanto pôde, Harry deu a volta por trás da casa e entrou pela cozinha. Mas quando chegou no corredor aí sim houve um grande problema. Duda já estava lá, assim como Tio Válter e Tia Petúnia. Seu tio o olhou, já vermelho dos pés à cabeça. Harry podia ver que ele estava se contendo para não quebrar a casa toda. Válter se dirigiu calmamante até Petunia, que estava limpando o corte no lábio de Duda com um pano molhado, e sussurrou algo na orelha dela. A mulher sorriu maliciosamente e levou seu filho escada acima.

Quando eles já estavam fora de vista, Válter andou até Harry e perguntou de certa forma tranqüilo, mas assustador como se falasse com uma voz vinda do inferno: "Você fez isto ao Duda?" Harry engoliu seco e sentiu um gota de suor descer por seu rosto... já estava tremendo; esperando o golpe que com certeza estava por vir. Os olhos de Válter faziam um buraco em sua pele e lentamente balanço negativamente em resposta a seu tio. Foi então que Harry sentiu uma dor ardente em sua bochecha, significando que Válter o tinha socado. Tropeçou para trás e bateu a cabeça na parede. Estava acuado e não havia como escapar. Tio Válter avançou em Harry como um gato selvagem diante de sua presa para o jantar. O enorme homem levantou a mão até o rosto do garoto, que recuou achando que ia ser golpeado novamente. Mas ao invés disso, ele agarrou o queixo de Harry e o puxou para cima, fazendo Harry o olhar nos olhos, e perguntou novamente em tom de advertência: "Eu vou lhe perguntar mais uma vez, você machucou ou não o Duda hoje?"

O garoto franzino respondeu: "Não Tio Válter, eu não machuquei." A resposta só fez com que o homem corpulento perdesse a paciência. O soco foi dado com tanta força, que Harry pôde ouvir o som de sua mandíbula se partindo. Harry urrou de dor, e Válter o golpeou novamente; desta vez no estômago. Perdeu o ar e deslizou ao chão. Tentou em recuperar o fôlego mas Válter o chutava repetidamente nas costela. Harry sentiu um par de ossos se quebrando e se encolheu no chão. Mas isso não ajudou, pois Válter chutou e socou suas costas inúmeras vezes. Como se não bastasse, levantou Harry pelo colarinho e o esmurrou em cheio no olho. Deixou o corpo do garoto cair molemente no chão e foi para a cozinha. Harry ficou lá, chorando e gemendo quando ouviu os passos de Tio Válter se afastarem, mas já voltavam um segundo depois.

Os óculos haviam se quebrado há muito tempo, mas Harry preferia assim... Ele não conseguiria ver a si mesmo covardemente largado no chão. Subitamente, Harry sentiu algo frio e sólido chocando-se contra ele. Sentiu muitas punhaladas pelo corpo e descobriu que Tio Válter estava batendo nele com uma grade de janela, que ficava de reserva na cozinha.Tudo o que Harry podia ver era uma poça de seu próprio sangue ã sua volta e ele sabia que não aguentaria por muito tempo mais. Desta vez Tio Válter tinha ido longe demais. O garoto de cabelos negros colocou seu pequeno café da manhã para fora, e desmaiou.

Gostaram do começo angst? Tem mais de onde veio isso!