Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, se fosse assim eu mataria o Seiya! Enfim, tudo que todo mundo já sabe... Essa fic não tem nenhum fim lucrativo, apenas escrevi por diversão.
Contém yaoi (relacionamento entre homens) e lemon (cenas sexuais) ao longo de seus capítulos. Então, se você não curte yaoi, não leia.
Acho que é só! Boa leitura.
Capítulo 6: Terra X Ar
A viagem fora tão cansativa que ele até ficara feliz ao avistar a primeira casa Zodiacal. A fofoca sobre Saori ter permitido a estadia de certos cavaleiros de bronze no Santuário chegara tão rápido em seus ouvidos, que Seiya o arrastara de mala e cuia para junto de Athena.
Nem passou por sua cabeça reclamar, afinal tinha bons motivos para estar ali, naquele fim de mundo. Mesmo a viagem sendo em companhia de Shun e Hyoga, tinha aquele chato do Seiya que falava pelos cotovelos! Felizmente demoraram pouco tempo, no jatinho particular da Fundação, mas fora extremamente entediante e longo ir até a Grécia daquela vez.
O mais estranho, porém, era ver a casa de Áries vazia e abandonada com a exceção de Kiki, que veio recebê-los com um largo sorriso. Seiya parecia tão saltitante de felicidade que dava náuseas e ficou realmente feliz ao ver Pégasus subir sem esperar pelo anfitrião da primeira casa – o que não é muito recomendável, mas devido aos atuais acontecimentos, Seiya não correu nenhum risco de vida (que pena...).
– Espero que Aldebaran ache que ele é um inimigo ou que Máscara da Morte pendure a cabeça dele na parede dessa vez...
– Shun! – Repreendeu Hyoga com um sorriso nervoso nos lábios.
– Ah, é sério Hyoga, eu não agüentava mais a faladeira dele – "nem você e nem ninguém", pensou consigo.
Talvez Andrômeda estivesse um pouquinho diferente do que fora no passado, mais extrovertido, falante... Poderia ser a convivência exagerada com Ikki ou a idade avançando, não saberia dizer. Fosse o que fosse, fizera-lhe muito bem. Ninguém gosta de um garoto chorão.
– Mestre Mu ta ocupado – Kiki informou com outro largo sorriso.
– Com a minha armadura, Kiki? – Perguntou esperançoso, Mu estava demorando demais dessa vez para consertá-la.
– Não... Com o Aioria mesmo – discrição não era um ponto muito forte no caráter daquele rapaz. – Se quiserem podem ir subindo, digo ao Mestre que vocês passaram por aqui.
Shiryu não ousou fazer mais perguntas, aquele moleque poderia entrar em muitos detalhes, que não estava disposto a ouvir agora. Então, seria mais prudente subirem, os três, sem comentar o assunto.
– Você vai para a casa de Kamus, Hyoga?
– Não sem antes falar com Saori – o loiro sorriu para Shun de forma significativa e nem um pouco discreta – e você, Shiryu?
– Eu não sei, pensei em dar um alô ao Shura.
– Hum... Vai ficar na casa do espanhol? – Desde quando Shun era tão questionador e indiscreto sobre a vida dos outros? A convivência com Ikki poderia não ser algo muito bom, mas nesse ponto, Ikki não tinha influência, a indiscrição poderia ser fruto da convivência com Hyoga mesmo. Era de se admirar a falta de filtro que aquele menino tinha.
– Não, vou apenas dar um alô! Será que vocês não pensam em outra coisa?
Não. Os hormônios fluíam com intensidade e ocupavam constantemente aquelas duas cabecinhas jovens com assuntos nada puros. Shiryu não podia culpá-los, ele próprio não tinha sido poupado pela idade conflituosa – todo mundo tem que passar por situações constrangedoras.
– Fico por aqui.
Os três pararam na casa de Virgem, de onde podiam ouvir a voz alta e grave de Ikki no andar superior proferindo juras de morte a Hyoga.
– Meu irmão quer te matar de novo, Hyoga. Que educado – Shun comentou com um sorriso forçado e beijou o cavaleiro loiro na boca, mesmo isso sendo totalmente incomum.
O chinês encolheu os ombros, desacostumado com aquela demonstração de afeto tão explícita entre os dois e acenou com a cabeça quando Andrômeda despediu-se e subiu as escadas para a casa de Shaka. Ele e Hyoga continuaram, subindo ainda por Libra, Escorpião, Sagitário...
– Hyoga, se importa se eu perguntar que bicho mordeu o Shun?
– Não faço idéia, só sei que ele voltou assim do Inferno. Não reclamo, sabe? Antes ele era tão inibido, agora ele quase me ataca – o russo sorriu malicioso e parou no patamar da casa de Capricórnio.
– Sem detalhes, Hyoga – o outro pediu parando ao seu lado.
Não era, exatamente de seu interesse, saber o que o amigo fazia ou deixava de fazer. A quem ele tentava enganar? É claro que queria saber de detalhes, mas não agora, havia uma coisa mais interessante na décima casa zodiacal.
Shura comia uma maçã, sentado encostado a uma pilastra, sem camisa e com os cabelos bagunçados na medida certa. O russo piscou um olho para o Dragão e dirigiu-se para Aquário, dando um aceno de cabeça ao guardião de Capricórnio.
– Você também veio para ficar, Shiryu?
– É... Acho que sim.
– Achei que só os moleques viriam para treinar com os outros dourados.
O espanhol se levantou do chão e se aproximou sorrindo para apertar a mão do garoto. Shiryu não conseguiu evitar secar aquele corpo perfeito, mas logo se recompôs e devolveu o cumprimento com um breve sorrisinho.
– Eu não podia perder a chance de ver a cara do Shaka ou a felicidade do Kamus – ele comentou displicente largando sua mala no chão. Em outras palavras estava ávido por saber das últimas fofocas, mas infelizmente ainda não conseguira contatar Mu.
– Eu te entendo. Também estou ansioso por isso. E sabe... Kamus brigou com Milo.
– Coitado do Hyoga.
– É... Será interessante. Quer subir?
– Depende. Afrodite está aí?
– Não... Ele ta na casa dele... Brigou com Máscara da Morte.
Todo mundo brigava nesse Santuário dos infernos? Parecia que sim. E a única pessoa normal, ou anormal, dali seria Shura. Ele nunca brigava com ninguém e preferia se manter longe das confusões conjugais e fraternas de seus temperamentais amigos.
Por outro lado Shiryu estava bastante convencido de que na realidade o espanhol tinha era a maior preguiça do mundo de dizer qualquer coisa, mas cuidava da vida de cada um ali sem sair de seu canto. Um verdadeiro fofoqueiro. Não que o Dragão fosse muito diferente disso. É, esses dois são iguais.
– Então aceito o convite.
Certamente tivera esperanças de que aquela cena acontecesse, enquanto estava no avião tentando pensar em qualquer coisa diferente do falatório de Seiya. Shura sozinho em casa o chamando para subirem ao segundo andar... Afrodite em casa totalmente deprimido sem amolar a vida do espanhol. Perfeito. Bastava saber aproveitar a chance.
Assim que entraram pela sala, Shiryu largou sua mala em um sofá e sentou em outro, enquanto o espanhol largava a maçã e perguntava educadamente se ele queria algo para beber.
– Não, obrigado, Shura.
– Então me conte – o espanhol sentou-se ao lado de Shiryu – Como foram os treinos com Dohko nesses anos?
– Bons. O de sempre, você sabe... Só que dessa vez ao invés dele ficar sentado na cachoeira ele ficava no quarto com Shion...
Sua expressão divertida fez com que Shura risse sem se conter. Mestre Shion e Mestre Ancião... Oh Zeus! Que pecado era fazer piada com a vida desses dois veteranos, iam acabar no inferno... De novo.
– Ao menos esses dois estão se dando bem.
– Não me diga... Ou melhor, me diga. Como andam as coisas?
Capricórnio deu um sorriso largo, a fofoca era a melhor parte de encontrar velhos amigos. E Shiryu se encaixa entre seus amigos que lhe davam mais prazer durante esse tipo de conversa.
– Afrodite brigou de novo com Máscara da Morte, Kamus hoje de manhã subiu a escadaria quase congelando os mosquitos e Shaka você deve ter ouvido, né?
– Ele e Ikki brigaram por causa de Hyoga...
– Sim. Como sempre. Mais cedo vi Aioria descer. Daqui a pouco ele volta com a roupa rasgada, alguns chupões e cara de quem brigou de novo com Áries. Eles são todos muito previsíveis.
O Dragão riu concordando. Também era capaz de fornecer a qualquer um os horários e hábitos dos amigos.
– E você, Shura?
– O quê?
– Você toma conta da vida de todo mundo, mas... O que faz da sua?
O espanhol pensou bem sobre a pergunta. Sabia como respondê-la, pois ele esperava que alguma coisa mudasse naquele relacionamento ali, não queria se mexer pra tentar nada, apesar de saber que deveria. E agora, naquele instante, sabia ser o momento de dizer algo.
Ele olhou bem fundo nos olhos de Shiryu, que ainda sorria. Seu corpo inteiro estava formigando de vontade de agarrar aquele garoto e possuí-lo, mas só faria isso com consentimento, afinal ele era diferente daqueles outros cavaleiros dourados que pegavam o que queriam, quando queriam e sem dar satisfações a ninguém.
– Então... Eu – seus olhos se prenderam nos lábios rubros do chinês, depois no nariz fininho, nos olhos verdes. Seu cérebro parou de funcionar, por que Shiryu estava olhando assim pra ele?
– Então o que, Shura?
O Dragão se aproximou, sentando mais perto no sofá. Uma das mãos foi pousada justamente sobre a coxa do cavaleiro dourado e agora o menino esperava ansioso, encarando o outro.
– Então – Shura refletiu sobre o que iria dizer e pensou melhor – então... Quantos anos você disse que tinha?
Shiryu ergueu uma sobrancelha sem entender aquela conversa, mas respondeu a pergunta. Dezesseis, dezessete em Outubro. E aonde aquele espanhol queria chegar com isso?
– Hum... Dezesseis... Você não é um pouco novinho pra mim?
O chinês continuou com a mão firme e forte na coxa do outro, não ia dar pra trás agora. Encarou o capricorniano com coragem e acenou negativamente com a cabeça. Novinho coisa nenhuma, era até bem maduro para sua idade se comparado aos outros guerreiros de bronze.
– Pois eu acho.
– E faz diferença? Eu não me importo com isso e sinceramente nem quero pensar sobre. Vamos esquecer esse fato – o rapaz virou o rosto e beijou o cavaleiro dourado, sem perguntar se podia ou devia, somente invadiu a boca de Shura, levando suas mãos à nuca deste.
E Capricórnio, que pretendera resistir à sua tentação, acabou desistindo de seus planos e agarrou Shiryu quase pelos cabelos, ao aprofundar o beijo de forma agressiva. Suas mãos percorreram rápido o corpo do cavaleiro de bronze, parando a centímetros do cós da calça que ele usava.
– Hum... Espera – o chinês separou-se do beijo, retirando a franja da frente dos olhos, sorriu malicioso e continuou – a gente pode continuar isso no quarto?
– Como quiser...
Talvez isso fosse um pouco errado, pois a última coisa de que precisava era magoar Shiryu, mas ao mesmo tempo não podia negar a seu corpo algo que tanto queria ter. Que fosse, tinha tanto maluco naquele Santuário, mais um desentendido com a vida não faria assim tanta diferença. Além do mais acidentes acontecem e a fofoca podia ficar pra depois.
Continua...
OoOoO
No próximo capítulo: Cavaleiros de Bronze no Santuário e uma surpresa de cair queixo vinda de Shun resumem um dia movimentado na vida de Andrômeda. Capítulo 7: Ar X Terra.
N/A: É isso gente. Perdoem-me por ter demorado tanto (tava desde sábado tentando postar), esse semestre tem sido particularmente uma bela "droga" pra mim e estou inclusive com problemas de saúde. Mas pra tudo tem remédio e aqui estou eu com outro capítulo, que eu acho que nem foi betado, mas eu dei uma corrigida.
No próximo... Bem, vocês devem adivinhar pelo titulo e pelo único casal que está faltando, que será Shun e Hyoga, meus garotinhos lindinhos. Acho que todos vão achar... Interessante a transformação de Andrômeda.
Beijos a todas essas pessoas lindas que me mandaram review e que esperam pacientemente as atualizações.
