Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, se fosse assim eu mataria o Seiya! Enfim, tudo que todo mundo já sabe... Essa fic não tem nenhum fim lucrativo, apenas escrevi por diversão.

Boa leitura!


Capítulo 8: O Necessário e Inevitável

Já passava das onze horas e ele ainda não tinha uma pista sobre o que fazer com seu problema. Sabia, contudo, que deveria dar um fim àquele silêncio que além de matar, conseguia deixá-lo nervoso e cada vez mais ansioso.

Como chegar até ele? Parecia, inesperadamente longe agora, as escadas lhe eram exaustivas e intermináveis e seu sofrimento só piorava as coisas.

– Por Zeus! São apenas três casas...

Mas ainda assim, três longos e cansativos lances de escada e possíveis irritantes cavaleiros no caminho. Talvez a dor não fosse algo tão ruim quando se acostumasse a ela e então os degraus que o separavam dele seriam fáceis de enfrentar.

– A quem quero enganar? Não posso viver brigado com meu melhor amigo. – ele falava sozinho, como se esperasse alguém responder – Eu gosto dele! Sim! Gosto muito!

E gostaria ainda mais se ele não fosse tão teimoso, chato consigo mesmo e perfeito! Esse era o problema. Perto dele não se achava o melhor do mundo, pois simplesmente não era. Ele lhe mostrava a verdade pura e simples, sem rodeios, como ninguém mais fazia. E acima de tudo ele o obrigava a aceitá-la.

Não dá para não se apaixonar por alguém assim, que o faz ser exatamente como gostaria de ser. É uma pessoa como qualquer outra, mas que quanto sorri consegue ser a mais especial do mundo inteiro. E ele sabia não poder se separar nunca dessa pessoa, nem por essas duas horas, que dirá por uma vida.

– Eu nem sei como agüentei as duas horas.

É hora de se levantar, tomar um banho, vestir uma roupa, ou quase nenhuma, e percorrer a distância que os mantinha separados. De repente ela não era assim tão grande.

– Certo! Finalmente vou fazer algo de bom para mim, afinal é o desejo de Athena que nós tenhamos uma vida boa e foda-se quem achar que não!

Não sabia dizer quando deixara de se importar com a opinião dos outros, talvez fosse a influencia dele. Ele jamais deixaria de ser feliz por causa das opiniões alheias.

– É isso. Eu vou até lá!

Então ele se arrumou, colocou uma calça, uma blusa e desceu as escadas. Nunca lhe parecera tão estupidamente horrível ficar em casa e a tristeza do vazio e silêncio conseguira deixá-lo irremediavelmente ansioso e agoniado.

Os primeiros degraus foram os mais difíceis de vencer, mas após passar pela primeira, das três casas, encontrou-se mais forte e mais seguro para seguir adiante. Na terceira ele respirava com dificuldade, mas não pelo exercício, pelo medo de fazer o errado.

– Não dê meia volta. Só mais alguns passos. – ele murmurou para si.

Subiu as escadas, vencendo seu medo, para o segundo andar e encontrou, não o que esperava, mas algo que abalou sua segurança. Dois adolescentes se beijavam e riam de sussurros ao pé do ouvido, no sofá, enquanto a televisão falava sozinha.

– Vocês chegaram. – comentou, entrando.

– Oi, Milo! – Hyoga ficou meio sem jeito e afastou gentilmente Shun para fechar sua camisa.

– Olá, Milo. – o rapaz de cabelos esverdeados também o cumprimentou.

– Oi.

O grego adentrou a sala, tentando não encarar os dois tarados com hormônios em ebulição. Perguntava-se onde estaria o dono da casa, que permitira aquela agarração bem em sua sala de estar.

– Mestre Kamus está lá no quarto, disse que não se sente bem. Vocês brigaram?

– Como? – Milo não acreditou que o pato estivesse lhe perguntando algo assim.

– Desculpe, mas ele só fica assim mal humorado quando perde algo ou quando briga com você.

– Vocês não deveriam estar treinando? – o olhar acusador de Escorpião fez Hyoga desligar a televisão e levantar-se com Shun.

– Meu mestre está deprimido e o Shaka ainda está tentando convencer Ikki a não me matar. – o loiro sorriu – Mas vou deixá-los a sós. Era só pedir.

Milo estreitou os olhos e rangeu os dentes, mas abriu espaço para que os dois cavaleiros de bronze passassem e deixassem a sala. E uma vez sozinho, ele foi até o quarto do francês, entrando sem bater.

– Você devia dar mais educação ao... – o grego parou de falar ao ver o outro esconder algo debaixo do travesseiro e olhá-lo com cara de culpado – Má hora?

– O que veio fazer aqui?

– Vim me desculpar com você. – o escorpiano voltou a fechar a porta e sentou-se na beirada da cama.

– Já se desculpou?

– Não! – Milo alterou o tom de voz, nervoso – E eu não desculpo você, mas te perdôo, porque você é meu amigo e eu te amo. Por isso, eu odeio quando você se isola do mundo para não sofrer, mas ao mesmo tempo quer desesperadamente fazer parte da vida.

Oh! A verdade! Crua e fria, apunhalando-o direto no coração. E mesmo que não quisesse deveria encará-la, se não por si, por Milo ou Hyoga.

– Vamos, Kamus. Encare o problema de frente, como fez com seus inimigos no passado e eu vou te ajudar a superar.

– E como isso deveria me ajudar?

– Pensa que eu não sei o que você pensa? Eu sei exatamente o que te preocupa e o que te faz falta na vida. Isso existe dentro de todos nós, mas alguns já resolveram o problema. Acredite, não é difícil.

– Então suponho que você pode me dizer o que é e como resolver?

Kamus estava resistindo mais do que pensara em aceitar a realidade, mesmo assim o grego não desistiu, puxou as mãos do amigo, guardando-as entre as suas. Os olhos do aquariano tremeluziram e ele os desviou rápido, encarando algum ponto da parede atrás de Milo, como se temesse ser descoberto.

– Sim. É só amor.

– Como?

– O que falta é um amor. Não um qualquer. Amor puro e genuíno. E isso não te faltaria nunca mais se você se abrisse mais e permitisse que eu me aproximasse.

Kamus ficou pálido e frio, seu cérebro processando rápido aquela nova informação, tentando com todas as forças descobrir o que significava. O grego lhe sorria calma e gentilmente, sereno e lindo, ainda segurando com tanta delicadeza suas mãos geladas.

– A escolha é sua, claro. Mas peço que considere meus sentimentos por você como algo forte e verdadeiro.

O escorpiano levantou-se, soltando as mãos do amigo e se inclinou, tocando os lábios rubros do francês com os seus. Virou-se para sair, sem esperar ou querer ver a reação do outro.

– Milo...

– Sim?

– Que sentimentos?

– Pense um pouco e você irá descobrir – respondeu sem se virar e saiu do quarto, fechando a porta ao passar.

Seu coração batendo apressado desesperadamente. Saiu rápido de Aquário, imaginando o quão difícil fora vencer aquela distancia, mas que fora ainda mais dizer aquelas coisas para Kamus e ver o choque se estampar naquelas olhos azuis misteriosos.

– Foi... – ele sorriu descendo a escadaria – apenas o necessário e inevitável.

Continua...

OoOoO

No próximo capitulo: Afrodite e Máscara da Morte precisam resolver o mal-entendido ou ficarão em cima do muro para sempre? Capítulo 9: Entendendo-se com o Mal-entendido.


Nota da autora: eu sempre volto gente. Agora, o capítulo que se segue a esse é um probleminha, porque não está escrito... Vou ver o que faço com ele.

Bejus.