Bleach não me pertence XD Ele é única e exclusivamente de propriedade de Tite Kubo!

Obrigada pela review Danoninho! E aqui está um novo capítulo, para o seu deleite:D


CAPÍTULO 2: AMIZADE E SOLIDÃO

Algumas horas depois, no intervalo, Hisana procurou se manter afastada de todos. Segurava o pulso esquerdo, que ainda doía da queda que levara logo cedo.

– Ta, ta, ta...

Notara que a vida de estudante na Academia não seria nada fácil. Teoria, aulas práticas, avaliações, tudo seria muito puxado. Mas, se ela realmente quisesse alcançar as suas metas, o preço a pagar era bastante razoável.

– Droga de carruagem! Me assustou tanto que eu caí e agora nem consigo mexer meu pulso! Ainda bem que sou destra!

– Falando sozinha, Inuzuri–san?

O susto que Hisana levou a fez pular. Tapou a boca com as mãos para evitar que um grito escapasse. O coração parecia querer sair do peito.

– U–U–Unohana–san?!

– Ah, desculpe–me se a assustei. – disse Unohana, sorrindo.

– Não, eu é que me desculpo pela indelicadeza. Estava distraída...

Unohana notou que Hisana segurava o punho. Sentou–se ao lado dela.

– Você se machucou?

– Ah... – Hisana se sentia um pouco desconfortável – Sim, foi logo cedo...

Unohana tirou algo da manga de sua camisa e entregou para Hisana. Era um pequeno pote de pomada.

– Esse remédio é uma herança de família. Sara qualquer coisa, de simples batidas até ferimentos profundos.

– Não, eu não posso...

– Pode sim. Seu pulso está ficando inchado e se não tratar logo, vai se tornar um problema – insistiu Unohana, com um sorriso nos lábios.

Hisana não teve como dispensar. Seu pulso estava ficando realmente inchado.

– Como foi que se machucou? – perguntou Unohana.

– Bah, estava andando na rua quando uma maldita carruagem passou raspando por mim. Com o susto, caí no chão e dei um mau jeito nesse maldito pulso.

Unohana não pôde segurar um sorriso.

– Você se assusta muito fácil...

E pela primeira vez em muito tempo, Hisana sorriu. Um sorriso tímido, disfarçado, mas um sorriso. Unohana seria sua melhor amiga dali por diante.

Próximo ao lugar onde as duas estavam, um rapaz as observava.

Enquanto a atenção de Hisana se voltava para as massagens no pulso, Unohana olhou para trás. Reconheceu a figura escondida de Byakuya e sorriu. O jovem, percebendo que fora visto, se afastou.

– Eu vi como você agiu com aquele nobre hoje... Kuchiki Byakuya–sama...

Hisana parou um momento de massagear o pulso, mas logo retomou.

– Apenas um esnobe. – disse sem rodeios – O tratei como merecia. Apenas isso.

Unohana riu. Hisana realmente era alguém com opiniões bastante firmes.

Quanto tempo isso duraria?


Na volta para casa, na carruagem, Byakuya não conseguia parar de pensar naquela menina.

"Como é mesmo o nome dela?" tentava lembrar, colocando a mão no queixo "Inu... Inuzu... Hisana... Inuzuri Hisana"

– Disseram–me que uma estudante tratou–lhe mau hoje, Byakuya–sama – disse um senhor idoso, de cabelos brancos e óculos, interrompendo os pensamentos do jovem.

– Não fui maltratado – retrucou Byakuya, tentando parecer frio – Apenas fiquei tempo demais na mesa de matrícula, atrasando os que estavam na fila.

– Mesmo assim, essa pessoa deveria demonstrar mais respeito com quem lhe é superior.

O rapaz calou–se. Não adiantaria justificar, o pensamento arcaico daquele senhor não mudaria.

Ele olhava pela janela da carruagem e aquela paisagem imutável da Sereitei era reflexo do pensamento de sua família. Seus pais haviam morrido há alguns anos, mas com certeza a atitude deles não seria diferente. E saber disso só aumentava a sensação de vazio no coração do rapaz. Mas...

Byakuya fechava os olhos e a imagem de Hisana surgia clara em sua mente. Quem o observava pensaria que ele estava apenas cansado, mas a verdade é que ele repassava mentalmente todos os momentos em que passou olhando–a de longe. Percebera que ela preferia se manter afastada dos outros, provavelmente numa tentativa de defender–se de possíveis preconceitos contra a sua origem. Viu as inúmeras vezes que ela levou a mão direita ao pulso esquerdo, cada vez mais inchado. E, quando conseguiu reunir coragem para se aproximar e desfazer qualquer impressão errada, viu sua chance ir embora com a chegada de Unohana Retsu. E tudo o que pôde fazer depois foi olhar. Mas não contava que Unohana perceberia a sua presença. Pelo menos, ela foi discreta e nada contou para Hisana.

Quando chegou à mansão, Byakuya foi direto para o quarto. Da janela podia ver o crepúsculo tingindo o céu com a cor do pêssego. E sozinho em seu quarto, com a certeza de que ninguém o escutava, ele pôde pronunciar o nome daquela que o impressionara.

– Hisana...

Lembrou do sorriso tímido dela.

– Naquela hora... por um momento... desejei não ser eu mesmo...


Já era noite. A lua cheia reinava no céu.

No sorteio dos quartos do alojamento feminino, Hisana e Unohana ficaram no mesmo quarto, juntamente com mais duas garotas, Misuno e Asamoto. Depois de muita conversa – onde Hisana pouco falou – todas foram dormir. Hisana, dormindo, se remexia na cama e isso chamou a atenção de Misuno e Unohana.

– Ela está suando muito – sussurrou Misuno – Provavelmente é um pesadelo. Será que devemos acordá–la?

– Não – respondeu Unohana, preocupada – Não é bom acordar alguém de sobressalto. Mesmo que seja um pesadelo, ela acabará acordando. Vamos voltar a dormir.

E enquanto as duas novamente fechavam os olhos, Hisana sonhava...

Sonhava com um grande estrondo, uma tempestade de neve, uma mulher de branco... e um choro de bebê.


Continua


Notas:

Procurei informações mais profundas de Byakuya e numa delas dizia que ele se apaixonou perdidamente por Hisana e foi capaz de romper tradições familiares só para tê–la em seus braços e amá–la livremente. Amor à primeira vista? Talvez. Mas foi pensando nessa hipótese que tive a idéia para este fanfic. Não há mais nenhuma informação no mangá além do capítulo 179. Nem mesmo capítulo extra ¬¬

Às vezes o Kubo me decepciona...

Se gostou, mande review! XD