Bleach não me pertence XD Ele é única e exclusivamente de propriedade de Tite Kubo!

Obrigada pela review, Danoninho,Thatha,Yuu e Lady Valium. Aqui vai o presente de ano novo atrasado!

Pra quem ainda lê minha outra fic, um aviso: eu não a abandonei. Está demorando porque estou com dificuldades em continuá–la, hehehe... ú.ù


CAPÍTULO 3: PRIMEIRO OLHAR

Estava no trem e de repente ouviu um grande grito. Depois o trem descarrilou. Muitos morreram. A tempestade de neve estava forte, os flocos mais pareciam agulhas atingindo seu corpo. Um choro de bebê interminável. "Eu preciso levá–la para um lugar quente", pensava Hisana obsessivamente. E lá longe, no alto de uma montanha, uma jovem vestida de branco, de longos cabelos também brancos e olhos muito azuis, fitava–a:

Por que você chora, Hisana?

Hisana não havia se dado conta de que chorava. Entretanto, suas lágrimas, com o frio, haviam se transformado em gelo.

Por que você chora, Hisana? – perguntou mais uma vez a jovem de branco.

Não sei. – respondeu finalmente.

Mas quando olhou na direção daquela mulher, percebeu que não havia ninguém lá.


Seis meses se passaram.

Hisana estava parada no corredor, com os braços no parapeito de uma janela, observando o movimento dos alunos. Deveria estar feliz, suas notas na primeira avaliação semestral a classificara entre os vinte melhores alunos da classe. Mas não era isso que a estava incomodando.

Ela passava a mão no rosto, como se limpasse lágrimas.

"Por que você chora, Hisana?"

"Eu não sei", pensava em resposta. "Talvez porque fiz uma coisa muito errada e essa culpa é pesada demais. Mas por que, naquele pesadelo, minhas lágrimas congelam? Será que a culpa que sinto não é culpa?"

Hisana balançava a cabeça. "Não. Isso é impossível."

Como o dia seria de folga, Hisana resolveu passear ao invés de voltar para o alojamento, como sempre fazia. Procurou pelas colegas de quarto para acompanhá–la, mas não as encontrou. Pensou em adiar o passeio, mas logo decidiu ir sozinha mesmo. Talvez absorver–se em pensamentos a ajudaria a descobrir as respostas às suas dúvidas. Quem sabe? Havia um campo de flores próximo ao primeiro distrito do Rukongai. Poderia ir até lá e colher algumas, enfeitar o quarto com elas... Há muito que sentia vontade de ir até lá, porque adiar mais uma vez? Caminhar até lá faria bem à sua alma inquieta.

E assim foi.

O sol da manhã estava ameno, o clima perfeito. O campo de flores era realmente lindo. Algumas alunas da Academia estavam por lá, o que desapontou um pouco Hisana. Esperava uma campo deserto e eis que ali estavam mais ou menos cinco pessoas!

Hisana suspirou. "Pelo menos não são da minha classe", pensou. Não suportaria conversar com alguém, no seu atual estado de espírito. Na sombra de uma árvore encontrou um lugar para observar a paisagem, que era linda!

Havia um pequeno rio que atravessava o campo. A água era transparente e convidativa, e a jovem teve vontade de tirar as sandálias e mergulhar os pés ali. E o fez. A água estava fria, era tão bom, o cheiro de flores, o cantar dos pássaros... Hisana fechou os olhos e balançou graciosamente a cabeça de um lado para o outro, procurando esquecer toda a sua inquietação. Mas sua quase meditação foi interrompida pelos gritinhos abafados mas agudos das garotas que ali se encontravam.

– Vejam! É Kuchiki Byakuya–sama! – ouviu uma delas dizer.

Inconscientemente, Hisana abriu os olhos.

– Nossa, ele é muito bonito! – disse uma das moças, apontando disfarçadamente para o outro lado do rio.

Instintivamente, Hisana voltou seus olhos para onde a garota apontava. E sua respiração, por um momento, desregulou.

Um rapaz alto, de presença imponente, cabelos negros até os ombros, presos por um kenseikan, com mechas caindo sobre o rosto, de pele branca e roupas de tecido fino caminhava pela margem oposta ao rio. Hisana ainda não havia reparado em Byakuya. Todo aquele tempo estudando na mesma classe e sequer fitara aquele rosto por um momento. A sua raiva por ele a havia cegado no primeiro dia de aula. E agora... era como se aquela paisagem trouxesse a luz novamente para os seus olhos.

– Realmente, esse eu queria para mim! Ele é lindo demais! – exclamou o grupo de garotas.

"De fato ele é...", pensou Hisana, sem conseguir tirar os olhos dele. E, de repente, os olhos de Byakuya encontraram os seus.

O coração de Hisana parou com aquele primeiro olhar. Suas mãos ficaram frias, o rubor subiu–lhe à face e o primeiro impulso dela foi levantar e correr o mais depressa possível para o mais longe daquele lugar.

"Por que estou correndo? Por que me sinto tão estranha? Eu o odeio. Eu jurei odiá–lo por toda a minha vida!" pensou a jovem, cada vez mais vermelha. "Mas aqueles olhos... Aqueles olhos... Meu Deus! É como se tivessem abraçado o meu coração!"

E correu e correu, só parando quando estava às portas do alojamento.

– Inuzuri–saaan! – gritou Asamoto – Onde você estava? Estávamos te... Ei! Por que você está carregando as suas sandálias? Hein? O que houve? Você está ofegante!

– Não foi nada! – respondeu Hisana, rápido – Apenas corri demais!

– Mas o que foi? Você está vermelha...

– Na–na–na–Nada! Eu corri demais, só isso!

– Bom... Eu ia te convidar pra ir num campo florido que tem no primeiro distrito, mas já que você está assim, é melhor você descansar.

– Concordo plenamente! – respondeu a garota, ainda ofegante. – Outro dia vou com vocês!

E subiu para o quarto. Foi até a mesa, onde estava uma jarra com água e uma bacia, e lavou o rosto. Mirou–se no espelho, a face molhada, os olhos fixando–se no reflexo. "O que aconteceu?", pensava Hisana, tremendo. "Eu devia ter mostrado a língua, jogar uma pedra nele, virado as costas! Mas não! Corri como se... como se..."

Não foi capaz de terminar a frase. Jogou mais água no rosto e o estapeou.

"Eu... não entendo..."

Suas pernas estavam tão bambas que ela se sentiu obrigada a ajoelhar–se.

"O que está acontecendo comigo, meu Deus?"


Por essa Byakuya realmente não esperava.

Decidira caminhar por aquele campo florido naquele dia, aproveitando a folga. Foi fácil despistar seus criados, porque conhecia um atalho. E como ficou desapontado em ver o bando de estudantes que estavam ali! Naqueles seis meses, para o seu desgosto, tornara–se muito popular. Era estranho, toda vez que caminhava pelos corredores, as garotas o olhavam de uma maneira que não o agradava. Risinhos, comentários; tudo aquilo era maçante. E a única pessoa que ele queria despertar a atenção sequer o olhava nos olhos... Até aquele momento.

Foi sem querer que os olhos de ambos se encontraram; Byakuya não conseguiu evitar que seu coração disparasse ao fixar–se naqueles olhos violetas. Por um momento, pensou que a reação de Hisana seria a mais indiferente possível. Entretanto, aconteceu o contrário: ele viu o olhar de espanto dela, o rubor em sua face, e o instante em que se levantou de repente, fugindo dali o mais depressa que pôde, tropeçando, escorregando, como se ele fosse alguém a ser temido.

O rapaz ficou sem entender nada. Ele foi embora do lugar e quando estava bem distante do campo, começou a rir. A reação dela fora engraçada. Era a primeira vez que ela o olhava diretamente, disso tinha certeza. O rosto dela naquela hora, de total surpresa... Era uma das muitas imagens que ele guardaria em seu coração.

Quando chegou em casa, em vez de ir para a sala de estudos, foi para o jardim. Lá havia uma roseira com um único botão, que aflorou naquele mesmo instante. Byakuya aproximou o rosto e inalou o perfume da flor, pensando no ocorrido. Tocou suavemente na rosa, como se as pétalas fossem o rosto de Hisana.

– A cada dia você me impressiona mais... – murmurou à flor, pensando em Hisana. – Um dia eu poderei tocar em você deste mesmo modo. Nem que para isso eu tenha que enfrentar toda a Soul Society...


Eram altas horas da noite, e Hisana não conseguia dormir.

O acontecimento daquela manhã marcara seu espírito de tal maneira que era só fechar os olhos e lembrar as feições de Byakuya.

"Realmente, esse eu queria para mim! Ele é lindo demais!"

A jovem revirava–se na cama e o sono não vinha. Finalmente, desistiu. Saiu do quarto sorrateiramente, para não acordar as outras, e foi para o pátio. A lua crescente estava linda. Mas o luar também lembrava Byakuya.

"Mas afinal, porque não consigo parar de pensar nele?" pensava Hisana com raiva, levando as mãos à cabeça.

Percebeu que alguém se aproximava. Era Unohana, trazendo uma bandeja com dois copos e um bule de chá.

– Está difícil dormir, não? – perguntou docemente. Hisana assentiu. – Tome. Vai te fazer bem e facilitar o sono.

A jovem tomou o copo das mãos da amiga e bebeu. Unohana sentou–se no chão, deixando a bandeja próxima. Notou que algo incomodava Hisana.

– O que foi? Asamoto–sama disse que você não estava bem hoje. O que aconteceu?

– Só... estou cansada. As provas foram muito puxadas...

– Eu avisei que você estava se esforçando demais. Todo esse tempo no quarto, estudando, recusando passear nas folgas...

Hisana ficou calada. Não queria falar do ocorrido naquela manhã, mas ao mesmo tempo, queria desabafar.

– Unohana...

– Hum?

– Você já...

– Eu o quê? – perguntou a amiga, percebendo o acanhamento de Hisana.

– ...Já jurou odiar alguém por toda a vida?

– Não. E nem pretendo.

– Por quê?

– Porque jurar odiar alguém por toda a vida é um passo para amá–lo pela eternidade.

O rubor novamente preencheu a face de Hisana. Amar Byakuya? NÃO! NUNCA!

"Mas..."

A garota olhou para o céu. E a imagem que a lua refletia era a dele.

"Eu sinto como... se eu tivesse... me perdido naqueles olhos..."

Em seu quarto, Byakuya, deitado na cama, observava a lua pela janela.

E em seus lábios, um sorriso enigmático brotava.


Continua...
Notas:

Uuuuuuh! Toda vez que escrevo as falas e as reações do Byakuya, eu estremeço. Será que ele era assim quando ele era estudante? Ele é tão frio agora... Parece estranho ele demonstrar tanto sentimento. Mas é assim que eu o imagino quando Hisana era viva. Se ele se apaixonou perdidamente por ela, então ela DEVERIA SABER FAZER ele demonstrar o que sentia. Lembram a imagem de abertura do capítulo 179? Aquele olhar dele para ela? E enquanto ele contava a história de Hisana para Rukia? ;D

Eu não acho a história de Byakuya e Hisana triste. O FINAL é triste, mas a história é linda. Ele enfrentou a família apenas para amar a mulher que ele escolheu. E a amou, casou com ela. Não concordo quando ela diz que "não pôde retribuir o amor dele no mesma medida". Se os cinco anos de casamento foram um sonho para Hisana, então ela foi feliz com ele e vice–versa. Talvez seja por isso que, cinco horas antes da execução de Rukia, ele abriu aquele armário onde estava a foto de Hisana, como para pedir perdão, porque ele sabia que ela estaria triste pela irmã – e por ele, principalmente. Mesmo depois de cinqüenta anos, ele sabe perfeitamente quais seriam as opiniões e sentimentos de sua amada. Eles são almas gêmeas!

Se gostou, mande review! XD