Capítulo Dois "BIP"

O sinal tocou.

Meu coração acelerou.

Normalmente, o horário do almoço era um dos mais rápidos do dia. É claro que isso acontecia apenas porque eu me divertia, porque eu ansiava para aquele horário não acabar. Porque eu o tinha para me fazer desejar mais um pouco.

Isso mudara.

Hoje eu demorara o máximo que podia para sair da sala, enrolando um pouco mais que devia para organizar meus materiais. O próprio professor de Literatura havia desistido de esperar por mim para ir almoçar.

Rose não fazia Literatura comigo, então eu tinha de me encontrar com ela no refeitório ou por algum dos corredores. Mas eu não queria ir ao refeitório. Não queria fazer qualquer que fosse a aparição pública. E eu não estava com fome... Não sentia fome. Ou talvez outro sentimento a escondesse.

Eu podia aguardar pelo início da próxima aula já na sala, bem adiantada. Algumas pessoas faziam isso, quando o almoço perdia a graça. Mas é claro que estas pelo menos comiam ou mordiscavam alguma coisa.

Eu sabia que se eu não fizesse o mesmo, a probabilidade de eu desmaiar em sala era muito grande, já que meu café da manhã não fora dos mais reforçados. Eu devia então fazer um esforço para ir até o refeitório e pegar uma maçã para pôr para dentro.

Eu o fiz.

Deixei a mochila perto do meu armário no corredor e abri a porta-dupla do refeitório.

E foi como se eu não existisse.

Ninguém me olhou, ninguém me cumprimentou, mas eu senti as conversas diminuírem de volume. Eu só tinha de ignorar. Eu não havia feito nada de errado.

Atravessei o refeitório e peguei uma das menores maçãs disponíveis.

– Ei, você. Demorou, Bella – reclamou Rose, vindo atrás de mim.

– Eu tinha de arrumar umas coisas pra a aula. E também... Rose, você sabe. – Encarei-a.

– Eu... O quê? Ah, Bella, faça-me o favor. Se quer um conselho, eu não deixaria nada disso me abalar, porque quem deveria estar com vergonha eram ele e a Jessica. Acho bom você não querer ficar se escondendo por aí por um motivo tão...

– Eu sei que não tenho culpa, eu sei que não fiz nada, eu tento colocar isso em minha cabeça direto, Rosalie – cochichei. – Acontece que os dois parecem tão mais seguros que eu.

– Não, não, Bella. De qualquer forma, você quer almoçar lá fora, não é? E almoçar algo de verdade, porque uma maçã não vai te manter de pé.

– Não sinto fome.

Rosalie me encarou com descrença, as sobrancelhas arqueadas.

– Um sanduíche.

Nós duas saímos do refeitório rapidamente. Rose me fizera pegar, além de um sanduíche, uma mini torta de limão e um copo de leite desnatado.

Como na hora em que o sinal havia tocado, no momento em que eu me encaminhava para um dos bancos do corredor do lado de fora do refeitório, meu coração acelerou.

Eu havia esbarrado em algo, e sentia algum líquido de espalhar por minha blusa, que ia grudando em meu corpo, como se eu estivesse extremamente suada. Mas eu não estava, e toda a comida que estava em cima de minhas mãos havia sumido.

– Ah... – Desculpa, eu já ia dizendo. Mas não disse, em vez disso, fiquei encarando a pessoa em quem eu havia esbarrado e derramado metade do copo de leite que carregava na bandeja, a outra metade estava derramada sobre minha blusa.

Rosalie me puxou para o lado, mas eu permaneci parada.

Jessica estava à minha frente, me encarando enquanto tocava a blusa encharcada. Seu olhar demonstrava raiva, mas um pouco de medo de dizer qualquer coisa. Ela suspirou e desviou de mim, fazendo um ângulo ao meu redor e seguindo reto. Ela não teria coragem.

Rose, ao meu lado, de braços entrelaçados com os meus, ficou calada durante todo o trajeto que fizemos até a sala de Biologia.

Se eu não vira Edward no refeitório – ou pelo menos não procurara –, eu o veria agora. E seria um tanto pior, já que eu usualmente fazia dupla com ele nos trabalhos de Biologia. Rosalie se ofereceu para dizer que queria uma aula experimental, mas eu sabia que aquilo não existia, então somente a dispensei, assim que o sinal tocou.

Respirei fundo e adentrei a sala.

Não demorou muito e a sala foi enchendo, até que o professor fechasse a porta e começasse sua aula. Edward sentara em sua cadeira de sempre, e eu tive de arrumar uma ao lado de uma garota que eu nunca falara na vida. Dei um sorriso para ela – que não foi retribuído – e tentei prestar atenção na aula.

Fizemos um trabalho com microscópios, então, ao final da aula, tudo estava uma bagunça. Rosalie apareceu em nossa sala assim que o sinal bateu e todos já haviam saído. Só estávamos eu, ela e o professor, que precisou sair para dar uma aula privada em outro lugar. Nos oferecemos para organizar a sala, já que não tínhamos nada a mais para fazer.

– O que você tá pensando em fazer hoje? Numa segunda-feira tão deprimente como essa? – perguntou Rose, quebrando o silêncio.

– Dever de casa – respondi. – Tenho que estudar Trigonometria para o teste da sexta-feira. Além disso, eu não estou com muita vontade de sair, Rose.

– Acho que você realmente deve deixar a poeira abaixar.

– Oi pessoas! – chamou uma voz conhecida.

Eu e Rose nos viramos para a porta, e vimos uma cabeça pequena e cheia de cabelos repicados. A menina com traços élficos. Alice.

– Oi Alice! – Fui até ela e a cumprimentei. Rose sentou-se em uma carteira e ficou esperando.

– Que vocês tão fazendo aqui? – perguntou ela para mim.

– Eu e Rosalie – indiquei-a com o braço – estamos ajudando a organizar a sala. O professor estava ocupado...

– Querem minha ajuda? Três cabeças funcionam muito melhor que duas! – ofereceu-se Alice.

– Não precisamos de cabeças, Alice – respondeu Rosalie, com um sorrisinho. – Nós estamos dando conta, se precisarmos da sua ajuda, nós falamos.

Virei-me para Rosalie, que abaixou o rosto e ficou encarando suas unhas recém-pintadas de vermelho das mãos.

– Tudo bem, então – disse Alice, sem muito se importar. – Vejo você por aí, Bella.

"BIP"

– Que...

Alice, que já estava passando pela porta, voltou-se para mim e Rosalie.

Rosalie tinha uma expressão confusa.

– Não foi meu celular que fez esse "BIP", ok?

– Foi o de quem, então? – perguntei. – Minhas coisas estão no meu armário.

Voltamo-nos para Alice.

– É, alguém deve ter esquecido, porque meu também não é – disse ela.

Rosalie deu um pulo e desceu da carteira, o cabelo louro e reluzente balançando no ar. Ela revistou algumas outras mesas e cadeiras, passou a mão por baixo de alguns móveis e engatinhou um pouco pela sala, até achar um mini aparelho celular prateado, que piscava.

– De quem será? – indagou Rose, abrindo-o.

Alice deu de ombros e saltitou até onde Rosalie estava mexendo no celular.

– A pessoa recebeu uma mensagem. Talvez dê uma pista de quem ela é – raciocinou Rosalie.

Fui até as duas e fiquei lendo por trás de suas nucas o que a mensagem dizia. Isso era errado, mas era melhor devolvermos o celular ao dono que deixá-lo sem celular por pura falta de curiosidade, o que não era verdade.

Rosalie clicou no botão de ler mensagens.

Jess,

Espero que o incidente da noite passada não nos abale. Quero você hoje à noite aqui em casa. Te adoro.

Edward

Mantive minha respiração presa por todo o tempo em que li a mensagem, e continuei com ela dentro de meus pulmões ao arrancar pela sala e sair pelos corredores, apenas pegando minha mochila do meu armário e me encaminhando rapidamente para minha picape.

Pus o pé no acelerador e rumei para minha casa. Meu lar. Onde nada nem ninguém poderia me fazer sentir pior do que já estava.

Toc, toc.

– Edward, querido, vocês vão se atrasar – informou a mãe de Edward, Esme, do lado de fora, sem abrir a porta.

Encarei Edward por breves segundos e dei um beijinho rápido em sua boca perfeita.

– Eu acho que devemos ir... Ou Esme pensará errado sobre mim – sorri, enquanto levantava-me juntamente com Edward e arrumava meu vestido, já um pouco amassado de tanto rolar pela cama.

Edward riu divertido. Sua beleza era estonteante.

– Ela jamais pensaria errado de você, Bella – disse, apenas.

Dei uma última olhada em meu anel novo, para checar se estava tudo no lugar, e se aquilo não havia sido apenas um sonho muito bom em que Edward era o objeto de desejo que quando acordamos sentimos um peso no coração por não tê-lo, por ter sido apenas um sonho.

Mas ao que deu a perceber, não era um sonho. Eu havia vivido o momento em que Edward havia me dado um anel cheio de significados tanto para ele, quanto para mim. Tudo aquilo havia selado nossa relação, nós éramos um do outro.

Então eu sorri. E ele percebeu.

Me deu um beijo na testa e segurou minha mão com delicadeza, mas com vontade.

Saímos do quarto juntos e demos de cara com Emmett, que vestia um terno roxo, uma calça roxa e um tênis preto. Ele tinha um boné quadriculado na cabeça e uma gravata que não combinava nem um pingo com sua roupa.

– Em, você está parecendo um palhaço – comentou Edward, mexendo com a mão que não segurava a minha no cabelo cor de bronze que tinha um cheiro delicioso e dando uma checada no espelho.

– Obrigado, Ed, era essa a intenção! – agradeceu Emmett ironicamente.

Esme, que aguardava no andar de baixo, deu um alto suspiro.

Nós três descemos juntos e encontramos uma mãe feliz e realizada. Ela tinha um sorriso encantador nos lábios bem desenhados. Levou a mão às bochechas de Emmett e as afagou. Ele ficou vermelhíssimo, e eu ri discretamente, junto com Edward.

Ela veio até mim e fez um sinal de aprovação enquanto examinava meu vestido.

– Edward realmente tem bom gosto – disse ela, seus olhos brilhando enquanto encaravam o filho.

Eu sorri e apertei sua mão mais forte. Emmett já saía da sala para pegar o carro que levaria Rosalie para a festa.

Assim que Esme nos deu os últimos votos para uma ótima festa, saímos da casa de Edward e paramos em frente à porta, onde nos encaramos mais uma vez, e mais uma vez a vontade louca de beijar sua boca não se conteve dentro de mim.

Joguei meus braços ao redor dos seus e beijei-lhe como se aquele fosse nosso último beijo. E não posso negar, Edward tinha um beijo que deixava qualquer um sem fôlego.

– Você é minha, e será minha até o dia em que enjoar da minha cara – disse ele, segurando-me pela cintura.

– Então serei sua para sempre – eu disse, somente, encarando-o intensamente.

– UUUUUUUUUUUUUUUUUUAAAAAUU! – berrou Emmett de seu jipe enquanto tirava o carro da garagem e acelerava pela rua.


Oie gente, obrigada pelas reviews : D Espero que tenham gostado desse capítulo!

Sandra Santos: Espero que tenha gostado da leitura, to continuando e fazendo o máximo pra não demorar : D Obrigada por ter adicionado a história às suas favoritas!! Bjs!

lenamansen: Ah, brigada pelos elogios, Helena : D Espero que tu realmente tenha gostado ok. uahauha vou tentar continuar com o mistério que voce tanto gosta : D Beijux =))

Julieanne C.: hahah very very sexy, huh? LOL -q tá tosca sim :( Anw, o que o Edward fez vem nos próximos caps, mas ja da pra voce ter uma ideia né! Beijuss espero que goste desse cap Julieanne ahaauhauh : D

Barbara: Brigada : D Espero q goste desse cap! : D Bjs!!!

Reviews! *o*