Bleach não me pertence XD Ele é única e exclusivamente de propriedade de Tite Kubo!
Agradeço às reviews de Dondeloth, Grapy Walker, Thaty Shinoda, Bella Tayoukai.Brigaduuuu!
Desculpem a demora, é que eu fiquei sem internet e ainda adoeci! ¬¬ Mas não se preocupem, eu já melhorei!
CAPÍTULO 4: MENTIR É FÁCIL DEMAIS
O outono se iniciava... As primeiras folhas começavam a cair.
Um espirro bem alto se ouvia num dos quartos do alojamento. Era Hisana.
Estudava com mais afinco desde o início do verão. Ficava horas estudando, quase não comia... estava mais magra, e como era pequena, Misuno e Asamoto caçoavam dela, dizendo que a qualquer momento ela sumiria.
Unohana era a mais preocupada.
– Você precisa comer. Assim vai ficar doente.
– Não, não estou com fome! – respondia Hisana, enquanto seu estômago roncava.
Gotas surgiram na cabeça de todas. Hisana estava roxa de vergonha.
– O que está acontecendo com você? – disse Misuno, séria. – De uns tempos pra cá, você passa o tempo todo nessa mesa, estudando. Está certo que quer se tornar uma das melhores da classe, mas desse jeito tudo o que conseguirá será...
Um espirro alto de Hisana interrompeu Misuno, que completou:
– ...Uma gripe.
Unohana pôs a mão na testa da amiga.
– Você está com um pouco de febre. Precisa descansar!
– Está tudo bem. Vou passar no ambulatório da Academia e tomar um remédio...
As três colegas de quarto olhavam para o rosto da moça.
– Francamente... – disse Asamoto – Para que esse esforço todo? Para que estudar tanto se o destino é a morte?
– Asamoto!!! – gritaram as outras duas.
– Bom – retrucou a outra, jogando uma mecha de cabelo para trás – mentir é fácil demais, principalmente para si mesma. Acha mesmo que nós sairemos daqui convencidas de que você sairá dessa cadeira e ir até o ambulatório se medicar?
Hisana ficou calada.
– Tudo bem querer se afirmar – continuou Asamoto – Mas levar isso até as últimas conseqüências vai te matar. Você está espirrando há dias e tudo o que você faz é voltar ao alojamento para estudar. Quando você dorme, fica gemendo, revirando na cama, respirando com dificuldade... Até o sensei notou que você está mais magra e doente. Toda a turma está notando, Inuzuri–san.
Asamoto abriu a porta e antes de sair, virou–se para falar mais.
– Ah, esqueci de dizer: Sagara–kun pediu–me em namoro!
– Não acredito! – disse Misuno – Meus parabéns!
– Vou me encontrar com ele agora. Vamos dar uma volta!
As duas saíram pelos corredores falando sem parar, os gritinhos de Misuno ecoando. Unohana olhou para Hisana, que tinha se voltado para os livros.
– Também vou precisar sair. Não quer que eu traga algum remédio do ambulatório?
– Não, não precisa. – respondeu Hisana, sorrindo – Asamoto e Misuno tem razão. Estou estudando demais e isso está afetando a minha saúde. Daqui a pouco vou ao ambulatório, não se preocupe...
O sorriso dela não convenceu Unohana. Mesmo assim, ela decidiu confiar na amiga e saiu.
Hisana suspirou. A verdade é que estudar mais que o costume foi o meio que ela encontrou de tirar Byakuya da cabeça. Desde aquele dia no campo de flores ela evitara ainda mais olhar diretamente para ele, porém não era mais por raiva ou despeito, e sim por medo de que alguém, principalmente ele, notasse o rubor em seu rosto.
"Droga!"
Desanimada, fechou o livro e recostou a cabeça na mesa. Suspirou.
– AAAATCHIM !!!
Realmente, ela precisava se medicar. Levantou, arrumou a mesa e saiu.
Espirros e mais espirros a acompanharam pelo caminho, até o pátio da Academia. Estava difícil respirar. Estava com frio também, apesar de sentir a pele fervendo em febre.
"Eu sou uma idiota!", pensava Hisana. "Se eu tivesse conseguido tirá–lo da minha mente, eu não estaria passando por essa situação..."
Enquanto caminhava em direção ao ambulatório da Academia, pelo corredor completamente vazio, a moça sentiu tudo girar. A visão enegreceu e cairia no chão não fossem dois braços fortes a ampará–la.
– Você está bem? – perguntou uma voz masculina, imediatamente reconhecida por Hisana.
Sim, era ele! Mais do que depressa, a jovem desvencilhou–se dos braços de Byakuya com toda a força que tinha naquele momento e teve que recostar–se na parede para não cair.
– Quer me matar do coração, seu estúpido idiota??? Sim, eu estou bem, obrigada, então suma da minha fren...
Ela foi interrompida pelas mãos de Byakuya tocando o seu rosto.
– Você... está com muita febre... Inuzuri–dono... – ele disse, estranhamente hesitante.
Hisana agradeceu aos céus por estar com febre, assim ele não notaria nada. Nervosa, ela novamente afastou o rapaz de perto de si e, tentando parecer mais raivosa possível, falou:
– E daí? É da sua conta? Por que não vai andar por aí, pra se mostrar importante? Deixe–me... em paz... você... eu... te odeio... porque...
O ar começou a faltar. Hisana levou as mãos ao peito, que parecia querer explodir. Caminhou três passos e caiu, amparada novamente por Byakuya, que a carregou nos braços.
– Eu a levarei até o ambulatório.
Hisana ainda quis se desvencilhar, mas se sentia fraca. Impossibilitada de recusar a ajuda, ela agarrou–se à camisa de Byakuya, e tentou se acalmar.
"Eu jurei te odiar! Então por quê?" pensava.
E as palavras de Unohana e Asamoto ecoaram em sua mente...
" Porque jurar odiar alguém por toda a vida é um passo para amá–lo pela eternidade."
"Mentir é fácil demais, principalmente para si mesma."
Lágrimas correram pelo rosto de Hisana. Byakuya percebeu isso, mas nada falou.
"Eu te odeio porque não consigo tirar você do meu coração!", pensou a jovem.
E talvez por estar imersa em seus próprios pensamentos, a jovem não percebeu o quanto o coração de Byakuya também batia acelerado.
Hisana teve que permanecer em observação. No restante do dia, as suas colegas de quarto foram visitá–la, e o quanto de bronca que a garota teve que ouvir de cada uma delas foi enorme. Disseram que ela estava procurando por isso, por não ter se cuidado, que ela deveria ter maneirado no estudo, etc. e tal, e só parou quando um dos enfermeiros, penalizado com a situação, delicadamente expulsou as três do lugar, com a desculpa de que a jovem precisava descansar.
– Mas voltaremos amanhã... – disse Unohana sorrindo.
Gotas e mais gotas surgiram da cabeça de Hisana ao ver o olhar da amiga. Unohana era quem mais a tinha aconselhado, daí o motivo daquele olhar. "Realmente, eu devia tê–la escutado!", pensou a moça, com frio na espinha. Depois disso, nem demorou muito a dormir.
Naquela noite, ela não sonhou com tempestade de neve, trem descarrilado, mulher de branco. Mas o sonho que teve foi igualmente estranho.
Como era noite de lua nova, o quarto estava quase totalmente escuro, a pouca luz que ali entrava se devia à iluminação dos corredores. Naquele estágio entre o sono e o despertar, ela sentiu dedos tocando delicadamente a sua mão direita. E como num delírio, ela sentiu aquela mão apertar com mais força a sua, e levá–la de encontro ao rosto de quem quer que fosse. Também sentiu lábios beijarem a sua testa e murmurar, quase inaudível:
– Você não me odeia... Eu sei. Vou esperar você parar de mentir para si mesma, Hisana!
"É a voz dele...", ela pensou. "Ainda bem... que isso é apenas sonho..."
Perto dali, mais propriamente no pátio da Academia, dois rapazes conversavam e um deles, aliás, era o enfermeiro que mais cedo estava no quarto de Hisana.
– Ninguém em toda Sereitei deve saber que estive lá, entendeu? Se caso vir a se tornar público, tanto você como eu teremos problemas.
– Entendi. Em todo caso, o senhor só esteve hoje cedo no ambulatório socorrendo uma estudante e mais nada.
– Obrigado. Realmente, muito obrigado.
– Não há de quê, Kuchiki–sama...
E quando o enfermeiro sumiu de vista, Byakuya abriu um sorriso. Um sorriso de felicidade.
– Agora sei que compartilhamos o mesmo sentimento... Hisana!
Continua...
notas:
Esses saltos no tempo podem parecer forçados, mas os acho importantes. Imaginar como uma garota forte e praticamente sem papas na língua lidou com essa confusão de sentimentos depois do capítulo anterior, me dá vontade de rir. Deve ter sido complicado! Aliás, uma Hisana forte e determinada sempre foi a imagem que tenho dela. Outro dia vi uma comunidade que diz odiar Hisana porque ela casou por interesse (mentira! Ficou bem claro no mangá e no anime que eles se apaixonaram!) e que nunca correspondeu ao amor dele (outra mentira, o que acontece é que ela não pôde ser inteiramente feliz por não saber onde a Rukia estava!). "Os anos de sonho" só existem quando estamos ao lado da pessoa que amamos. E se os anos de sonho de Hisana foram com Byakuya, então ela o amava! E era correspondida!
Se gostou, mande review! XD
